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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Biografia | " O Rapaz do Caixote de Madeira", de Leon Leyson, Marilyn J. Harran, Elisabeth B. Leyson | Editorial Presença





Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista | Blogger Literária


   O Rapaz do Caixote de Madeira, de Leon Leyson com Marilyn J. Harran e Elizabeth B. Leyson é um relato autobiográfico bastante emotivo e esclarecedor sobre uma das fases mais negras e aterradoras da nossa história Contemporânea - o Holocausto promovido pela Alemanha Nazi que ceifou as vidas de milhares de Judeus, deixando em cada sobrevivente uma memória bem presente dos horrores vividos, dos limites que a crueldade humana consegue ultrapassar, mas também, e em especial nesta obra, da extrema capacidade de resiliência e de adaptação às novas realidades que os seres humanos conseguem demonstram perante situações extremas de violência, carências diversas e discriminação religiosa e cultural.

   O narrador desta história real é também o seu protagonista. Leon era uma criança Judia igual a tantas outras, nasceu numa pequena aldeia rural no Nordeste da Polónia - Narewka - sendo o mais jovem de cinco irmãos ( Hershel, o mais velho, um rapaz forte e rebelde; Tsalig, dócil e sensível, visto por Leon como um herói a imitar; Pesza, humilde e responsável e a única rapariga entre a prole; David, pouco mais velho do que Leon e o seu habitual companheiro de aventuras e traquinices). Viveu um início de infância despreocupado, inserido numa sociedade  de cariz patriarcal, os pais casaram jovens ( a mãe - Chanah - com 16 anos e o pai - Moshe - com 18) e ao pai cabia o papel social de sustentar a família, ao passo que a mãe tinha por papel social cuidar do marido e dos filhos, dedicando a sua vida à família. A aldeia apenas recebeu energia eléctrica em 1935, e não estava dotada de estruturas hoje tão básicas para a sobrevivência como água canalizada e saneamento individualizado por cada casa, mas a existência era serena, havia um forte espírito de entre-ajuda e a comunidade judaica local, constituída por cerca de 1000 pessoas investia na sua formação religiosa e cultural, os jovens frequentavam o ensino público e também o heder (escola judaica), e os mais velhos eram muito respeitados e até mesmo venerados.

   Moshe, o pai de Leon, era funcionário de uma fábrica de vidro e foi convidado pelo patrão a trabalhar em Cracóvia, o que foi considerado uma honra na aldeia. Durante uns anos visitava a família de seis em seis meses, e a sua vinda era um acontecimento que deixava toda a família muito animada. O filho rebelde, Hershel, acabou por acompanhar o pai  estabeleceu-se em Cracóvia, e logo que as poupanças permitiram, todo o agregado vai viver para Cracóvia, deixando para traz a aldeia natal.

   O fantasma da Guerra começa a pairar, mas é com alguma nostalgia que Leon recorda a sua entrada em Cracóvia (em 1938), uma bela cidade histórica, que era também um importante centro cultural.  Já na cidade começa a sentir a discriminação durante a sua frequência da escola primária, em simultâneo, Hitler começa a por em prática o seu horrendo plano de perseguição aos Judeus, marginalizando-os e diabolizando este povo. Em 1939 a guerra é já inevitável e a cidade começa a preparar-se para este conflito, e a 1 de Setembro desse mesmo ano tem início a ocupação Alemã da Polónia. A partir daqui, o mundo conforme Leon sempre conhecera começa a ficar irreconhecível, há espancamentos de Judeus por soldados Alemães na Rua, e em breve é criado o Gueto de Cracóvia, para onde são deslocadas as famílias judias às quais, ainda assim, é reconhecida uma fraca e instável legitimidade para permanecer na Cidade, mas dentro dos muros do Gueto, como que num mundo à parte, onde começam a notar-se toda uma série de privações e de ataques à dignidade de qualquer ser humano: habitações sobrelotadas, carência de bens alimentares e de aquecimento, o que rapidamente leva à doença nos mais frágeis, mas que, em simultâneo, activa um sistema colectivo de solidariedade e entre-ajuda, pois os Judeus do Gueto contribuem para ajudar quem precisa com os recursos que cada um tem, nem que sejam os conhecimentos das respectivas profissões, e surgem mesmo escolas secretas, numa clara reacção silenciosa à opressão Nazi.

   Entretanto, o pai de Leon conhece Óskar Schindler, um empresário Nazi que ficará célebre por salvar a vida de muitos judeus que, através das suas empresas, conseguiu manter sobre a sua protecção, e será este homem a ter mais adiante um papel de relevo na sobrevivência de Leon e de muitos membros da sua família.

   As deportações dos Judeus considerados menos úteis são um prenúncio de que algo vai piorar ainda mais, e após o fim do Gueto de Cracóvia Leon e a família seguem para o Campo de Plaszów, esta mudança de cenário simboliza o que de mais cruel e desumano ainda espera muitos Judeus, e este perigo foi percepcionado pelo então jovem Leon que se refere assim à entrada em Plaszów: " (...) transpor aqueles portões era como chegar ao mais profundo círculo do Inferno." p. 93

   Sujeito a trabalhos forçados, a violência gratuita a castigos sem sentido, muitas vezes o desespero extremo e o sentido de união familiar levaram Leon a arriscar a sua própria vida apenas para garantir que se mantinha próximo dos pais e dos irmãos, o que bem demonstra o sentido de união e de sociedade patriarcal na qual foi educado desde tenra idade. 

   Tem tanto de assustador como de admirável o relato que Leon nos faz de tudo o que viveu no Campo de Trabalho de Plaszów, e fica evidenciada a extrema inteligência e a coragem de um homem como Óskar Schindler, que com a sua astúcia, conseguiu manter muitas vidas judias sendo um empresário Nazi que se movimentava bem dentro do sistema instalado pelo domínio político, militar e ideológico sob os comandos de Adolfo Hitler, um líder político para quem a loucura não conhecia limites.

   Foi a mão protectora de Schindler sobre os seus empregados e as suas famílias que marcou a diferença entre a vida e a morte para Leon e alguns dos seus familiares, e ao usar um caixote de madeira para conseguir trabalhar numa máquina na fábrica de Schindler o jovem Leon chamou a atenção do empresário, que evidenciou admiração perante a astúcia da criança: " (...) eu tinha de me empoleirar num caixote de madeira para poder alcançar os controlos da máquina que estava encarregado de operar." Este simples facto que dá o título ao livro faz-nos também pensar na extraordinária capacidade de adaptação dos seres humanos ao sofrimento e à força que, muitas vezes, encontramos vinda nem se sabe bem de onde, mas que nos permite ir em frente e querer sobreviver a todo o custo, mesmo quando as probabilidades de sobrevivência são cada vez mais reduzidas.

   Sobre a atitude dos Nazis, Leon reflecte sobre a mesma referindo: " Que a nossa miséria, o nosso confinamento e a nossa dor fossem irrelevantes para as suas vidas era simplesmente incompreensível." 

   Estamos perante um livro dirigido ao público jovem, é uma leitura que recomendamos e que sugerimos até possa ser debatida em família. É um livro duro, muitas vezes chocante, e tantas outras enternecedor pela empatia que o corajoso Leon nos suscita sem esforço. Este livro abala-nos por dentro, faz-nos chorar, ter raiva, respirar de alívio, e pensar muito seriamente acerca de até onde podem ir os limites da maldade humana em nome de uma ideologia política, de uma fantasia desvairada e homicida de um psicopata que conseguiu arrastar multidões de seguidores, e faz soar campainhas de alerta num mundo cada vez mais desumanizado e carente de valores, e onde muitos líderes, em nome da religião, da mentalidade ou mesmo da ideologia podem estar, neste exacto momento, a arrastar a humanidade para algo que pode fazer repetir partes da história universal num dos seus piores e mais aterradores momentos.

   É uma leitura incontornável, e que com toda a justeza faz parte do actual Plano Nacional de Leitura, estando recomendada para todos os alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico.

Ficha Técnica.


Autores: Leon Leyson, Marilyn J. Harran, Elisabeth B. Leyson


1ª Edição: Janeiro de 2014 | Livro na 6ª Edição

Nº de Páginas: 188

Género: Biografia

Classificação Atribuída: 5/5 Estrelas



sexta-feira, 31 de março de 2017

Young Adult | "Por treze razões", de Jay Asher | Editorial Presença



Crítica por Liliana Marques | Guest Blogger Os Livros Nossos

Li este livro há uns meses, meio por acaso, e sem perceber a «dureza» do seu conteúdo! «Por Treze Razões» é uma história dura, sobre a vida de uma adolescente - como tantas outras - e embora pareça uma história verídica, felizmente, é apenas ficção!! 

E se de repente alguém nos deixasse à porta uma encomenda estranha, com o nosso nome, mas sem remetente? E se ao abrir essa mesma encomenda encontrássemos sete cassetes, onde, guiados pela voz de uma pessoa amiga, testemunhássemos em primeira mão o sofrimento e os motivos que a levaram a cometer o suicídio?

​Não é um tema fácil. É triste. ​É duro. Mas é um livro que deve ser lido, não de ânimo leve, mas com a consciência de que a história da Hannah é fictícia, mas, infelizmente, existem muitas histórias semelhantes e verdadeiras.

Este é um livro que nos toca por vários motivos. Porque nos fala de temas como o bullying, a amizade e a falta dela, a violação, a insegurança na adolescência e as consequências de gestos que, à primeira vista, nos parecem tão insignificantes, mas que magoam, coroem e muitas vezes acabam mesmo por destruir.  

A história está muito bem construída e estruturada, e a veracidade e franqueza das palavras da Hannah, e do próprio Clay, chega a ser dolorosa e perturbante, e embora tenha dado por mim a questionar algumas das atitudes da personagem principal, não tenho forma de discordar delas. Trata-se apenas de uma jovem de 16 anos! Uma jovem que foi exposta a variadíssimas situações, das quais, na sua maioria era alheia. Aos 16 anos tudo é vivido e sentido de uma forma intensa, e não há preparação emocional para saber qual a melhor forma de agir - ou reagir - para não chegarmos ao efeito «bola de neve». 

​Houve alturas em que pensei que a Hannah não se teria suicidado, e que estas cassetes fossem apenas uma forma de alerta, de dizer «basta!» a todos aqueles que contribuíram para que ela não visse mais nenhuma razão válida para querer continuar viva. No final percebi que o pior aconteceu mesmo, e que para haver outro final a Hannah teria que decidir que queria mesmo viver, e ela não o quis! 

Este tema tocou-me de uma forma muito particularmente, e, talvez por isso, esta leitura tenha sido um misto de sentimentos. O suicídio pode sempre ser visto de duas perspectivas. Por um lado é um acto de coragem! Por outro, é um acto de puro egoísmo!!! 

Para terminar, quer concordemos ou não com as escolhas da autora, esta história acrescenta-nos e leva-nos a questionar muitas das nossas atitudes e, talvez, a olhar de maneira diferente para o outros, e para a forma como os tratamos.

A série baseada no livro, estreia hoje, dia 31 de Março, na Netflix, e para quem prefere séries a livros. É ver, meus senhores! É ver!!!

Ficha Técnica:


Autor: Jay Asher

Editora: Editorial Presença

Nº de Páginas: 232

Género: Romance Contemporâneo | Young  Adult


Alerta TV - Este livro inspirou uma série televisiva que estreia a 31 de Março de 2017 na Netflix, veja aqui o Trailer:





terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Crítica Contemporânea | " O Carrinho de linha azul", de Anne Tyler | Editorial Presença


Crítica por Isabel de Almeida publicada originalmente em  Jornal Nova Gazeta:


O Carrinho de Linha Azul, de Anne Tyler, é um romance contemporâneo de cariz assumidamente literário, com uma prosa rica em detalhes descritivos em estilo intimista e levando os leitores a espreitar a narrativa familiar de uma família Norte Americana da Classe Média - os Whitshank.

Abby e Red Whitshank assumem o protagonismo da trama, enquanto Patriarcas do núcleo familiar composto por quatro filhos: Denny, Amanda, Jeannie e Stem, iniciando-se a narração nos anos 90.

Assumindo as rédeas da gestão das dinâmicas familiares e desejando ter uma família perfeita, Abby cria uma imagem mental idealizada da sua prole, tentando, por exemplo, desculpabilizar a ligação distante e ocasional do filho Denny à família. 

Denny  é, sem dúvida, a personagem mais marcante da história já que mantém com os pais e irmãos uma relação ostensivamente disfuncional, revelando-nos falhas na construção da sua identidade em termos psicológicos (nomeadamente, assumindo perante os pais a sua homossexualidade, mas tentando depois ignorar este aspecto, empenhando-se em relações afectivas de curta duração com diversas mulheres) e também deixando aos leitores pistas importantes quanto aos frágeis vínculos afectivos perante os familiares, com os quais nunca chega a identificar-se.

Vamos também acedendo a diversos episódios de anteriores gerações familiares, com recurso a analepses narrativas, técnica  esta que nos demonstra a enorme capacidade criativa de Anne Tyler e a sua mestria. Achámos bastante interessante a perspectiva do narrador não participante que, por vezes, se dirige directamente ao leitor, peculiaridade que mais prende e envolve o leitor no fio que vai sendo desenrolado deste "Carrinho de linha azul" [O título permitiu uma deliciosa tradução literal, nem sempre possível em Português].

O Carrinho de linha azul revela ser uma metáfora perfeita do curso de vida de toda uma família, ou de cada um dos seus membros individualmente considerados, sendo que o fio poderá apresentar mais ou menos nós, consoante os desafios e problemas que possam aparecer na vivência do dia a dia.

Emotivo, engenhoso, envolvente e muitíssimo bem escrito. Uma lufada de ar fresco neste início de ano.

Ficha Técnica:

Título: O Carrinho de linha azul


Autor: Anne Tyler


Edição: Janeiro de 2017


Editora: Editorial Presença


Páginas: 376

Classificação atribuída no GoodReads/Blogue Os Livros Nossos: 4/5


Género: Romance Contemporâneo




quarta-feira, 26 de outubro de 2016

[Histórico] "Os Espiões do Papa", de Mark Riebling [Editorial Presença]


Ficha Técnica:

Título: Os Espiões do Papa

Autor: Mark Riebling

Colecção: Biblioteca do Século

Edição: Outubro de 2016

Editora: Editorial Presença

Nº de Páginas: 424

Nota: O exemplar da obra foi gentilmente cedido pelo editor para artigo de crítica literária.

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI





Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos com jornal Nova Gazeta:


O ensaio histórico Os Espiões do Papa, integra a colecção Biblioteca do Século, com chancela Editorial Presença, e reúne todas as características necessárias para se tornar numa obra de referência, sustentada sobre um excelente edifício de  pesquisa de relevantes arquivos e documentos que retratam o ambiente da espionagem e contra-espionagem envolvendo o Vaticano e o Papa Pio XII no decurso da II Guerra Mundial.

Mark Riebling destaca-se pela proeza de ter produzido um ensaio histórico sério, credível, mas que proporciona uma leitura acessível, entusiasmante e que agarra o leitor de forma sólida, ao longo de toda a narrativa, revelando-nos personagens fortes, corajosas e que conquistaram, por direito próprio, o seu lugar na história contemporânea, sendo de destacar Pio XII, que chegou mesmo a ser injustiçado ao ser considerado apoiante do regime Nazi e de Hitler, o que não poderia estar mais longe da verdade, conforme decorre da leitura desta obra.

Assume papel de relevo nesta narrativa Josef Müller, advogado Alemão, um homem carismático, íntegro, destemido e inteligente, que nunca hesitou em arriscar a própria vida em nome dos ideais de liberdade e democracia nos quais acreditava, assumindo o controlo e organização de diversas iniciativas de espionagem, fazendo a ligação entre o Vaticano e as forças religiosas civis e militares que, sob o signo do segredo, procuravam pôr fim à barbárie causada pelo Nazismo. Um protagonista verdadeiramente fascinante, com o qual empatizamos facilmente.

É perceptível ao leitor a posição bastante delicada em que Pio XII se viu colocado, uma vez que agir em nome do Vaticano - um Estado Autónomo - poderia agudizar ainda mais a já visível tensão de uma Europa em Guerra e colocar em risco princípios de Direito Internacional e actuar enquanto figura de proa da Igreja Católica poderia colocar em risco a segurança do Vaticano, perante a ameaça Nazi. Muitas vezes, Pio XII calou perante o mundo a sua dor e a sua revolta perante a perseguição e destruição de milhares de Judeus, é, portanto, um homem humano e solidário  aquele que aqui encontramos, a par do político e diplomata hábil, astucioso e algo frio que tantas vezes a história procurou apresentar.

A leitura desta obra surge como uma verdadeira pedrada no charco em termos daquilo que sempre tivemos por certo acerca deste período negro da história contemporânea da Europa e do mundo. Por vezes, os factos históricos, tal como nos são transmitidos inicialmente, dão azo a generalizações erróneas. O presente ensaio mostra-nos toda a rede de resistência interna Alemã ao regime Nazi, o apoio discreto mas eficaz do Vaticano a estas acções.

Interessante também são as reflexões no âmbito da filosofia política e religiosa que permitiram a estes homens justificar perante o mundo e perante as próprias consciências a eventual necessidade de cometimento de tiranicídio na pessoa de Hitler.

Com a estrutura própria de uma obra de ficção, onde nem sequer falta uma elevada dose de permanente suspense, perigo e intriga, heróis e vilões, justiça e injustiça, tudo em crescendo até ao desenlace final, num ritmo e envolvência verdadeiramente arrebatadores.

Brilhante, assente numa sólida base de pesquisa, e bastante revelador. Indispensável para quem goste de história.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

[Secção Criminal] "Maestra", de L. S. Hilton [Editorial Presença]


Ficha Técnica:


Título: Maestra


Autora: L. S. Hilton


Edição: 9 de Junho de 2016


Editora: Editorial Presença


Nº de Páginas: 304


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 Estrelas


Género: Thriller Contemporâneo




Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Maestra, de L. S. Hilton é um thriller contemporâneo que, assumidamente, comporta uma forte componente erótica.

Trata-se de uma obra com características bastante diferenciadoras, considerando o que, ultimamente, vem sendo publicado no panorama da literatura deste género literário, quer internacionalmente, quer em Portugal.

A acção começa em Londres, onde Judith Rashleigh, a ousada protagonista desta narrativa, trabalha enquanto funcionária de base de uma prestigiada leiloeira - British Pictures. Conhecedora do mundo das artes, devido à formação académica [Mestrado nesta área], culta e com gostos sofisticados por apetência pessoal e por diversas leituras autodidactas, embora seja tenha origem social bastante humilde, sendo filha de uma mãe alcoólica, Judith sonha ascender profissional e socialmente no competitivo e elitista mundo das Galerias e coleccionadores de arte de diversos períodos históricos.

Por mero acaso, reencontra uma colega de escola - Leanne - que a desafia a colaborar com um bar de acompanhantes, onde poderá aumentar os seus parcos rendimentos, e a partir daqui tudo se precipita na vida de Judith, muito por culpa do acaso ou do destino, consoante queiramos designar os circunstancialismos de vida.

Envolvida inadvertidamente em circunstâncias menos felizes, nomeadamente, correndo o risco de ser acusada (ainda que  em boa verdade, sem que seja sua culpa directa) da prática de um homicídio, despedida do emprego na Leiloeira devido a ter-se imiscuído em esquemas menos transparentes nos quais o chefe - Rupert - era mentor e não vítima.

 Judith acaba por embarcar numa existência quase ilusória [ilusão esta que pode acabar a todo o momento] que a leva pelos locais onde habitualmente se divertem as classes altas da Europa - Riviera Francesa, Santa Margherita [Itália], Roma, Lago Como [Itália], Genebra, Paris e Veneza, onde somos brindados com uma alguma ironia e sátira social à vida fútil e de mero exibicionismo de certo Jet Set Europeu, onde o prestígio  dos homens se mede pelo tamanho dos seus Iates.

Gradualmente, vamos acompanhando bem de perto o percurso pessoal de Judith a qual se move num universo de sofisticação, risco permanente, alta tensão e iminente perigo de ser desmascarada, ingressando num crescendo de violência e crime que encara como modo natural de remover obstáculos da sua vida.

Encontramos uma anti-heroína perversa, sofisticada, culta, inteligente, amoral e totalmente desprovida de empatia e emoções (esta última constatação leva-nos a querer desvendar todos os cambiantes desconhecidos do seu passado, mas conseguimos cruzar-nos com a existência de uma mãe alcoólica e certamente ausente, com bullying escolar e com a ausência de referências a qualquer figura paterna, o que naturalmente poderá ajudar ao desenvolvimento de uma personalidade anti-social, à ausência de emoções, e à frieza canalizada para a prática de actos violentos que são encarados como perfeitamente naturais).

O erotismo que pontua toda a obra surge também enquanto factor muito entranhado na personalidade da protagonista, sendo o sexo e o desejo formas de exercício de poder e que dão a Judith a ilusão de superioridade, numa identidade pessoal que, em termos psicológicos, encontrou sérios obstáculos ao seu desenvolvimento.

Trata-se de uma obra forte, intensa, com tanto de cruel e gráfica na descrição dos crimes, quanto de viciante no seu todo.

Com diversas referências culturais, nomeadamente, no mundo da arte, cenários de sonho, alta tensão. perigo permanente, um ritmo narrativo trepidante e um inesperado final que acaba por ter o seu "quê" de cliffhanger deixando os leitores a ansiar pela continuação da história estamos perante um romance que adoramos ou detestamos (sem lugar a meio-termo) mas ao qual certamente ninguém pode ficar indiferente.

Aguardamos também, com expectativa, a adaptação da obra ao cinema que já de encontra a cargo de Cressida Wilson, a argumentista responsável pela adaptação do Thriller psicológico "A Rapariga no Comboio" .

Pessoalmente, adorámos e lemos de uma assentada, mais um título na galeria dos preferidos deste ano.



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

[Crítica Contemporânea] "Tu, eu e Todo o Tempo do Mundo", de Taylor Jenkins Reid [Editorial Presença]


Ficha Técnica:


Título: Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo


Autora: Taylor Jenkins Reid


Edição: Fevereiro de 2016


Colecção: Grandes Narrativas [nº 626]


Editora: Editorial Presença


Páginas: 304


Classificação atribuída no GR: 4/5 estrelas


Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blogue Os Livros Nossos:


Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo, de Taylor Jenkins Reid é o romance de estreia desta autora Norte-Americana, que nos surpreende, desde logo, pela riqueza, rigor e forma desafrontada como aborda um tema bastante complexo e pertinente como o luto pela perda da pessoa amada.

Elsie Porter é uma jovem  e independente bibliotecária que mantém com os pais - médicos viciados no trabalho - uma relação muito pouco próxima e carente de afectividade. A pessoa com quem pode sempre contar, nos bons e maus momentos, é a sua melhor amiga Ana.

Elsie levava uma vida simples e algo rotineira, até que, acidentalmente, conheceu Ben, o amor da sua vida, e, muito rapidamente, o que começou com uma atracção física transformou-se numa relação estável, intensa mas que foi brutalmente interrompida pela morte acidental de Ben.

A protagonista ilustra de modo muito realista e terra a terra uma jovem esposa enlutada, apresentando as várias fases do luto: choque, negação e uma lenta aceitação.

A sensação de que a vida deixa de ter sentido após a morte do marido, o isolamento social, o descurar a imagem pessoal, e a culpabilização pela perda sofrida também são evidentes no percurso de Elsie.

Curiosa é também a evolução do relacionamento entre Elsie e Susan, a sogra que apenas virá a conhecer aquando do falecimento de Ben. Inicialmente,  a desconfiança e alguma hostilidade marcam o contacto entre ambas, mas os seus caminhos não são tão opostos como, à partida, poderia parecer, pois também Susan perdeu o marido e encontra-se ainda a tentar lidar com essa situação, quando é apanhada de surpresa pela morte do filho, e por um aspecto da vida deste que desconhecia.

A narrativa vai alternando entre o passado e o presente de Elsie, e vamos assistindo à sua caminhada emocional ao longo do processo de luto, e à sua evolução psicológica neste campo.

Terno, intenso, realista e emotivo, é um romance que nos faz oscilar entre a sensação de ternura e de empatia em relação à tristeza da protagonista e da sogra, e que revela maturidade  e sensibilidade por parte da jovem autora.


[Resultado Passatempo Presença] "Tu, eu e todo o tempo do mundo", de Taylor Jenkins Reid



E terminado o nosso passatempo especial de S. Valentim, com o apoio da nossa parceira Editorial Presença, estamos em condições de anunciar o resultado do mesmo.

Total Participações: 100

Vencedora: Nº 11 - Aida Pinheiro - Feijó - Almada

Muitos parabéns à vencedora, e o nosso muito obrigada a todos os participantes. No próximo mês completamos o nosso quarto aniversário, e teremos muitas muitas surpresas para os nossos leitores, fiquem atentos.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[Passatempo - Especial S. Valentim] "Tu, Eu e todo o tempo do mundo [Editorial Presença]



Para Celebrarmos o S. Valentim, temos para sortear entre os nossos leitores um exemplar do livro Tu, Eu e todo o tempo do mundo, de Taylor Jenkins Reid, com o apoio da nossa parceira Editorial Presença.

[Regras do Passatempo]:

- O passatempo decorrerá entre o dia 3 de Fevereiro de 2016 e as 23 horas e 59 minutos do dia 12 de Fevereiro de 2016.

- Será necessário preencher correctamente o formulário de participação.

- Serão válidas participações de Portugal Continental e Ilhas.

- É obrigatório ser fã do blogue no Facebook e/ou no Google + e seguidor da Editorial Presença no Facebook.

- Apenas é permitida uma participação por pessoa.

- O vencedor será sorteado  aleatoriamente através do site Random.com, sendo o prémio enviado ao vencedor pela Editora, nem a Editora nem a administração do blogue se responsabilizam por atraso ou eventual extravio de correspondência no sistema postal nacional.

Podem encontrar a resposta para a pergunta do formulário AQUI





quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

[Novos Livros] " Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo", de Taylor Jenkins Reid [Editorial Presença]

Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo

Taylor Jenkins Reid

Título Original: Forever, Interrupted

Tradução: Isabel Nunes
Páginas: 304
Coleção: Grandes Narrativas Nº 626
PREÇO: 16,90€
ISBN: 978-972-23-5759-3



Data de Publicação: 3 Fevereiro 2016



                                         OBRA DE ESTREIA

«Um romance comovente sobre a vida e a morte.»
Kirkus

4.4 estrelas na amazon.com

[Sinopse]:

Quando Elsie Porter saiu de casa naquele chuvoso dia de Ano Novo estava longe de pensar que minutos depois conheceria o seu grande amor, Ben Ross. A atração é imediata e arrebatadora, e casam-se pouco tempo depois. No entanto, um acidente mortal destrói a felicidade de Elsie. Para a ajudar a lidar com a dor, conta com a mãe de Ben, numa manifestação de amizade que se revelará de enorme importância para as duas. Uma história contada de maneira simples e profunda.

[Sobre a autora]:

Taylor Jenkins Reid é uma escritora, ensaísta e argumentista norte-americana. Os seus ensaios são publicados pelo Los Angeles Times e pelo Huffington Post. Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo, o seu primeiro romance, tem os direitos vendidos para diversos países, entre eles Itália, Alemanha, Holanda, Noruega, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América.
Mais informações em: http://www.taylorjenkinsreid.com.

GÉNERO: Ficção e Literatura/ Romance Romântico/ Romance Contemporâneo.

PÚBLICO-ALVO: Público adulto, preferencialmente feminino.


    [Citações de Imprensa Estrangeira]:


«Cada página faz-nos rir e chorar.» - Redbook

«Taylor Jenkins Reid estreia-se com um livro magnífico.» - Romantic Times

«Comovente e intenso. A autora deixa uma marca indelével. Um romance de estreia notável.» - Publisher's Weekly, starred review


Saiba mais sobre esta e outras obras da Editorial Presença AQUI

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

[Natal 2015 - Passatempo 5] " O Pintassilgo", de Donna Tartt [Editorial Presença]


Com o apoio da Editorial Presença temos para sortear entre os nossos leitores um exemplar do romance O Pintassilgo, de Donna Tartt.

Para se habilitarem a este prémio basta seguir as regras do passatempo, e preencher correctamente o formulário de participação.

Boas Festas e Boa Sorte!

[Regras do Passatempo]:

- O passatempo decorrerá entre o dia 16/12/2015 e as 23 horas e 59 minutos de 27/12/2015

- Serão válidas partições de Portugal Continental e Regiões Autónomas.

- Apenas é válida uma participação por pessoa.

-  É obrigatório ser seguidor das páginas do Blog Os Livros Nossos - Facebook e da Editorial Presença - Facebook

- Os vencedores serão seleccionados aleatoriamente através do site random.org, e o livro será enviado via CTT pela administração do blog.

- Nem a administração do Blog nem a Editora se responsabilizam por quaisquer atrasos ou extravios que possam ocorrer no sistema postal Português.




terça-feira, 7 de outubro de 2014

[Passatempo - Resultado] "Conquista o teu amor", de J. C. Reed [Editorial Presença]


   Com o simpático apoio da nossa Parceira Editorial Presença, tinhamos para oferecer a um dos nossos leitores um exemplar do livro Conquista o teu amor, de J. C. Reed. 


[Resultado Passatempo]:

Tivemos 96 Participações, mas temos apenas um vencedor:

Participação vencedora:

Nº 53 - Luís Costa e Silva, de Lisboa.

Obrigado a todos os participantes, em breve teremos mais passatempos.


sábado, 16 de agosto de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Entrega-te ao Amor", de J. C. Reed [Presença]



Autora: J. C. Reed

Editora: Editorial Presença

Edição: Agosto de 2014

Páginas: 256

Género: Romance contemporâneo/erótico

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Entrega-te ao Amor, de J. C. Reed é um romance contemporâneo do género erótico.

   A linguagem é ligeira, acessível  e bastante coloquial, e o ritmo narrativo é bastante dinâmico, dando ao leitor a ideia de  estar a acompanhar, enquanto espectador privilegiado, a rotina quotidiana das personagens, de forma bastante descontraída.

  Os protagonistas deste romance são, respectivamente: a jovem Brooke Stewart, recém licenciada, a residir em Nova Iorque, e a trabalhar no sector imobiliário, partilhando residência com a sua melhor amiga Sylvie - uma rapariga de elevada condição social, a melhor aluna da turma nos tempos de estudante, e viciada em trabalho na área financeira, sendo também adepta de saídas nocturnas regadas a álcool.

   Brooke é determinada, trabalhadora e bastante teimosa, e traz consigo uma história familiar cujo conteúdo traumático leva a que se sinta resistente em relação a assumir compromissos sérios ao nível amoroso, estando envolvida numa relação aberta, mas acabando por, secretamente, acalentar a secreta esperança de ter finalmente encontrado Mr. Right.

  Jett Mayfield é um homem de negócios na casa dos trinta, belo, sexy, incrivelmente sedutor, irá tornar-se no novo patrão de Brooke, pela qual irá sentir uma inegável atracção física, em que irá ser correspondido,ainda que a medo. 

  Ambos irão ver-se enredados num relacionamento que alcançará um entendimento ao nível sexual, ambos assumindo que as emoções serão alheias a tal contexto. Mas as evidências apontam em sentido contrário, pois quando os dois protagonistas estão juntos, é quase visível a energia e a tensão sexuais que emanam dos seus corpos e que torna quase impossível, ou pelo menos muito difícil, que consigam concentrar-se no trabalho, na empresa imobiliária de renome pertencente à  poderosa família de Jett.

  O livro contém cenas de cariz sexual com descrições explícitas, mas mostrando-se devidamente contextualizadas, e que levam a que os leitores, inevitavelmente, torçam pelo sucesso de uma relação romântica em moldes mais tradicionais.

  Também Jett carrega sobre si mesmo o peso de um passado nem sempre fácil ao nível familiar, e que alguma forma condiciona alguma cautela e contenção emocional, cujas barreiras podem ser quebradas por Brooke.

   Sem dúvida, apesar de não ser muito extenso, é nítido o cuidado da autora em conferir às personagens alguma densidade ao nível psicológico, o que enriquece a narrativa.

   Nota máxima para os cenários onde decorre a história, que vão da agitada Nova Iorque, à belíssima mansão nas margens do Lago Como, em Itália, na região de Milão.

   Uma boa aposta da autora foi a inclusão de um componente de algum suspense, que leva o leitor a levantar inúmeras hipóteses acerca de que mistérios se escondem por detrás de arriscados negócios imobiliários.

   No terço final da trama, somos brindados com um twist surpreendente, e quando chegamos ao final da leitura, desejamos ter logo ali à mão os livros seguintes da série.  Uma boa aposta da Editorial Presença. seguindo as tendências actuais do mercado nacional.

  Uma excelente leitura para levarmos para a praia em tempo de férias, e mais uma autora cujo trabalho iremos seguir atentamente.

Classificação Atribuída o GoodReads: 4/5 Estrelas.

terça-feira, 22 de abril de 2014

[Resultados Passatempos] 2º aniversário do Blog



Aqui ficam os resultados dos três passatempos alusivos ao 2º Aniversário do Blog Os Livros Nossos:

1º Passatempo - " A Partir deste momento" - Bella Andre - Apoio Planeta

Total de participações: 319
Vencedor: Jorge Manuel [...] Martins - Castelo de Paiva

2º Passatempo - Três livros de Rose Gordon - autografados pela autora

Total de Participações: 127
Vencedora: Daniela Martins [...] Costa - Montijo

3º Passatempo - "Uma História de Amor Eterno" - Sebastian Cole - apoio Presença

Total Participações: 300
Vencedor: Rúben Alexandre [...] Peregrino - Portimão

O nosso obrigado a todos os participantes, parabéns aos vencedores e quem não ganhou não desanime, novas oportunidades não faltarão.




segunda-feira, 31 de março de 2014

[Opinião] " Uma história de amor eterno", de Sebastian Cole [Editorial Presença]



Autor: Sebastian Cole

Edição: 04/02/2014

Colecção: Grandes Narrativas [Nº 569]

Páginas: 264

Género: Romance romântico

Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Uma História de Amor Eterno, do autor Norte Americano Sebastian Cole é, como o título não esconde, uma história de amor comovente, terna e surpreedente.

   As personagens centrais são -Noah Hartman -  oriundo de uma abastada família Judia, que  conhecemos já na fase final da vida, internado numa unidade hospitalar, onde recorda o seu percurso pessoal. Noah é uma personagem bastante densa psicologicamente, com a qual facilmente empatizamos. 

  Superprotegido pelos rígidos pais - Miriam e Jerry Hartman, conta com a amizade terna do irmão  Scott e da esposa deste, e encontra em Robin, uma Asistente Social ruiva, exuberante e de estatuto social inferior ao de Noah a sua verdadeira alma gémea, mas tal relacionamento não agrada à família de Noah, em especial à sua tradicionalista mãe Miriam Hartman, uma mulher de forte personalidade, fortemente controladora e manipuladora em relação à vida do filho, e que deseja que este encontre um casamento socialmente correcto, com alguém que seja do seu círculo de relações e que comungue da religião judaica.

   Contra a vontade dos pais de Noah, este e Robin iniciam uma relação onde alcançam o pleno entendimento e uma verdadeira comunhão de almas, até que, subitamente, as coisas escapam ao controlo de ambos, por motivos que, só no final do romance serão desvendados.

   Robin é uma mulher bela, extrovertida, solidária e bastante devotada ao seu trabalho junto dos mais carenciados, mas que esconde uma inquietação interior, uma perturbação psíquica  lhe chega mesmo a ser prejudicial, devido a situações profundamente traumáticas que marcaram a sua adolescência.

   Ao longo da obra, escrita num tom bastante emotivo e até mesmo confessional e intimista, onde acedemos ao mundo interno de Noah, o grande protagonista da trama, através de planos narrativos que percorrem o passado  e que vão fazendo eco do presente, assistimos ao amadurecimento da personagem, à sua reconstrução como ser humano, aprendendo gradualmente a sair da zona de conforto proporcionada pelo entorno familiar, e a arriscar satisfazer os seus próprios sonhos e vontades.

   Robin é uma personagem algo perturbadora, que suscita no leitor sentimentos algo contraditórios,até ao momento revelador em que iremos conseguir contextualizar a sua instabilidade psicológica.

   Ternura, amor, a força do destino, e um final verdadeiramente surpreendente prometem horas de entretenimento a todos os que adoram uma bela história de amor, narrada com sensibilidade e um toque de originalidade.

Classificação atribuída no Goodreads: 4 de 5 estrelas


sábado, 15 de março de 2014

[Passatempo 3 - 2º aniversário] " Uma História de Amor Eterno", de Sebastian Cole [Presença]


   Com o simpático apoio da nossa parceira editorial Presença temos para sortear entre os nossos leitores um exemplar do romance Uma História de Amor eterno, de Sebastian Cole.


Regras do Passatempo:

- O passatempo decorrerá até as 23 horas e 59 minutos do dia 31 de Março de 2013
- É obrigatório ser fã da página do blog no Facebook -
- É obrigatório ser fã da página da Presença no Facebook - 
- É obrigatória uma partilha inicial no facebook, e será permitida uma partilha adicional por pessoa e por dia, aumentando-se as entradas por pessoa [quanto mais dias partilhar mais hipóteses tem de ganhar].
- Apenas são admitidas participações de Portugal Continental e Ilhas
- O vencedor será seleccionado através de random.org
- O livro será enviado pela editora ao vencedor, e nem a administração do blog nem a editora se responsabilizam por eventuais atrasos ou extravios no envio do livro pelos serviços postais nacionais.

Boa sorte !



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

[Renda & Saltos Altos] " Por Amor ou por Herança", de Ruth Cardello [Editorial Presença]




Autora: Ruth Cardello

1ª Edição: 04.02.2014


Colecção: Champanhe e Morangos [Nº 54]

Páginas: 184

Género: Romance Feminino/Literatura Light


Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:


  Por Amor ou por Herança, de Ruth Cardello, corresponde ao segundo romance da série iniciada com Apaixonada por um milionário.

  Neste segundo romance, vamos encontrar como personagens centrais, a bela e solitária Nicole Corsini, irmão de Dominic Corsini (o herói romântico do primeiro livro da série), que num acto de coragem, decide enfrentar fantasmas do passado e uma cruel luta entre famílias poderosas do mundo dos negócios, e propor a Stephan Andrade ( o grande rival do seu irmão Dominic Corsini e protagonista masculino deste romance), um plano arriscado em que ambos fingem estar noivos, como forma de salvar a empresa dos ditames do testamento do falecido pai, que impusera que o grupo ficasse durante um ano, confiada a Dominic, o que Nicole sente que será a possível destruição da mesma, e o fim dos postos de trabalho dos seus leais funcionários e administradores.

   Em tempos, Nicole e Stephan haviam mantido um relacionamento muito próximo, sendo quase certo que viessem a casar-se, mas tais planos foram deitados por terra, devido ao forte conflito entre as famílias de ambos, Corsini e Andrade, com os dois mais jovens varões de cada uma das famílias em permanente confronto no mundo da alta finança e das jogadas políticas, ao nível internacional.

   Surge assim uma narrativa simples e fluída, mas envolvente que nos demonstra como evolui gradualmente o relacionamento de Nicole e Stephan, e a verdade é que embora ambos de mostrem cautelosos, não conseguem negar os sentimentos que nutrem um pelo outro, mas a verdade é que o conflito e rivalidade entre Stephan e Dominic pode ter atingido proporções de tal forma gravosas e ao arrepio de quaisquer escrúpulos, que pode por em causa a hipótese de ultrapassar diferendos, em nome da relação amorosa entre os jovens, que à mesma tentam resistir.

   No meio de muitas peripécias, a autora brinda-nos com mais uma história plena de emoções, e que promete prender as leitoras às paginas do livro, numa curiosa alternância entre momentos de humor (como um parto numa Limousine em Plena Rua de Nova Iorque) ternura, sabedoria e união familiar.

 Ponto interessante é também verificar que Nicole é uma jovem algo insegura e solitária, muito por influência da relação pouco estruturada que manteve com o pai, e pelo facto de este ter sido um homem frio, tendo mesmo levado ao desaparecimento da mãe de Nicole e Dominic, mas a quem a filha sempre tentou desesperadamente agradar, ainda que sem retorno de tal investimento afectivo.

   Por sua vez, Stephan teve a sorte de crescer numa família tradicional e bastante unida, onde as mulheres acabam, por ter, muitas vezes a última palavra, e onde há um verdadeiro sentido de clã e de salutar união familiar, embora possam também existir segredos que podem ter condicionado o rumo da vida do nosso protagonista.

  Romance, intriga, amor, ternura, tensão e muitas revelações, numa história simples mas profundamente envolvente, e de fácil  e compulsiva leitura. Recomendamos sem hesitação.

Classificação atribuída no Goodreads: 4 em 5 estrelas

Leia a nossa crítica ao primeiro romance da série "Apaixonada por um Milionário" AQUI



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

[Passatempo] "Por Amor ou por herança", de Ruth Cardello [Editorial Presença]





RESULTADO

Com o apoio da nossa Parceira Editorial Presença iremos oferecer a um dos nossos leitores um exemplar da Obra Por Amor ou por herança, de Ruth Cardello.


Contámos com 119 participações válidas.

A vencedora foi:

- Vânia Cristina Janeirinho [Algés]

Parabéns e obrigado a todos os participantes!

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[Opinião] "Entre o Agora e o Nunca", de J. A. Redmerski [Presença]


Título: Entre o Agora e o Nunca

Autor: J. A. Redmerski

Editora:  Presença

Colecção: Grandes Narrativas [nº 565]

Edição: Janeiro de 2014

Páginas: 464

P.V.P.: 18,80€

Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:




Entre o Agora e o Nunca, de J. A. Redmerski, é um romance contemporâneo que suscita aos leitores algumas reflexões acerca da forma como decidimos conduzir as nossas vidas, de forma mais ou menos conformista, em relação ao que impõem as regras do "politicamente correcto".

   Os protagonistas são dois jovens - Camryn Bennett e Andrew Parrish - que travam conhecimento durante uma viagem sem destino concreto, por várias Estados dos Estados Unidos, em autocarros de longo curso.

  Camryn é uma jovem de vinte anos que atravessa uma depressão, estando ainda muito presente a perda num trágico acidente do seu primeiro namorado. A mãe da jovem tenta também reconstruir a vida amorosa, após um divórcio.

 A protagonista feminina do romance está, de algum modo, ainda em processo de construção da sua própria identidade, em busca de qual o melhor caminho que decidirá percorrer no futuro próximo e da estabilidade amorosa que também não se cruzou ainda no seu caminho, por força do destino.

   Um conflito com a melhor amiga - Natalie - no qual se sente injustiçada, o facto de não sentir o recente emprego num grande armazém como fonte de realização pessoal, faz com que Camryn se sinta desenquadrada, e decide, num impulso, empreender uma viagem pelos Estados Unidos, sem destino certo.

  A dado passo do caminho, Andrew Parrish cruza-se com Camryn. Andrew é um jovem atraente, divertido, um espírito livre, mas ao mesmo tempo, mantém uma certa aura de mistério. Cedo ambos começam a aproximar-se, e em pouco tempo surge entre ambos uma cumplicidade inesperada, que levará cada um deles a quebrar barreiras psicológicas e a avançar, ainda que a medo, para auto-revelações.

   Algo de muito forte ao nível emocional e físico desponta entre o casal, e Camryn descobre toda uma nova perspectiva de vivência da vida de forma livre, flexível, e deixando para trás alguns temores e preconceitos em relação à intimidade e ao sexo.

   As personagens mostram-se bastante densas, e conseguimos ter acesso ao seu mundo interno através de deliciosos diálogos que nos fazem sentir estarmos a invadir a esfera privada dos dois, como se também nós leitores tivéssemos o pleno direito de nos assumirmos como espectadores das suas vidas.

   As emoções atravessam as páginas do livro, e são de molde a fazer-nos rir, sorrir, ou mesmo ficar à beira das lágrimas.

   De um modo particularmente sensível, e no ritmo certo, é visível o nascimento de uma relação amorosa entre os protagonistas.

     Também a sensualidade e o erotismo não estão, de todo, arredados da trama, ainda que de modo natural, cúmplice e até mesmo divertido. O romantismo também reina. E a leitura flui rapidamente, até que, quase sem darmos por isso, chegamos ao final, não imunes ao peso de alguns twists e revelações bombásticas que podem mesmo deitar a perder a hipótese de um futuro em comum para Camryn e Andrew, duas pessoas longe da perfeição, mas que talvez por isso mesmo, geram forte empatia junto do leitor.

  Uma excelente escolha editorial, cuja leitura recomendamos sem qualquer hesitação.