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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[Entrevista - Nacional] Teresa Marta em entrevista a propósito do seu livro "Fazer do medo coragem" [Diário do Distrito/Nova Gazeta/Os Livros Nossos]

Numa iniciativa conjunta com os nossos media partners Diário do Distrito e Nova Gazeta, entrevistámos ontem, dia 02/03/2016, a autora Teresa Marta a propósito do próximo lançamento do livro “Fazer do Medo Coragem” [Com prefácio de Helena Sacadura Cabral] a decorrer no próximo dia 5 de Fevereiro na Livraria Bertrand Editora das Amoreiras , a partir das 18h30m.

A autora é Licenciada em Comunicação Social, Pós Graduada em Marketing e Serviços e Mestre em Psicoterapia Existencial. Após 21 anos como Gestora, em 2013 decidiu mudar a sua vida, desempregar-se e lançar o seu projecto “Academia da Coragem”, como Coacher certificada, desenvolvendo actividades de potenciação do desenvolvimento pessoal, através do uso de metodologias activas. Ficámos a conhecer melhor a mulher por detrás da obra, e partilhamos este conhecimento com os leitores.

Os Livros Nossos: Este livro surge como corolário lógico na sequência da sua formação académica e do projecto Academia da Coragem?

Teresa Marta: Não tem tanto a ver com a formação académica. Eu fui vossa colega, trabalhei na Rádio Pal, sou Licenciada em Comunicação Social, Pós Graduada em Marketing de Serviços e só fiz o Mestrado em Psicoterapia Existencial em 2007. O livro reflecte uma mudança da minha área de actividade, eu sempre fui gestora e trabalhei em marketing e sempre tive muita apetência por perceber o que nos mantém presos ao sofrimento, o facto de ter nascido numa família também rural. Havia uma grande taxa de suicídio,  a própria mãe da minha mãe tentou suicidar-se duas vezes. Violência doméstica, hoje fala-se muito em violência doméstica porque temos as coisas mais visíveis, mas antigamente havia muita violência doméstica  que nem sequer era falada, era vivida dentro de casa,  e aguentava-se a verdade era essa. E a Academia surgiu então quando eu tive necessidade de começar a colocar no terreno afinal o que era isso da coragem, como é que nós podemos libertar-nos do medo. O livro conta dez histórias, dez histórias de medo,  e o primeiro capítulo é a minha própria história, são os tais sessenta anos de medo,  que foram tantos quantos durou o casamento da minha avó Emília, a minha mãe morreu com 64 anos e  isso no fundo resumo a história quer da minha avó, quer da minha mãe. E a minha questão fundamental é, então porque é que nós, se temos medo, estamos oprimidas pelo medo e nunca saímos do medo, o que justifica isso? E, de facto, o meu Mestrado em Psicoterapia Existencial levou-me depois a fazer a certificação internacional em Coaching Motivacional e dos Comportamentos e em estudar em maior profundidade, onde é que o medo surge no ser humano, se o medo é inato ou se é cultural ou educacional, e fe facto, há um misto das duas coisas. Ora, se nós aprendemos a ter medo em crianças, como é que os nossos pais nos ensinam ? – Olha tem cuidado, vais para ali, olha que podem-te fazer isto; olha não subas aí que é muito alto para ti;  olha que cais e partes a cabeça. É para protegermos a cria mas somos educados a ter medo – não comes a sopa vem o homem do saco.

Os Livros Nossos: Há uma cultura do medo?

Teresa Marta: Há, no meu tempo eram os ciganos, não comia a sopa vinham os ciganos. Agora há uma nova frase que é – deixa vir o teu pai que já vais ver como é que é! – Nós no fundo proporcionamos isso, e fomos ensinados desde miúdos a ter medo, a questão é que, esse medo, que até certo ponto nos protege, em adultos, quando vamos ter nós próprios relacionamentos amorosos, a nossa família, e entramos nas empresas,  o medo condiciona-nos e nós começamos a agir não pelo que sentimos, mas por tudo aquilo que nos foram ensinando. Isso é maravilhoso, perceber como é que o ser humano adquire o medo, e como é que nós podemos livrar-nos do medo e ter uma vida mais equilibrada.

Os Livros Nossos: O medo é uma força de bloqueio?

Teresa Marta: Quando é tóxico o medo é uma força de bloqueio. Aliás, há estudos muito interessantes de um Psicólogo e Psiquiatra Americano, que é o Peter Levine, que vem referido no livro. Fez estudos fantásticos e criou uma coisa que é o Instituto do Trauma, e a maior parte da vida dele foi dedicada aos animais selvagens a tentar perceber. Há uma lebre a fugir de um coiote, nós os seres humanos copiámos isso da natureza, temos três maneiras de fugir ao medo: a primeira é não nos movermos; a segunda forma é lutar e a terceira é fugir, Então a lebre fugia do coiote mas ele andava mais depressa, então a lebre ficou quieta, reduziu o batimento cardíaco e o coiote deixou-a pensando estar morta. A lebre, ao contrário de nós, não tem memória do trauma. Nós somos os nossos maiores carrascos. O ser humano memoriza o trauma. Esse registo negativo vai lá ficando, e podemos mesmo adoecer com medo, ficamos com aquele pensamento recorrente, a seguir os pensamentos adoecidos eu não posso claramente sentir-me bem, eu acabo por adoecer o meu corpo, se estou sempre a sentir-me mal emocionalmente eu vou somatizar e há cancros nomeadamente na zona do estomago e do intestino que são somatizados são pessoas que não conseguem deixar ir. Nós interrompemos a linha da vida, em vez de vivermos o presente estamos preocupados com o  “E se”, a maioria das pessoas que encontro no Coaching tem sempre esta questão do E se, encontra-se uma solução caso a empresa vá à falência, e se eu adoeço e não posso mesmo trabalhar depois . Nós seres humanos vivemos em busca da felicidade, é a nossa busca fundamental, o que para cada um de nós significa a felicidade é outra coisa, mas se estivermos antes preocupados em ver o que isto tem de bom agora, porque mesmo a noite dá origem ao dia, a tempestade dá origem a algo bom e nós aprendemos a conviver com isso. As pessoas ficam ansiosas, ficam angustiadas começam a acreditar que não são capazes, e caem, e ai há várias formas de cair das mais leves às mais pesadas.

Os Livros Nossos: Começa já a sentir alguma sensibilização para estas temáticas ao nível organizacional?

Teresa Marta: É a minha próxima fase, como trabalhei em empresas 21 anos, estou a fazer um trabalho para perceber quais são os custos do medo nas empresas. O líder tem medo de perder o poder, de ser falado nos corredores, de não atingir os objectivos e os funcionários também têm medo, por vezes incutido pelos chefes – não estás contente com o teu salário então vai lá ver como será arranjares outro emprego – e este medo é trazido para vida privada, para a família. As empresas que vivem este clima não inovam, as pessoas tem ideias para inovar mas até têm medo de as dizer com medo de serem ridicularizados ou postos de lado, são empresas que perdem clientes porque depois quem trabalha na área comercial  quando vai visitar o cliente já não vai satisfeito, são empresas que perdem a auto-estima e perdem muito do que é o seu potencial.  Há estudos muito interessantes nos Estados Unidos e aqui ao lado em Espanha, por exemplo, Pilar Jericó tem feito estudos sobre quanto as empresas estão a perder devido ao medo nas empresas e utiliza a expressão  “gestão medo zero” o que podem os gestores fazer para diminuir o medo nas empresas e aumentar a produtividade mas não pode ser uma produtividade e um lucro cego.

Os Livros Nossos: Denotam-se sectores económicos onde esta lógica do medo esteja mais acentuada?

Teresa Marta: A banca é um deles, todos os sectores que terabalhem com objectivos económicos têm medo. No sector automóvel há menos. A banca tem medo de perder clientes e de os clientes não serem tão rentáveis, se eu deixar de pagar um empréstimo o banco não vai receber. Nos seguros a mesma coisa, quando foi a venda de uma seguradora Portuguesa, quando os funcionários viam uma pessoa engravatada acompanhada de um comité a dar a volta ao open space, pensavam logo os funcionários quem é que eles vão dispensar esta semana, quem de nós vai ser convidado a sair. Os seguros a banca, a área da restauração, no fundo são áreas que estão mais dependentes do bolso do consumidor final. Há profissões de maior risco e há profissões mais seguras, embora hoje não existam empregos para a vida. È uma questão ligada ao medo e à coragem. Nós aceitarmos a insegurança é natural. No meu caso pessoal, ao decidir despedir-me em 2013, o que me custou mais fazer foi desapegar-me. Porque é verdade que é confortável viver com um salário fixo, uma boa casa, um bom carro. Esse desapego de eu perceber que tinha de remodelar a minha vida toda, eu passei a viver com um quarto daquilo com que vivia. Eu sou mais feliz, deixei de fazer milhares de horas na empresa, milhares de quilómetros de carro, passei a ter mais tempo para o meu filho.

Os Livros Nossos: Quanto tempo levou a conseguir esse desapego?

Teresa Marta: Eu ainda estou em desapego. Eu nunca mais fiz férias, por exemplo, não tenho dinheiro neste momento para ir de férias, tinha duas casas só tenho uma, tinha um carro de oitenta mil euros agora tenho um utilitário. Estou a viver das minhas ainda poucas sessões de coaching e de uma poupança que fiz. A política não me paga nada, apenas as senhas da assembleia, eu nunca vivi nem quero viver da política. 

Os Livros Nossos: Qual foi a história mais marcante do seu livro?

Teresa Marta: A mais marcante de todas foi uma senhora que não conseguia engravidar, tinha perdido uma filha com um tumor cerebral com 17 anos, Apareceu-me na primeira sessão com um potinho e perguntou se o podia colocar em cima da mesa e eu disse que sim, e depois disse-me – é a Iris – eram as cinzas da filha de que não conseguiam separar-se, perdeu o casamento, é a história típica de quem tem tudo financeiramente mas não tem o resto, temos a tendência para associar felicidade a dinheiro, é certo que ajuda, mas não é tudo. Temos que prescindir de amigos, de relações, de tempo para nós. Nós acabamos por ter de prescindir daquilo que é a nossa missão de vida. Não preciso muito para ser feliz, mas depois temos aquela ideia de – e se eu tiver mais isto – e é a eterna insatisfação do ser humano. Uma vez tive um senhor que me disse: tenho três casas, uma mulher fantástica, três filhos maravilhosos, um Jeep e um carro topo de gama, e depois vamos para o Algarve de avião e temos lá outro carro e no entanto não sou feliz, explique-me lá o que se passa. Às vezes termos tanta coisa acabamos por não valorizar outras pequenas coisas – ter tempo para tomar um café com os amigos, para ficar sozinha.

Os Livros Nossos: E a crise trouxe medo?

Teresa Marta: Trouxe muito medo. Como poderia eu ajudar se não tivesse experiencias minhas, por exemplo, no caso da mãe que tinha perdido a filha com um tumor cerebral eu nunca a entenderia se não tivesse filhos. Eu pensei que a senhora não ia voltar mais, eu chorei o tempo todo, depois acabámos abraçadas. Na sétima sessão ela disse-me que tinha ido deitar as cinzas da filha ao Guincho, como a filha havia pedido.

Os Livros Nossos: A Teresa acabou por ser uma mais-valia para essa mãe?

Teresa Marta: No dia em que acharmos que somos os melhores, como aqueles terapeutas que dizem estar resolvidíssimos algo não está certo. Nenhum ser humano está resolvido. 

Os Livros Nossos: Ao longo deste tempo todo tem sentido que tem ajudado as pessoas?

Teresa Marta: Sim tenho sentido. A vantagem de juntarmos metodologias activas à psicoterapia. Eu não faço psicoterapia no sentido estrito da expressão e isto foi por opção, porque comecei a sentir que posso ajudar mais juntando duas coisas, a minha experiencia pessoal porque passei pelos processos, e em segundo lugar a questão do fazer,  porque nós não podemos dizer que não conseguimos até tentarmos. Claro que eu ajudo as pessoas, mas não sei até que ponto eu própria saio enriquecida. No dia em que eu achar que sou a maior mandem-me internar [risos].

Os Livros Nossos: A quem aconselharia, no imediato, o livro que escreveu?

Teresa Marta: A todas as pessoas que estejam a sofrer com perdas físicas, emocionais ou com sensação de injustiça que sintam.

Os Livros Nossos: Alguma vez esteve indecisa entre o Coaching e a Psicologia ou nem sequer foi por ai?

Teresa Marta: Eu nem fui por ai porque tenho vários amigos psicólogos, sobretudo amigas e como sou uma mulher que veio das empresas a psicologia não ia proporcionar tudo o que eu desejava. Por isso fiz formação em psicoterapia existencial. Como quero levar o coaching da coragem para as empresas falta a vertente de agir, como vamos proporcionar a mudança.

Os Livros Nossos: A nível de procura de Coaching ocorre mais a nível individual ou institucional?

Teresa Marta: Mais individual, também porque o meu marketing tem sido mais noutro sentido, eu tive de testar primeiro a metodologia ao nível individual antes de ir para as empresas, era incapaz de ir para as empresas sem saber se teria resultados, também porque fui gestora e não lido bem com o insucesso, confesso. 


Entrevista conduzida por: Isabel de Almeida e Miguel Garcia 

Foto: Miguel Garcia/Diário do Distrito/Nova Gazeta


domingo, 6 de janeiro de 2013

[Renda & Saltos Altos] "Escravos da Paixão", Kate Pearce [Quinta Essência]

 
Título: "Escravos da Paixão"
 
Autora: Kate Pearce
 
Editora: Quinta Essência [Grupo Leya]
 
1ª  Edição: Setembro de 2012
 
Páginas: 348
 
 
Sinopse:
 
 
Uma proposta ousada... Forçada a casar muito nova, Abigail Beecham está farta do seu casamento sem sexo.
 
Anseia por sucumbir aos prazeres deliciosos do puro desejo carnal sobre o qual apenas leu. Se o marido não é capaz de satisfazer as suas carências, ela está disposta a encontrar um homem que o seja... Um passado diferente... Peter Howard está habituado a pedidos sexuais fora do comum. Os seus dez anos como escravo num bordel turco tornaram-no um especialista nas delícias sensuais. Mas há pouco que realmente o excite... até conhecer Abigail. Agora vive para a provocar e atormentar até ela gritar de prazer. Talvez quando sentir finalmente aquela deliciosa sensação de felicidade por que tanto anseia...
 
 
Crítica por Isabel Alexandra Almeida /Blog Os Livros Nossos:
 
“Escravos da Paixão” é o segundo romance da série [Casa do Prazer], da autora Britânica Kate Pearce, editada em Portugal sob a chancela de qualidade da Quinta Essência.
  Com formação superior em História, Kate Pearce, actualmente  a residir nos Estados Unidos, traz-nos romances que revelam um estilo bem demarcado e reconhecido pelos  seus leitores habituais.
  Personagens envolventes, carismáticas, sem tabus, são verdadeiros anti-heróis que, irónica e paradoxalmente, acabam por conquistar a empatia do leitor.
   Nesta narrativa, assumem o papel de personagens centrais, que virão a dar forma a um atrevido e inusitado triângulo amoroso: Peter Howard (comerciante bem instalado e relacionado socialmente, com um passado obscuro, marcado pelo abandono familiar e pela escravidão sexual forçada num Bordel Turco, na sequência de rapto); Lorde James Beecham e a jovem esposa Lady Abigail Beecham.
   Intercalada com a acção principal, que narra a proposta de Lorde Beecham a Peter, no sentido de que este sirva de Mestre nas artes da Alcova, a James e à sua esposa Abigail (que anseia por dar um herdeiro ao marido), já que o nobre casal não revela qualquer tipo de sintonia entre lençóis; surge a narrativa do desentendimento entre Peter e o seu anterior melhor amigo (e amante) Valentin Sokorvsky, e a sua esposa Sara.
   Peter irá aceder ao pedido de Lorde Beecham, e encontrará no casal uns muito aplicados aprendizes das artes do sexo, nascendo entre as três personagens fortes laços de intimidade, confiança, e até mesmo amor, num ousadíssimo, nada convencional e verdadeiramente escaldante triângulo amoroso, que despertará Lady Abigail para os prazeres da carne, os quais, até aí, lhe eram desconhecidos.
   Este livro contém descrições explícitas e detalhadas de cariz sexual, assume-se como um romance para adultos.
   Contudo, a linguagem cuidada de Kate Pearce, está imbuída de uma natural elegância torna possível ao leitor atenuar o choque inicial que possa ser causado pelo teor da narração, e pela crueza das descrições sexuais.
   Além de uma escrita elaborada, mas acessível, desprovida de quaisquer pudores ou tabus, Kate Pearce tempera a sua narrativa com os maneirismos sociais da Sociedade Britânica do Século XIX, dando a conhecer aos leitores mais uma parcela das vivências daquele período histórico onde se denotam vícios privados escondidos sob a capa de apregoadas públicas virtudes.
   Também o mistério surge no romance, crescendo no leitor a curiosidade em descobrir as origens familiares de Peter, bem como os detalhes que rodearam a sua infância tão cruelmente marcada pelo destino.
   Peter é, a meu ver, a personagem mais marcante e profunda da obra, sendo paradoxalmente um “animal Social” mas também “sexual”, mas que vive momentos de angústia e hesitação ao sentir-se sem raízes, sem família e numa incessante busca pelos afectos que nunca teve a oportunidade de encontrar na altura certa do seu percurso de vida.
   Quanto aos cenários, estes são também variados, vão desde as propriedades campestres da Nobreza, passando para as mansões citadinas, as docas de Londres ou o Luxuoso Bordel de Madame Helene.
    A quem ainda não esteja familiarizado com a escrita da autora, ou eventualmente com a recente tendência do romance sensual de época, não posso deixar de alertar para o facto de este livro ter uma linguagem bastante crua, ao nível sexual, e descrições que podem facilmente chocar os leitores menos preparados para tal circunstância.
   Não é, de todo, uma obra que recomende a quem queira estrear-se neste tipo de leitura, e que não esteja bem certo de que o estilo seja do seu agrado.
 
   Pessoalmente, gostei bastante da escrita da autora e da ousadia do estilo, que considerei verdadeiramente corajoso, coragem e ousadia estas que pude comprovar quando no ano passado entrevistei Kate Pearce aqui para o blog. [Vale a pena ler ou reler a entrevista de Kate Pearce].
   Esta série de Kate Pearce suscita opiniões opostas, de oito ou oitenta, há quem adore e quem abomine, portanto  o lema é “love it, or leave it!” J
   Sensualidade ao rubro, luxúria, intriga, mistério, detalhes históricos e sociais bastante ricos, constituem razões bastantes para que nos atrevamos a conhecer o universo ousado de Kate Pearce.
 
   Um livro a ler despidos...de preconceitos ! :P
 
  
 


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

[Reportagem] "Ocultos Buracos", Lançamento da Colectânea [Pastelaria Estúdios Editora]

Visão geral do palco da cerimónia de Lançamento - Foto Pastelaria Estúdios (Facebook)

   No passado Sábado, dia 27 de Outubro, pelas 20.30, teve início na Sala Nietzche da Fábrica Braço de Prata em Lisboa, que se tornou pequena para acolher todo o público presente, o lançamento da Colectânea "Ocultos Buracos", com a chancela da Pastelaria Studios Editora.
  A colectânea reúne contos de vários autores Portugueses e do espaço Lusófono, e corresponde ao resultado final de uma iniciativa ousada da Pastelaria Studios - que lançou sob a forma de passatempo, um repto - escrever histórias horríveis ou impossíveis.
  Assim, após selecção, a iniciativa revelou-se um verdadeiro sucesso, sendo um hino ao escrever em Português, e reune as obras de vários escritores, dos mais experientes, até aos que vêem agora publicado o seu primeiro livro, o que constitui certamente um estímulo para continuar a escrever.
   Tendo por anfitriã Maria Teresa Queiróz, a cara e a voz da Pastelaria Estúdios, mas que representa o colectivo de toda uma equipa editorial que abraça um conceito inovador de edição, envolvendo a par e passo os autores em todo o processo de construção de uma obra literária, a cerimónia contou com elevada afluência de autores e respectivos familiares e amigos.
  Cada autor foi convidado, de improviso, a deixar aos presentes algumas palavras, e podemos dizer que todos se saíram muitissimo bem de tal tarefa surpresa.
  Houve momentos de imensa diversão, com um interessante video humorístico onde não estiveram ausentes críticas de natureza política e social, contendo testemunhos de autores recusados [figuras da classe política e do desporto] cujas vozes foram imitadas fielmente por João de Canto e Castro.






Da esquerda para a Direita, respectivamente Isabel Alexandra Almeida e Liliana Novais, do Blog Os Livros Nossos, que fizeram nesta noite também a sua estreia como autoras publicadas - Foto Pastelaria Studios (Facebook)



Um dos pontos altos da Noite foi ainda o esperado anúncio do conto vencedor da Colectânea, cujo prémio será a oferta pela Pastelaria Editora de todos os encargos inerentes à edição da primeira obra a solo. Foi a vencedora da noite a simpática Anabela Borges, uma autora de Amarante, já não uma estreante nas lides editoriais, sendo co-autora da colectânea "Conto por Conto" da Alfarroba Edições.

Anabela Borges deixando aos presentes umas breves palavras e visivelmente emocionada
Foto Pastelaria Estúdios (Facebook)

   Presentes no evento estiveram também os autores e co-jurados do concurso literário que deu origem a esta colectânea - Vasco Ricardo [Autor de A Trama da Estrela] e Clara Correia [Autora de O Segredo da Praia das Camarinhas]. O Júri era composto por Teresa Maria Queiroz, Clara Correia e Vasco Ricardo, e foi unânime em atribuir os três votos a Anabela Borges , que participou com o conto "A pergunta (fim de linha)".
Maria Teresa Queiróz - a Cara e a Voz da Pastelaria Estúdios Editora, a quem coube a responsabilidade de conduzir o evento - Foto Pedro Alexandre Carvalho/Blog Os Livros Nossos.


Em suma, estão de parabéns todos os autores e a editora Pastelaria Estúdios, pela iniciativa que, pela adesão e afluência de público presente no evento, vem mostrar que a literatura Portuguesa está bem viva, e apenas precisa de eventos deste género para ver a luz do dia, num país em crise financeira, a criatividade não está em crise.
Um noite memorável para todos os presentes e para aqueles que, separados espacialmente, deram o seu contributo.
Reportagem: Os Livros Nossos
Fotos: Pastelaria Estúdios (Facebook) e Pedro Alexandre Carvalho [Equipa Os Livros Nossos]
Texto: Isabel Alexandra Almeida / Directora do Blog Os Livros Nossos