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sexta-feira, 27 de julho de 2012

[Entrevista] Sara Farinha, autora de "Percepção - Uma Estranha Realidade"


Após a leitura do romance Percepção – Uma estranha realidade de Sara Farinha, publicada pela Alfarroba Edições, surgiu a oportunidade de realizar esta entrevista . Agradecemos a disponibilidade e simpatia da autora.

Segue-se então a entrevista conduzida por Ivonne Zuzarte.
Novo formato, publicado a 8 de Agosto de 2012. 

 (Foto retirada do blogue da Autora)

1.      É uma pergunta banal e muito recorrida, mas introdutória e necessária para que te possamos conhecer um pouco melhor. Fala-nos um pouco sobre de ti, Sara.

Sou uma lisboeta que adora escrever, ler, fotografar, viajar, música, cinema e conviver com os amigos. Licenciei-me em Sociologia do Trabalho desempenhando diversas funções em contexto empresarial e como formadora de adultos.
Educação, formação e emprego deram-me as ferramentas para o estudo dos valores humanos e ajudaram a perspectivar parte da natureza social e individual. Foram estas experiências que alimentaram a minha natureza inquisitiva e ajudaram a tornar as letras na minha forma de expressão pessoal.
Administradora do blogue http://sarinhafarinha.wordpress.com/ desde 2007, este tem sido a minha plataforma de eleição como autora, especialmente após a publicação do meu primeiro livro ‘Percepção’, no final de 2011.

2.      Que características te definiram e definem enquanto pessoa e escritora? E o teu romance, “Percepção”?

Pessoa e escritora são indissociáveis. Enquanto pessoa que escreve posso afirmar que sou persistente, inquisitiva e reflicto bastante sobre aquilo que me rodeia. Odeio falhar mas gosto de aprender com os erros. Adoro criar algo e sentir que o que criei deixou de ser meu e passou a ser de quem lê.

Definir ‘Percepção’ é honrar contrastes. É falar de ciência e de psicologia, de racionalidade e de sentimentos, das dicotomias humanas que ilustram comportamentos. É uma história sobre a influência dos sentimentos, elevados ao expoente máximo, na racionalidade humana.


3.      Quando ainda estavas a escrever “Percepção” e sendo este um romance virado para o interior da existência e o medo que a acompanha (com ou sem dons), que sentimentos e emoções te despoletaram a sua escrita?

‘Percepção’ surgiu num momento muito complicado da minha vida profissional. Apesar da ideia ter amadurecido ao longo de alguns anos, a sua execução foi ininterrupta, e surgiu como um alívio às pressões do dia-a-dia. Escrever ‘Percepção’ foi para mim sinónimo de alívio, de esperança e de recusa de passividade. Esta obra será sempre um símbolo de uma luta que venci.

4.      Quanto tempo levou a ser escrito o romance “Percepção”?

Sensivelmente um ano de trabalho num primeiro rascunho e outro ano até à versão final.

5.      Pelo que temos lido, iniciaste-te na blogosfera há cerca de quatro anos. Como surgiu essa ideia e como tem sido a experiência?

O blogue surgiu porque, no domínio das letras, adoro experimentar coisas novas. Inicialmente era apenas um local de partilha de interesses e gostos pessoais, com o tempo transformou-se num projecto autónomo do qual eu sinto bastante orgulho.

Escrever foi, é e será sempre algo que faz parte de mim. É uma actividade cujo objectivo máximo é social e acredito que escrevo para mim mas, acima de tudo, escrevo para os outros. Um blogue permite a exposição e a interacção necessárias a qualquer autor, proporciona a definição de objectivos concretos e a responsabilidade pelo seu cumprimento.

Os últimos três anos têm testemunhado um aumento de leitores no meu espaço virtual e, por isso, sou grata. Os meus leitores são os melhores e eu espero continuar a progredir para lhes proporcionar bons momentos de leitura.

6.      Vimos no teu blogue que adoravas viajar pelo mundo e que és Socióloga. De que forma esse desejo e o teu curso influenciaram a escrita de “Percepção”?

‘Percepção’ foi largamente influenciada por ambas. A Sociologia como estudo do comportamento humano, em função do meio e da interligação dos indivíduos em sociedade, orientou processos mentais e pesquisa, ajudando a construir esta história.

Conhecer outras realidades sociais é o princípio da Sociologia, assim como dos viajantes. As várias viagens a Londres, uma cidade que eu adoro, proporcionaram o cenário ideal para esta história.

7.      O que significa a escrita para ti?

É como beber água ou alimentar-me, faz parte do meu ritmo diário e da minha saúde. Não consigo imaginar um mundo onde não me fosse permitido escrever.

8.      Que reacções tens tido em relação à tua escrita e ao teu romance?

Tenho recebido bastantes e diversificadas opiniões sobre ‘Percepção’. Podem ver algumas delas no blogue http://percepcaoumaestranharealidade.wordpress.com/. Em relação aos artigos no http://sarinhafarinha.wordpress.com/ o aumento de seguidores e o número de visitas diárias asseguram-me que aquilo que partilho é do interesse do público.
Procuro estar atenta às opiniões e colocá-las em perspectiva. Todas elas são uma lição sobre algo e devem ser usadas de forma construtiva.

9.      O que achas da valorização das obras portuguesas, recentes e mais antigas, no mercado editorial geral (nacional e internacional)? E por parte dos próprios leitores portugueses?

Hoje passei por uma livraria, pertencente a uma das maiores cadeias em Portugal, e constatei que a estante onde todos os meses encontro literatura fantástica traduzida dividia agora o espaço com um número simpático de autores portugueses. Pelo menos três das oito prateleiras exibiam vários exemplares de ficção especulativa portuguesa o que, pode não parecer muito, mas garanto-vos que é o suficiente para me permitir afirmar que o mercado está a mudar.

Obras portuguesas, antigas e recentes, ocupam agora lugares de destaque nos escaparates e isso deixa-me particularmente orgulhosa como escritora e, sobretudo, como leitora.

Posso afirmar que os leitores portugueses têm sido os impulsionadores dessa mudança. As redes sociais vieram facilitar a comunicação entre as partes (leitores, autores, editoras e livrarias), tornando possível divulgar obras de qualidade num circuito que não é facilmente manipulável.

10.  Tens algum projecto em mãos, de momento? E futuros? Se sim, podes levantar um bocadinho a ponta do véu?

Tenho vindo a explorar o formato de Conto num desafio literário pessoal chamado 12 Meses/12 Contos. O texto deste mês será submetido num concurso internacional promovido por uma editora brasileira, mas podem ir acompanhando todos os desenvolvimentos no blogue http://sarinhafarinha.wordpress.com/.

Podem acompanhar alguns dos meus escritos no blogue ‘Fantasy & Co’ http://fantasy-and-co.blogspot.pt/, um projecto em que participo ao lado de alguns colegas escritores portugueses que pretende divulgar a Literatura Fantástica Portuguesa.

Quanto a obras de maior dimensão, fiz uma pausa no rascunho do meu terceiro livro, ao qual pretendo voltar assim que resolva algumas questões temáticas.

11.  E, por fim, há alguma mensagem que gostasses de deixar aos nossos leitores ou aspirantes a escritores?

Continuem a ler (e a escrever, se for o caso), um pouco de tudo, em qualquer língua e em todos os formatos. E nunca acreditem que a vossa opinião pessoal não tem peso porque, é ela que guia a vossa vontade, que vos impele a agir e, consequentemente, é ela que muda o mundo.

Quero também agradecer ao blogue ‘Os Livros Nossos’ pela oportunidade de responder a estas questões e, em especial, à Ivonne Zuzarte pela excelente crítica e pela sua simpatia.

terça-feira, 17 de julho de 2012

[Opinião] "Percepção - Uma estranha realidade" de Sara Farinha


Percepção é um mundo novo, uma história que nos cativa.”

Blogue “O Nosso Mundo Sobrenatural”















Informações:

     Percepção – Uma Estranha Realidade é o primeiro romance de Sara Farinha. Foi editado em Novembro de 2011, pela Alfarroba, uma editora que se tem tornado numa verdadeira revelação.

Sinopse:
Joana cedo descobriu que os estados emocionais dos outros toldavam o seu raciocínio e moldavam o seu comportamento. Em busca duma vida anónima, Joana esconde-se em Londres, procurando ignorar a maldição que a impede de viver uma vida normal. É aí que a sua vida se cruza com a de Mark, um arqueólogo americano que viaja pelo mundo à procura de outros sensitivos como ele. Joana relutantemente aceita a amizade de Mark, acabando por encontrar nele o seu maior aliado na aprendizagem sobre a vivência dum sensitivo. As capacidades crescentes de Joana atraem as atenções não só de Mark como do Convénio, uma organização ilegal que pretende reunir sobre o seu domínio todos os Sensitivos. É apenas quando a sua melhor amiga é posta em perigo, que Joana descobre que a sua maldição pode ser um dom, e que a vida ultrapassa todos os seus receios e expectativas.

Opinião:
 
Vou confessar que a minha praia é a onda do Fantástico. Contudo, penso que não nos podemos limitar por um único género e gosto de variar introduzindo um livro diferente entre a leitura dos livros que tenho do Fantástico. A oportunidade surgiu quando a Isabel (administradora do blogue) me ofereceu esta obra. Escusado será dizer que saltou para o topo da minha lista. E ainda bem que assim foi. Assim e, não tendo muita experiência com este género de livros, deixo aqui a opinião. 

*
Numa escrita fluída, Sara Farinha estreia-se com um enredo absolutamente fantástico e personagens singulares. É de muito fácil leitura. Sei que parece cliché, mas lê-se mesmo de um sopro!
Criou uma personagem principal muito forte com uma grande inteligência emocional que tende a abafar essa particularidade com receio de se magoar a si e aos outros. Sendo eu uma aluna de Psicologia, ao ler o título, caí no erro de o julgar errada e precipitadamente. A autora desmistificou os preconceitos que rondam as sensações e as emoções. Não se deixou cair em clichés e aprofundou de uma forma brilhante o significado de empatia, levando-o além-fronteiras. Literalmente.
A única crítica que pode ser considerada menos positiva recai sobre o desenrolar da acção. No início, a acção está um pouco estagnada, focalizada num monólogo interior sobre a sua vida, o seu dom e a vida dos demais seres humanos. Especialmente a relação com Mark, em que a ausência de muitos diálogos se faz notar, assim como, o pouco desenvolvimento sobre o Convénio. Não irei revelar mais, porque estaria a dizer demasiado, mas são pontos que, na minha opinião, poderiam ter sido melhor explorados. Talvez, fosse essa a estratégia da escritora e a sua ideia não fosse desenvolver demasiado os pontos que referi.
Ou, talvez, a autora tivesse receio de que um maior desenvolvimento tornasse a história aborrecida. Só que não o é, de forma nenhuma no meu parecer e, talvez por isso, nunca o seria. Mas, mais uma vez, ressalvo a atenção para os julgamentos errados que fazemos, principalmente, sobre os escritores portugueses que têm tanto ou mais talento que os estrangeiros. Não se vê ainda é muita aposta neles. E a Alfarroba prima brilhantemente por isso.
Quanto ao enredo, posso dizer que é bastante interessante. Não há muitos livros assim e que sejam de autores portugueses. A obra ficcional de Sara Farinha é um romance que se caracteriza pelo mundo das emoções, pela busca do sentido da vida. Apesar de tudo, a estagnação inicial é largamente compensada com um final repleto pelas duas características já mencionadas (acção e suspense). Chegando a essa altura, não consegui desgrudar os olhos das letras enquanto não terminei.   
Gostei, voltaria a lê-lo e se tivesse uma continuação, lê-la-ia de bom grado, onde pudesse ver um maior desenvolvimento sobre o Convénio. Se não houver sequência, espero que a escritora não pare de escrever, pois tem tudo para se afirmar dentro do género (ficção). É esperar para ver.
Só me resta desejar à escritora um futuro brilhante na arte da Escrita e um Obrigada pela história com que nos presenteou. Venham mais!
Quanto à Alfarroba, uma excelente aposta e… de uma escritora portuguesa. Adoro especialmente esse pormenor: a aposta em escritores portugueses. Não me canso de o repetir!

Ivonne