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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Renda & Saltos Altos | " A Verdade sobre Lorde Stoneville", de Sabrina Jeffries | TOPSELLER



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista


A Verdade sobre Lorde Stoneville, é o romance que dá a conhecer ao público Português Sabrina Jeffries, autora bestseller do New York Times que nos brinda com um excelente romance de época com chancela Topseller

A premissa inicial deste romance de época, cuja acção decorre em Inglaterra em 1825, decorre de uma analepse inicial até 1806, contextualizando um trágico acontecimento familiar que irá influenciar de forma decisiva o desenrolar da acção, bem como a evolução, em termos psicológicos, do herói - Oliver Sharpe - Marquês de Stoneville.

Libertino inveterado, evitando constantemente o compromisso, pois sente-se incapaz de ser fiel a uma mulher, Lorde Stoneville é o herdeiro do título nobiliárquico que lhe chegou através do pai, sendo Oliver o resultado de um casamento infeliz que procurou salvar da ruína certa a propriedade de Haltstead Hall, na posse do anterior Marquês, que contraiu matrimónio com a bela e rica filha de comerciantes - Prudence Plumtree - num contrato bastante usual na época, onde alguma da nobreza tradicional britânica estava arruinada, apenas tendo como moeda de troca os seus títulos, que por sua vez, eram vistos como apetecíveis bilhetes para a ascensão social desejada por tantos membros da burguesia, pessoas de origens humildes que enriqueciam em resultado do comércio a que se dedicavam.

Do casamento infeliz do anterior Marquês de Stoneville e da sua esposa Prudence, ambos já falecidos num contexto que gera constantes rumores, dúvidas e mexericos entre a alta sociedade Londrina, nasceram (além de Oliver, o mais velho e herdeiro) outros quatro filhos: Jarret (viciado em jogo), Minerva (escritora de romances góticos, considerados escandalosos à data), Gabriel (viciado em corridas) e Celia (tem uma forte apetência por tiro ao alvo, e encabeça a luta pelos direitos dos trabalhadores infantis, então alvo de dura exploração no Reino Unido). Os Cinco irmãos são conhecidos por "Os demónios de Hallstead Hall", e vivem a expensas da avó, a astuciosa e determinada Hester Plumtree, gerente da cervejaria que herdou do marido, é uma empresária próspera que decide congeminar um plano para levar os netos, todos eles indomáveis e independentes, a constituir família e a continuarem a sua dinastia familiar, fazendo-lhes um ultimato nesse sentido.

O Marquês de Stoneville vê-se, assim, encurralado num beco sem saída, quando a avó tenta manipular os cinco netos, levando-os a casar sob pena de serem despojados da sua vasta fortuna pessoal. Hester, uma mulher muito inteligente, e uma das personagens mais marcantes, de forte personalidade e muito intuitiva, mostra conhecer muito bem a sua prole de netos incorrigíveis - " Encontrara, por fim, uma forma de fazer com que todos lhe obedecessem: usar o afecto que sentiam uns pelos outros, a única constante nas suas vidas."

Oliver Sharpe, Lorde Stoneville, é um homem marcado pelo passado, esconde segredos pesados que cerceiam a sua crença na possibilidade de ser feliz, optando por evitar a vivênvia normal de uma relação amorosa potencialmente bem sucedida no futuro: " (...) Não havia nada por que valesse a pena arriscar a vida, Nem uma mulher, nem a honra e muito menos a reputação." e revelando fortes problemas de auto-estima e sentimentos de culpa que procura exorcizar criando uma "persona" que, afinal, descobrirá não corresponder ao seu verdadeiro "eu".

Por acaso do destino, o Marquês, que encara negativamente a responsabilidade e o dever de decoro e reputação impostos pelo título de nobreza que possui, irá cruzar-se com Maria Butterfield, uma jovem herdeira americana, que com a ajuda do desajeitado e desengonçado primo Freddy, procura o seu noivo desaparecido, com o qual necessita de casar para assumir a titularidade da fortuna deixada por morte do pai, dono de metade de uma poderosa empresa ligada ao sector de transportes marítimos.

É deveras interessante e divertido observar a dinâmica entre um nobre Inglês, que renega o peso das suas responsabilidades, mas que intimamente se culpabiliza por não se sentir à altura do papel social que lhe coube em sorte desempenhar, e entre uma herdeira americana bastante pragmática, desassombrada e frontal, com pouco ou nenhum poder de encaixe para todas as regras e os maneirismos e aparências impostos pelo rígido e hipócrita código social da alta sociedade britânica.

Vendo-se na contingência de representar o papel de falsa noiva de Stoneville, numa tentativa de contrariar o plano da avó do Marquês, em troca recebendo ajuda para resolver a sua delicada situação pessoal, Maria será uma verdadeira lufada de ar fresco que entra nos bolorentos salões da ancestral residência familiar de Stoneville - Hallstead Hall - (e isto sucederá tanto em sentido literal como simbólico ou figurado).

O confronto cultural entre duas pessoas com educação tão díspar, a personalidade forte e a teimosia inerente ao casal protagonista, e a forte e espontânea química sexual que surge entre ambos ( e que resultará em cenas pejadas de erotismo bastante intensas e devidamente contextualizadas), serão os propulsores ideais do desenvolvimento do enredo e de uma clara evolução psicológica de ambos os protagonistas.

Uma mistura explosiva de drama, mistério, crítica social, paixão, coragem, o poder redemptor do amor, ingredientes que evoluem perante um evidente choque cultural que  levam o leitor a não querer pousar o livro antes de terminar a sua leitura, além de nos deixarem a ansiar pelos próximos romances da série, até porque no final surgem pistas para um novo entendimento de uma situação familiar que parecia já sanada, e os restantes irmãos Sharpe prometem muitas horas de puro entretenimento. Prepare-se, Sabrina Jeffries parece-nos perita em escrever estes  deliciosos guilty pleasures para adeptos do romance de época.

Ficha Técnica do Livro


Autora: Sabrina Jeffries

Edição: Fevereiro de 2018


Nº de Páginas: 352

Género: Romance de época | Inglaterra Século XIX

Classificação Atribuída: 4/5 Estrelas



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Renda & Saltos Altos | 11 Escândalos para Prender o Coração de Um Duque | Topseller



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista | Blogger Literária


11 Escândalos para Prender o Coração de Um Duque, de Sarah MacLean, é um romance de época cuja acção decorre em Londres no Século XIX, sendo o terceiro romance da série #love by numbers.

O grande trunfo desta obra é, sem dúvida, apresentar dois dos mais marcantes protagonistas de ficção romântica de época com os quais nos cruzámos em tantas leituras do género, sendo reconhecido o talento da autora na construção de personagens com personalidade bem vincada.

Apesar de se moverem em pólos opostos em termos sociais, emocionais e de personalidade, o Duque de Leighton - Simon - e Luciana Fiori acabam por vivenciar um sentimento comum que, ainda que inconscientemente, mais os aproxima: ambos lutam por encontrar um modo de se adaptarem à sociedade britânica e ao rígido código moral e social do beau monde Londrino do Século XIX, e este desafio diário atormenta os dois protagonistas desta trama.

O poderoso Duque de Leighton, conhecido pelo pouco simpático epíteto de "Duque do desdém", vive obcecado por conservar incólume a reputação da sua família, e receia, a todo o momento, ver desvendado um segredo de família que poderá minar todos os seus esforços de protecção da tradição, honra e bom nome do seu Ducado.

Juliana Fiori, filha de um Mercador Italiano e de uma Marquesa Inglesa que caiu em desgraça ao abandonar o marido e os filhos em Inglaterra, e mais tarde, tendo também deixado para trás a filha Juliana, luta por encontrar um lugar possível no seio da alta sociedade britânica, carregando sempre a culpa de ser olhada com suspeição, quer devido ao estigma dos pecados maternos, quer ainda por ser impulsiva, muitas vezes socialmente desadequada, chegando a ver-se a si mesma como um verdadeiro "escândalo ambulante".

Nem Simon nem Juliana se sentem totalmente confortáveis nos respectivos papéis sociais, mas a teimosia de ambos e a forte atracção que começam a sentir um pelo outro prometem proporcionar aos leitores momentos verdadeiramente hilariantes e também emotivos.

A trama é interessante e vai vai deixando algumas pistas acerca do que foi moldando a personalidade e as atitudes dos protagonistas. Surge também um curioso leque de personagens secundárias, de que são exemplo: a Duquesa Viúva de Leigthon ( a mãe de Simon, que simboliza a contenção emocional e a frieza da aristocracia britânica), a simpática Lady Mariana Allendale e o seu irmão (amigos e adjuvantes de Juliana), os Marqueses de Ralston ( respectivamente irmão e cunhada de Juliana), Nick e Isabel ( também, respectivamente, irmão e cunhada de Juliana). Este colorido leque de personagens secundárias confere forte dinamismo à história.

É bastante curiosa a abordagem que a autora faz do choque cultural entre Juliana e Simon. Ela, Italiana, impulsiva, descontraída, independente, católica, vê-se subitamente lançada aos leões num mundo que não é o seu, onde cada atitude, cada gesto, cada decisão estão sujeitos ao permanente escrutínio da implacável alta sociedade Londrina. Por sua vez, Simon, arrogante, criado para cumprir regras, para conter emoções e para escolher a noiva perfeita que será a mãe ideal para os herdeiros da sua irrepreensível família Ducal será surpreendido pela forte atracção que lhe desperta Juliana.

Ao nível psicológico assistimos a importantes evoluções  da parte dos protagonistas. Simon acabará por reconhecer que a auto-censura nem sempre tem o poder suficiente para repelir forças primitivas como a paixão e o desejo. Juliana terá de aprender a vencer a culpa e o preconceito que, inconscientemente, deixava que a atormentassem, tendo tudo a ganhar em aceitar a sua essência de mulher livre, independente, determinada , apaixonada e aventureira.

Paixão, conflito interno, a luta entre "dever" e "querer", protagonistas fortes que emanam uma evidente química entre si, um saudável toque de humor que denuncia a rigidez das convenções sociais de uma época onde cumprir regras estava, quase sempre, acima da felicidade pessoal. Uma leitura que será do agrado dos adeptos do romance de época e que não desilude. Recomendamos!

Ficha Técnica do Livro:


Autora: Sarah MacLean

Série: #Love by numbers - livro 3


Edição: Julho de 2017

Nº de Páginas: 352

Classificação atribuída: 4/5 estrelas

Género: Romance de época | ficção romântica sensual


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Filha do Vigário", de Cheryl Holt | Quinta Essência



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista | Blogger Literária


A Filha do Vigário, de Cheryl Holt, conhecida justamente pelo epíteto de Rainha do Romance Sensual, é um romance de época, cuja acção decorre em pleno período da Regência, mais concretamente, em 1813, em Inglaterra.

A trama tem início na Aldeia de Wakefield, na Mansão de Wakefield Manor, onde se encontra alojado o Visconde de Wakefield - John Clayton, o seu irmão ilegítimo Ian Clayton, e todo um grupo de nobres libertinos e Cortesãs.

A vida na Aldeia, e na vasta propriedade do Visconde (que herdou juntamente com o título, na sequência da morte do seu irmão mais velho James) não vem sendo fácil, devido a perturbações nas colheitas que têm gerado uma crise de produção agrícola, e alguma escassez alimentar, a isto se soma algum envelhecimento e debilidade de muitos dos rendeiros do Visconde, que, tomando posse do seu património, está determinado a despejar os rendeiros que considere não rentáveis, alimentando ainda mais a miséria instalada, e ameaçando lançar muitas pessoas para a mendicidade, num cenário já de si bastante complicado em termos sociais e humanitários.

Também Emma Fitzgerald, a filha do entretanto falecido Vigário, vive uma existência no limiar da pobreza, alojando-se num casebre miserável com a irmã de 11 anos e a mãe demente, pois teve de ceder a residência do Vicariato ao novo Vigário, o pérfido, sinistro, ambicioso e dissimulado Harold Martin. 

Determinada, independente, inteligente, empática, com um forte sentido de missão social, sendo uma cuidadora por excelência, Emma não hesita em dirigir-se à Mansão e confrontar o Visconde, no sentido de interceder pelos rendeiros em risco de despejo (nem sequer trazendo à colação a sua própria situação pessoal e familiar deveras delicada), e ambos travam conhecimento nascendo daqui um acordo perigoso para a reputação de Emma que irá proporcionar o posterior desenvolvimento da trama.

As personagens centrais serão, pois, Emma Fitzgerald e o Visconde Wakefield, vêm de espaços sociais completamente opostos, e tal facto será um sério obstáculo à possibilidade de ambos apostarem numa relação de compromisso séria e duradoura, pese embora a inegável ligação física e emocional que cedo os atrai para os braços um do outro.

John Wakefield é o clássico aristocrata, arrogante, snob, mas que não se sente à vontade nesta pele de grande proprietário e gestor do seu património, delegando no irmão ilegítimo - Ian - a responsabilidade da gestão contabilística do seu pecúlio. Criado por pais distantes e ausentes, interiorizou os preconceitos próprios da sua classe, que considera superior, mas numa outra faceta, evita aquele que seria o seu destino politicamente correcto - encontrar uma noiva compatível com o seu estatuto social e gerar herdeiros. Assim, prefere viver uma existência plena de libertinagem e vícios, como válvula de escape psicológica à sua insatisfação em termos emocionais. Tem de gerir um frágil equilíbrio relacional bastante vazio de conteúdo, e que inclui uma noiva perfeita mas nunca verdadeiramente assumida - Lady Caroline - e uma amante fixa que apenas o satisfaz ao nível físico - Georgina, mas que se revela um ser desprovido de emoções.

Todo o sistema vivencial de John se vê abalado ao conhecer Emma, e a jovem sente precisamente a pressão de sentir que está a pisar terreno proibido ao envolver-se com John.

As personagens são fortes, estão bem caracterizadas psicologicamente, e é muito interessante conhecer o percurso de Emma e assistir ao seu papel altruista, à sua missão de ajudar os mais necessitados, não hesitando em sacrificar-se nessa missão. Também é curioso notar que Emma bem pode ser a hipótese de redenção ao alcance de John, estarão ambos dispostos a mudar?

Adorámos as personagens e gostaríamos de assistir a posteriores desenvolvimentos, além de que Ian - o irmão ilegítimo do Visconde de Wakefield, nos parece uma personagem cujo potencial poderia ter sido ainda mais desenvolvido.

Quanto ao ritmo narrativo, no primeiro terço da obra surgem uns capítulos onde a acção parece deter-se, sem grandes avanços, mas vale a pena prosseguir, e passado este momento, a acção ganha nova dinâmica, vão surgindo conflitos, segredos obscuros, e a tensão até ao climax final a que já se habituaram os leitores de Cheryl Holt.

Em termos sociais, a autora está de parabéns pelo claro retrato das diferenças nítidas entre as classes aristocráticas e o povo na Inglaterra Rural da Regência, sendo também visível nesta leitura a fragilidade da condição feminina numa sociedade moralmente rígida, patriarcal e muito ritualizada.

As cenas de cariz sexual são bastante intensas e explícitas, embora contextualizadas na história, sem surgirem de forma gratuita, o que constitui também uma característica bem vincada na escrita desta autora.

Dever, sofrimento, paixão, desejo e redenção podem ser as palavras que resumem este livro, que não apresentando uma trama muito complexa é, ainda assim, uma agradável leitura de verão, entretendo, destacando alguns detalhes interessantes da época da regência, e sem descurar a sensualidade que é a imagem de marca de Cheryl Holt. 

Ficha Técnica:


Autora: Cheryl Holt

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Edição: Julho de 2017

Nº de Páginas: 376

Classificação Atribuída no GR: 3/5 (correspondendo a 3.4 de pontuação)

Género: romance de época | romance sensual | Regência




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Renda & Saltos Altos | "O Plano da Herdeira", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos

Visite também o blog pessoal da Maria João - Livros ? Gosto

O Plano da Herdeira é o segundo volume da série Entre irmãos de Courtney Milan. Começo por revelar que até mais ou menos a meio fui arrastando a leitura do livro. Enquanto o primeiro li sem esforço, achando a história bastante interessante, este custou-me entrar no ritmo da escrita e na evolução da narrativa. O interessante é que do meio até ao final, foi lido num ápice.

A história centra-se em Oliver Marshall, irmão bastardo de Robert, personagem principal do primeiro volume, e em Jane Fairfield, jovem excêntrica, não só nos vestidos que usa, como também na sua forma de estar. 

Estas duas personagens são o protótipo de alguém que tem o seu destino, e o seu futuro, de tal forma definido que nada as faria distanciar dos seus objetivos. Oliver quer ter um cargo político no Parlamento e, eventualmente, vir a ser primeiro ministro. Jane, apesar do generoso dote que possui, não quer casar com ninguém, pois apenas pretende afastar a irmã do domínio do seu tutor, Titus Fairfield. Assim sendo, veste-se de forma medonha, diz o que não deve, quando não deve e como não deve afastando os eventuais pretendentes.

O livro torna-se interessante a partir do momento em que os dois, como amigos, se unem para alcançar os seus objetivos, de forma imediata e, eventualmente, permanente. As personagens acabam por desenvolver uma relação muito bem construída, em que a superficialidade acaba por funcionar como uma máscara para a sociedade, mas, nós leitores, percebemos que a essência de cada um está para além dela.

Jane acaba por, de alguma forma, ser uma mulher além do seu tempo. Não sendo submissa aos homens, nem mesmo ao marido quando finalmente casa, acaba por utilizar os seus recursos financeiros, não no aumento da fortuna do cônjuge, mas sim na realização dos seus projetos. Por seu lado, Oliver ao aceitar esta mulher, e ao lutar para que os outros vejam nela mais do que os vestidos ridículos ou os comentários inoportunos ditos num tom demasiado alto, acaba por mostrar uma faceta não muito comum para a época, aceitando e orgulhando-se do brilhantismo da esposa.

Um dos momentos interessantes do livro tem a ver com os projetos políticos de Oliver: o alargamento do direito ao voto. Naquela altura nem os trabalhadores, nem as mulheres podiam votar. O voto estava confinado aos que, por nascimento, tinham esse direito. Enquanto Oliver se bate pelo alargamento do voto aos trabalhadores, a sua irmã Free luta pelo direito do voto das mulheres. Nesse aspeto o livro torna-se interessante pois embora sejam discussões breves, acabam por nos recordar da dificuldade que foi implementar direitos que hoje damos como adquiridos. Mais, se olharmos à volta, e repararmos nas taxas de abstenção existentes no nosso tempo, envergonha-nos pensar que, noutros tempos, pessoas estiveram dispostas a alterarem as suas vidas, ou mesmo a fugir de casa, como Free , para que este direito tenha sido conseguido. 

Embora não fosse um livro que me entusiasmasse, acaba por ser uma boa leitura, onde podemos ver uma sociedade preconceituosa, corrupta, e de aparências. Apesar de tudo fico à espera dos próximos volumes da serie, nomeadamente da história de Free.


Leia AQUI a crítica ao primeiro livro desta série


Ficha Técnica do Livro:


Autora: Courtney Milan

Série: Entre Irmãos #Livro 2

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 400

Género: Romance de Época | Período Vitoriano



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Renda & Saltos Altos | "O Boss", de Vi Keeland | Topseller


Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger


O Boss, de Vi Keeland, é um romance contemporâneo do género erótico, mas no qual a temática do erotismo se vai desenvolvendo de forma muito gradual e insinuante, à medida que a narrativa vai evoluindo. A história desenrola-se num ritmo narrativo bastante cadenciado e equilibrado, sem excessos nem avanços demasiado rápidos, e esta subtileza confere elegância ao livro.

Quando começamos a ler esta obra, o que logo nos conquista é o humor que Vi Keeland soube logo introduzir no capítulo inicial e que vai surgindo um pouco por todo o livro, acabando por alternar com a forte carga dramática que a história também integra.

A acção decorre em Nova Iorque, e a trama está organizada em capítulos breves (o que facilita, dinamiza e torna mais ágil o processo de leitura). Em cada capítulo vamos acompanhando o ponto de vista de cada um dos dois protagonistas: Reese Annesley e Chase Parker, e dados importantes do passado de Chase chegam até ao conhecimento do leitor com recurso a analepses que nos levam a um momento temporal onde recuamos sete anos.

Relativamente às personagens, ambas estão construídas com forte densidade psicológica, e mostram-se inseridas em dinâmicas que correspondem a diversos espaços sociais onde se movimentam: o espaço mais privado ou pessoal, o espaço empresarial ( Parker Industries, uma firma da qual Chase Parker é CEO, e na qual Reese virá a trabalhar), o espaço familiar e das amizades mais próximas ( Sam é a melhor amiga de Chase, e Jules a melhor amiga de Reese).

Reese Annesley é uma jovem executiva com formação e experiência na área do marketing, apaixonada pela sua profissão, tem alguma dificuldade em gerir relacionamentos amorosos, não tendo ainda conseguido criar uma relação amorosa duradoura, estável e que lhe permita a realização pessoal a este nível. É independente, trabalhadora, empenhada e, ao nível psicológico apresenta um comportamento que denota alguns traços de natureza obsessiva-compulsiva em relação à sua segurança pessoal, aspecto este que surge enquanto reacção à vivência de uma situação traumática na infância. É emocionalmente insegura, culpabilizando-se inconscientemente pelo seu comportamento obsessivo-compulsivo e pelo evento que o gerou e deixa que isto afecte a sua vida amorosa, pois nunca sentiu que os seus namorados entendessem esta sua preocupação com a segurança, ou que lhe dessem o devido valor, ou seja, nunca se sentiu compreendida plenamente por um parceiro naquilo que assume ser uma imperfeição que transporta consigo.

Por sua vez, Chase Parker é o exemplo de um macho alfa poderoso, sedutor e algo arrogante. É CEO da Parker Industries, uma firma dedicada à cosmética e beleza femininas que desenvolve cientificamente os seus próprios produtos, estudante brilhante, criativo e empreendedor, subiu a pulso nos negócios, por mérito próprio, e mantém um forte vínculo afectivo com a família mais próxima (designadamente, tem uma relação muito cúmplice com a irmã Anna, e com Samantha, a sua melhor amiga desde os tempos da faculdade, uma mulher forte, determinada e perspicaz, que, tal como Anna, assume uma postura cuidadora e protectora em relação a Chase. Bonito, sedutor, espirituoso, envolvente, bem humorado, rico e bem sucedido, à partida estaríamos perante a perfeição personificada, todavia, toda esta imagem de perfeição e força acabam por revelar-se uma máscara que esconde a sua fragilidade emocional. Chase lida com o fantasma de uma perda não superada, quer seguir em frente mas balança perante essa hipótese, deixando-se enredar numa forte pressão psicológica negativa , lutando por elaborar um luto do passado, e por vencer a culpa que, em determinados momentos, o bloqueia e o arrasta para isolamento social, abuso de alcool e desesperança na possibilidade de um futuro.

Chase e Reese vão, obviamente, cair nos braços um do outro, e até que tal aconteça, vamos assistindo a um delicioso e erótico jogo e sedução no escritório da empresa onde ambos trabalham. Porém, nem tudo é perfeito, e ambos são ainda assombrados por ecos traumáticos dos respectivos passados, o que pode deitar a perder um futuro que seria bastante promissor.

É interessante notar que o livro tem tanto de comédia romântica, quanto de drama, e tem dois protagonistas  que não são perfeitos, o que nos faz, desde logo, empatizar com Reese e com Chase. A culpa (em diferentes contextos traumáticos) e a aceitação de imperfeições em si mesmos e nos outros vão ser conceitos chave na evolução dos personagens.

Em suma, estamos perante um romance erótico que nos traz muitos bónus: romantismo, sedução, humor, drama, tensão, culpa, superação e aceitação, e é precisamente esta mistura de ingredientes tão rica que torna este livro muito especial e apaixonante. Vi Keeland é uma aposta ganha em termos editoriais e constitui uma boa escolha para levar de férias. Adorámos e queremos mais livros desta autora!

Ficha Técnica:

Título: O Boss

Autora: Vi Keeland


Edição: Julho de 2017

Nº de Páginas: 320

Género: Romance contemporâneo | erótico

Classificação: 5/5 estrelas


terça-feira, 4 de julho de 2017

Renda & Saltos Altos | " O Amor que nos une", de Megan Maxwell | Planeta



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos:

   Megan Maxwell é uma das minhas autoras preferidas. Comecei a lê-la com o seu primeiro, Pede-me o que quiseres e nunca mais parei. Sendo uma escritora do estilo erótico, temi que se tornasse repetitiva. Ingénua ilusão. Megan Maxwell consegue surpreender sempre e em cada livro, não sendo este excepção.

   O amor que nos une, segundo volume da série As guerreiras Maxwell passa-se nas Terras Altas Escocesas, na época Medieval. As personagens principais Gillian e Niall são já nossas conhecidas, pois este último é irmão de Duncan a personagem masculina principal do primeiro livro da série. 

E aqui começa a agradar-me. Apesar de o casal principal ser outro, sabemos o que aconteceu às personagens que nos foram apresentadas anteriormente, podendo assim saber o que lhes aconteceu, pois já passaram alguns anos.  Mais uma vez Megan Maxwell inova e de uma forma bastante assertiva, pois Duncan e Megan, por exemplo, foram personagens tão fortes que, tendo ficado bem presentes  na nossa memória, seria natural que nos interrogássemos sobre o seu destino. 

   Gillian é a jovem irmã de Axel McDougall que fica a saber estar prometida em casamento, por decisão de seu pai, ao filho do seu vizinho, Ruarke, caso não esteja casada até ao final do dia do seu vigésimo sexto aniversário. Acontece que este jovem é um homem do seu tempo, com pouca, ou nenhuma sensibilidade, achando que as mulheres têm apenas de tratar dos filhos, bordar e obedecer aos maridos. Sendo Gillian conhecida como a Desafiadora, logo se percebe que este é um casamento que dificilmente poderia dar certo. Ela é apaixonada pela vida, com personalidade forte, orgulhosa e casmurra, o que faz com que diga o que deve, o que quer, o que não deve e o que não quer.

   Para além disso, a jovem continua apaixonada por Nial, um amor antigo, que, por presunção e teimosia dos dois, não tinha dado em casamento. No entanto, nós leitores, sabemos, desde o primeiro volume, que o amor não morreu, apenas ficou latente debaixo do orgulho e da teimosia. Nial é também um jovem impulsivo cujas palavras e os actos, às vezes, não são bem ponderados.  

   A verdade é que, com a ajuda das amigas, Gillian e Nial acabam por se reaproximar e toda a história se desenvolve em volta da viagem até Duntulm, sendo muitas as peripécias que aguardam os leitores ao longo desta narrativa bastante fluída.

   Não querendo, de todo, contar a história posso acrescentar que o livro nos transmite um misto de sentimentos. Se estas personagens são muito mais infantis que as anteriores, esta ingenuidade permite-nos, por um lado, sorrir e vê-los crescer como pessoas e como casal, e por outro, querer bater-lhes como se de crianças se tratassem. Noutros momentos, é impossível evitar uma lágrima face à generosidade e autenticidade que ambos têm perante a vida e perante os outros, o que leva a alterações em Duntulm e nos seus habitantes. 

   Este é, pois, um livro que recomendo sem hesitações. Um segundo volume que, sendo diferente do primeiro, não lhe é inferior. Na verdade, apenas nos dá vontade de saber quem será a guerreira do terceiro achando, de antemão, que será uma mulher de garra, personalidade e coragem desmedida para defender os seus. Mas para tal teremos de esperar até Setembro.


Ficha Técnica do Livro:



Autora: Megan Maxwell

Série: As Guerreiras Maxwell - Livro 2

Editora: Planeta

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 392

Género: Romance de Época | Romance Sensual




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Renda & Saltos Altos | "Prazeres Infames", de Elizabeth Hoyt | Quinta Essência




Crítica por Isabel de Almeida |  Jornalista , Crítica Literária e Blogger:


Prazeres Infames , de Elizabeth Hoyt, é o segundo volume da Série Maiden Lane e afirma-se enquanto romance de época tendo como cenário a Inglaterra do Século XVIII, em 1737, em pleno Reinado de Jorge II e aludindo a questões sociais e históricas bastante relevantes desta época, sem deixar de ser um romance com forte componente romântica e sensual, como é usual neste género literário que não pretende ser puramente histórico.

Os protagonistas desta narrativa são Lady Hero Batten, irmã do actual Duque de Wakefield e noiva do Marquês de Mandeville e o muito pouco convencional irmão do Marquês - Lorde Griffin Reading, leviano, proprietário de uma destilaria de Gin (algo proibido na época, na medida em que o Gin era visto como um dos grandes responsáveis pelo declínio físico das camadas inferiores da sociedade, sendo até apontado como a causa de destruição de muitas vidas e famílias, devido à dependência alcoólica que potenciava) é olhado de lado entre a Aristocracia da qual faz parte o irmão, mantém com este uma relação bastante disfuncional pautada pela mágoa e graves mal entendidos. 

O Marquês de Mandeville tem tudo para ser considerado um bom partido para uma dama de elevada condição social como Lady Hero, e esta, não estando apaixonada, encara com naturalidade a perspectiva de casamento com um hábil político com créditos firmados na Câmara dos Nobres, e muito habituado às rígidas convenções sociais impostas à Aristocracia Inglesa, tal como a noiva.

Se há ideia que Lady Hero sempre interiorizou é a de que tem de ser a muito respeitada e respeitável filha de um Duque, com todas as implicações que dai advenham para si, tais como  abdicar de um verdadeiro amor para cumprir o que de si se espera, cumprir regras, não dar nas vistas, não de deixar levar por emoções e impulsos que sejam menos próprios para uma Senhora. "A filha de um Duque cedo aprende na vida a etiqueta para quase tudo" [p. 9]. A autora dá-nos a noção perfeita do rígido código de conduta que se impunha à alta sociedade da época, e Lady Hero vai relembrando sempre os seus deveres: "Uma senhora do seu estatuto jamais mostrava impaciência." [p. 24] mas rapidamente entra em conflito interno consigo mesma, ao sentir uma inevitável atracção física pelo cunhado, recriminando-se e culpando-se por ter sentimentos, impulsos, e por querer viver a sua própria vida, no fundo, Hero luta contra a sua ideia de ser a dama perfeita, que não erra nem pode dar-se ao luxo de o fazer: " Onde quer que estivesse, Hero nunca se esquecia de como devia comportar-se." [p. 28].

Por sua vez, Lorde Reading é espontâneo, autêntico, e há muito que não se preocupa minimamente com os pruridos da alta sociedade que frequenta, antes mostrando divertir-se com o facto de conseguir chocar o próprio irmão (aparentemente tão seguro e tão cheio de si mesmo) e os salões que frequenta algumas vezes.

A obra, dando continuidade à linha seguida no início da série, dá destaque também à evidente cisão entre dois mundos sociais dispares, totalmente opostos. Por um lado temos o mundo dos ricos salões da Aristocracia, e do debate e intriga políticos que se defrontam no Parlamento, por outro, somos levados a percorrer as ruas perigosas do East End e da Saint Giles, os bairros malditos da Cidade de Londres, onde o Gin, a prostituição e a miséria tantas vezes eram reis e senhores, e onde se move por entre as sombras um misterioso justiceiro conhecido por Fantasma de Saint Giles ( e nesta personagem fictícia surge a aura de mistério e suspense que confere um colorido também ele especial a esta trama bem construída por Hoyt).

A protecção a crianças órfãs que são acolhidas num Lar acaba por ser o elo de ligação entre os dois mundos tão diferentes, e algumas damas da alta sociedade dão o seu contributo para tornar melhor a vida destes órfãos, numa tomada de consciência de que as coisas podem melhorar se houver um esforço nesse sentido por parte de quem mais tenha acesso a recursos financeiros.

Obviamente não fica esquecida a acentuada sensualidade que a autora conferiu à história e à dinâmica entre os protagonistas, mas trata-se de uma das séries onde a contextualização histórica e social e a mentalidade da época abordada surgem melhor retratadas, pelo que o livro tem tudo para agradar a dois géneros de leitores: os que gostam de história e os que gostam de romance e sensualidade com os dilemas tão próprios de outras eras e de outras mentalidades.

Dever, paixão, emoção, entrega, mistério, sensualidade, personagens fortes, bem construídas e que nos apaixonam fazem deste livro uma excelente escolha para os adeptos de romances de época, sem hesitações, deixe-se perder entre estas páginas!


Ficha Técnica


Autora: Elizabeth Hoyt

Série: Maiden Lane - Volume 2

Editora: Quinta Essência | Grupo LeYa

Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 360

Classificação: 4|5 estrelas

Género: Romance de Época | Sensual



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Renda & Saltos Altos | "Escondida em Ti", de Lisa Renee Jones | Topseller


Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária, Jornalista e Blogger


Escondida em Ti é um romance de suspense erótico que marca a estreia em Portugal de Lisa Renee Jones, uma autora bem conhecida do público Norte-Americano, com presença assídua nos tops do New York Times e USA Today.

Neste romance contemporâneo com cenário na Cidade de São Francisco, encontramos a nossa protagonista Sara McMillan, uma professora de Liceu que leva uma existência pacata, rotineira e low profile, não tendo ainda encontrado uma oportunidade para dar largas à sua paixão pelo mundo da arte. 

De repente, a jovem vê-se envolvida num denso mistério, ao cair na tentação de ler os diários eróticos de uma desconhecida - Rebecca - aos quais acede casualmente através de uma amiga - Ella.

Cada vez mais obcecada pelos relatos escaldantes, profundamente sensuais, mas com o seu quê de obscuro, perigoso e apelativo que encontra nos diários de uma desconhecida, Sara irá defrontar-se com um mundo com que sempre sonhou - o das galerias de arte - e vê-se envolvida numa estranha luta de poder travada entre dois machos-alfa extremamente ricos, poderosos, atraentes e misteriosos - o artista plástico Chris Merit e o Galerista e Leiloeiro Mark Compton (um verdadeiro tubarão no mundo dos negócios com arte e um chefe exigente, controlador e manipulador).

Sara assume o papel de narradora neste romance e revela travar um conflito interno a diversos níveis, desde logo, porque ao racionalizar assume estar obcecada pelos diários de Rebecca, e corre sérios riscos de querer viver a vida desta mulher para si desconhecida, o que poderá corresponder, psicologicamente, a um desejo de mudança, de quebrar rotinas e de transgredir regras, o que lhe permitirá quebrar o circulo vicioso em que se tornou a sua banal existência. Por outro lado, ao travar conhecimento com o sexy artista Chris Merit, com o qual sente uma inevitável empatia, nascendo entre ambos uma atracção física evidente, Sara sente que se há muito que os une, há também um mundo de distância entre ambos: "Nós somos de dois mundos diferentes, eu e este homem. O dele é de sonhos realizados, o meu é de sonhos impossíveis (...) [pág. 48].

Há em Sara toda uma carga psicológica de alguma insegurança, de fuga a algo que a perturba no curso de vida, de evitamento de algo que possa alterar aquelas que são as suas "zonas de conforto", mas a verdade é que, de modo mais ou menos consciente, há alguma ambivalência nestas emoções e mecanismos de defesa, pois há um desejo secreto e temido de ser uma outra pessoa, de assumir uma nova identidade, ou tratar-se-á antes de , afinal, viver em pleno e sem limites, aquela que é a sua verdadeira identidade que tem estado escondida, recalcada e em negação? A autora é exímia ao revelar pistas acerca destes conflitos da protagonista, deixando, todavia, aos leitores a margem para duvidar, questionar, problematizar e fazer a sua própria leitura psicológica desta protagonista. 

Sara consegue racionalizar, por vezes, questões que em si ainda não resolveu: "A perfeição das outras pessoas é uma fachada que criamos quando duvidamos de nós próprios (...) [pág. 56].

Chris é também um protagonista com bastante potencial para desenvolver enquanto personagem, mas talvez por se tratar de uma narrativa de acordo com o ponto de vista de Sara não acedemos ainda, tanto quanto gostaríamos, ao seu verdadeiro eu, mas são-nos disponibilizados bons indícios acerca da sua personalidade, e fica uma certeza, Chris construiu uma imagem pública, uma persona, que pretende proteger a sua privacidade mesmo considerando-se o facto de ser uma figura pública e um artista plástico talentoso e com méritos reconhecidos, que usa a arte para sublimar as suas emoções.

Já Mark Compton surge como o vilão sexy da trama, percebemos que tem muito a esconder, que está habituado a lutas pelo poder e que, normalmente, até poderá ganhá-las, excepto se encontrar um adversário à sua altura, e Chris bem pode ser esse adversário. Estamos sempre à espera de descobrir algo mais sobre o misterioso Mark e é bem certo que este pode surpreender-nos.

O estilo narrativo da autora é muito cuidado, a linguagem é bastante emotiva, reveladora da densidade psicológica de que dotou as suas personagens (com especial destaque para Sara) e a obra doseia na medida certa mistério, conflito interno, sensualidade e emotividade. As descrições com conteúdo sexual explícito que surgem na obra (ora inseridas no âmbito das transcrições dos diários de Rebecca, ora a ocorrer em tempo real no decurso da narrativa) são bastante sensuais e detalhadas, sem todavia serem chocantes, em especial, para os adeptos de literatura erótica contemporânea.

Mas a grande surpresa deste livro é a qualidade verdadeiramente literária e a mestria que a autora revela na sua escrita. O livro está de tal forma bem escrito que as habituais vozes críticas da literatura dita comercial não vão conseguir apontar alguns dos lugares comuns que muitas vezes são atribuídos a este género ainda tão "olhado de lado" em alguns meios culturais nacionais.

É possível encontrar uma escrita de elevadíssima qualidade literária num romance erótico contemporâneo? É sim, se tem dúvidas leia este livro e deixe-se levar sem pudores na sua leitura. Encontramos aqui muito mais do que puro erotismo neste romance erótico. Entretenimento, emoção e reflexão garantidos.


"Arranjamos um lugar onde guardar coisas e lidar com elas, caso contrário damos cabo de nós.(...)" [Pág. 207]

Ficha Técnica:

Título: Escondida em Ti

Autora: Lisa Renee Jones

Editora: Topseller Grupo 20|20

Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 320

Classificação: 5|5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Erótico





terça-feira, 14 de março de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Submissão de Lily ", de Monica Murphy | Topseller


Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger


A Submissão de Lily, de Monica Murphy, corresponde ao terceiro volume da trilogia erótica cujas protagonistas são as três irmãs Fowler: Violet, Rose e Lily, sendo a irmã mais velha - Lily, a protagonista deste  romance erótico contemporâneo com cenário entre Maui no Havai, e Nova Iorque.

Lily Fowler é a rainha do Jet Set, jovem, rica, irreverente, presença assídua nas colunas sociais e nos sites de mexericos pelas piores razões, ou seja, por constantemente desafiar as regras da sociedade e desafiar a própria família, chegando mesmo a prejudicar a respectiva imagem pública, sendo os Fowler proprietários de uma empresa familiar de renome na área da cosmética - Fleur.

Numa estratégia psicológica de evitamento, Lily decide partir incógnita numas férias no Havai, escolhendo para tal estadia um luxuoso resort em Maui, e anseia fugir a uma grave ameaça que paira sobre si mesma e sobre a sua família em termos profissionais e mesmo pessoais.

Max Coleman é um investigador privado que tem por missão aproximar-se de Lily com o intuito pouco honesto de lhe subtrair dados em benefício de uma pessoa que é forte oponente da família Fowler, mas vai ficando no ar a tensão do perigo que a jovem milionária poderá correr devido a ser o alvo principal de pessoas sem escrúpulos.

Porém, Max acaba por desenvolver uma forte atracção e química física e sexual com Lily, acabando ambos por travar conhecimento e descobrir a verdadeira essência de si mesmos, mesmo em aspectos que eles próprios desconheciam. Lily é, afinal, alguém bem mais profundo e diferente da imagem pública de menina mal comportada do Jet Set de Nova Iorque.

É bastante interessante a forma como a autora consegue conferir às personagens uma forte densidade psicológica, articulando esta caracterização com escaldantes cenas de cariz sexual numa tensão erótica bem patente entre Lily e Max que chega a ser descrita no livro como uma verdadeira electricidade.

O ambiente do resort tropical também confere um colorido agradável à história, e a autora, com as suas descrições assertivas mas de modo nada cansativo, consegue levar os leitores até ao cenário onde a acção decorre, mais um ponto positivo a acrescentar na análise crítica desta obra.

Lily, afinal, vem sempre lutando em busca de aprovação paterna e familiar, sempre desejou sentir-se amada, acolhida e valorizada familiarmente, mas embora conte com o apoio das irmãs Violet e Rose, o sentimento de culpa perante a perda da mãe conseguiu ser mais forte e sobrepor-se a um percurso de vida mais calmo e consensual, antes levando a jovem a assumir um caminho de "fuga para a frente" de "acting out" ( quebrar as regras, envolver-se com vários homens apenas fisicamente, abusar de substâncias, chamar a atenção por condutas negativas) sem saber depois como gerir a culpa perante as suas falhas, e sentindo-se em rivalidade com as irmãs (em termos psicológicos e de forma inconsciente, note-se).

A trama é também enriquecida com uma intriga e um perigo reais que ameaçam Lily e a família Fowler, e até mesmo a empresa de cosmética.

Perigo, erotismo, intensidade psicológica e cenários tropicais de permeio com o desvendar de um drama familiar são uma fórmula de sucesso bem conseguida pela autora, que opta por manter a estrutura narrativa de narradores participantes em capítulos alternados ( Lily e Max), o que confere à história um excelente ritmo fácil de acompanhar. A ler pelas adeptas dos romance erótico contemporâneo.

Ficha Técnica:


Autora: Monica Murphy

Série/Colecção: Irmãs Fowlet  #livro 3

Editora: Topseller |  Grupo 20|20

Edição: Fevereiro de  2017

Nº de Páginas: 320

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Erótico






domingo, 5 de março de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Guerra da Duquesa", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger

A Guerra da Duquesa, de Courtney Milan, corresponde à estreia em Portugal de uma autora bastante aclamada nos Estados Unidos, finalista do prémio RITA atribuído anualmente pela RWA (Romance Writers of America), e que que ingressou nas listas de autores do New York Times.

Trata-se do primeiro título de uma série de ficção romântica de época - Série Entre Irmãos - cuja acção decorre inicialmente em 1863, em pleno Reinado da Rainha Victória, com cenário na cidade Industrial de Leicester.

Os protagonistas são Minnie [ Minerva Lane] uma jovem da classe média menos abastada que vive com duas tias, escondendo a sua personalidade marcada atrás de uma persona tímida, low profile e que pretende passar despercebida socialmente, embora ainda acalente a esperança de contrair um casamento compensador que lhe garanta um futuro mais sólido após a morte das tias, momento em que perderá a propriedade onde todas vivem para o herdeiro masculino deste ramo familiar.

Minnie esconde segredos complicados do seu passado que facilmente levariam ao seu ostracismo em termos sociais, num contexto de moralismo e extrema rigidez social onde a mulher tinha como missão social ser submissa ao homem (primeiro ao pai e , mais tarde, ao marido), cabendo-lhe educar os filhos e gerir a vida doméstica, sendo uma extrema ousadia manifestar espírito crítico, inteligência e expressar opinião sobre política, filosofia ou qualquer outro tema considerado essencialmente da esfera masculina.

Inteligente, com opinião e vontade próprias, Minnie tem de esconder a sua verdadeira identidade, mas irá travar conhecimento casual com um aristocrata muito peculiar, Robert Blaisdell, o actual Duque de Clermont, um jovem que, apesar de privilegiado, de ter voz política activa com assento na Câmara dos Lordes, não convive bem com a pesada herança de abusos e crueldade legada pelo falecido Duque seu pai, discordando de um sistema político e social pleno de desigualdades que não aceita de ânimo leve, acalentando algum idealismo e desejo de mudar algumas normas vigentes à época.

Para repor a justiça nem sempre respeitada pelo pai, Robert irá defrontar diversos obstáculos e opositores, e vendo-se enleado com Minnie numa intrincada teia de enganos. Também interessante é a história familiar e pessoal de Robert, filho de uma mãe abandónica (por contexto familiar) revela alguma dificuldade em expressar sentimentos e, internamente, continua a lutar para ser aceite, acarinhado e amado pela sua verdadeira essência, e não pelo estatuto social elevado que possui. Encontrou apoio no irmão bastardo Sebastian (um empenhado cientista que segue atentamente a teoria de Charles Darwin quanto à evolução das espécies).

Uma história romântica, com protagonistas fortes e interessantes dotados de uma forte química sexual e de um desejo que ambos irão aprender a controlar ou expressar, mas que não deixa de manifestar um interessante contexto histórico onde se exaltam as difíceis condições de vida da Inglaterra da Segunda Revolução Industrial, as injustiças motivadas pela Lei do Pariato e uma sociedade excessivamente moralista com alguma hipocrisia. Uma nova autora que certamente será do agrado das leitoras Portuguesas adeptas da ficção romântica de época.


Ficha Técnica:


Autora: Courtney Milan

Série/Colecção: Entre Irmãos #livro 1

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Fevereiro de  2017

Nº de Páginas: 336

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance de Época | Período Victoriano



domingo, 13 de novembro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Viciado no Pecado", de Monica James [Planeta]

Ficha Técnica:

Título: Viciado no Pecado


Autora: Monica James


Editora: Planeta


1ª Edição: Novembro de 2016


Nº de Páginas: 344


Género: Romance contemporâneo/erótico


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 Estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Viciado no Pecado, corresponde ao primeiro volume de uma duologia erótica da autora Monica James que promete agitar os fãs deste género literário bastante bem sucedido em Portugal.

O [anti] herói desta trama é o Psiquiatra Dixon Mathews, um self made man, filho de emigrantes Italianos, afirmou-se por mérito próprio ao nível profissional no competitivo mundo Nova Iorquino, mas por trás da figura de profissional bem sucedido escondem-se muitos segredos, alguns deles perigosos e um homem que precisa de se reconstruir em termos emocionais, dando azo a uma líbido excessiva como forma de exorcizar traumas emocionais e perdas que marcam o seu percurso de vida.

Dixon, que facilmente nos seduz, pese embora o seu dark side, irá ver-se envolvido num curioso triângulo amoroso, Juliet representa o pecado, a perversão elevada ao expoente máximo, o poder concedido pelo sexo, a ausência total de tabus ou limites, algo que tanto assusta quanto atrai Dixon.

Madison é o reverso da medalha, uma jovem doce, inocente, em busca de protecção tanto de perigos actuais quanto passados que vestem a pele de demónios que ainda deixam marcas psicológicas bastante pesadas.

Verdadeiramente deliciosos são os encontros semanais entre Dixon e os amigos de longa data, o certinho Finch (casado, feliz e papá) e o sarcástico, desbocado e libertino Hunter.

Também Madison conta com o apoio da sua melhor amiga, a determinada Mary, sempre com língua afiada e mordaz, mas pronta a ajudar sempre que necessário.

Por quebrar estereótipos tão habituais neste género de romance contemporâneo, e por apresentar personagens com elevada densidade, este é já, um dos nossos preferidos deste ano, nesta categoria literária.

Imbuído da dosagem certa de erotismo, humor, tensão dramática e com reviravoltas que prometem causar sensação, é uma obra que tendo também um toque de romantismo, não deixa de nos brindar com acertadas reflexões sobre o mundo das relações amorosas e, até familiares. Fascinante também é a análise psicológica sobre o tema do vício, nas suas possíveis modalidades, que a autora conseguiu inserir na narrativa com algum humor e ironia, mas também de forma realista e espontânea.

Muitíssimo expectantes relativamente à continuação da história,  só podemos terminar esta crítica com um conselho: deixe-se viciar neste pecado, e não se irá arrepender.




Foto do livro: Isabel Almeida/Blog Os Livros Nossos - Todos os Direitos reservados

Nota: O livro foi gentilmente cedido pela editora para recensão crítica

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Puro Prazer", de Jess Michaels [Quinta Essência]


Ficha Técnica do Livro:

Título: Puro Prazer


Autora: Jess Michaels


Edição: Outubro de 2016


Editora: Quinta Essência


Nº de Páginas: 248


Género: Romance histórico sensual/erótico


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Puro Prazer, de Jess Michaels, corresponde ao segundo título da série Mistress Matchmaker. A acção decorre em Londres no Século XIX, no período da regência. 

A protagonista é Mariah Desmond, uma jovem cortesã que, tendo dedicado três anos da sua vida ao seu protector, vê-se desamparada e na miséria, após a morte deste.

Surge novamente como adjuvante [como no primeiro título da série, já editado pela Quinta Essência] a Cortesã Vivien Manning, como mentora da sua melhor amiga, incentivando-a a encontrar rapidamente um novo protector que lhe permita garantir o seu sustento.

O herói começa por ser um anti-herói, é o libertino John Rycroft, neto de um duque, apesar de não possuir título nobiliárquico, é um homem rico que conseguiu ser bem sucedido enquanto empresário na área dos transportes. Conhecido por ser um verdadeiro coleccionador de mulheres, com as quais apenas mantém relacionamentos no campo puramente físico, assumindo um bloqueio emocional que o impede de amar e assumir o papel de protector de qualquer mulher.

Mariah irá fazer recair sobre si as atenções de John Rycroft, ironicamente, um velho conhecido seu, que havia sido o melhor amigo do seu falecido protector. Entre ambos começa a ser assumido um evidente e inegável desejo físico, que poderá comprometer seriamente o futuro de Mariah, a quem só resta a solução de encontrar um novo protector, papel este que John sente ser incapaz de assumir.

Pleno de intensas descrições de teor sexual no já bem conhecido estilo de Jess Michaels, mostrando uma excelente química entre os protagonistas e uma boa contextualização do desenvolvimento da relação entre Mariah e John, a autora consegue conferir às personagens profundidade psicológica e ainda condimentar a narrativa com segredos perigosos, levando-nos também a reflectir acerca da condição feminina na Inglaterra do Século XIX, onde as cortesãs (mulheres que viviam como amantes fixas de nobres ou burgueses, que eram designados por protectores) eram julgadas socialmente como seres inferiores, à margem da sociedade e verdadeiras mulheres-objecto, sendo sujeitas a duras humilhações quando caiam em desgraça.

Mariah, embora seja uma pessoa experiente ao nível amoroso e sexual, acaba por nos revelar uma ambiguidade interessante, é extremamente emotiva e até algo ingénua em termos afectivos. É impulsiva, apaixonada e determinada.

Por sua vez, no passado de John, o qual teremos oportunidade de desvendar, encontramos a resposta para a sua rigidez e bloqueio emocionais.

Intenso, ousado, com a dose certa de sensualidade, paixão, romance, intriga, análise social, perigo e acção, temos em mãos um romance que promete aquecer o início da época mais fria do ano. Instale-se no seu cantinho de leitura e prepare-se para vibrar.


Leia AQUI a crítica do blog Os Livros Nossos ao primeiro título desta série "Ensina-me a amar"




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

[Renda & Saltos Altos] " O Terno Rebelde", de Johanna Lindsey [ASA]


Ficha Técnica do Livro:


Título: O Terno Rebelde


Autora: Johanna Lindsey


Série: Malory (Vol. II)


Edição: Junho de 2016


Editora: ASA [Grupo LeYa]


Nº de Páginas: 384


Género: romance histórico sensual/Regência


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


O Terno Rebelde, de Johanna Lindsey, corresponde ao segundo título da série Malory, publicada em Portugal com chancela ASA [Grupo LeYa], sendo a  mais popular das séries de romances desta prolífica autora Norte- Americana Besteseller do New York Times.

A acção decorre na Inglaterra da Regência, em 1818 e dá continuidade à saga dos Malory, uma invulgar e extensa família nobre que conta entre os seus ascendentes com uma avó de origem cigana. O carácter diferenciador dos Malory é serem uma família nada convencional. No primeiro livro assistimos à história romântica de Regina Ashton e do Visconde Nicholas Eden.

Neste segundo romance da saga assistimos ao desenrolar do inesperado romance entre Anthony Malory, um incorrigível e sedutor libertino, quarto filho da família Malory, e Roslynn Chadwick, uma explosiva e bela aristocrata das Terras Altas da Escócia.

Roslynn Chadwick procura refúgio em Londres, junto da sua amiga Lady Frances, receando que o seu vil, ambicioso e perigoso primo Geordie a force a casar, para deitar a mão à sua fortuna recentemente  herdada após o falecimento do avó Duncan Cameron.

Pela calada da noite Roslynn, acompanhada da sua fiel criada Nettie, parte para Inglaterra com o propósito de encontrar rapidamente um marido conveniente , que lhe permita conservar a fortuna e dar largas ao seu estilo de vida independente e determinado, livrando-a do perigo que constitui o seu perverso primo.

Embora o avô lhe haja transmitido que um libertino pode ser um excelente marido, caso se apaixone pela mulher que venha a ser sua esposa, a jovem, muito por influência da amiga Frances [que sofreu uma forte desilusão amorosa com um libertino, que  a conduziu ao seu casamento sem amor] impõe a si mesma não considerar nenhum libertino como candidato a marido.

Mas o destino prega partidas, e Anthony encanta-se com a intrépida Escocesa e descobre em si um instinto protector que desconhecia, além de um intenso desejo pela jovem que se torna difícil refrear, e que o farão questionar a continuidade da sua postura libertina e independente, pela qual é conhecido entre a sociedade Londrina.

O perigo de rapto e casamento forçado com o primo Geordie é , afinal, bem real e a ameaça paira sobre Roslynn e sobre todos aqueles que lhe são mais próximos, podendo mesmo colocar vidas em risco, quando a ambição é mais forte de que os valores de família.

Anthony recebe em sua casa, como hóspedes, o seu irmão James [um sensual pirata e também aristocrata] e o filho deste, o jovem Jeremy, que assistem espantados e deliciados às mudanças na atitude do famoso libertino.

Um relacionamento turbulento, apaixonado e que se converte numa luta de titãs, irá surgir entre Anthony e Roslynn, levando ambos ao limite da teimosia, travando uma dura batalha pela aceitação mútua e pela construção de uma relação de confiança, somando-se à intensidade das emoções e das sensações de que desfrutam quando se envolvem fisicamente.

Um dos aspectos mais interessantes deste romance, e inerente também à série, é o facto de ser evidente a união e o apoio que se verifica entre os Malory, uma família constituída por pessoas com personalidades e perspectivas de vida tão díspares, unida sob o signo do amor.

Roslynn é uma protagonista dona de uma personalidade marcante, é determinada, tem mau génio que se atribui ao sangue Escocês, e quando fica nervosa usa o sotaque das Terras Altas da Escócia que logo a denuncia junto de quem bem a conhece. É também algo ingénua e por vezes indecisa e algo insegura, o que lhe trará algumas contrariedades na relação com Anthony.

Paixão, intensidade de sentimentos, perigo, ambição e amor fraternal, à mistura com toques de sensualidade, dão o tom certo à paleta de emoções que é este romance que nos transporta à Regência Inglesa com todos os deliciosos detalhes de aceitação e crítica social. Uma excelente leitura de Verão que recomendamos!





quinta-feira, 25 de agosto de 2016

[Renda & Saltos Altos] " Retrato do meu Coração", de Patricia Cabot [Quinta Essência]


Ficha Técnica do Livro:


Título: Retrato do meu Coração


Autora: Patrícia Cabot


Edição: Agosto de 2016


Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]


Nº de Páginas: 400


Classificação Atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas


Género: Romance Histórico Sensual/Época Vitoriana


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Retrato do meu Coração, de Patricia Cabot é um delicioso romance feminino com cenário na Época Vitoriana, cuja acção decorre entre 1871 e 1876, no Yorkshire e em Londres, e que chega ao público Português com chancela Quinta Essência O livro integra uma duologia, tendo o primeiro livro da série sido publicado sob o título Rosa Selvagem, pela Chancela Livros D´Hoje do Grupo Leya. Todavia, este segundo romance pode ser lido individualmente, na medida em que a continuidade das obras é meramente geracional, se assim quisermos apelidar a circunstância de o protagonista masculino deste romance ser sobrinho do Casal que protagoniza o primeiro título.

O romance encontra-se dividido em duas partes, as quais se mostram separadas por um hiato temporal de cinco anos, na acção. Na primeira parte ficamos a conhecer os dois protagonistas, que foram amigos de infância, mas que se reencontram após alguns anos descobrindo que se encontram já num diverso patamar em termos de maturidade psicológica e sexual, pois é inegável que, além da cumplicidade das brincadeiras de criança que partilharam, há entre ambos uma evidente atracção física e sexual.

Jeremy, 17º Duque de Rawlings, é um homem atraente, sedutor, mas um perfeito e incorrigível libertino, sem propensão para estudar e para assumir na sua plenitude as funções inerentes ao ducado que herdou do pai, e cujo exercício na Câmara dos Lordes se encontra delegado no seu tio Lorde Edwards. Sucessivamente expulso dos melhores colégios privados cuja frequência seria desejável pela sua fortuna e elevada posição social, recebe do tio um sério ultimato, no sentido de encontrar um rumo certo e responsável na vida, deixando de seduzir jovens mulheres sem assumir compromisso.

Alertado pelo tio para a necessidade de assumir uma vida responsável e adulta, Jeremy pede em casamento Margaret Herbert, filha do seu administrador, sua amiga de infância, mas receosa de não estar à altura de ser uma Duquesa, e no momento em que surge a hipótese de abraçar a sonhada carreira de pintora (projecto em que conta apenas com a aprovação da mãe Lady Herbert), Maggie recusa o pedido e, desiludido mas determinado, Jeremy parte para uma carreira militar na Ìndia, ao serviço de sua Majestade, uma tarefa que, por norma, então era destinada aos filhos de nobres que não tivessem título a receber para si mesmos.

Apesar de terem estado separados, ao saber que Maggie, entretanto tornada já uma talentosa retratista e pintora com formação em Paris, se encontra comprometida com um jovem galerista Francês - Augustin Veygeux - ainda que acometido de Malária, Jeremy regressa de surpresa ao Reino Unido, acalentando a esperança de reconquistar Margaret, mas o caminho não se revela fácil.

Margaret continua secretamente apaixonada pelo Duque de Rawlings, mas perante um silêncio total durante cinco longos anos onde apenas soube das suas façanhas militares através de esparsas cartas à tia - Lady Edawards - ou pelas notícias publicadas no The Times, rendeu-se às evidências de o destino de ambos ser percorrido por caminhos díspares.

Um sem número de peripécias, muita acção, perigo e a teimosia de ambos os protagonistas arrastam as leitoras para um interessante romance de época, onde se destaca a rigidez da sociedade Vitoriana, onde as mulheres eram vistas como prováveis mães de família, sem direito a terem uma carreira própria (que era encarada como escandalosa e reprovada familiar e socialmente). Também interessante é o papel de relevo da imprensa da época, em especial, o prestigiado The Times que impunha um verdadeiro dogma informativo, mesmo quando a realidade era bastante diversa dos relatos que chegavam ao jornal - o Duque de Rawlings vê-se confrontado com uma imprecisão narrativa e jornalística que  o coloca erradamente como noivo da Estrela do Jaipur, alegadamente uma princesa Indiana que lhe fora "oferecida" como recompensa pelo Marajá (tio da Princesa) pelos honrosos préstimos militares do jovem.

Já Margaret é uma personagem também muito bem construída, sendo uma jovem voluntariosa, determinada, uma artista na sua verdadeira essência, que se vê discriminada e abandonada pela família, após o falecimento da mãe que era a sua mentora e apoiante, apenas pelo facto de trabalhar como pintora e fazer disso uma profissão remunerada, almejando alcançar a sua independência financeira através deste metier. Apesar de apaixonada, Maggie nunca se revela submissa perante o Duque, contestando, reclamando e sendo até agressiva quando não concorda com as circunstâncias que os rodeiam e com o modo como este aborda as questões da convivência entre ambos.

Margaret e Jeremy deixam-se enredar nas malhas da forte atracção que os une, acabando por ceder ao turbilhão de desejo que os atinge, sendo bastante intensas as cenas de natureza sexual que a autora descreve entre ambos, às quais não são alheias as emoções à flor da pele, e o conflito interno que os jovens vivenciam, quando tudo parece perdido quanto à possibilidade de um futuro em comum há muito sonhado.

Por sua vez, o perigo que ronda o Duque, que começa a ser alvo de tentativas de homicídio, ainda mais contribui para enriquecer a trama.

Carinho, paixão, orgulho, determinação, luta por ideais, redenção, perigo, exotismo e sensualidade resultam em linhas que lemos com muita atenção e indiscutível prazer, numa viagem a outras eras que é sempre fascinante.

Leia no blog as críticas a outras obras da autora, basta seguir os links abaixo: