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sábado, 23 de agosto de 2014

[Crítica] "Na pele de Meryl Streep", de Mia March [Bertrand Editora]



Autora: Mia March

Edição: Agosto de 2014

Editora: Bertrand Editora

Páginas: 344

Género: Romance Contemporâneo

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Na pele de Meryl Streep, da autora Norte-Americana Mia March é um romance contemporâneo bastante emotivo e com elevada tensão dramática.

A narrativa tem início com um prólogo que constitui o respectivo ponto de partida, descrevendo um episódio sucedido na passagem de ano de há 15 anos atrás, que marcou o percurso de vida das protagonistas. Seguidamente, cada uma das personagens principais vai-nos sendo apresentanda, em capítulos alternados, sendo que toda a acção é narrada de acordo com esta estrutura, em que cada capítulo contém o foco apontado em especial a uma das protagonistas. Note-se que, este tipo de estrutura narrativa, além de captar a atenção e interesse do leitor, permite conferir um excelente grau de profundidade na caracterização das personagens.

As personagens principais são: as irmãs Isabel e June Nash, e a prima de ambas, e filha de Lolly Weller - Kat Weller.

Lolly Weller, respectivamente tia e mãe das três raparigas, desempenhará a importante função de personagem  âncora, que promoverá o reencontro deste grupo familiar, na Pousada  no Maine onde cresceram juntas, sem se terem então tornado muito próximas.

Neste reencontro familiar, assistimos ao nascimento de uma cumplicidade e de laços afectivos sólidos, que até ai não se haviam manifestado, e há lugar à partilha de histórias de vida, dramas, reflexões e dúvidas.

Isabel vem de um casamento destruído, pela rotina, pela anulação da sua própria identidade, em prol da relação, e pela recente infidelidade do marido Edward, sentindo ter desperdiçado dez anos da sua vida num projecto familiar que, nitidamente, falhou.

June, mãe solteira, aluna brilhante que deixou para trás o sonho de prosseguir os seus estudos universitários, encontra a sua razão de viver no pequeno Charlie, o seu alegre e ternurento filho de sete anos. Mas luta contra a mágoa de desconhecer o paradeiro do pai do menino, questionando-se quanto às razões pelas quais o mesmo desapareceu da sua vida, e prometendo à criança dar-lhe a conhecer o progenitor. Entretanto, tornou-se gerente de uma livraria, sendo verdadeiramente apaixonada pelo seu trabalho, e tendo encontrado nos patrões um excelente apoio e uma boa amizade.

Kat, filha de Lolly,  é uma jovem e inspirada profissional de pastelaria, mas vive um conflito interior que está relacionado com a  construção da sua identidade. Kat sente-se dividida entre ficar a residir na terra natal e casar-se com o seu melhor amigo de Infância, o sensível Oliver; ou partir à descoberta de novas oportunidades, novas experiências pessoais e aprimorar com grandes mestres a sua arte culinária.

Um detalhe que muito enriquece a narrativa, e confere ao romance uma especial graciosidade, é o facto de as protagonistas se reunirem semanalmente para uma sessão de cinema na Pousada. Revisitam a carreira cinematográfica de Meryl Streep, tecendo comparações entre a vida real e as vivências das diversas personagens da actriz no grande ecran, extraindo fascinantes e pertinentes reflexões acerca da vida, das decisões e escolhas que se fazem e das consequências da conduta humana.

A linguagem é bastante cuidada, porém acessível, e o romance contém parágrafos que nos fazem parar e pensar um pouco acerca de nós próprios e da nossa história de vida, convidando a uma salutar retrospecção.

Se inicialmente julgámos apenas ir encontrar uma história ligeira, a verdade é que encontramos bem mais do que isso. Trata-se de uma leitura de rara beleza e profundidade emocional e psicológica.

Recomendamos a quem goste de atentar em questões como:  os obstáculos inesperados que surgem na vida e a forma mais ou menos resiliente como decidimos enfrentá-los e a extrema relevância da vivência do mundo dos afectos, da amizade e da solidariedade, enquanto motores de uma existência plena de significado.

Surpreendente, sensível, elegante e emotivo.

Mia March é uma jovem autora cuja carreira promissora iremos acompanhar, e está de parabéns!

Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas



domingo, 29 de junho de 2014

[Renda & Saltos Altos] "Um Amor na Cornualha", de Liz Fenwick [Quinta Essência]



Autora: Liz Fenwick

Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]

Edição: Junho de 2014

Páginas: 368

Género: Romance

Crítica por Isabel Alexandra Almeida/ Blog Os Livros Nossos:

            Um Amor na Cornualha  “Um amor na Cornualha”, da autora Norte Americana Liz Fenwick, trata-se de um romance assumidamente feminino e ligeiro, mas que fica na memória das leitoras, pela sensibilidade com que aborda temas delicados em termos de vivência humana, além de descrever uma região do Reino Unido que, a julgar pelas descrições da belíssima paisagem, parece conter em si uma espécie de magia ou encantamento, que facilmente prende o forasteiro que ali se desloque – a Cornualha.

      A linguagem é fluída, acessível, imbuída de sensibilidade e envolvência. O ritmo da narrativa é suficientemente rápido para nos manter presos às páginas do livro, mas lento o bastante para nos arrastar para o meio da história.

        Judith Warren, aos 30 anos, parece ter a vida que muitas pessoas sonhariam ter, vive junto da família em Osterville, Cap Cod, Massachusetts, e está prestes a casar-se com John, um Advogado bem sucedido, de uma família local, que está sinceramente apaixonado pela jovem. 

      Uma inquietação inesperada, uma insegurança e um súbito desejo de mudança, leva a noiva a desistir do casamento, deixando o noivo desolado e as duas famílias perante o duro julgamento social da impulsividade do acto.

       Jude e os pais, na verdade, vivem numa aparente acalmia, mas nenhum deles superou ainda a morte de Rose, a irmã mais velha de Jude, que acaba por ser vista pelos pais e pela irmã, como um exemplo de perfeição – no que certamente resultará de algum natural grau de idealização de um ser amado em relação ao qual toda a família ainda não elaborou o respectivo processo de luto.

      Além de não ter superado a morte da irmã, Jude sente que nunca conseguiu satisfazer as expectativas da mãe, enquanto filha, apesar de sempre se ter esforçado para conquistar o apreço e amor incondicional dos progenitores, chegando mesmo a anular a sua personalidade, e como que a deixar que a mãe a leve a viver uma vida que, afinal, sente não ser a sua.

     A jovem parte para o Reino Unido, para junto de Bárbara, amiga de longa data da mãe, e acaba por ir em trabalho até à Cornualha, onde lhe caberá ajudar o académico Petrock Trevillion na árdua tarefa de organizar e catalogar uma vasta colecção de notas pessoais e a biblioteca, estando em preparação a escrita de um livro sobre um local muito especial e caro a Petrock – Pengarrock – uma mansão familiar e histórica na Cornualha.

     Apenas Tristan Trevillion, filho de Petrock, não se deixa envolver pelo fascínio da casa e do local, e tem outros planos para a propriedade. 

   Também Helen, a fiel governanta, é uma defensora incondicional da herança cultural e histórica de Pengarrock, encontrando em Jude uma importante aliada.

    Creio não ser exagerado considerar Pengarrock, a mansão, uma personagem da história de pleno direito, até porque não é difícil imaginar-nos a querer desvendar mistérios do passado, a percorrer uma belíssima mansão histórica, dotada de uma beleza decadente, ou a percorrer as estantes de uma biblioteca antiga, com volumes únicos de impressionante valor histórico e cultural. 

      Em busca de si própria, e dos segredos da bela Cornualha, Jude terá tempo para reflectir sobre o seu percurso, e na melhor forma de reencontrar a sua própria identidade, e lançar as pontes que lhe permitam recompor o seu relacionamento com os pais.

     Uma excelente leitura com chancela Quinta Essência, Liz Fenwick, em cuja leitura nos estreámos, será mais uma autora a seguir.






segunda-feira, 31 de março de 2014

[Opinião] " Uma história de amor eterno", de Sebastian Cole [Editorial Presença]



Autor: Sebastian Cole

Edição: 04/02/2014

Colecção: Grandes Narrativas [Nº 569]

Páginas: 264

Género: Romance romântico

Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Uma História de Amor Eterno, do autor Norte Americano Sebastian Cole é, como o título não esconde, uma história de amor comovente, terna e surpreedente.

   As personagens centrais são -Noah Hartman -  oriundo de uma abastada família Judia, que  conhecemos já na fase final da vida, internado numa unidade hospitalar, onde recorda o seu percurso pessoal. Noah é uma personagem bastante densa psicologicamente, com a qual facilmente empatizamos. 

  Superprotegido pelos rígidos pais - Miriam e Jerry Hartman, conta com a amizade terna do irmão  Scott e da esposa deste, e encontra em Robin, uma Asistente Social ruiva, exuberante e de estatuto social inferior ao de Noah a sua verdadeira alma gémea, mas tal relacionamento não agrada à família de Noah, em especial à sua tradicionalista mãe Miriam Hartman, uma mulher de forte personalidade, fortemente controladora e manipuladora em relação à vida do filho, e que deseja que este encontre um casamento socialmente correcto, com alguém que seja do seu círculo de relações e que comungue da religião judaica.

   Contra a vontade dos pais de Noah, este e Robin iniciam uma relação onde alcançam o pleno entendimento e uma verdadeira comunhão de almas, até que, subitamente, as coisas escapam ao controlo de ambos, por motivos que, só no final do romance serão desvendados.

   Robin é uma mulher bela, extrovertida, solidária e bastante devotada ao seu trabalho junto dos mais carenciados, mas que esconde uma inquietação interior, uma perturbação psíquica  lhe chega mesmo a ser prejudicial, devido a situações profundamente traumáticas que marcaram a sua adolescência.

   Ao longo da obra, escrita num tom bastante emotivo e até mesmo confessional e intimista, onde acedemos ao mundo interno de Noah, o grande protagonista da trama, através de planos narrativos que percorrem o passado  e que vão fazendo eco do presente, assistimos ao amadurecimento da personagem, à sua reconstrução como ser humano, aprendendo gradualmente a sair da zona de conforto proporcionada pelo entorno familiar, e a arriscar satisfazer os seus próprios sonhos e vontades.

   Robin é uma personagem algo perturbadora, que suscita no leitor sentimentos algo contraditórios,até ao momento revelador em que iremos conseguir contextualizar a sua instabilidade psicológica.

   Ternura, amor, a força do destino, e um final verdadeiramente surpreendente prometem horas de entretenimento a todos os que adoram uma bela história de amor, narrada com sensibilidade e um toque de originalidade.

Classificação atribuída no Goodreads: 4 de 5 estrelas


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

[Opinião] "Frutos Proibidos", de Sylvia Day [Saída de Emergência]


Título: Frutos Proibidos

Autora: Sylvia Day

Edição: 02.11.2013


Páginas: 288

Género: Romance erótico/paranormal

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Frutos Proibidos, de Sylvia Day, revelou-se uma agradável surpresa, constituindo um romance erótico, mas que alia o erotismo bastante vincado a uma interessante componente paranormal, que mais ainda enriquece a narrativa.

A acção principal decorre na época contemporânea, nos Estados Unidos, e o grande cunho de originalidade da obra foi a criação de dois mundos paralelos entre si, e cuja comunicação vai trazer um sem número de peripécias a serem vivenciadas pelos nossos protagonistas.

O nosso herói é o atraente Aidan Cross, um Guardião de Sonhos, habitante de um plano espacial alternativo denominado Crepúsculo, cuja missão principal é proteger os sonhadores que habitam o mundo real, dos perigos que estes correm ao sonhar, o que gera uma ligação perigosa ao crepúsculo.

A personagem central feminina é a frágil, bela e sensível Lissa Bates, uma médica veterinária que, acreditando padecer de uma misteriosa doença que lhe retira a força anímica, é afinal uma mulher muito especial, com uma insuspeita e fortíssima ligação ao mundo de Aidan.

Ambos irão cruzar-se, e esta ligação promete elevar a temperatura a um nível deveras escaldante. Sendo bastante explícitas as descrições de envolvimento sexual entre os protagonistas, mas sem que a química, e o envolvimento emocional profundo entre ambos fiquem arredados da narrativa.

As personagens mostram-se bastante densas, com personalidades bem vincadas, e Cross revela-se um homem com imensa força de carácter, lutando por aquilo em que acredita, e espantando-se a si mesmo, ao cair nas malhas do amor, ao qual, até se cruzar com Lissa, acreditava ser imune.

Lissa, ao entrar em contacto com um mundo alternativo, completamente inacreditável, encontra finalmente a explicação para inúmeros factos incompreensíveis da sua história de vida, e irá ainda encontrar o amor da sua vida, resta apenas a dúvida sobre se será viável que ambos fiquem juntos para a vida.

  O toque de originalidade da trama constitui na criação de um mundo alternativo, no qual os Guardiões acedem ao inconsciente dos Sonhadores (humanos), tentando impedir que os pesadelos vençam, já que estes adversários bastante poderosos e mortíferos, se alimentam das emoções negativas que povoam os sonhos e o inconsciente humano.

  A descrição do inconsciente humano, acedido através do estado onírico, das correntes de energia onírica provenientes dos sonhos e de toda uma sociedade paralela fortemente hierarquizada, cuja existência gira à volta da forma como podem ser geridos os sonhos humanos, é, sem dúvida, um detalhe bastante original e engenhoso que Sylvia Day conseguiu, com sucesso, trazer para a sua narrativa, num excelente complemento do erotismo que é bastante presente a cada momento da trama.

  Acreditamos tratar-se de um livro que, facilmente, encantará os leitores que gostem de um cunho original que a afaste do cliché tão fácil num romance erótico, e cuja leitura pode ser especialmente apelativa para quem esteja familiarizado com as doutrinas acerca da interpretação dos sonhos, de que podemos citar como exemplo, a obra de Sigmund Freud.

Em suma, uma série erótica que iremos acompanhar atentamente e que se pauta pela originalidade.

Classificação GoodReads atribuída: 4 em 5 estrelas







terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[Opinião] "Entre o Agora e o Nunca", de J. A. Redmerski [Presença]


Título: Entre o Agora e o Nunca

Autor: J. A. Redmerski

Editora:  Presença

Colecção: Grandes Narrativas [nº 565]

Edição: Janeiro de 2014

Páginas: 464

P.V.P.: 18,80€

Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:




Entre o Agora e o Nunca, de J. A. Redmerski, é um romance contemporâneo que suscita aos leitores algumas reflexões acerca da forma como decidimos conduzir as nossas vidas, de forma mais ou menos conformista, em relação ao que impõem as regras do "politicamente correcto".

   Os protagonistas são dois jovens - Camryn Bennett e Andrew Parrish - que travam conhecimento durante uma viagem sem destino concreto, por várias Estados dos Estados Unidos, em autocarros de longo curso.

  Camryn é uma jovem de vinte anos que atravessa uma depressão, estando ainda muito presente a perda num trágico acidente do seu primeiro namorado. A mãe da jovem tenta também reconstruir a vida amorosa, após um divórcio.

 A protagonista feminina do romance está, de algum modo, ainda em processo de construção da sua própria identidade, em busca de qual o melhor caminho que decidirá percorrer no futuro próximo e da estabilidade amorosa que também não se cruzou ainda no seu caminho, por força do destino.

   Um conflito com a melhor amiga - Natalie - no qual se sente injustiçada, o facto de não sentir o recente emprego num grande armazém como fonte de realização pessoal, faz com que Camryn se sinta desenquadrada, e decide, num impulso, empreender uma viagem pelos Estados Unidos, sem destino certo.

  A dado passo do caminho, Andrew Parrish cruza-se com Camryn. Andrew é um jovem atraente, divertido, um espírito livre, mas ao mesmo tempo, mantém uma certa aura de mistério. Cedo ambos começam a aproximar-se, e em pouco tempo surge entre ambos uma cumplicidade inesperada, que levará cada um deles a quebrar barreiras psicológicas e a avançar, ainda que a medo, para auto-revelações.

   Algo de muito forte ao nível emocional e físico desponta entre o casal, e Camryn descobre toda uma nova perspectiva de vivência da vida de forma livre, flexível, e deixando para trás alguns temores e preconceitos em relação à intimidade e ao sexo.

   As personagens mostram-se bastante densas, e conseguimos ter acesso ao seu mundo interno através de deliciosos diálogos que nos fazem sentir estarmos a invadir a esfera privada dos dois, como se também nós leitores tivéssemos o pleno direito de nos assumirmos como espectadores das suas vidas.

   As emoções atravessam as páginas do livro, e são de molde a fazer-nos rir, sorrir, ou mesmo ficar à beira das lágrimas.

   De um modo particularmente sensível, e no ritmo certo, é visível o nascimento de uma relação amorosa entre os protagonistas.

     Também a sensualidade e o erotismo não estão, de todo, arredados da trama, ainda que de modo natural, cúmplice e até mesmo divertido. O romantismo também reina. E a leitura flui rapidamente, até que, quase sem darmos por isso, chegamos ao final, não imunes ao peso de alguns twists e revelações bombásticas que podem mesmo deitar a perder a hipótese de um futuro em comum para Camryn e Andrew, duas pessoas longe da perfeição, mas que talvez por isso mesmo, geram forte empatia junto do leitor.

  Uma excelente escolha editorial, cuja leitura recomendamos sem qualquer hesitação.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

[Opinião] "O Menino de Cabul", de Khaled Hosseini [Editorial Presença]



Autor: Khaled Hosseini


Páginas: 336

Género: Romance

Saiba mais sobre esta obra AQUI

Crítica por Ana Filipa Ferreira, do Blog Parceiro Illusionary Pleasure, para o Blog Os Livros Nossos:

    O Menino de Cabul, com a chancela de qualidade Editorial Presença é uma história que nos conquista depois de ser lida e não durante. A narrativa deixa no leitor um paladar nostálgico e a história do país de Hosseini torna-se nossa. Não admira os autores do médio oriente darem-se tão bem em Portugal, tal como o nosso povo, também eles estão cheios de sentimentos de nostalgia, do passado que contrasta sempre com o presente. Tal como os portugueses que vivem nas glórias dos nossos antepassados, Hosseini invoca a doçura e alegria de viver numa Afeganistão sem talibãs e sem o pesadelo do terror que o povo afegão sofreu. Existe uma harmonia entre Os Terraços de Teerão e O menino de Cabul, ainda que estes dois sejam passados em dois locais diferentes. O estilo de narrativa todo ele evoca um passado pacífico com memórias de uma infância tranquila para dar lugar a uma adolescência turbulenta e a uma idade adulta repleta de fantasmas.

   As personagens do Menino de Cabul acompanham este estado de decadência. São elas que dão voz à beleza das paisagens e, ao mesmo tempo, descrevem a destruição do seu país e das suas memórias. Amir e Hassan representam dois mundos opostos, Amir filho de famílias ricas, Hassan um hazara que serve Amir. Amir peca, erra e toma muitas vezes decisões erradas, tentando agradar ao pai Baba e tentando ser o melhor de forma a conseguire reconhecimento dele. No entanto a sua relação com Hassan oscila entre a servitude e a amizade e descobrimos que no meio de um Afeganistão em escombros e doente não importa a condição social, não importa a guerra, importa não esquecer o passado nem as pessoas que contribuíram para as nossas memórias. E, de um momento para o outro, assistimos a uma história de redenção, de esperança e de felicidade.

   Ao contrário dos autores portugueses, os escritores do médio oriente terminam sempre com uma mensagem para o futuro. Porque eles acreditam que um dia esse futuro irá mudar e o país da infância e da inocência voltará para que os seus filhos possam aproveitar e viver o que os pais experienciaram. As crianças representam o futuro que merece ser salvo. O nosso país é bonito, quem está à frente dele pode ser corrupto ou pode fazer com que o detestemos tanto que escolhemos outro sítio para nos acolher. Através de Amir, Hosseini mostra que a nossa pátria fica dentro do nosso coração e que não o importa o quanto somos maltratados por ele. O nosso coração está na pátria e ninguém nos pode roubar o que nos vai no coração, mesmo que essa pátria já não seja aquela que conhecemos e esteja a milhares de quilómetros de distância. 

   O menino de Cabul é um Bildungsroman que nos leva a sonhar com um sítio que já não existe, que não passa de memórias de personagens que provavelmente existiram. Esta história é sobre três meninos, onde cada um sofreu a ira da mudança, do racismo e do abandono. Tal como Hosseini, também nós sonhamos com um Afeganistão pacífico, onde não há violência nas ruas e onde as pessoas não são perseguidas. A reposta para esta esperança de futuro só virá com as gerações seguintes que conseguirem regressar do seu longo exílio para recuperar o lugar descrito ao longo das primeiras páginas.




terça-feira, 12 de novembro de 2013

[Caso Real] " Um Pouco Mais de Fé", de Patrícia Costa Dias [Oficina do Livro]


Título:  Um Pouco Mais de Fé

Autor: Patrícia Costa Dias

Páginas: 368

Editora: Oficina do Livro

PVP: 14,90€

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

Crítica por Cláudia Lé para o Blog Os Livros Nossos

Este é um daqueles livros que nos acompanha muito para além da sua leitura, que deixa cicatrizes e que surge no nosso pensamento quando menos esperamos. Esta é uma estória que poderia ser a minha ou de muitas mulheres ou homens de nossos dias, que um dia poderá ser a estória de um de nossos filhos...

Viver com uma dependência, seja ela qual for, é vivermos prisioneiros de, e em nós próprios, e Patrícia Costa Dias consegue transmitir isso de forma magistral. Consegue criar a empatia certa e adequada com o leitor de forma a que este consiga conhecer o outro lado de sua vida. O que à primeira vista, numa pessoa saudável, possa parecer relativamente fácil controlar, numa pessoa que sofra de bulimia é uma luta constante que nos deixa diariamente de rastos, sem forças para resistir por mais que o tentemos. Torna-se inicialmente numa entidade que nos controla de tal ordem, que deixamos de conseguir manter uma resolução, toma conta de nosso corpo, assassina nossa alma, afasta nossa família por mais que esta tente compreender, combater e apoiar a pessoa em questão. Não é uma luta justa e muitas vezes somos obrigados a ir mais além do que o fundo do poço, para percebermos que afinal, chegou a hora de combater esse mal e que somos muito mais fortes que pensávamos e acreditávamos.

Claro está, adorei este livro, este tipo de livro devia sim ser obrigatório na escola, lá pelos 7º ou 8º anos, para alertar tanto os adolescentes como as suas famílias, porque distúrbios como este tornaram-se uma constante e não, não acontecem apenas aos filhos dos outros, por vezes estão tão bem adaptados à rotina de nossa família que somos incapazes de dar pela sua perigosa existência, a não ser,quando se torna tarde demais!

Um grande agradecimento à autora, por ter tido a força, coragem e o à vontade em falar deste percurso de vida tão intenso e de uma forma tão acessível ao leitor.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

[Fantástico] "Finale", de Becca Fitzpatrick [Porto Editora]


Título: Finale

Autora: Becca Fitzpatrick

Tradução: Irene Ramalho

Páginas: 384

Editora: Porto Editora

Preço: 16,60€

Saiba mais detalhes sobre a obra Aqui

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

    Finale corresponde ao capítulo final da tetralogia Hush Hush, de Becca Fitzpatrick, que tem emocionado leitores de todas as idades um pouco por todo o mundo.
   Neste que é o volume que encerra a tetralogia voltamos a encontrar os protagonistas - Nora  e Patch, desta feita,  em lados aparentemente opostos, numa luta do mundo sobrenatural onde integram, respectivamente os Nefilim [Anjos com sangue humano] e Anjos Caídos [outrora caídos em desgraça e que são alvos abater por  poderem ser perigosos em dadas circunstâncias].
   Mais uma vez a autora conseguiu manter o interesse dos leitores, que necessariamente empatizam com os jovens e belos protagonistas, de personalidade bem vincada. Também marcantes são personagens sempre presentes,como Vee, a melhor amiga de Nora, que irá surpreender!
  Nora terá de demonstrar estar à altura de conduzir o conflito, mas será ela capaz de sobreviver, juntamente com o seu amado Patch? E o amor de ambos,à partida, impossível, será bem sucedido?
  Novos riscos, mistério constante ao virar de cada página, traições de amigos, e também o aparecimento de aliados onde não seria de esperar, numa narrativa emocionante,de cortar o fôlego aos leitores, no ritmo acelerado, envolvente e próximo a que a autora já nos vem habituando.
  A linguagem é acessível e correcta, e os diversos apontamentos em diálogo directo entre as personagens contribuem para que o leitor se sinta directamente transportado para dentro da história, como se fosse mais uma das personagens ali presentes.

   Quem sobreviverá  à luta final? Quantos mais mistérios podem ser desvendados? 
  Uma excelente obra do género fantástico, cuja leitura recomendamos a várias gerações adeptas deste género literário, e que pode ser uma mais valia para criar hábitos de leitura nos mais jovens!

   São livros a merecer lugar de destaque na biblioteca!


terça-feira, 1 de outubro de 2013

[Opinião] " A travessia", de Wm. Paul Young [Porto Editora]


Título:  A Travessia

Autor: WM. Paul Young

Tradução:  Luís Miguel Coutinho

Páginas: 304

Editora: Porto Editora

PVP: 15,50€

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

A Travessia corresponde a um romance de Wm. Paul Young que se destaca por revestir a natureza de narrativa reflexiva com alguns laivos de espiritualidade, mas onde se abordam temas bastante pertinentes acerca do sentido da existência humana e das opções que nos vão surgindo ao longo da vida.

  A narrativa gira em torno do protagonista - Anthony Spencer - um empresário de sucesso, frio e implacável, vive para o seu trabalho nas áreas empresarial e financeira à mais larga escala, tendo deixado para trás, no seu percurso de vida, todos os que que lhe eram mais próximos, como a mulher [de quem se divorciou e que foi vítima do seu carácter manipulador] e os filhos.

   Anthony é alguém a quem nada falta em termos materiais, mas leva uma existência desprovida de afectos, sendo equiparado a um Scrooge dos tempos modernos, numa clara alusão à célebre personagem de Charles Dickens.

   Após sofrer um AVC tudo vai mudar para Tony, este entra em estado de coma e, sem perceber como tal lhe acontece, acaba por entrar num plano intermédio ao nível espacio-temporal, em termos espirituais, enquanto que o seu corpo permanece na Unidade Hospitalar onde é tratado.

   Neste misterioso plano intermédio a personagem vai ter a oportunidade de revisitar o seu passado, as suas perdas cujo luto não havia feito, e concluírá que nem sempre tomou as decisões mais correctas na vida.

  Estamos perante uma obra de pendor fortemente espiritual, mas que suscita no leitor reflexões profundas sobre as opções que este decide tomar na vida.

 É inevitável que a obra leve os leitores a uma verdadeira viagem introspectiva, alertando para o facto de os afectos merecerem da nossa parte uma maior atenção, numa sociedade global e competitiva, onde a ausência de valores tradicionais pode criar seres humanos mais ricos, mais bem sucedidos, mas completamente vazios e insensíveis ao nível emocional.

   No fundo, a mensagem essencial que se retira desta obra plena de sensibilidade é que devemos olhar para o nosso interior, e viver a vida na verdadeira acepção da palavra e retirar gratificações diversas desse processo.

   Uma obra especial, e que merece ser lida e relida! Recomendo sem hesitar!



   


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

[Opinião] "O Barão", de Sveva Casati Modignani [Porto Editora]


Título: O Barão

Autora: Sveva Casati Modignani

Edição: Agosto de 2013

Editora: Porto Editora

Páginas: 504

Género: Romance

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:

     O Barão é o romance mais recentemente publicado em Portugal da autora Italiana Sveva Casati Modignani, sob a chancela da Porto Editora, que traz ao mercado editorial Português uma obra publicada inicialmente em 1982.

   Ler novamente esta autora fez-me redescobrir a sua precisão certeira na construção de personagens fortes, vibrantes e que transportam consigo fortes influências dos meios onde foram educadas, dos obstáculos que enfrentaram, mas também surgem aos nossos olhos como ambiciosas, no bem sentido da palavra, procurando sempre a respectiva afirmação em sociedade, pese embora algo possa nem sempre ter corrido da melhor forma nos respectivos percursos de vida.

   Antes deste romance, havia lido, há já muitos anos, da mesma autora, A Siciliana, tendo por protagonista uma mulher forte da Máfia, numa história verdadeiramente arrebatadora, sobre o peso de meios culturais que podem moldar e interferir largamente nas vidas de personagens bastante complexas.

   Nesta obra, encontramos como protagonista Bruno Monreale, um executivo milionário, cujas origens familiares remontam à Sicília [Itália]. Bruno é um verdadeiro tubarão no mundo da alta finança Internacional, bastante atento e perspicaz, deve também o seu sucesso nos negócios à preciosa ajuda de colaboradores e empregados competentes e fieis, bem como à vasta rede de contactos que lhe permite obter e cruzar informações completas sobre as pessoas ou instituições com que tenha de lidar.

    Bruno é uma combinação de razão e emoção, apenas nunca se havia sentido predisposto a apostar numa relação afectiva duradoura [até porque é assumidamente viciado nos negócios], até que o seu caminho se cruza com a bela e sofredora Karin - a competente secretária do seu Advogado, uma mulher que transporta consigo um passado doloroso que bastante a marcou, e que embora apaixonada por Bruno, receia ser apenas mais um troféu na longa colecção de mulheres descartáveis que este vem acumulando sem ousar comprometer-se, com uma excepção não muito pública que envolve um casamento ritual com uma princesa Zulu - a bela Mahary

    Figura sempre presente no círculo mais restrito do protagonista é o seu padrinho Caló Costa - um homem duro, oriundo da Sicília, mas também ele capaz de sentir emoções fortes e de revelar-se cruel ou bondoso consoante o contexto em que seja necessário a intervir. Assume o papel de permanente e próximo protector de Bruno, foi acolhido por caridade e criado pelo avô de Bruno, o Barão Giuseppe  Sajeva di Monreale - um nobre Siciliano fiel a princípios praticamente de natureza feudal, que assiste ao confronto entre dois mundos - o dos velhos princípios e valores da nobreza local Siciliana que se vêem suplantados, a pouco e pouco, pelos interesses políticos, sustentados pelo Crime Organizado.

   O avô de Bruno é uma personagem forte, que surpreende pela coragem e ousadia de defender os valores do velho mundo, não temendo mesmo desafiar a Máfia que lhe toma conta da Ilha.

   Numa narrativa complexa, Sveva  Casati Modignani transporta-nos entre planos alternados de presente e passado, dando a conhecer as origens familiares do protagonista e de personagens secundárias.

   Com bastante detalhe, ficamos a conhecer a história de Annalisa - mãe de Bruno e única filha do velho Barão, uma jovem algo ingénua, mas também manipuladora, que por capricho e alguma imaturidade, se deixou arrastar para um casamento com um militar Norte Americano - Philip Brian, acabando por descobrir que o seu coração pertence a alguém que conhece desde os seus tempos de menina, mas em quem não havia reparado até já estar comprometida. De permeio com a acção principal, vamos desvendando os segredos e o fim trágico de Annalisa.

   Bruno acaba por resultar da conjugação entre duas culturas - a norte Americana [com origem no pai] e a Siciliana [com origens que remontam à nobreza Normanda], e resulta interessante assistir às atitudes deste nosso protagonista que são o espelho das suas origens tão diversas.

    A par de toda a trama familiar, vai-se também desenrolando, perante os nossos olhos, uma intriga de cariz político e financeiro, onde Bruno [o jovem Barão di Monreale] corre mesmo perigo de vida, e onde a ganância  humana quase sai vencedora, numa jogada arriscada do Vilão Omar Achmad que pretende controlar um pequeno pais na África Austral - Burhwana - rico em recursos naturais, mas ao qual Bruno di Monreale se sente ligado por especiais laços afectivos.

   Num ritmo narrativo sempre bastante rápido, mas requerendo uma leitura atenta, por forma a conseguirmos captar todos os artifícios e subtilezas da cuidada prosa de Sveva Casati Modignani, vamos sendo envolvidos entre passado e presente, entre tradição e perigo, entre desejo e amor em forma pura. Tudo em direcção ao desenlace final.

 Um romance sólido, bem construído, e de irrepreensível qualidade, cuja leitura recomendamos sem hesitação. 




    

   

   

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

[Opinião] "Um Refúgio Para Toda a Vida", de Nicholas Sparks, [Presença]


Para mais informações acerca do livro Um Refúgio Para Toda a Vida clique aqui

Título: Um Refúgio Para Toda a Vida

Autor: Nicholas Spark

Edição Novembor de 2010

Editora: Presença

Páginas: 356

Género: Romance

Crítica por Claudia Lé para o Blog Os Livros Nossos


   Já há uns bons anos que não lia nada de Nicholas Spark. Embora há uns anos atrás tenha sido um daqueles autores que mal saía um livro comprava automaticamente, após as minhas lides nos vários fóruns de leitura bem como blogs e facebook, acabei por ser «apresentada» a uma panóplia tão grande de autores que acabei por deixar alguns para trás e este, foi um deles. Há um mês a minha mana mais nova passou-me o filme baseado nesta obra e fiz o que habitualmente não faço, vi primeiro o filme e li de seguida o livro.

   Claro está que as comparações entre ambos são uma constante, o livro continua a ser melhor embora tenha associado os atores às personagens por altura do livro (e as descrições em nada coincidem), mas sinto que acabei por fazer«as pazes» com o autor pois este livro é decididamente um daqueles que o difícil é largar, fechar, marcar para ler mais tarde!

   Na presente obra somos confrontadas por uma personagem feminina Katie, vítima de violência doméstica por parte do marido, um agente das forças policias e do qual conseguiu finalmente fugir, no entanto vive a sua vida a olhar constantemente por cima do ombro com receio que este a encontre. Os capítulos de flashback que relatam a vida anterior de Katie são chocantes, ainda para mais por sabermos que infelizmente são o dia a dia de muitas vidas femininas. São constantemente confrontadas com a violência no local onde menos a esperavam/deveriam encontrar!

   A personagem de Alex tem também um passado bastante angustiante, uma vez que a esposa faleceu deixando-lhe sob os ombros a tarefa de ser pai e mãe de dois filhos ainda pequenos. Por mais que Alex faça, acaba por achar que nunca é o suficiente nem saber como o deverá fazer mais até ao dia que conhece Katie e o seu olhar e coração começa a desviar-se para aquela jovem visivelmente tão magoada.

   Outra personagem que gostei bastante foi Jo, a amiga de Katie que de uma forma bastante empática consegue fazer com que a amiga acredite ter o direito a ser novamente feliz.

Ambos os protagonistas encontram-se em fases diferentes de lutos diferentes e a aproximação dos dois transforma o livro numa bonita estória de amor aconselhada a todas as românticas!!!







sexta-feira, 9 de agosto de 2013

[Fantástico] "Êxtase", de J. R. Ward [Quinta Essência]


Título: Êxtase [Anjos Caídos #4]

Autora: J. R. Ward

Edição: Agosto de 2013

Editora: Quinta Essência

Páginas: 468

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:

   Admiradora confessa da obra de J.R. Ward, e seguidora desta série em especial, devo confessar que as minhas expectativas quanto a este romance era bastante elevadas, e a verdade é que She did it again!

   Neste quarto romance da série Anjos Caídos, sob o título Êxtase, com a chancela editorial da Quinta Essência voltamos a encontrar o leque de personagens do mundo sobrenatural já nosso conhecido: os Anjos Jim Heron e Adrian, sempre acompanhados do fiel "Cão", e o sedutor demónio Devina.

   Jim Heron é , tal como o seu amigo Adrian, um anjo bastante sui generis, capaz de voar, materializar-se e desmaterializar-se, tornar-se invisível, usar uma força sobre humana, mas também cair em atitudes bem terrenas e humanas como deixar-se levar pelos instintos mais básicos, como a cólera, a tensão sexual, e a hesitação perante decisões importantes a tomar no decurso da missão que ditará quem será o vencedor de mais uma etapa na luta do bem contra o mal.

   Devina é, também ela, um demónio sui generis, já que está apaixonada pelo inimigo e adversário Jim Heron, e pasme-se, encontra-se a frequentar sessões de terapia cognitivo-comportamental com uma psicóloga, procurando controlar um transtorno obsessivo-compulsivo, e talvez aqui encontremos uma irónica metáfora da autora à velocidade vertiginosa e à ambição desmedida e materialismo da vida moderna.

   Algo está terrivelmente errado quando até as forças do mal têm de recorrer a terapia. Um toque de humor verdadeiramente brilhante da parte da autora, em relação à sempre surpreendente Devina.

   Sem saber ainda qual a sua missão, Jim reencontra alguém que teve um papel deveras preponderante no seu passado, e assistir-se-á à formação de um novo par romântico totalmente inusitado, com um misterioso homem que foge de um cemitério, a ser atropelado por Mels Carmichael, a bela e intrépida jornalista do jornal local, filha de um agente da polícia entretanto falecido, e que ainda não conseguiu completar o processo de luto pela perda do progenitor, e que irá ajudar o misterioso homem a desvendar o seu obscuro passado.

   Num ritmo narrativo bastante acelerado, com  a aventura a espreitar a cada esquina, com descrições de combates terrenos e com criaturas do mundo sobrenatural dignos de figurar num bom filme de acção, somos compelidos a devorar página a página mais este episódio desta fantástica série.

   Vibrante, pleno de emoções fortes, acção,  aventura, perigo, vingança, amor, ódio e as cenas sensuais verdadeiramente escaldantes, Êxtase vai continuar a deixar os leitores presos a esta série, e expectantes por mais páginas desta original e viciante saga do género fantástico.

   Vertiginoso! Um page turner ideal para o seu verão!



Leia as nossas críticas aos anteriores livros da série:

-  Cobiça

-  Desejo

Inveja


sexta-feira, 21 de junho de 2013

[Opinião] "Sozinhos na Ilha", de Tracey Garvis Graves [Asa]


Título: Sozinhos na Ilha

Autora: Tracey Garvis Graves

Edição: Junho de 2013

Editora: Asa [Grupo LeYa]

Páginas: 352

Género: Romance

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

Crítica para o Blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:

   Sozinhos na Ilha, de Tracey Garvis Graves, autora Norte Americana, é o romance ideal para evocar o Verão que teima em não chegar a terras Lusas.

    Com uma capa bastante apelativa e refrescante, esta obra que assinala a estreia da autora na escrita é bastante surpreendente pelo tema abordado e pela mestria com que a autora soube construir a trama, entrelaçando na perfeição ficção com acontecimentos da histórica contemporânea.

   As duas personagens centrais são bastante densas e bem construídas. Anna Emmerson, Professora de Inglês, decide aceitar um trabalho de verão, dispondo-se a viajar até às Maldivas, com o jovem aluno de 16 anos T.J. Callahan, onde se irão reunir com os pais do rapaz, e tentar recuperar a matéria em atraso no percurso escolar interrompido devido a um cancro linfático que entrou em remissão.

   Por sua vez, Anna aproveita a viagem para fugir a um relacionamento amoroso insatisfatório com John, e decidir com calma se irá ou não manter tal relação.

    Mas o imprevisto acontece, e Anna e T.J. acabam por sofrer um acidente aéreo, quando o avião que os levaria ao destino cai algures nas Maldivas, e ambos vão sobreviver, encontrando refúgio numa das muitas Ilhas desertas daquela zona tropical.

   É bastante interessante acompanhar a rotina do casal na Ilha, e faz-nos pensar na indiscutível capacidade de adaptação dos seres humanos a situações limite, numa instintiva luta permanente pela sobrevivência. Aproveitando os parcos haveres que vão dando à costa, após o acidente, racionando medicação, detergentes e produtos de higiene, usando brincos como anzóis, depressa descobrem como obter alimento e abrigo, passando por fases depressivas, e perdendo a esperança de virem a ser salvos um dia.

   Enquanto permanecem na Ilha, Anna e T.J. acabam por ver nascer entre ambos uma forte cumplicidade, acreditando que nenhum poderia sobreviver ali sem a presença do outro. Surgem, gradualmente, confidências trocadas, ternura, e a relação poderá mesmo avançar para um plano mais profundo aos níveis emocional e físico, já que entretanto passam-se três anos sem que sejam socorridos, e todos os julgam mortos.

   De forma inesperada, o socorro acaba por chegar, e ao serem resgatados da Ilha, Anna e T.J. a enfrentar outras dificuldades, ao ponto de desejarem e recearem em simultâneo o reencontro com as famílias.

   Brilhante também a abordagem que a autora faz da cobertura mediática do salvamento, e da forma abusiva como, por vezes, membros menos escrupulosos da Imprensa criam factos falsos ou deturpados em nome do sensacionalismo, esquecendo as vidas humanas que se escondem por detrás das histórias e que lhes dão protagonismo.

   Anna e T.J. dão por si a reaprender a viver em sociedade, dita civilizada, depois de anos de adaptação à sobrevivência numa Ilha deserta e inóspita. 

   Trata-se, pois de um romance que apela à reflexão sobre a luta pela sobrevivência, os perigos do sensacionalismo mediático, os julgamentos sociais, as opções de vida a tomar.

   E o leitor? sobreviveria numa Ilha deserta? E como seria o regresso à "civilização"?  

   Perigo, aventura, coragem, determinação, amor, drama, humor. É um livro que proporciona uma imensa panóplia de sentimentos ao leitor. Sorrisos, lágrimas, e uma enorme curiosidade para saber o final da história.

  Original, sensível, e imperdível!  Recomendo esta leitura !