Desde
que tomei conhecimento desta saga, em 2005/06, que ansiava ler os livros desta autora. As capas foram, novamente, um chamariz que
me fizeram sonhar e, mais tarde, comprar. O que me impediu de o fazer mais cedo
foi o medo de que as minhas expectativas fossem demasiado altas. De não gostar
da temática nórdica, da escrita, de ser de uma portuguesa (tamanho é o nosso
preconceito!), de tudo e mais alguma coisa. Perdi a conta aos entraves que
criava sempre que desejava comprá-los. Após quase três anos sem ler um livro, Sandra
Carvalho devolveu-me a esperança. O meu gosto pela leitura não estava
perdido, tinha ficado apenas adormecido. A partir daí, nunca mais voltei a
parar de ler ou a sentir-me aborrecida por ter de ler um livro.
Penso que posso afirmar, sem exageros e
orgulhosamente, que Sandra Carvalho é uma das melhores escritoras do nosso país, dentro do género Fantástico, cujas obras foram das melhores que já tive o prazer de ler. Principalmente
por ter brilhado num género difícil de agradar como é o Fantástico. Há
quem a compare com a trilogia de Sevenwaters de Juliet Marillier,
mas eu nunca a li, por isso não posso confirmar ou desmentir.
Desenganem-se os que pensam que a escrita da autora é
aborrecida, infantil ou mesquinha. É precisamente o oposto. As descrições estão
muito bem construídas, a realidade de uma história fantasiada nota-se tão à flor das
páginas, digo, da pele! Vê-se que, para além da paixão com que escreve, fez
muita pesquisa sobre os povos nórdicos para tornar a obra o mais realista
possível. Tenho aprendido imenso sobre os costumes, as roupas, as comidas, as
viagens... Com todos estes pormenores, Sandra mantém-nos cativos das suas
palavras, desde a primeira frase até à última. Pensava que exageravam quando
diziam que esta autora era uma exímia contadora de histórias. Não exageraram,
de todo.
Os livros da saga, embora de um género virado mais
para o público jovem, podem ser lidos por todas as idades. É verdade que contém
cenas algo chocantes ante a realidade monstruosa que está por detrás. É também
verdade que contém algumas cenas sensuais e picantes! Mas… Sandra expõe-nas de
forma tão apaixonante que não tem o carácter erótico que poderiam ter, se fossem
escritas por outra autora. As cenas mais ardentes entre os dois personagens
principais são isso mesmo, apenas ardentes. São apaixonantes. Fulgurantes.
Repletas de amor.
De acordo com o que consegui apurar, a Saga atravessa, pelo menos, três gerações. Como eu já li três, apanhei duas. A geração da Catelyn e do Throst (A
Útima Feiticeira e O Guerreiro Lobo) e Edwina e Edwin (Lágrimas do Sol e da
Lua, etc.). Podem ler as sinopses dos três primeiros livros, aqui.
Toda a narrativa está bem construída e o enredo é
absolutamente de cortar a respiração. Já as personagens, todas elas fascinantes
e totalmente diferentes, não nos desiludem também. Choramos com elas, rimos e
espumamos de raiva. Consegue transmitir-nos tanto apenas com o dom da palavra.
Adoro especialmente a profundidade emocional com que
impregna a sua história. Para além da magia que envolve a família e dos
dissabores que envolvem os antagonistas, os outros pontos mais altos, se é que
é possível fazer uma distinção, são os valores da família e do amor, romântico
e familiar.
É impossível parar de ler. Só me
lembro de que tenho de parar, quando a barriga se queixa e dá horas ou os olhos
acusam cansaço e acabam por fechar.
Aconselho vivamente a lerem, mesmo não morrendo de amores pelo género, tanto mais não seja por ser de uma Portuguesa! Além da
fantasia, a Saga de Sandra Carvalho é muito mais do que isso. E tudo o que eu
disser aqui vai ficar muito aquém da realidade.
Ivonne


