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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Romance Histórico | " Os Távoras", de Maria João Fialho Gouveia | BERTRAND EDITORA



Crítica por Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista


"Os Távoras", de Maria João Fialho Gouveia, assumem a natureza de romance histórico por excelência, que nos transporta até à Lisboa do Século XVIII, em pleno reinado de D. José. Conseguimos espreitar, com vista privilegiada, o quotidiano, os dramas, as alegrias, o orgulho, as tradições, os escândalos e as tragédias que afectaram esta família pertencente à Alta Nobreza de Portugal.

   As protagonistas femininas deste romance são: D. Mariana Bernarda de Távora, filha dos terceiros Marqueses de Távora (D. Francisco Assis de Távora e D. Leonor de Távora), Condessa de Atouguia por ter contraído matrimónio com D. Jerónimo de Ataíde (11º Conde de Atouguia) e D. Teresa Tomásia de Távora - a quarta Marquesa de Távora, também conhecida por "Marquesa Nova", como forma de a diferenciar da sogra. Teresa Tomásia é uma personagem polémica, Távora por nascimento e por casamento (casou-se com o sobrinho, filho do seu irmão Francisco Assis de Távora) tendo atraiçoado o marido - D. Luís Bernardo de Távora - ao tornar-se amante do Rei D. José.

   Todavia, na minha leitura pessoal da obra, e tendo em conta a economia e dinâmica da narrativa, assume papel de relevo, também a meu ver como protagonista neste universo feminino, a terceira Marquesa de Távora - D. Leonor - respectivamente mãe e sogra de Mariana Bernarda e Teresa Tomásia e, à data dos factos históricos, políticos, sociais e familiares narrados no romance, matriarca da distinta família.

   Teresa Tomásia e Mariana Bernarda (unidas por parentesco enquanto tia, sobrinha e também cunhadas) são bastante próximas e solidárias entre si, o que é deveras interessante considerando-se o ostensivo contraste de personalidade, postura, conduta social e moral, bem como os papeis que ambas representam na família.

   Mariana Bernarda, Condessa de Atouguia, é uma esposa, mãe e filha dedicada, vivendo com um exagero quase ou mesmo patológico a sua fé Católica, ao interiorizar em si a temática da culpa, da punição e necessidade de penitência associados à religião que professa. De conduta exemplar, adorando o marido, os filhos e a restante família, trava consigo mesma um constante conflito, na media em que se recrimina pelos privilégios inerentes à sua elevada posição social, e ainda por gostar de jogos de salão e de se embelezar com vestuário requintado, o que considera verdadeiras falhas de carácter merecedoras de castigo divino e de penitência e sacrifícios que possam compensar as mesmas condutas.

   Em Teresa Tomásia, a amante do Rei, encontramos, de algum modo a anti-heroína da trama. Em alguns momentos chegamos a adorar odiá-la, noutros acabamos por nos compadecer, ou admirar a sua determinação, pelo que gera no leitor sentimentos ambíguos. Teresa é uma mulher bela, sensual e plenamente consciente do poder de sedução que exerce sobre o sexo oposto. Desde cedo se deixou levar pela força do desejo, sendo assumidamente uma mulher extremamente carnal e material, postura que continua a assumir na idade adulta. A admiração e o intenso desejo que provoca nos homens, em especial, no Rei D. José fá-la sentir-se bem, não é o amor que a move, é antes a vaidade, o poder e a sua gratificação pessoal ao nível da vivência da vida íntima. A intimidade e o sexo, em relação aos quais assume uma postura desabrida e ousada, conferem-lhe um poder que acaba por constituir também a sua identidade pessoal bem como a afirmação de uma rebeldia nada ortodoxa, em especial para os usos e costumes da época.

   D. Leonor, a matriarca da família - Terceira Marquesa de Távora - é uma mulher forte, autoritária e orgulhosa da sua ancestral herança família, revelando-se uma acérrima defensora dos interesses familiares, muito prezando a sua condição de membros da Nobreza antiga e entendendo que a coroa deverá respeitar e contar com a opinião dos Távoras na condução dos destinos do reino, sendo crítica da influência nefasta de figuras menores socialmente de que é exemplo o inimigo principal da família - Sebastião José de Carvalho e Mello.

   O contexto social e político de Portugal sob a égide de D. José, mostra-se ilustrada de forma sublime pela autora a vaidade, a futilidade  e grandiosidade da corte de D. José I - um rei influenciável pelo seu núcleo mais próximo de Ministros e Secretários de Estado, mas que não deixa descurar a sua posição de Rei Absoluto em cada detalhe, adoptando e copiando convictamente o modelo absolutista Francês. Por outro lado, encontramos também uma caracterização nítida da argúcia, sentido estratégico, pragmatismo, sagacidade bem como a cegueira de uma ambição desmedida no campo político e social de Sebastião José de Carvalho e Mello - oriundo da baixa nobreza e mais tarde Conde de Oeiras e Marquês de Pombal - que facilmente o levarão a atitudes tão díspares como a reconstrução de Lisboa após o violento terramoto de 1 de Novembro de 1855 ou à maquinação de uma perversa e cruel conspiração para retirar do seu caminho adversários de peso como os Távoras e a Companhia de Jesus, estando toda esta  factualidade muitíssimo bem articulada na dinâmica da narrativa.

   A linguagem cuidada e adaptada à época, a inserção de citações reais de personagens como a Condessa de Atouguia (fruto da laboriosa pesquisa que envolveu a preparação do livro) todos os formalismos inerentes à época são detalhes adicionais que ainda mais enriquecem a obra.

   Em suma, ficção histórica nacional de inegável e elevadíssima qualidade, a mostrar uma escrita robusta, segura e pautada por maturidade.

   História, política, contexto social, personagens densas, emotividade, momentos de tensão e um equilíbrio perfeito entre todas as partes que compõem o todo desta narrativa. Recomendado pelo interesse do tema e pela excelência do trabalho desenvolvido por Maria João Fialho Gouveia.


" Mais do que a beleza (...) é o poder que faz nascer no peito dos homens rancores e desejos de vingança. Eu sou uma Távora e os Távoras são quase maiores do que o rei!" pp. 90

Ficha Técnica do Livro:


Título: Os Távoras

Autora: Maria João Fialho Gouveia

Edição: Maio de 2018

Editora: Bertrand Editora

Nº de Páginas: 320

Género: Romance Histórico Nacional

Classificação Atribuída: 5/5 Estrelas





sábado, 23 de agosto de 2014

[Crítica] "Na pele de Meryl Streep", de Mia March [Bertrand Editora]



Autora: Mia March

Edição: Agosto de 2014

Editora: Bertrand Editora

Páginas: 344

Género: Romance Contemporâneo

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Na pele de Meryl Streep, da autora Norte-Americana Mia March é um romance contemporâneo bastante emotivo e com elevada tensão dramática.

A narrativa tem início com um prólogo que constitui o respectivo ponto de partida, descrevendo um episódio sucedido na passagem de ano de há 15 anos atrás, que marcou o percurso de vida das protagonistas. Seguidamente, cada uma das personagens principais vai-nos sendo apresentanda, em capítulos alternados, sendo que toda a acção é narrada de acordo com esta estrutura, em que cada capítulo contém o foco apontado em especial a uma das protagonistas. Note-se que, este tipo de estrutura narrativa, além de captar a atenção e interesse do leitor, permite conferir um excelente grau de profundidade na caracterização das personagens.

As personagens principais são: as irmãs Isabel e June Nash, e a prima de ambas, e filha de Lolly Weller - Kat Weller.

Lolly Weller, respectivamente tia e mãe das três raparigas, desempenhará a importante função de personagem  âncora, que promoverá o reencontro deste grupo familiar, na Pousada  no Maine onde cresceram juntas, sem se terem então tornado muito próximas.

Neste reencontro familiar, assistimos ao nascimento de uma cumplicidade e de laços afectivos sólidos, que até ai não se haviam manifestado, e há lugar à partilha de histórias de vida, dramas, reflexões e dúvidas.

Isabel vem de um casamento destruído, pela rotina, pela anulação da sua própria identidade, em prol da relação, e pela recente infidelidade do marido Edward, sentindo ter desperdiçado dez anos da sua vida num projecto familiar que, nitidamente, falhou.

June, mãe solteira, aluna brilhante que deixou para trás o sonho de prosseguir os seus estudos universitários, encontra a sua razão de viver no pequeno Charlie, o seu alegre e ternurento filho de sete anos. Mas luta contra a mágoa de desconhecer o paradeiro do pai do menino, questionando-se quanto às razões pelas quais o mesmo desapareceu da sua vida, e prometendo à criança dar-lhe a conhecer o progenitor. Entretanto, tornou-se gerente de uma livraria, sendo verdadeiramente apaixonada pelo seu trabalho, e tendo encontrado nos patrões um excelente apoio e uma boa amizade.

Kat, filha de Lolly,  é uma jovem e inspirada profissional de pastelaria, mas vive um conflito interior que está relacionado com a  construção da sua identidade. Kat sente-se dividida entre ficar a residir na terra natal e casar-se com o seu melhor amigo de Infância, o sensível Oliver; ou partir à descoberta de novas oportunidades, novas experiências pessoais e aprimorar com grandes mestres a sua arte culinária.

Um detalhe que muito enriquece a narrativa, e confere ao romance uma especial graciosidade, é o facto de as protagonistas se reunirem semanalmente para uma sessão de cinema na Pousada. Revisitam a carreira cinematográfica de Meryl Streep, tecendo comparações entre a vida real e as vivências das diversas personagens da actriz no grande ecran, extraindo fascinantes e pertinentes reflexões acerca da vida, das decisões e escolhas que se fazem e das consequências da conduta humana.

A linguagem é bastante cuidada, porém acessível, e o romance contém parágrafos que nos fazem parar e pensar um pouco acerca de nós próprios e da nossa história de vida, convidando a uma salutar retrospecção.

Se inicialmente julgámos apenas ir encontrar uma história ligeira, a verdade é que encontramos bem mais do que isso. Trata-se de uma leitura de rara beleza e profundidade emocional e psicológica.

Recomendamos a quem goste de atentar em questões como:  os obstáculos inesperados que surgem na vida e a forma mais ou menos resiliente como decidimos enfrentá-los e a extrema relevância da vivência do mundo dos afectos, da amizade e da solidariedade, enquanto motores de uma existência plena de significado.

Surpreendente, sensível, elegante e emotivo.

Mia March é uma jovem autora cuja carreira promissora iremos acompanhar, e está de parabéns!

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas



terça-feira, 29 de abril de 2014

[Renda & Saltos Altos] " Uma rapariga entra num bar", de Helen S. Paige [Bertrand Editora]



Autora: Helena S. Paige

Editora: Bertrand Editora

Edição: Abril de 2014

Páginas: 200

Género: romance erótico/Interactivo


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


    Uma rapariga entra num bar, é uma obra escrita por três amigas, assinando sob o pseudónimo literário de Helena S. Paige.

   Estamos perante um romance erótico com descrições de fazer corar a leitora mais atrevida, mas escrito com um humor verdadeiramente contagiante.

   A protagonista do livro acaba por ser uma personagem cujas decisões e experiências sexuais bastante imaginativas e inusitadas se destinam assumidamente a serem fantasiadas na primeira pessoa pela leitora, e esta característica da obra é abertamente transmitida às leitoras, na medida em que estamos perante um livro francamente original, dentro do género literário erótico, pois no decurso da leitura cabe ao leitor escolher o fio condutor da história que pretende ler, podendo ser escolhidos diversos percursos, consoante as decisões ou escolhas que se façam ao longo dos vários segmentos narrativos.

 Bem escrito, divertido, terrivelmente sensual e ousado, é inevitável que não se consiga resistir à tentação de seguir os vários percursos narrativos propostos, e garanto que vale a pena aproveitar todo o potencial da obra, que é verdadeiramente interactiva, dando à leitora o raro poder de decidir pela personagem, e acabando por dar uma experiência de leitura com múltiplos finais alternativos, como se perante os nossos olhos desfilasse uma série televisiva, onde nós assumimos o papel de espectadores privilegiados.

  Verdadeiramente delicioso, diferente, bem humorado e sensual, uma verdadeira tentação que nos faz virar as páginas sempre em busca da próxima surpresa.

   Outro detalhe interessante, é que a protagonista é uma personagem perfeitamente verosímel, pode ser qualquer uma de nós ou the girl next door.

  Brilhante e bem conseguido! Um conceito bastante inovador num género onde existem sérios riscos de cair em estereótipos.


Classificação GoodReads atribuída: 5 em 5 estrelas
  

segunda-feira, 17 de março de 2014

[Histórico] "Sedução nas Highlands", de Maya Banks [Bertrand Editora]


Título: Sedução nas Highlands [McCabe - 2]

Autora: Maya Banks

Edição: Março de 2014

Editora: Bertrand Editora

Género: Romance Histórico/Erótico

Crítica por Isabel Alexandra Almeida parao Blog Os Livros Nossos:

   Sedução nas Highlands, de Maya Banks, corresponde ao segundo romance da série McCabe, onde iremos encontrar como protagonistas Alaric McCabe [Irmão de Ewan McCabe - o Laird do Clã, casado com Mairin], e de Caelen MacCabe], um guerreiro e ilustre membro do Clã McCabe, que está disposto a sacrificar tal condição, dispondo-se a casar-se com Rionna McDonald [ a filha do Laird do Clã vizinho] para cimentar uma necessária aliança política e estratégica entre ambos os clãs; e Keeley McDonald, um jovem afastada do seu clã (ironicamente, é uma McDonald).

   A caminho de ir ao encontro da noiva Rionna e de seu pai Gregor McDonald, Alaric sofre uma emboscada do qual resulta ser o único sobrevivente, e é socorrido pela bela e atormentada Keeley, que se tornou curandeira para garantir a subsistência, após haver caído em desgraça no próprio clã onde nasceu e fora criada.

   Os excelentes cuidados prestados por Keeley para com Alaric salvam o jovem e belo guerreiro de uma morte que era quase certa, mas acabam por o arrastar para as garras de um amor bastante profundo por Keeley, mas a relação de ambos colide com os supremos interesses da honra entre clãs, do cumprimento do dever e da palavra dados, e da necessidade de firmar alianças políticas que permitam combater os inimigos perigosos que espreitam os McCabe, e chegam a colocar em risco a segurança e mesmo a vida de todo o clã, já Mairin [cunhada de Alaric, esposa do Laird Ewan McCabe, e filha do Rei, por via ilegítima] e a criança que esta transporta no ventre podem correr sérios perigos.

  Dando continuidade aos cuidados prestados a Alaric, no Castelo dos McCabe, e receando não pertencer a lugar algum, Keeley irá envolver-se emocional e fisicamente com o guerreiro, deixando a ambos a necessidade de uma escolha difícil, presos numa verdadeira encruzilhada entre o amor, dever e honra.

  As personagens centrais cativam o leitor, são dotados de personalidades bem vincadas, e são ambos verdadeiras forças da natureza. Alaric é impulsivo, apaixonado, e ciente dos seus deveres para com a família, mas entrega-se a um amor que sabe ser inoportuno politicamente.

   Keeley é corajosa, decidida, muito perspicaz e leal, procurando encontrar a aceitação social que lhe viu ser negada injustamente no seio do seu próprio clã.

   A autora descreve-nos com bastante intensidade o ambiente dos clãs e castelos nas Highlands, com personagens fortes, onde  o dever de honra está bastante vincado e pode mesmo determinar o futuro, nem sempre em sintonia com as emoções vividas. Toda a intriga política, o calor dos combates e um delicioso mundo de heróis e vilões desfila perante os nossos olhos, de forma encantatória.

   Maya Banks não deixou de conferir a um romance em pano de fundo histórico, um pendor assumidamente erótico, e são bastante intensas as cenas de amor entre os protagonistas, capazes de fazer subir as temperaturas no frio clima escocês.  Embora contenha descrições de erotismo bem explícito, a autora não descurou a componente emocional, e toda a paixão física surge contextualizada numa envolvência emocional que enternece os leitores.

Apaixonante, ousado e deliciosamente tentador, este romance histórico de Maya Banks com cenário nas Highlands.

Uma série a acompanhar bem de perto.

Pontuação GR atribuída 5 de 5 estrelas.