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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Romance Histórico | "As Mulheres No Castelo", de Jessica Shattuck | Planeta



Crítica por:  Isabel de Almeida | Crítica Literária | Jornalista | Blogger Literária


   "As Mulheres No Castelo", é o título em tradução literal de um belíssimo romance histórico  cuja acção percorre cronologicamente o "antes", o "durante" e o "depois" da II Guerra Mundial, através da narrativa fascinante, vívida e forte que nos transmite emoções complexas e suscita a nossa reflexão apurada sobre aquilo a que podemos chamar de Psicologia da Guerra.

    Como protagonistas encontramos três viúvas de guerra Alemãs, cujos maridos foram enforcados por ordem directa de Hitler, na medida em que integraram a nem sempre muito falada ou reconhecida Resistência Alemã ao regime Nazi, tendo todos tido um contributo, mais ou menos directo, na tentativa de homicídio de Adolf Hitler perpetrada em 20 de Julho de 1944 (facto histórico conhecido como Operação Valquíria).

   A aristocrata Marianne Von Lingenfels é uma mulher forte, corajosa e determinada, mas também dotada de uma visão algo antiquada da vida, visão esta que a levará a cometer erros com graves consequências no seu universo relacional. Marianne assume a incumbência de proteger as mulheres de todos os resistentes do grupo do marido - Albrecht - e do seu melhor amigo, o sedutor Connie Flederman, caso estes bravos resistentes não consigam sobreviver à justiça deturpada e cruel do III Reich.

   Num curioso acaso, a guerra, bem como a morte dos maridos destas três mulheres em nome de uma causa comum, irão juntar sob o tecto protector do ancestral e envelhecido castelo Burg Lingenfels três pessoas de díspares meios sociais, com percursos de vida naturalmente distintos, até ao momento em que a II Guerra Mundial se torna o denominador comum entre  Marianne, Benita e Ania e a força motriz das dinâmicas que entre elas vão surgir.

   Marianne irá acolher, proteger e desenvolver uma forte amizade com Benita Flederman, a viúva do  seu amigo de infância Connie Flederman, sentindo-se também mãe do filho do casal   - Martin - a quem salva de um orfanato Nazi, devolvendo-o à mãe. Benita é uma mulher frágil, oriunda de um meio rural, apaixonou-se por Connie, mas carrega em si a raiva inconsciente, misturada com a culpa, ai sentir que nunca entrou verdadeiramente no mundo do marido, o qual assumiu uma postura super-protectora relativamente à esposa, cuidando que esta passaria incólume ao horror da barbárie Nazi. Benita é uma mulher de paixões, é ambiciosa, gosta de coisas belas, é uma mãe apaixonada pelo filho, sensível, procura sempre encontrar a atitude certa, tomar as decisões mais adequadas, mas nem sempre a sua fragilidade emocional permitirá que seja bem sucedida ao encarnar o papel social que sempre  sonhou alcançar através do casamento com um homem de classe social elevada.

Ania é, talvez, a  mais complexa das três protagonistas. Verdadeira força da natureza e um nítido exemplo de resiliência, revela alguma contenção ao nível das emoções, sendo muito defensiva psicologicamente, mas é, afinal, alguém que carrega em si o peso de segredos surpreendentes e tem de aprender a lidar com a culpa, tantas vezes associada à luta pela própria sobrevivência e dos seus filhos - Anselm e Wolfgang, dois jovens reservados mas que muito devem à sua "mãe coragem". Também Ania provém de um meio social modesto, comparativamente com Marianne.

É muito interessante analisar, em termos de economia da narrativa, a interessante dinâmica que se estabelece entre Marianne Lingenfelds e Ania, pois é nesta sua amiga que Marianne irá encontrar a coragem, a determinação e o forte sentido prático que se revelam os complementos ideais para a personalidade vincada e o espírito de resiliência e liderança da aristocrata.

Com uma linguagem emotiva, um excelente ritmo narrativo que nos leva a querer avançar rapidamente na leitura, uma narrativa muitíssimo bem construída que tem por base uma excelente investigação histórica e que foi inspirada em histórias reais de familiares da autora, estamos perante um dos melhores livros de ficção histórica internacional que chegaram recentemente a Portugal. 

Apesar da forte componente ficcional e dramática, e de uma visão assumidamente feminina da guerra, este livro leva-nos a uma reflexão interessante e pertinente acerca da forma como um conflito armado leva a alterações profundas no código de valores instituído em qualquer sociedade, num ambiente em que, tantas vezes, cumprir regras que vão contra os princípios morais e éticos usualmente reconhecidos, faz a diferença entre sobreviver ou perecer.

Deveras interessante é podermos olhar para esta guerra a partir de dentro, da sua origem, ou seja, a partir da sociedade Alemã, e percebermos que nem sempre o conformismo aos horrores do regime Nazi foi o principio orientador das condutas de muitos homens e mulheres no decurso da II Guerra Mundial. Fascinante, poderoso e inesquecível, um livro que tem tudo para agradar aos adeptos da ficção histórica contemporânea.

Ficha Técnica.


Autora: Jessica Shattuck

Edição: Outubro de 2017

Editora: Planeta

Nº de Páginas: 360

Género: Romance Histórico | II Guerra Mundial

Classificação Atribuída: 5/5 Estrelas


Nota: o presente artigo de crítica literária mostra-se também disponível no jornal Nova Gazeta


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Biografia | "Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou", de Juan Pablo Escobar | Planeta



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária | Blogger


Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal Nova Gazeta e no blog Livros ? Gosto


Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou, é o mais recente livro de cariz biográfico e documental escrito por Juan Pablo Escobar (agora, Juan Sebastián Marroquin Santos), filho do célebre traficante Pablo Escobar. nesta segunda obra o autor desvenda, na sequência de uma apurada investigação por si realizada, tendo por base documentação e testemunhos reais de familiares de vítimas do pai, de aliados e colaboradores próximos do mesmo e até de inimigos assumidos de Escobar, uma série de factos que constituem uma verdadeira pedrada no charco em termos de revelações dos meandros mais obscuros das ligações entre Pablo Escobar e os mundos da política, da corrupção internacional ao mais alto nível, e de organizações que deveriam zelar pela segurança de países e pelo combate ao crime organizado, mas que acabaram, muitas vezes, a revelar-se aliados e cúmplices do mesmo (clamoroso exemplo é, neste caso, a DEA).

O próprio autor reconhece a sua estupefacção ao descobrir muitos destes novos detalhes, mas conseguiu também, com o seu trabalho de investigação, fruto de uma enorme coragem de enfrentar um passado que transporta uma herança deveras pesada, desmistificar alguns factos que eram tidos como certos, e clarificar a prática de crimes que vinha sendo imputada a Pablo Escobar, mas de forma errónea mas conveniente a várias alianças e jogos de interesses obscuros.

O livro relata também ligações entre Escobar e pessoas ou organizações que se revelaram surpreendentes e eram, até agora, desconhecidas até dos seus familiares mais próximos, pois cabe recordar que o narcotraficante era uma figura repleta de ambiguidades, e protegia o mais possível a família do seu modo de vida ilícito.

Ficamos a conhecer o relato de Aaron Seal, filho do Barry Seal (piloto da CIA, informador da DEA e colaborador do Cartel de Medellín, tendo a sua execução sido ordenada por Pablo Escobar, na sequência de haver descoberto uma traição ao Cartel), temos acesso a conversas mantidas entre Juan Pablo Escobar e outras figuras de relevo na história da família Escobar, do narcotráfico e da própria Colômbia. É revelador e interessante ir desvendando os relatos de pessoas tão díspares como: filhos de vítimas de Escobar;William Rodríguez Abadia, filho de Miguel Rodríguez Orejuela, um dos mais firmes inimigos de Pablo Escobar; Otty Patiño, um dos fundadores da organização revolucionária M19 ( que clarificou episódios como o da Espada de Bolívar e do rapto de Marta Nieves Ochoa, ou o verdadeiro papel dos irmãos Castaño no assassinato de Carlos Pizarro); velhos colaboradores de Pablo como o Malévolo; Luca, Quijada (Tesoureiro de Escobar).

Como já havia sido feito no primeiro livro, Juan Pablo Escobar voltou a exercitar na perfeição o seu  dom de envolver os leitores na história que vai relatando, entretecendo de forma natural e bastante hábil factos e emoções, e não se escusando a expressar as suas opiniões bastante claras e fundamentadas acerca do mundo do narcotráfico onde lhe coube viver sem direito a escolha e por inerência da história familiar. O autor usa um discurso claro, detalhado e bem fundamentado com documentos e testemunhos, que complementa com a sua perspectiva pessoal e mais intimista acerca dos duros temas aqui esmiuçados.

O capítulo 12 da obra é, talvez, aquele que poderá suscitar a curiosidade de uma ainda maior galeria de leitores, na medida em que o autor demonstra a sua preocupação perante a imagem idealizada e até mesmo glorificada do modo de vida de um barão da droga (como foi o seu pai), podendo induzir em erro os mais jovens espectadores das narcosséries (séries que, misturando ficção e realidade, se inspiram na vida de figuras do mundo do crime como Pablo Escobar). Neste capítulo do livro Juan Pablo Escobar desmonta peça a peça muitos dos erros da série Narcos (série televisiva produzida pela Netflix e que, nas duas primeiras temporadas, apresenta uma versão ficcionada da vida de Pablo Escobar), em 28 pontos cuja leitura recomendamos a quem, como nós, tenha seguido a série em questão, e que assim pode criticamente formar a sua própria convicção sobre o tema abordado.

O final do livro volta a afirmar taxativamente a perspectiva pessoal do autor  quanto ao consumo e tráfico de drogas, apelando a que não seja  seguido o exemplo do seu pai, e desejando que as futuras gerações possam encontrar medidas que permitam controlar este perigo à escala mundial, sendo necessária uma mudança de mentalidades aos níveis social, político e pessoal que, a avaliar pelos números envolvidos no tráfico e consumo de drogas, ainda estará muito longe de se concretizar, até porque se trata de um assunto muitíssimo complexo e que envolve diversos sectores da sociedade.

Mais uma vez, uma obra de não-ficção de fácil, envolvente e rápida leitura, bastante reveladora e surpreendente, que pode constituir um importante alerta para um dos graves problemas de adição que ainda hoje enfrentamos em todo o mundo.


Ficha Técnica do Livro:

Título: Pablo Escobar, o que o meu pai nunca me contou

Autor: Juan Pablo Escobar

Editora: Planeta

1ª Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 200

Classificação: 5|5 Estrelas

Género: Biografia | Testemunho | Caso Real


Biografia | "Pablo Escobar, o meu pai", de Juan Pablo Escobar | Planeta



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista | Crítica Literária | Blogger


Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal Nova Gazeta e no blog Livros ? Gosto


Em Pablo Escobar, o Meu Pai, decorridos mais de vinte anos sobre a morte do Capo do Cartel de Medellín, o seu filho Juan Pablo Escobar dispôs-se a narrar nesta obra biográfica que conjuga relato pessoal e investigação, muitos detalhes e acontecimentos que marcaram o percurso de vida do seu tristemente famoso pai, da Colômbia e do seu respectivo contexto político e social nos anos 80 e 90, durante os quais Pablo Escobar chegou a ser um dos homens mais ricos, poderosos e temidos do mundo devido à sua ligação ao narcotráfico e à escalada de violência associada a esta actividade criminosa.

A proximidade do narrador ao seu pai transporta o leitor para o seio de uma família que estava conotada com os negócios ilícitos de Escobar mas onde também existiam grandes e pequenos dramas, raiva e carinho, traições e lealdades, amores e ódios, e só por aqui já é expectável que fiquemos a conhecer o homem por detrás do traficante, Pablo Escobar é um poço de ambiguidades, de polos que se opõem e é percepcionada ao lermos esta obra.

O tom coloquial, as emoções que fluem da escrita e que oscilam entre carinho, medo, admiração e recriminação, amor familiar e repúdio estão naturalmente integradas neste livro, sendo assumida a subjectividade da escrita.

Pablo Escobar era um homem que, como resulta do olhar do seu filho, e como podemos deduzir de factos históricos conhecidos e de documentos reunidos nesta obra, era composto de ambiguidades. Era um homem inteligente, impulsivo, narcísico e egocêntrico, capaz de gestos nobres mas, também impiedoso para com todos os que se cruzavam no seu caminho e o contrariassem. Ironicamente, praticou actos de generosidade, ajudou os mais pobres, disponibilizou aviões para ajudar nas operações de socorro na sequência de uma erupção vulcânica e quis o impossível. Algures na sua mente criou a firme convicção firme de que era legítimo, aceitável e perfeitamente natural praticar o bem e defender causas políticas e sociais tendo como base de suporte económico os lucros do narcotráfico, e aceitando o preço da perda de vidas humanas (algumas delas inocentes).

De uma vida de opulência, com todas as excentricidades que o dinheiro pode comprar (por exemplo, um jardim zoológico com animais exóticos instalado na sua mais famosa propriedade a Fazenda Nápoles, que, curiosamente, deve o nome à nacionalidade dos pais de Al Capone, um dos seus ídolos) até chegar ao terror da incerteza permanente quanto ao local onde estaria toda a família no dia seguinte, o temer pela própria vida e pela dos seus ente queridos, todo este cenário nos desfila perante os olhos durante a leitura, sendo perceptível a tensão vivenciada pelo autor e pela família.

Podemos encontrar aqui relatos que ilustram a loucura de um homem (Pablo Escobar), mas não se fica indiferente à incoerência e corrupção bem patente em todo um sistema ao mais alto nível (político, militar, policial, segurança interna e relações externas).

No decurso da leitura parece-nos, muitas vezes, estarmos a assistir a mais uma produção televisiva ou cinematográfica sobre a família Escobar, mas, ao racionalizar, o leitor nota que, afinal, em tantos momentos e histórias surgem realidades que se revelam bem mais complexas e assustadoras do que a ficção.

O livro é também, a meu ver, um testemunho de resiliência, de sobrevivência, de reconstrução do autor e da sua família mais próxima.

Juan Pablo Escobar é um filho com uma herança muito pesada e ciente de que, após a morte do pai, o terror não só não abandonou esta família como se elevou a níveis ainda mais assustadores. O autor, a mãe - Victoria Eugenia Henao Vallejo - e a irmã Manuela conseguiram escapar a uma morte quase certa e aqui fica a ideia de que muito devem à coragem da matriarca bastante protectora, que enfrentou e negociou as suas vidas com cartéis concorrentes e com as autoridades que também levantaram obstáculos a uma nova vida que cortasse com o passado.

Também, à sua maneira, Pablo Escobar foi um pai e marido protector que demonstrou gostar da família (embora sejam famosas as suas infidelidades conjugais) e que estaria bastante consciente dos riscos que a esposa e os filhos correriam após a sua morte.

Num plano menos familiar e mais histórico e sociológico, somos confrontados com a extensa rede de ligações perigosas e obscuras que mobilizava aliados inesperados como forças de segurança Colombianas, a DEA (agência governamental Norte Americana que combate o Tráfico de Droga), a CIA (Serviços Secretos Norte Americanos) e os Pepes (Perseguidos por Pablo Escobar, um grupo que incluía paramilitares, membros de cartéis rivais, forças de segurança e familiares das vítimas do Capo do Cartel de Medellín).

O autor, a mãe e a irmã perderam até a identidade (mudaram de nome oficialmente como medida de segurança) encontraram um novo pais para viver. Juan Pablo mostra-se determinado a passar às gerações presentes e futuras uma mensagem bastante útil e pertinente num mundo que atravessa uma crise de valores: a mensagem é a de que nada há de bom e positivo no tráfico e consumo de drogas e no uso de violência aos mesmos associado, sendo o seu pai um exemplo a não seguir.

Numa atitude clara de reconciliação com a sua conturbada narrativa familiar Juan Pablo Escobar (agora Juan Sebastian Marroquín Santos) é pacifista e vem estabelecendo contactos com familiares das inúmeras vítimas do pai, pedindo perdão pelo sucedido.

Um livro revelador, escrito de forma consistente e emotiva e que desperta consciências, lembrando-nos que nada é linear, nada é apenas preto ou branco.


Ficha Técnica do Livro:


Autor: Juan Pablo Escobar

Editora: Planeta

1ª Edição: Março de 2015

3ª Edição: Abril de 2017

Nº de Páginas: 416

Classificação: 5|5 Estrelas

Género: Biografia | Testemunho | Caso Real



terça-feira, 4 de julho de 2017

Renda & Saltos Altos | " O Amor que nos une", de Megan Maxwell | Planeta



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos:

   Megan Maxwell é uma das minhas autoras preferidas. Comecei a lê-la com o seu primeiro, Pede-me o que quiseres e nunca mais parei. Sendo uma escritora do estilo erótico, temi que se tornasse repetitiva. Ingénua ilusão. Megan Maxwell consegue surpreender sempre e em cada livro, não sendo este excepção.

   O amor que nos une, segundo volume da série As guerreiras Maxwell passa-se nas Terras Altas Escocesas, na época Medieval. As personagens principais Gillian e Niall são já nossas conhecidas, pois este último é irmão de Duncan a personagem masculina principal do primeiro livro da série. 

E aqui começa a agradar-me. Apesar de o casal principal ser outro, sabemos o que aconteceu às personagens que nos foram apresentadas anteriormente, podendo assim saber o que lhes aconteceu, pois já passaram alguns anos.  Mais uma vez Megan Maxwell inova e de uma forma bastante assertiva, pois Duncan e Megan, por exemplo, foram personagens tão fortes que, tendo ficado bem presentes  na nossa memória, seria natural que nos interrogássemos sobre o seu destino. 

   Gillian é a jovem irmã de Axel McDougall que fica a saber estar prometida em casamento, por decisão de seu pai, ao filho do seu vizinho, Ruarke, caso não esteja casada até ao final do dia do seu vigésimo sexto aniversário. Acontece que este jovem é um homem do seu tempo, com pouca, ou nenhuma sensibilidade, achando que as mulheres têm apenas de tratar dos filhos, bordar e obedecer aos maridos. Sendo Gillian conhecida como a Desafiadora, logo se percebe que este é um casamento que dificilmente poderia dar certo. Ela é apaixonada pela vida, com personalidade forte, orgulhosa e casmurra, o que faz com que diga o que deve, o que quer, o que não deve e o que não quer.

   Para além disso, a jovem continua apaixonada por Nial, um amor antigo, que, por presunção e teimosia dos dois, não tinha dado em casamento. No entanto, nós leitores, sabemos, desde o primeiro volume, que o amor não morreu, apenas ficou latente debaixo do orgulho e da teimosia. Nial é também um jovem impulsivo cujas palavras e os actos, às vezes, não são bem ponderados.  

   A verdade é que, com a ajuda das amigas, Gillian e Nial acabam por se reaproximar e toda a história se desenvolve em volta da viagem até Duntulm, sendo muitas as peripécias que aguardam os leitores ao longo desta narrativa bastante fluída.

   Não querendo, de todo, contar a história posso acrescentar que o livro nos transmite um misto de sentimentos. Se estas personagens são muito mais infantis que as anteriores, esta ingenuidade permite-nos, por um lado, sorrir e vê-los crescer como pessoas e como casal, e por outro, querer bater-lhes como se de crianças se tratassem. Noutros momentos, é impossível evitar uma lágrima face à generosidade e autenticidade que ambos têm perante a vida e perante os outros, o que leva a alterações em Duntulm e nos seus habitantes. 

   Este é, pois, um livro que recomendo sem hesitações. Um segundo volume que, sendo diferente do primeiro, não lhe é inferior. Na verdade, apenas nos dá vontade de saber quem será a guerreira do terceiro achando, de antemão, que será uma mulher de garra, personalidade e coragem desmedida para defender os seus. Mas para tal teremos de esperar até Setembro.


Ficha Técnica do Livro:



Autora: Megan Maxwell

Série: As Guerreiras Maxwell - Livro 2

Editora: Planeta

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 392

Género: Romance de Época | Romance Sensual




quarta-feira, 19 de abril de 2017

Trowback Review | " A Herança Bolena", de Philippa Gregory | Planeta





Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger:


  A Herança Bolena, de Philippa Gregory, é um soberbo romance histórico tendo como pano de fundo a vivência no clima de intriga, sensualidade, traição e intricados jogos de poder e política bem presentes na corte de Henrique VIII de Inglaterra, em plena época Tudor.

   Este romance surte perante os olhos do leitor escrito numa perspectiva assumidamente feminina e intimista, e no decurso da leitura vamos assistindo à construção da teia narrativa pela lente de três protagonistas femininas, que assumem também o papel de narradoras participantes.

   Joana Bolena, Viscondessa Rochford, é uma mulher determinada, inteligente e astuta, mas que transporta no seu íntimo o peso de ter desempenhado um papel de relevo na condenação à morte do marido - Jorge Bolena - e da cunhada - Ana Bolena - ambos eliminados por decisão do Rei Henrique VIII. Joana é uma personagem ambígua, permanentemente dividida entre aquilo que sente seria uma conduta adequada e correcta em termos morais e humanos, e as condições que, por vezes, se vê forçada a aceitar em prol da sua própria sobrevivência, ainda que tal implique trair os que estima e ama. Numa sociedade onde os homens de poder tudo controlam e onde as mulheres se vêem forçadas  pelo contexto envolvente a trair família, amigos e aqueles a quem deveriam servir lealmente, Joana acaba por se revelar um peão de peso no xadrez sabia e perversamente planeado pelo seu poderoso tio - Tomás Howard - Duque de Norfolk.

   O Duque de Norfolk assume-se como um dos vilões da trama, é um homem sem escrúpulos, habituado a usar as mulheres da sua família como meros instrumentos para atingir os seus fins de ascensão social e política, sendo próximo do instável e perturbado Henrique VIII.

   Outra protagonista feminina é Catarina Howard, de apenas 14 anos, sobrinha do poderoso Duque de Norfolk, é por este encaminhada para a corte, onde deverá servir como Aia a rainha Ana de Clèves, sendo mais tarde orientada para seduzir o velho rei e tornar-se rainha. Catarina é uma jovem imatura e ambiciosa, mas não muito inteligente. É fútil, licenciosa e vaidosa, tendo mantido relações amorosas ilícitas em casa de sua avó - a Duquesa de Norfolk, a qual não deu à neta uma educação cuidada. Sonha em ascender socialmente e vai sempre avaliando o seu aspecto físico e  os bens que vai adquirindo, nomeadamente, vestidos novos ou jóias. Irá atrair as atenções do Rei Henrique VIII, que fica fascinado com a sua beleza e graciosidade, mas surge uma forte atracção entre Catarina e Thomas Culpepper que poderá deitar a perder os planos de ascensão social da jovem.

  Ana de Cléves, filha do Duque de Cléves, é enviada para contrair matrimónio com Henrique VIII de Inglaterra, de modo a reforçar uma aliança política inicialmente vista como vantajosa para ambas as partes, porém, o casamento revela difícil de consumar, e acabará por chegar a um fim antecipado, sendo-lhe conferido o estatuto de irmã do Rei. Ana é uma jovem doce, bondosa e sofredora. Inicialmente, vê o casamento como uma possível libertação do jugo maldoso do irmão sobre si, mas cedo percebe que a corte Inglesa dos Tudor é um local inóspito, e onde corre risco permanente de cair em desgraça perante o Rei e ser condenada à morte. Vive momentos de puro terror, com receio pela própria vida, mas torna-se amiga leal da enteada Maria, sendo também próxima da enteada Isabel.

  Henrique VIII é um homem perturbado ao nível mental, nega estar envelhecido e ter perdido a beleza e a força da juventude. É instável nos relacionamentos amorosos, imaturo,  facilmente manipulado pelos seus homens de confiança, e capaz de actos extremos de generosidade e crueldade. Da leitura do livro, ficamos na dúvida se estamos perante um vilão, ou se não será também, de algum modo, vítima de circunstâncias que o rodeiam e de uma corte que fervilha de interesses ocultos, traição e intriga política e palaciana.

   A acção decorre entre Julho de 1539 e Janeiro de 1547, no século XVI e denota ter por base uma detalhada e rigorosa pesquisa histórica que muito enriquece o trabalho da autora.

  A linguagem mais e menos formal, os cenários variados, os trajes e rituais e toda a  descrição da vida na corte mostram-se feitos de uma forma que nos transmite uma imagem visual bastante rica. As personagens mostram-se muitíssimo bem construídas e acedemos facilmente ao seu mundo interno ( em termos psicológicos). 

  A nosso ver, a leitura deste romance suscita-nos também reflexões importantes acerca da condição feminina nesta época e contexto históricos. Um fascinante retrato de uma época histórica bastante conturbada.

Ficha Técnica:


Autora: Philippa Gregory

Série: Os Tudor

Editora: Planeta

Edição: Março de 2015

Páginas: 472

P.V.P.: 19,95€

Género: Romance Histórico

Classificação atribuída: 5/5 estrelas


Nota Explicativa: Os romances históricos são, assumidamente, uma das minhas paixões. Este livro que hoje aqui recordamos na rubrica Trowback Review é, ainda hoje, um dos meus romances preferidos no âmbito da ficção histórica que tem por palco a Corte de Henrique VIII, durante a chamada época Tudor, da História Britânica. Philippa Gregory é uma verdadeira expert na ficção histórica que se inspira neste período da história de Inglaterra.
Uma das minhas próximas leituras, cuja recensão crítica terei oportunidade de partilhar com os meus leitores quer aqui no blog, quer ainda junto de quem segue o meu trabalho na imprensa escrita é, precisamente, um novo romance desta série Os Tudor, encontrando-se já disponível nas livrarias nacionais a obra A Rainha Subjugada. Portanto, pareceu-nos oportuno revisitar esta autora e , em concreto, o anterior título desta maravilhosa série.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Trowback Review | "Um Toque de Perversão", de Jennifer Haymore | Planeta


Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger


Um toque de perversão, (com o título original - A Hint of Wicked) é um romance de época, cuja acção decorre em Inglaterra no Século XIX, na sequência da Batalha de Waterloo.

Garrett, o Duque de Calton, é dado como desaparecido na referida batalha, e durante sete anos, a Duquesa Sophie e o primo do Duque - Lorde Tristan Westcliff - envidam todos os recursos ao seu dispor para o procurarem, mas sem sucesso.

Entretanto, o destino prega uma cruel partida a este trio aristocrático, e o Duque de Calton regressa passados sete longos anos, vivo, e disposto a retomar a sua vida de volta, assim como o amor de Sophie, a qual, entretanto, reconstruira a sua vida junto de Tristan, que assumira a administração das propriedades Ducais.

Sophie vê-se então dividida entre dois amores, e surge ao longo do livro a questão sempre latente: pode Sophie amar ambos os homens? Como irá ela tomar a mais importante e dolorosa decisão de toda a sua vida? Como se explica o misterioso desaparecimento do Duque de Calton, durante longos anos e tendo sido arduamente procurado pela família que tanto o estimava? Estes são alguns dos dilemas colocados durante a narrativa.

A autora traça um retrato fiel da sociedade Inglesa do Século XIX, com o seu puritanismo por vezes exacerbado, as convenções sociais levadas ao extremo, e uma justiça que compactua com esta visão deveras limitada da moralidade vigente.

Em simultâneo, a autora soube habilmente inserir na obra um toque de sensualidade, em especial, descrevendo de forma explícita, porém elegante, os envolvimentos sexuais que as personagens vão tendo, mas onde o sexo surge envolvido num indiscutível turbilhão emocional, e por isso em nada choca o leitor este aspecto da obra.

No último terço da obra, e à medida que vamos descobrindo as respostas às várias dúvidas colocadas durante a narrativa, surge também um momento de acção, com a perseguição a um criminoso desenvolvida por algumas das personagens, o que, a nosso ver, confere à obra, um carácter de originalidade e também bastante dinamismo.

Atrevido, sem ser excessivo, com boas doses de dilemas e dúvidas que afectam as personagens, romance, paixão, amor, sexo e também aventura.

Em suma, uma leitura que recomendamos aos amantes do romance sensual de época.

Ficha Técnica:


Autora: Jennifer Haymore

Editora: Planeta

Nº de Páginas: 360

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas

Género: Romance de Época | Romance Sensual


Nota explicativa: Há cinco anos atrás começámos esta aventura de construir um blogue literário, por aqui têm passado muitos e maravilhosos livros, revisitámos géneros que já conhecíamos, mas também assistimos ao nascimento de novas tendências literárias, algumas delas já mais divulgadas em Países como os Estados Unidos ou o Brasil. O romance de época é uma dessas tendências que descobrimos e que viria a tornar-se um dos nossos géneros preferidos aqui no blogue.

Em cinco anos muito aprendemos, e acreditem que este maravilhoso mundo dos livros é uma aprendizagem constante. Esta nova rubrica denominada "Trowback Review" recupera críticas a obras que já lemos há mais de dois anos, autores e géneros que nos tocaram particularmente. E os textos são agora actualizados considerando, precisamente, novos conhecimentos que entretanto adquirimos (por exemplo, o que distingue um livro de época de um livro histórico).

Jennifer Haymore tem um lugar muito especial na história do blogue, pois foi a primeira autora internacional que entrevistámos, aqui fica o link para a primeira entrevista internacional do Blog Os Livros Nossos  um trabalho que queremos retomar por aqui.



domingo, 13 de novembro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Viciado no Pecado", de Monica James [Planeta]

Ficha Técnica:

Título: Viciado no Pecado


Autora: Monica James


Editora: Planeta


1ª Edição: Novembro de 2016


Nº de Páginas: 344


Género: Romance contemporâneo/erótico


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 Estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Viciado no Pecado, corresponde ao primeiro volume de uma duologia erótica da autora Monica James que promete agitar os fãs deste género literário bastante bem sucedido em Portugal.

O [anti] herói desta trama é o Psiquiatra Dixon Mathews, um self made man, filho de emigrantes Italianos, afirmou-se por mérito próprio ao nível profissional no competitivo mundo Nova Iorquino, mas por trás da figura de profissional bem sucedido escondem-se muitos segredos, alguns deles perigosos e um homem que precisa de se reconstruir em termos emocionais, dando azo a uma líbido excessiva como forma de exorcizar traumas emocionais e perdas que marcam o seu percurso de vida.

Dixon, que facilmente nos seduz, pese embora o seu dark side, irá ver-se envolvido num curioso triângulo amoroso, Juliet representa o pecado, a perversão elevada ao expoente máximo, o poder concedido pelo sexo, a ausência total de tabus ou limites, algo que tanto assusta quanto atrai Dixon.

Madison é o reverso da medalha, uma jovem doce, inocente, em busca de protecção tanto de perigos actuais quanto passados que vestem a pele de demónios que ainda deixam marcas psicológicas bastante pesadas.

Verdadeiramente deliciosos são os encontros semanais entre Dixon e os amigos de longa data, o certinho Finch (casado, feliz e papá) e o sarcástico, desbocado e libertino Hunter.

Também Madison conta com o apoio da sua melhor amiga, a determinada Mary, sempre com língua afiada e mordaz, mas pronta a ajudar sempre que necessário.

Por quebrar estereótipos tão habituais neste género de romance contemporâneo, e por apresentar personagens com elevada densidade, este é já, um dos nossos preferidos deste ano, nesta categoria literária.

Imbuído da dosagem certa de erotismo, humor, tensão dramática e com reviravoltas que prometem causar sensação, é uma obra que tendo também um toque de romantismo, não deixa de nos brindar com acertadas reflexões sobre o mundo das relações amorosas e, até familiares. Fascinante também é a análise psicológica sobre o tema do vício, nas suas possíveis modalidades, que a autora conseguiu inserir na narrativa com algum humor e ironia, mas também de forma realista e espontânea.

Muitíssimo expectantes relativamente à continuação da história,  só podemos terminar esta crítica com um conselho: deixe-se viciar neste pecado, e não se irá arrepender.




Foto do livro: Isabel Almeida/Blog Os Livros Nossos - Todos os Direitos reservados

Nota: O livro foi gentilmente cedido pela editora para recensão crítica

terça-feira, 14 de junho de 2016

[Secção Criminal] "A Viúva", de Fiona Barton [Planeta]

Ficha Técnica:


Título: A Viúva


Autora: Fiona Barton


Editora: Planeta


Edição: Junho de 2016


Páginas: 360


Género: Thriller/Contemporâneo


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

A Viúva é o romance de estreia de Fiona Barton, uma experiente e conceituada Jornalista Britânica que foi já nomeada Jornalista do ano pela British Press Awards.

Este thriller que agora chega ao público Português tem tudo o que é necessário para ser bem acolhido pelos leitores mais exigentes deste género literário que parece agora estar novamente bastante em voga.

A autora assume ter-se inspirado na sua experiência enquanto "observadora de formação", como a si própria de descreve na nota introdutória do livro, confessando que, na sua vida profissional, sempre se interessou pelo ângulo menos usual das histórias, nomeadamente, ponderando qual a perspectiva de quem convive com quem é acusado da pratica de um crime. Ora, a premissa inicial da narrativa é, precisamente, o que saberia a viúva de Glen Taylor, acusado de ser um monstro responsável pelo desaparecimento de uma criança.

Numa narrativa emocionante que se desenrola ao longo de cinquenta e quatro curtos capítulos, as personagens vão desfilando perante o leitor, num ritmo frenético, fazendo-o oscilar em permanente clima de tensão e de dúvida. 

A acção decorre entre 2006, data do início da investigação criminal pelo desaparecimento de uma criança - Bella Elliot - e 2010, no momento em que o seu alegado raptor e assassino - Glen Taylor - morre deixando a sua viúva - Jean Taylor, a braços com o torvelinho da imprensa gerado por este desaparecimento precoce. Todavia, a narrativa vai oscilando temporalmente, tendo início em 2010, mas ocorrendo diversas analepses que nos vão mostrando a evolução das personagens ao longo de quatro anos.

Os capítulos apresentam como título a personagem que, respectivamente, os protagoniza, nomeadamente, não referida pelo nome, mas com alguma ironia, pelo papel social desempenhado na história - " A viúva "(Jean Taylor); "A Jornalista" (Kate Waters); " O Detective" (Bob Sparkles) - que se assumem enquanto protagonistas, e no último terço da obra merecem cada um deles um capítulo "O marido" (Glen Taylor) e "A Mãe" (Dawn Elliot), correspondendo a narração, em cada capítulo, ao ângulo muito particular que cada personagem assume na economia da narrativa.

Dando especial destaque à Viúva, todos os capítulos em que Jean Taylor assume maior protagonismo são narrados na primeira pessoa, o que corresponde a uma inteligente forma de a autora conferir maior relevância a esta personagem que, aliás, dá o nome ao romance, mesmo no título da edição original que é precisamente The Widow e pode ser traduzido à letra, nada aqui se perdendo com a tradução.

Jean Taylor é uma mulher simples, da classe média, bonita, sem pretensões intelectuais, dona de casa e cabeleireira num pequeno salão de bairro, procurou realizar-se no casamento, tendo encontrado em Glen, o sedutor bancário bem vestido e bem falante, o que de mais próximo poderia sonhar em termos de príncipe encantado. Mas seria Glen um marido assim tão perfeito? E Jean será uma vítima ou uma cúmplice? Estamos perante uma mulher sofrida que se vê a braços com a pressão mediática e que esteve ao lado do marido enquanto este foi injustamente acusado de raptar a pequena Bella? Ou será Jean uma mulher perversa que premedita casa passo que dá neste drama?

Glen Taylor, inocente e injustiçado, ou um monstro sem coração?

Kate Waters, a jornalista encarregue de firmar um contrato com Jean, para conseguir vencer a concorrência obtendo as primeiras declarações da viúva que podem revelar-se bombásticas, representa toda a imprensa britânica e a sua competitividade na busca pelo furo jornalístico que pode marcar a diferença na acesa disputa entre concorrentes. Faz-nos pensar também no quão pouco inocente pode ser o papel da imprensa na cobertura de casos sensacionalistas e muito mediáticos, e faz-nos pensar sobre a ética dos media.

Bob Sparkles, o detective responsável pela investigação, mantém-se fiel ao seu objectivo, apenas poderá sentir-se bem consigo mesmo se descobrir toda a verdade sobre Bella, mas este propósito é por mero espírito de missão, ou por alguma vaidade pessoal?

Dawn Elliot, uma jovem mãe vulnerável e vítima das circunstâncias ou negligente?

Estas dúvidas, e muitas outras assaltam o leitor. Uma estrutura narrativa hábil, fascinante, com um perfeito retrato psicológico, social e sociológico tendo por base um caso mediático que, no fundo, é a soma de tantos e tantos casos reais com os quais a autora se deparou na sua vida de jornalista.

Realista, engenhoso, inteligente, escrito numa prosa madura e de leitura absolutamente compulsiva, um thriller que será, sem dúvida, um dos livros do ano! Só vai conseguir respirar fundo e descontrair quando virar a última página.





segunda-feira, 28 de março de 2016

[4º aniversário - Passatempo 2] Série Hacker [Planeta]

Para assinalar o quarto aniversário do Blogue Os Livros Nossos, temos para sortear os dois títulos, já
editados em Portugal, da Série Erótica que promete ser uma das sensações deste ano - Série Hacker, de Meredith Wild. Este passatempo conta com o apoio da nossa parceira Planeta

[Regras do Passatempo]:

- O passatempo decorrerá até às 23 horas e 59 minutos do dia 11 de Abril de 2016

- Apenas é permitida uma única participação por pessoa

- O passatempo é válido para Portugal Continental e Regiões Autónomas.

- O sorteio será realizado através do site random.org, sendo o livro enviado, por via postal, pela editora ao vencedor que venha a ser apurado, nem a Editora nem a administração do Blogue se responsabilizam por eventual extravio no sistema postal nacional.

- Para validar a sua participação basta preencher correctamente o formulário abaixo, é obrigatório ser seguidor do blogue no Facebook e da página da Editorial Planeta Portugal

- A partilha do passatempo não é obrigatória, mas será bem vinda :)


quarta-feira, 16 de março de 2016

[Entrevista - Internacional] Entrevista a Daniel Sánchez Pardos – autor do Thriller histórico “O Misterioso Senhor G” [Planeta]

No passado dia 2 de Fevereiro de 2016, tivemos a oportunidade de entrevistar o escritor Catalão Daniel Sánchez Pardos, o qual se deslocou a Portugal para participar em diversas iniciativas do Festival Literário “Correntes d´Escritas”, na Póvoa de Varzim, tendo decorrido também em Lisboa, no Instituto Cervantes, um encontro de autores onde Daniel participou, ainda no âmbito do referido evento literário que tem sede na terra Natal de Eça de Queiróz.

Daniel Sánchez Pardos é conhecido do público Português adepto de romances históricos, encontrando-se a sua obra “O Misterioso Senhor G” traduzida para Português e editada pela Planeta. A obra pode ser descrita como um thriller de fundo histórico e conta com a particularidade de, entre as personagens às quais o autor deu vida na Barcelona do Século XIX se encontrar Antonio Gaudi, o celebre e misterioso arquitecto Catalão que é mundialmente conhecido pela sua obra com um estilo próprio e inimitável.

A convite da Planeta, entrevistámos o simpático autor, que connosco partilhou aspectos da sua carreira, da sua obra e do processo criativo, tendo também comentado a sua participação no Festival Literário “Correntes d`Escritas”:

Os Livros Nossos/Diário do Distrito/Nova Gazeta: Considerando o teu início de carreira com o Prémio “Tormenta” em Espanha, qual consideras haver sido a sua evolução desde então até chegarmos a este livro em concreto [O Misterioso Senhor G]?

Daniel Sánchez Pardos: Foi uma evolução muito rápida, em poucos anos. Eu escrevo há muitos anos, primeiro escrevia contos. Publicava contos em revistas há alguns anos e comecei a publicar romances em 2010, há apenas seis anos. Mas sim, nos últimos anos, sobretudo, consegui com O Misterioso Senhor G publicar no estrangeiro e foi o grande passo. Há dois ou três anos nem sequer poderia ter imaginado estar agora em Portugal a falar deste livro, ou tê-lo publicado noutros países. Foi uma grande mudança com a qual, há alguns anos, nem sequer teria sonhado.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/Nova Gazeta: Qual foi a tua principal motivação para passar dos contos para uma obra de ficção mais alargada?

Daniel Sánchez Pardos: Sinto-me sempre mais confortável com o romance do que com o conto: Imagino que o meu tipo de imaginação, por algum motivo, é mais apropriada para as histórias de ficção mais extensas, para os desenvolvimentos mais afinados. Interessam-me as personagens, que nos romances têm mais a desenvolver, assim como quando escrevia contos tentava escrever romances, o que só consegui quando atingi uma certa idade, é mais difícil conseguir algo que mereça a pena ler. Tendo começado a escrever romances, sinto que é uma zona em que me sinto mais confortável.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/Nova Gazeta: Será para dar continuidade?

Daniel Sánchez Pardos: Espero escrever mais livros, que a imaginação não se esgote e que a vontade de trabalhar e de escrever se mantenham. Escrever é um dos meus maiores prazeres, publicar ou não, não me importa, o que é importante para mim é escrever.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: E Barcelona, acredito que tenha sido uma inspiração especial?

Daniel Sánchez Pardos: Foi uma inspiração especial, mas este é o primeiro livro que escrevo sobre Barcelona. Toda a minha vida vivi ali, mas os meus livros anteriores nunca estavam localizados porque sempre senti que precisava de um pouco de distância em relação ao que escrevia para que a imaginação pudesse voar mais livre. Escrevi sobre Barcelona, mas existe uma distância temporal. Este livro é sobre a Barcelona do Século XIX, uma cidade que, por um lado é a minha, por outro é diferente daquela que hoje podemos conhecer quando passeamos pela cidade, isto ajudou-me a redescobrir a minha cidade, podendo também ter a liberdade de a imaginar.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Inspiraste-te directamente na obra visível de Gaudi na Cidade?

Daniel Sánchez Pardos: Sim sim. Gaudi, para todos os que crescemos em Barcelona é uma presença constante nas nossas vidas, crescemos entre os seus edifícios, entre as suas obras. E ademais, Gaudi é um personagem que me atrai muito como pessoa, é um homem muito misterioso, pouco de sabe sobre ele, tinha uma vida muito íntima, não gostava da vida pública, era muito reservado, muito fixado na sua obra. Tinha um sentimento artístico quase religioso, vivia quase completamente para a sua obra, e isso fazia dele um personagem muito interessante, e isto para um novelista é muito interessante porque deixa muito espaço para a imaginação, podemos trabalhar com ele como se fosse uma personagem de ficção, mas com a vantagem de que foi uma pessoa real e que as suas obras existem e podes vê-las quando passeias por Barcelona.

Os Livros Nossos/Diário do Distrito/Nova Gazeta: Dirias que há uma mística de Gaudi?

Daniel Sánchez Pardos: Sim, sem dúvida, Gaudi era um místico em si, e à volta de ele também se criou toda uma série de lendas, de mitos, relacionados precisamente com a própria estranheza da sua obra. A sua obra é tão diferente, tão estranha que parece que, para a explicarmos precisamos de algo surreal. Há lendas sobre um Gaudi esotérico, sobre um Gaudi inserido em correntes de pensamento alternativas. As suas obras são tão estranhas que podemos imaginar que quando as criava era um homem com uma mente alterada, pelas formas sinuosas que tinham as suas obras, estas imagens oníricas, tudo isto construiu uma mística que o torna mais um personagem de ficção do que da realidade.

Os Livros Nossos/Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Fazia um exercício de transcendência ou algo assim?

Daniel Sánchez Pardos: Sim sim, sem dúvida, sem dúvida. 

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Como tem sido a aceitação da obra à volta do mundo? Em 2014, na Feira do Livro de Frankfurt os direitos deste livro em concreto foram expandidos para diversos países, incluindo Portugal, que reacções tens dos leitores destes países?

Daniel Sánchez Pardos: Boas, muito boas. Em Espanha saiu o livro, também já foi publicado em itália, aqui em Portugal, na Dinamarca e na América Latina. Claro que o autor nem sempre recebe muita informação sobre o que vai acontecendo, mas vais acompanhando pela internet, e a reacção é boa.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: E a experiência da participação no Festival Correntes d´Escritas? Aqui em Portugal estiveste na Póvoa de Varzim, como foi para ti esta experiência?

Daniel Sánchez Pardoss: Foi maravilhoso. Já tinha estado noutros festivais em Espanha, mas era mais breves, de um dia, falavas sobre o teu livro e acerca do tema que te era proposto, demorava poucas horas e voltavas a casa. Aqui foram cinco dias inteiros participando numa localidade que estava focada no festival, tendo contacto directo com vários escritores, que na maioria não conhecia, Portugueses, Latino Americanos, Brasileiros, alguns Espanhóis e foi uma sensação maravilhosa ver uma localidade tão envolvida com a actividade literária, creio que podem estar muito orgulhosos aqui em Portugal.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Gostaste da experiência, repeti-la-ias?

Daniel Sánchez Pardos: Sim, repeti-la-ia.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Que palavras dirias aos leitores Portugueses que queiram ler este livro? Como resumirias o livro em duas ou três palavras, ou numa frase que melhor o pudesse caracterizar?

Daniel Sánchez Pardos: É uma intriga histórica, baseada num personagem real, mas que é tratado como um personagem parcialmente de ficção pelo facto de se tratar de uma época da vida de Gaudi que é pouco conhecida. O objectivo do livro é tentar recriar um momento concreto, que é a Barcelona do Século XIX, recriar uma personalidade tão fascinante como Gaudi, e ao mesmo tempo dar ao leitor um argumento com parte de mistério que se pode sentir até à última página.

Os Livros Nossos/ Diário do Distrito/ Nova Gazeta: Pensas que alguns dos leitores irá despertar a curiosidade de visitar Barcelona?

Daniel Sánchez Pardos: Esse seria o maior elogio ao livro, que lendo sobre a Barcelona do livro possam sentir-se atraídos pela Barcelona de hoje. Vale a pena ir a Barcelona por qualquer motivo, mas também por causa de Gaudi.





Trabalho realizado em colaboração com Diário do DistritoNova Gazeta

Entrevista conduzida por: Isabel de Almeida

Imagem do autor: Gentilmente cedida pela Editorial Planeta - Portugal

Foto do livroautografado: Isabel de Almeida/Blogue Os Livros Nossos



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Atracção Magnética", Série Hacker 1 - de Meredith Wild [Planeta]

Ficha Técnica:


Título: Atracção Magnética


Autora: Meredith Wild


Série: Hacker 1


Editora: Planeta


Edição: Fevereiro de 2016


Páginas:256


P. V. P.: 16,95€


Género: literatura erótica contemporânea

Classificação atribuída GoodReads: 5/5 estrelas



Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blogue Os Livros Nossos:


Atracção Magnética, de Meredith Wild, corresponde ao primeiro título da nova série erótica Hacker, que chega ao mercado Português com chancela Planeta, e promete conquistar rapidamente fãs incondicionais.

A protagonista feminina é Erica Hathaway, uma jovem dinâmica e empreendedora que termina a Licenciatura na Universidade de Boston, e ambiciona entrar,de imediato, no mundo profissional, através do arranque de um projecto ao qual se entregou a 200%, enquanto terminava o curso superior, o site de moda Clozpin.

Com o apoio de um Professor, Erica tem a oportunidade de apresentar o seu projecto de empreendedorismo a um grupo de investidores, o seu poder de persuasão ditará o seu futuro neste campo.
Casualmente, ou nem tanto, Erica trava conhecimento com Blake Landon, um bilionário do sector das tecnologias informáticas, tremendamente sexy, perspicaz e com uma aura de mistério a rodeá-lo, já que correm boatos de se tratar de um Hacker, tendo assim ascendido no mundo das novas tecnologias.

Erica conta com o apoio de Alli, a sua melhor amiga e colega de quarto na residência da Universidade de Boston, mas as jovens estão prestes a ver as suas vidas a mudar radicalmente, e muitos desafios irão surgir nos seus percursos de vida.

Para as duas amigas, uma noite em  Las Vegas, a cidade do pecado, irá deitar tudo a perder ou a ganhar, mas não nas mesas de um casino...

O carácter diferenciador desta série, e que fica logo patente neste primeiro livro, é a contextualização no mundo da informática e dos grandes investidores e empreendedores -numa abordagem bastante actual e realista -  a autora revelou uma particular aptidão para encontrar a combinação perfeita entre este contexto empresarial num sector muito específico e cheio de segredos que podem valer milhões, e os segredos familiares que envolvem a vida de Erica, sem esquecer as cenas de sexo verdadeiramente escaldantes e bem construídas, desenvolvendo-se a relação entre Blake e Erica a um ritmo bastante realista, e resultando a sua aproximação inevitável pelo fascínio que cada um virá a sentir pelo outro.

Há também um clima de permanente suspense e se ficamos já a par de alguns dos segredos do passado de Erica, ainda nos falta desvendar grande parte da teia de mistério que envolve Blake, mistério este que, claro, só contribui para tornar este personagem ainda mais sedutor, sendo dono de uma personalidade forte, é algo controlador mas também muito protector. Ficámos com imensa curiosidade para saber o que mais nos espera da parte deste príncipe encantado da era dos bites e bytes.

A combinação perfeita entre erotismo, paixão, sedução, segredos ocultos, ligações obscuras e potencialmente perigosas e muita emoção, num ritmo narrativo vertiginoso que nos leva a virar cada página com avidez, e ansiar pelo próximo capítulo da trama.



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Um Encontro muito Ousado", de Emma Wildes [Planeta]

Ficha Técnica:


Título: Um Encontro muito Ousado


Autora: Emma Wildes


Edição: Janeiro de 2016


Editora: Planeta


Páginas: 264


P.V.P.: 17,50€


Género: Romance histórico/sensual


Classificação atribuída no GR:4/5


Leia um excerto da obra AQUI


Sinopse:

Lorde Joshua Dane é um homem com um passado perverso. Um romance apaixonado com a mulher errada conduziu-o a um duelo escandaloso, marcou-o como um patife e levou-o a abandonar Inglaterra. Agora que a guerra acabou e regressou, contando que a desaprovação implacável da sociedade se tenha aplacado, o destino prega-lhe de novo uma partida. Quando a irmã foge com um canalha, ele intervém, mas os sussurros obstinados que se seguem podem de novo ditar o seu futuro.

Lady Charaty não tinha muita escolha quando tenta evitar um desastre, mas a acção acaba por se transformar numa série de escândalos que podem destruir a sua reputação.

Ela é inocente e Lorde Joshua decerto não pediu uma calamidade, mas são ambos apanhados num turbilhão de mal-entendidos.

Mas com o desenrolar dos acontecimentos percebe que os segredos obscuros que esconde são complexos e uma ameaça paira não só para ensombrar alguma felicidade possível mas talvez mesmo contra as suas vidas…

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blogue Os Livros Nossos:

Um Encontro muito Ousado é o mais recente romance de Emma Wildes publicado em Portugal, o que é razão para deixar os inúmeros fãs da autora encantados perante a perspectiva de se deixarem embrenhar nesta nova trama.

Para proteger a sua melhor amiga - Emily-  de uma ruína certa às mãos de um patife sem escrúpulos nem carácter, Lady Charity, a ingénua filha do Conde de Strait, vê-se ela própria envolvida numa situação comprometedora, ao ser vista sozinha com Lorde Joshua Dane, o irmão da amiga, um libertino assumido, marcado por erros do passado que lhe deixaram profundas feridas emocionais ainda não saradas, e que faz parte de um grupo de amigos blasé, que juraram não se deixar prender nas teias do amor, mas não abdicaram de experimentar todos os prazeres físicos que lhes sejam permitidos pelas mais ousadas damas com quem se venham a cruzar.

Perante a pressão social acentuada, e o risco de se perder a reputação de Emily e de Charity, o casamento surge como imposição paterna enquanto a solução mais sensata, mas não a mais desejada.

Joshua irá revelar-se um homem de palavra, de princípios, leal e com receio de deixar soltar as emoções de que jurou, um dia, abdicar, devido a um desgosto amoroso e um forte escândalo da sua juventude. Todavia, não saberá resistir aos encantos da esposa - Charity - e ambos irão vivenciar uma relação muito apaixonada, sensual e provocante ao nível físico, e mais tarde ou mais cedo, Lorde Dane terá de tomar decisões muito importantes sobre o seu futuro e o futuro do seu casamento forçado, mas surpreendentemente com muitos encantos que julgara não conseguir experimentar neste contexto matrimonial.

Charity é doce, ingénua,  leal, mas  também extremamente intuitiva e inteligente, vê-se arrastada para um casamento imposto, todavia sente despertar em si fortes instintos sensuais que desconhecia, e aos quais Joshua consegue dar a resposta adequada, acabando a jovem por renovar, no seu íntimo, as suas fantasias de menina, apaixonada em segredo pelo irmão mais velho da melhor amiga, que nunca havia percepcionado tal sentimento. 

Enquanto Joshua e Charity vivem a construção de uma relação por entre avanços e recuos, medos, sensações e emoções fortes, o mistério e o perigo pairam no ar, e podem deitar a perder a segurança e mesmo a vida de Charity.

 Um romance feminino histórico onde não faltam as características que marcam o estilo muito próprio da autora: a caracterização social da época retratada (século XIX), as intrigas de salão de Londres que circulam por entre o frufru das sedas dos soberbos vestidos das damas do beau monde local, uma linguagem formal adequada ao contexto social da época, e personagens marcantes, que trazem consigo erros do passado [no caso do protagonista masculino - Lorde Joshua Dane] ou as fantasias próprias de alguém que começa agora a despertar para a necessidade de entrar na vida adulta, encontrando um par apaixonado e o marido ideal para satisfazer as naturais pretensões familiares [como sucede com a doce, leal mas determinada Lady Charity].

Cenas verdadeiramente escaldantes entre o casal protagonista, descritas com a nitidez, a força e a elegância próprias da escrita de Emma Wildes, Intriga social, paixão, amor, sensualidade, suspense e perigo, com surpreendentes twists que ainda mais enriquecem a trama. Personagens marcantes, forte tensão emocional, bom enquadramento ao nível do espaço social e contexto histórico.

Como vem sendo hábito, a autora não desilude e é uma verdadeira delícia ler mais este romance.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

[Renda & Saltos Altos] "Deslumbrada" - O Chefe 1 - de Abigail Barnette [Planeta]

Ficha Técnica:

Título: Deslumbrada [O Chefe #1]


Autora: Abigail Barnette


Editora: Planeta


Edição: Maio de 2015


Nº de Páginas: 368


Género: Romance erótico/contemporâneo

Classificação atribuída no GR: 5/5 estrelas


Saiba mais detalhes sobre a obra  e leia o primeiro capítulo AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Deslumbrada é o primeiro de uma série de romances eróticos contemporâneos escrita por Abigail Barnette, o nome sob o qual a autora Jenny Trout, também conhecida por escrever romances de terror, assina os seus romances eróticos.

   Como protagonista feminina encontramos a jornalista Sophie Scaife, uma ambiciosa e assertiva jovem de 24 anos, que é assistente da Editora da Revista de moda Porteras, e assiste a uma autêntica revolução no seu emprego ao ver a sua superior hierárquica directa ser despedida, após a aquisição do título pela empresa Elwood & Stern.  Mas a maior surpresa ainda está para chegar, o novo chefe - o milionário Neil Elwood, é nada mais nada menos do que um desconhecido com o qual Sophie teve um encontro casual, há uns anos atrás, quando ambos se cruzaram num aeroporto.

  Colocando a carreira no topo das suas prioridades, Sophie acabará inevitavelmente por se sentir atraída pelo charme e sedução do seu Chefe, tentando a todo o custo que a relação entre ambos se mantenha discreta, em segredo, e sem compromisso emocional inerente à mesma, mas o jovem e o milionário ver-se-ão motivados a tomar decisões importantes, a medir lealdades e a assumir consequências do caminho que escolherem.

  Neil é um homem maduro, com um casamento que não foi bem sucedido, mas do qual resultou o nascimento da filha Emma, que adora. Não vai resistir aos encantos de Sophie, gosta de assumir o papel de dominador numa relação íntima, e Sophie irá descobrir que se enquadra no papel de submissa, obedecendo a Neil, na vivência da sexualidade e intimidade entre ambos.

  Se tudo corre bem, em termos físicos, ambos vão lutar contra as emoções que começam a afectá-los, e que têm de gerir em conjunto com uma teia de competitividade, luta pelo poder e pelo papel de topo no meio editorial da moda em que ambos se movem.

  As personagens secundárias trazem também um colorido interessante à trama, neste âmbito, o destaque vai para Holly, uma super-modelo, melhor amiga e confidente de Sophie, que vê a carreira em ascensão, embora não esteja isenta de críticas quanto à sua extrema magreza; e Rudy Ainsworth, figurinista da Metropolitan Opera, e o melhor amigo e confidente de Neil. Estas figuras de apoio têm um papel de relevo, pela ajuda que proporcionam aos protagonistas perante as tensões psicológicas que estes vivenciam.

  O factor distintivo deste romance em relação a outras obras do género erótico é o facto de este nos trazer personagens verosímeis e combinando de forma perfeita a articulação entre atracção física, química sexual e mundo emocional dos protagonistas, tudo complementado com uma trama de intriga, e luta pelo poder no mundo editorial das revistas de moda conceituadas, e com uma clara ligação à realidade, deixando presente que nem tudo é absolutamente perfeito, mesmo no mundo de glamour e riqueza da imprensa de moda de relevo internacional.

 Intenso, extremamente sensual mas com uma narrativa bem construída, e com personagens que vivem dilemas bastante reais. Feminino, sexy e realista! Uma série que iremos continuar a devorar e que mereceu nota máxima.




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

[Renda & Saltos Altos] "De Joelhos - A Vingança 1 "- de Malenka Ramos [Planeta]

 Ficha Técnica:


Título: De Joelhos [ #Vingança 1]


Autora: Malenka Ramos


Editora: Planeta


Edição: Julho de 2015


Páginas:  352


P.V.P.: 18,85€


Género: Literatura erótica


Classificação atribuída no GR: 4/5 estrelas



Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:



De Joelhos, da autora Malenka Ramos, é o primeiro volume de uma trilogia erótica rodeada de bastante polémica, tratando-se, sem dúvida, de uma história daquelas que ou se ama ou se odeia, mas a que certamente não ficamos indiferentes.

 O protagonista masculino - Dominic Romano, é um advogado e empresário muito bem sucedido, com fama de implacável nos negócios, mas cuja vida privada fica, precisamente, no domínio privado, por vontade do mesmo. É atraente, obsessivo, determinado, capaz de atitudes extremadas e transporta consigo uma história pessoal que ditou o seu percurso de vida. Dominic era, na infância e adolescência, o miúdo que todos na escola ignoravam, hostilizavam ou humilhavam. 

 Samara é uma jovem executiva bem sucedida, independente, e que é surpreendida pelo reencontro com  Dominic, que era apaixonado por ela na adolescência, mas nunca havia sido correspondido, antes sendo desprezado.

 Numa abordagem inicial que pode ser considerada intrusiva, pouco ortodoxa e mesmo violenta, Dominic reencontra a mulher que sempre o fascinou, e pela qual é ainda totalmente obcecado, e dispõe-se a vingar-se de Samara, mostrando-lhe que o amor e o ódio, assim como o prazer a dor podem ter a separá-los fronteiras muito ténues, ou podem mesmo chegar a misturar-se.

  Vivendo uma sexualidade nada convencional, Dominic propõe a Samara que esta entre com ele num mundo alternativo de relacionamentos de natureza BDSM, acompanhando-o a uma propriedade recatada, escondida no meio de uma região montanhosa, denominada simbolicamente de "Quimera", onde Dominic passa alguns períodos na companhia de Antón, o anfitrião que considera todos os membros do grupo como seus filhos; a filha deste Catinca [uma mulher livre], Roberto, um homem de porte e maneiras aristocráticas que mantém uma relação com duas mulheres que aceitam assumir o papel de suas escravas sexuais - Yelina e Xiamara, e o Irónico , provocador e nada convencional Carlo, que mantém como escrava Meredit. Personagem também interessante é Luís, o melhor amigo de Dominic.

Além de conter diversas descrições bastante explícitas de natureza sexual, este romance suscita polémica pelo facto de, muitas dessas situações estarem envolvidas em contexto de forte violência aos níveis físico e psicológico, levando o leitor a questionar se tal tipo de situação é legítima ou mesmo aceitável, e desafiando os seus próprios limites de tolerância em relação à leitura desta narrativa bastante intensa, e que desce às profundezas do que de mais primitivo poderá esconder-se na natureza humana.

  Quem me segue, sabe que sou leitora bastante assídua do género erótico, mas este livro é realmente diferente de tudo o que já havia lido antes, e fez-me pensar, digerir e processar a informação inerente à história, indo para além das descrições mais gráficas, e pensando nas implicações ao nível psicológico - mais do que a violência [que surge mais óbvia aos olhos do leitor] penso que a trama de relacionamentos entre as personagens tem a ver com poder, com controlo e com  auto-determinação, e isto é válido tanto para quem assume o papel de dominador [por exemplo, Dominic], como para quem seja o lado mais frágil da relação [por exemplo Samara]. Dominic quer dominar a relação com Samara, quer dominar as suas emoções e a da companheira num desejo obsessivo [esse sim algo patológico] de se vingar de ter sido vítima de bullying no passado; mas Samara controla a todo o momento a sua permanência no sistema  relacional alternativo que lhe é apresentado, e luta consigo mesma, mas acaba por ceder e ficar, mesmo que vivencie auto-recriminações.

Não é uma leitura fácil não pode nem deve ser feita com ligeireza, mas é um livro muitíssimo bem escrito, com forte carga psicológica e que faz pensar, tendo ainda a vantagem de um enredo muito bem construído e de uns twists surpreendentes e que lançam toda uma nova luz sobre a história inicial.

 Surpreendente, ousado e capaz de nos deixar totalmente perplexos! Impróprio para cardíacos! Deste lado espera-se ansiosamente pelos restantes títulos da trilogia.