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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

[Palavra de Leitor] "As Lágrimas da Lua", de Nora Roberts, Por Inês Santos [Blogs Portugal Creative e Ler Por Gosto Não Cansa]

   E hoje a nossa convidada especial é Inês Santos, apaixonada por livros, dá-nos a conhecer aquele livro que a marcou de forma mais especial - As Lágrimas da Lua , de Nora Roberts:




Inês Santos - Blogs "Portugal Creative" e "Ler Por Gosto Não Cansa"


 Quando é que um livro se torna importante para nós? Ou inesquecível?
Com um leque tão extenso de escritores, novos e velhos, verdadeiros e iludidos, com tanto por onde ler e escolher, como é que um desses muitos nos vai ficar marcado como o livro da nossa vida?

Pois o meu tem 11 por 17 e é de uma escritora que contribui para nos tentar todos os dias, tal como nos fornece um rol enorme de personagens e cenários por onde escolher.

Este livro tem o título de “As Lágrimas da Lua” e pertence à memorável Nora Roberts.

Em´”As Lágrimas da Lua” encontramos uma história comum - amigos de infância que a certa altura se deparam com algo mais que a amizade, algo como a atracção ou até aquele formigueirozinho no peito quando estão juntos. As brincadeiras já não são tão inocentes, e o roçar de corpos já não é tão indiferente. Aqui, e tal como em todos os livros de Nora Roberts e muito bem, Shawn Gallagher é um homem feito, responsável e ... desejável. E Brenna O'Toole, mulher segura de si como é, vai fazer de tudo para lhe mostrar que ela é muito melhor que todas as outras mulheres que lhe têm aquecido os lençóis, nem que tenha que aperfeiçoar-se nalguns pontos e retocar  outros.

É esta luta entre "gosto de ti como uma irmã" e "não te consigo tirar as mãos de cima", principalmente depois daquele primeiro beijo bombástico que Brenna rouba a Shawn, que a família Gallagher, o seu pub, o seu país, nos vão agarrar com duas mãos e não mais largar. Foi assim que Nora Roberts me atraiu e por fim, conseguiu conquistar e tornar-me uma aficcionada nas suas histórias, nas suas personagens, nos seus dramas e, principalmente, na sua Irlanda.

Vocês agora dizem: "Mas isso nós encontramos parecido noutros livros!". Sim, eu sei, mas este foi o meu primeiro livro desta autora. Foi neste que eu senti pela primeira vez este frémito das emoções transmitidas pelo papel. Foi aqui que eu me iniciei nesta vida de romances com finais felizes e que me apaixonei por personalidades fortes e verdadeiras de personagens que não são mais que irreais.

Tenho o orgulho de dizer e até de gritar com todo o ar dos meus pulmões que tenho todos os livros dela publicados em Portugal, mais alguns em ebook, traduzidos em pt-br, e vou continuar a comprá-los, a admirá-los e a lê-los."
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Inês Santos, a nossa leitora convidada de hoje é bem conhecida na blogosfera literária Portuguesa, sendo leitora assumidamente viciada em livros, é blogger em dois conhecidos blogs literários a merecer sempre uma nova visita:
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

[Palavra de Leitor] Henry & June, de Anais Nin, por Ana Ferreira [autora do Blog Illusionary Pleasure]

 

O dia em que li Henry & June de Anaïs Nin

Ana Ferreira: Illusionary Pleasure
 

Estava no primeiro ano de faculdade quando a minha querida amiga Ana Lúcia Sousa me falou de Henry Miller. Nunca tinha lido erótica na vida e, a meu ver, era bastante púdica em relação a ler erotismo. Ao ler uma passagem mais gráfica sentia as bochechas a ficarem vermelhas e arregalar os olhos. Mas a minha amiga continuava “Tens de ler Miller! A maneira como ele diz “cona”, ele não é badalhoco. Ou melhor é... mas entendes, não te sentes ofendida. É poético.” Não sabia onde tal palavra poderia encaixar em algo poético. Sei que demorei pelo menos mais dois anos até conseguir pegar em livros eróticos, talvez por pudor, ou por estereótipo. Só este ano consegui pegar em Nin, tendo já lido Henry Miller, o Decameron, Fanny Hill ou Maria Teresa Horta. Só este ano consegui pegar no livro de Nin “Henry & June” da Editorial Presença, no qual destaco a tradução. O tradutor poderia ter arruinado o livro. Sim é muito fácil arruinar um livro erótico com uma tradução, mas não. A tradução está tal e qual perfeita, que se Nin falasse e escrevesse português teria certamente aprovado.

É-me impossível falar deste livro sem ter um desejo profundo de o reler e querer escrever. Nin inspira-me a escrever o que nunca pensei vir a querer colocar num papel. “Henry & June” é escrito com verdadeira alma, qualquer livro erótico que não é escrito à flor da pele, com as imagens a passar na cabeça, não consegue transmitir ao leitor o desejo das personagens. Provavelmente este é o melhor diário que alguma vez lerei. A prosa de Nin não é complicada. Não são precisas flores para descrever o quanto Nin queria beijar e possuir June, ou então o quanto ela amava Miller, ou a felicidade que é estar casada com Hugh. Nin foi de facto uma mulher de rara sensibilidade, com tacto para as palavras certas e um coração grande demais para amar só um homem. Por entre divagações filosóficas, incertezas sobre os seus sentimentos ou sobre o rumo da sua vida, Nin dá a mão ao leitor para que este a acompanhe a partilhar tudo o que escreve. As palavras de Nin vão directamente para o coração do leitor. Como ela fez isso? Não sei.

Muito sinceramente não há elogios suficientes para este livro. O ano passado não consegui escrever uma crítica para o livro da autora Ursula Le Guin “A mão esquerda das Trevas”. Qualquer palavra referente ao livro que não fosse “perfeito” parecia-me escusada e grosseira. Com este acontece o mesmo. Tremo só de pensar que um dia vou voltar a ler Nin e a ver os meus demónios outra vez abertos. Sim, também eu quero escrever sobre aquela mulher que quis beijar e nunca tive coragem. Quero beijá-la no papel. Tenho inveja da Nin! Ao mesmo tempo sei que a autora criou na sua vida tantas mentiras que precisava de as escrever para não se esquecer delas.

É-me impossível de todo escrever uma crítica objectiva sobre Nin. Depois da leitura do livro a minha escrita não será a mesma, a minha vida não será a mesma. Pensarei sempre na forma como Nin escolhia as palavras sem se aperceber, na forma como ela conseguia amar e dar o seu coração a diversas pessoas. Talvez muitas pessoas não irão conseguir ler o livro até ao fim. Talvez nem sequer entendam muito bem a obsessão que Nin se tornou na minha escrita ou, quiçá dirão que a autora era uma “puta” que traía o marido. Encaro a Nin como uma pessoa honesta para si própria. Não podemos pensar que a maioria dos modelos dos livros eróticos de hoje em dia que visam uma mulher aborrecida que se apaixona por um homem lindo e é correspondida, são verdade. Nin precisava do amor de um homem mais velho. Miller foi esse homem. Amaram-se, fizeram sexo. Não era preciso serem bonitos ou ricos, Miller era charmoso e inteligente, Nin era a correspondente literária de Miller, a mulher que conseguia compreende-lo e ajudá-lo na sua escrita. Talvez precisemos de vez em quando de deixar o mundo imaginário perfeito, onde todos somos correspondidos, para descer à realidade. A relação de Miller com Nin foi conflituosa, a sua relação com June cheia de incertezas, mas a vida é assim. Um diário retrata as experiências da vida real e, como todos sabem na realidade não há espaço para contos de fadas ou, muitas vezes finais felizes.


NOTA FINAL: Anaïs Nin engravidou mais tarde de Miller, segundo ela. Nin sofreu um aborto aos 6 meses. Eventualmente a sua relação com Miller terminou e mais tarde com Hugh. Nin ajudou Miller durante este período com o seu livro “Trópico de Câncer”.
NOTA DA REDACÇÃO DO BLOG OS LIVROS NOSSOS:
  A nossa leitora convidada de Hoje - Ana Ferreira  - é autora e Administradora do blogue Literário Illusionary Pleasure, que desde já vos convidamos a vir conhecer. Crítica Literária, Licenciada em Línguas (Alemão e Inglês), está a concluir o Mestrado na área de  Ensino Básico e Secundário.
   A escrita e a leitura são duas enormes paixões, e além de blogger é ainda responsável pela revista Nanozine.
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[Palavra de Leitor] Memórias de Céu e de Inferno, de A. Passos Coelho revisto por Tito Ferreira de Carvalho


 
Autor: A. Passos Coelho
 
Título: "Memórias de Céu e Inferno"
 
Editora: Fronteira do Caos
 
 
Leitor Convidado: Professor Doutor Tito Ferreira de Carvalho
 
 
   Primeiramente devemos salientar que o texto que se segue não pretende ser uma recensão crítica da obra em epígrafe, por não sermos detentores de competências para tanto, mas apenas uma opinião resultante de uma leitura atenta e interessada do livro em apreciação.
   Na linha de tantos médicos que optaram por ser simultaneamente escritores, de que, entre nós, temos como exemplos Júlio Diniz, Miguel Torga e Fernando Namora, A. Passos Coelho, com uma notável carreira de Pneumologista no campo da Medicina, dá-nos, em “Memórias de Céu e Inferno”, uma obra de grande interesse narrativo, que seguimos com progressivo interesse, à medida que as páginas se vão sucedendo, prendendo-nos na teia bem urdida que por vezes nos arrebata, forçando-nos a resistir à tentação de caminhar para a última página e descobrir se o final é feliz (ou nem por isso..).
    Ao longo do livro, tentamos descobrir a razão do título; primeiramente fazemos a ligação com a vida atribulada do protagonista, cujo nascimento coincidiu com a morte da mãe, ficando entregue a uma tia que, pobre, cheia de filhos para alimentar e de problemas tremendos para resolver, numa vida arrastada e muito sofrida, honrou o compromisso assumido perante a irmã, no leito de morte, de o tratar como se seu filho fosse.
   A tia, a primeira guardiã, a quem se seguiriam duas outras, que a morte acabaria por levar, deixando o jovem por duas vezes à beira do Inferno, quando do seu passamento, servindo de lenitivo os tempos passados no Céu, assim pelo autor considerado como os períodos de proteção da extremosa mãe que D. Guida fora e, sobretudo, de D. Céu, que, de omnipresente mãe adotiva, passou sucessivamente a amante suprema e, a seu tempo, a sua primeira e bem amada Esposa.
   É aliás deveras interessante a definição que o autor nos dá de inferno: “uma invenção pré-histórica, de certo fanatismo religioso, destinado ao suplício de almas malvadas. O paraíso fora concebido para premiar eternamente as almas boas; localiza-se no céu, em sítio incerto…Do inferno nunca nenhum sábio ousou definir a topografia, e não existe notícia de que alguém se tenha interessado em descobrir-lhe o paradeiro. Por mim, creio que o inferno é nesta vida…cada pessoa pode ter o seu inferno. O meu foi a fome, o frio, a miséria que vivi até aos oito anos num casebre imundo de Peneda…”.
   Mais tarde veremos que o inferno, para o nosso protagonista, não acabou aqui, mas antes se fez sentir ainda noutros momentos, se bem que com outras características, diferentemente penosas. O pior momento foi o da morte da Querida Céu, Esposa Amada, que, ao falecer nos seus braços, com sempre ela desejara, após prolongada doença, o fez mergulhar de novo no Inferno, agora mais profundo que os anteriores.
   Em contrapartida, no dizer do nosso herói, em Chaves “vivia feliz na simpática, bonita, acolhedora, farta cidade fronteiriça flaviense. Vivia no céu!”.
   Céu e Inferno, de que ele receava não se libertar tão cedo, após a morte da Esposa, talvez até nem o desejasse, pelo menos de início. Mas a vida ainda tinha muitas surpresas para ele. Na pessoa da antiga enfermeira de Céu, Ema, ele viria de novo a reencontrar o Amor e, claro, o Céu.
   Ema, que o estimulou a compilar as memórias da sua vida, até então, a que anuiu com grande relutância, pois não se sentia capaz de tal. Mas com o auxílio de Ema, tudo se tornou mais fácil. Até o título, que só na última frase do livro ficamos a conhecer: “Memórias de Céu e Inferno”. Por outras palavras, a centralidade de Céu na vida de Silvestre é incontornável; e, fora dela, ainda que um tanto exageradamente, só parece haver Inferno.
   Mas agora há Ema. E o Céu voltou de novo. Para ficar, espera-se, deseja-se!
   Nota muito positiva, pois, para este “Memórias de Céu e Inferno”, de A. Passos Coelho, escrito numa linguagem acessível mas com algumas imagens apelando a forte erudição por parte dos leitores, nada que o recurso a um bom dicionário não resolva. E um enredo bem tecido, que prende da primeira à última página. Destacando sempre a enorme beleza de umas das regiões mais prendadas de Portugal, centrada no Douro, e a memória de um País dos tempos de Salazar, que convém não desconhecer, porque de memória importante se trata. Até para compreender melhor o presente e atuar adequadamente no futuro.
   Estão pois de parabéns o Autor e a Editora, pela obra de que vivamente recomendamos a leitura.
Tito Ferreira de Carvalho
Economista / Professor Universitário
 
Nota: Tito Ferreira de Carvalho escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico.