terça-feira, 14 de março de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Submissão de Lily ", de Monica Murphy | Topseller


Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger


A Submissão de Lily, de Monica Murphy, corresponde ao terceiro volume da trilogia erótica cujas protagonistas são as três irmãs Fowler: Violet, Rose e Lily, sendo a irmã mais velha - Lily, a protagonista deste  romance erótico contemporâneo com cenário entre Maui no Havai, e Nova Iorque.

Lily Fowler é a rainha do Jet Set, jovem, rica, irreverente, presença assídua nas colunas sociais e nos sites de mexericos pelas piores razões, ou seja, por constantemente desafiar as regras da sociedade e desafiar a própria família, chegando mesmo a prejudicar a respectiva imagem pública, sendo os Fowler proprietários de uma empresa familiar de renome na área da cosmética - Fleur.

Numa estratégia psicológica de evitamento, Lily decide partir incógnita numas férias no Havai, escolhendo para tal estadia um luxuoso resort em Maui, e anseia fugir a uma grave ameaça que paira sobre si mesma e sobre a sua família em termos profissionais e mesmo pessoais.

Max Coleman é um investigador privado que tem por missão aproximar-se de Lily com o intuito pouco honesto de lhe subtrair dados em benefício de uma pessoa que é forte oponente da família Fowler, mas vai ficando no ar a tensão do perigo que a jovem milionária poderá correr devido a ser o alvo principal de pessoas sem escrúpulos.

Porém, Max acaba por desenvolver uma forte atracção e química física e sexual com Lily, acabando ambos por travar conhecimento e descobrir a verdadeira essência de si mesmos, mesmo em aspectos que eles próprios desconheciam. Lily é, afinal, alguém bem mais profundo e diferente da imagem pública de menina mal comportada do Jet Set de Nova Iorque.

É bastante interessante a forma como a autora consegue conferir às personagens uma forte densidade psicológica, articulando esta caracterização com escaldantes cenas de cariz sexual numa tensão erótica bem patente entre Lily e Max que chega a ser descrita no livro como uma verdadeira electricidade.

O ambiente do resort tropical também confere um colorido agradável à história, e a autora, com as suas descrições assertivas mas de modo nada cansativo, consegue levar os leitores até ao cenário onde a acção decorre, mais um ponto positivo a acrescentar na análise crítica desta obra.

Lily, afinal, vem sempre lutando em busca de aprovação paterna e familiar, sempre desejou sentir-se amada, acolhida e valorizada familiarmente, mas embora conte com o apoio das irmãs Violet e Rose, o sentimento de culpa perante a perda da mãe conseguiu ser mais forte e sobrepor-se a um percurso de vida mais calmo e consensual, antes levando a jovem a assumir um caminho de "fuga para a frente" de "acting out" ( quebrar as regras, envolver-se com vários homens apenas fisicamente, abusar de substâncias, chamar a atenção por condutas negativas) sem saber depois como gerir a culpa perante as suas falhas, e sentindo-se em rivalidade com as irmãs (em termos psicológicos e de forma inconsciente, note-se).

A trama é também enriquecida com uma intriga e um perigo reais que ameaçam Lily e a família Fowler, e até mesmo a empresa de cosmética.

Perigo, erotismo, intensidade psicológica e cenários tropicais de permeio com o desvendar de um drama familiar são uma fórmula de sucesso bem conseguida pela autora, que opta por manter a estrutura narrativa de narradores participantes em capítulos alternados ( Lily e Max), o que confere à história um excelente ritmo fácil de acompanhar. A ler pelas adeptas dos romance erótico contemporâneo.

Ficha Técnica:


Autora: Monica Murphy

Série/Colecção: Irmãs Fowlet  #livro 3

Editora: Topseller |  Grupo 20|20

Edição: Fevereiro de  2017

Nº de Páginas: 320

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Erótico






domingo, 5 de março de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Guerra da Duquesa", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger

A Guerra da Duquesa, de Courtney Milan, corresponde à estreia em Portugal de uma autora bastante aclamada nos Estados Unidos, finalista do prémio RITA atribuído anualmente pela RWA (Romance Writers of America), e que que ingressou nas listas de autores do New York Times.

Trata-se do primeiro título de uma série de ficção romântica de época - Série Entre Irmãos - cuja acção decorre inicialmente em 1863, em pleno Reinado da Rainha Victória, com cenário na cidade Industrial de Leicester.

Os protagonistas são Minnie [ Minerva Lane] uma jovem da classe média menos abastada que vive com duas tias, escondendo a sua personalidade marcada atrás de uma persona tímida, low profile e que pretende passar despercebida socialmente, embora ainda acalente a esperança de contrair um casamento compensador que lhe garanta um futuro mais sólido após a morte das tias, momento em que perderá a propriedade onde todas vivem para o herdeiro masculino deste ramo familiar.

Minnie esconde segredos complicados do seu passado que facilmente levariam ao seu ostracismo em termos sociais, num contexto de moralismo e extrema rigidez social onde a mulher tinha como missão social ser submissa ao homem (primeiro ao pai e , mais tarde, ao marido), cabendo-lhe educar os filhos e gerir a vida doméstica, sendo uma extrema ousadia manifestar espírito crítico, inteligência e expressar opinião sobre política, filosofia ou qualquer outro tema considerado essencialmente da esfera masculina.

Inteligente, com opinião e vontade próprias, Minnie tem de esconder a sua verdadeira identidade, mas irá travar conhecimento casual com um aristocrata muito peculiar, Robert Blaisdell, o actual Duque de Clermont, um jovem que, apesar de privilegiado, de ter voz política activa com assento na Câmara dos Lordes, não convive bem com a pesada herança de abusos e crueldade legada pelo falecido Duque seu pai, discordando de um sistema político e social pleno de desigualdades que não aceita de ânimo leve, acalentando algum idealismo e desejo de mudar algumas normas vigentes à época.

Para repor a justiça nem sempre respeitada pelo pai, Robert irá defrontar diversos obstáculos e opositores, e vendo-se enleado com Minnie numa intrincada teia de enganos. Também interessante é a história familiar e pessoal de Robert, filho de uma mãe abandónica (por contexto familiar) revela alguma dificuldade em expressar sentimentos e, internamente, continua a lutar para ser aceite, acarinhado e amado pela sua verdadeira essência, e não pelo estatuto social elevado que possui. Encontrou apoio no irmão bastardo Sebastian (um empenhado cientista que segue atentamente a teoria de Charles Darwin quanto à evolução das espécies).

Uma história romântica, com protagonistas fortes e interessantes dotados de uma forte química sexual e de um desejo que ambos irão aprender a controlar ou expressar, mas que não deixa de manifestar um interessante contexto histórico onde se exaltam as difíceis condições de vida da Inglaterra da Segunda Revolução Industrial, as injustiças motivadas pela Lei do Pariato e uma sociedade excessivamente moralista com alguma hipocrisia. Uma nova autora que certamente será do agrado das leitoras Portuguesas adeptas da ficção romântica de época.


Ficha Técnica:


Autora: Courtney Milan

Série/Colecção: Entre Irmãos #livro 1

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Fevereiro de  2017

Nº de Páginas: 336

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance de Época | Período Victoriano



sábado, 25 de fevereiro de 2017

Crítica Contemporânea | "Cartas por um Sonho", de Angeles Doñate | Suma de Letras


Crítica por Liliana Marques | Guest Blogger Os Livros Nossos


Cartas por Um Sonho, é dos livros mais simples, e ao mesmo tempo mais encantadores que já li até hoje!

A primeira coisa que me chamou a atenção foi a magnifica capa. E, no final, tive a certeza que a beleza da capa reflecte a magia do interior. Uma história cativante e ternurenta!!! 

Sara, a única carteira da pequena aldeia de Prevenir, em Espanha, está na iminência de perder o seu emprego, devido ao reduzido n.º de cartas recebidas e enviadas na aldeia. Desta forma, Rosa, a sua melhor amiga e vizinha, inicia uma corrente de cartas anónimas, cujo principal objectivo é aumentar o volume de correspondência na aldeia e ajudar Sara a não perder o seu emprego, e este é o mote para o desenrolar de toda a história. 

É através desta corrente solidária que nos são apresentadas todas as personagens do livro. Pessoas comuns, com histórias de vida muito distintas, que de algum forma têm algo para contar. Muitas delas só continuam esta corrente, porque sentem que a Sara o merece, mas ainda assim, todas elas acabam por perceber que escrever é terapêutico e que se sentiram muito melhor depois de transpor para o papel as suas vivências, angustias, medos, segredos, sonhos e desejos. 

Este é um livro que nos faz sonhar, que nos faz ter vontade de, também nós, iniciarmos uma corrente de escrita, tão forte, que nos leve para um lugar melhor, com Prevenir. 

Quando terminei esta leitura dei por mim a pensar há quanto tempo não enviaria eu uma carta? Há meses? Diria mesmo que há anos... Vivemos na era dos e-mails, das sms, dos chats, do emojis, mas, como Saramago disse um dia "Jamais uma lágrima manchará um email"!! Pensemos nisto, sim?

Ficha Técnica:


Autora: Angeles Doñate

Editora: Suma de Letras | Grupo Penguin Random House

Edição: 2016

Nº de Páginas: 372

Género: Romance Contemporâneo



Guest Blogger Residente | Liliana Marques - Breve apresentação


[Liliana Marques - Guest Blogger Residente]:

No ano em que comemora o seu 5º aniversário [2017] o blogue Os Livros Nossos reforça a equipa de colaboradores, e pretende também apostar num maior ecletismo literário, alargando a crítica literária a novos géneros, no sentido de aumentar o seu público-alvo em termos de leitor.
Fique a conhecer a nossa mais recente colaboradora e blogger convidada residente, Liliana Marques. 

[Liliana Marques - Breve Apresentação]:

Liliana Marques nasceu em Mação, em 1989. Licenciou-se em Marketing pela Universidade da Beira Interior, e, desde então, a sua vida já deu tantas voltas, que passou a acreditar que o destino sabe sempre onde é o nosso lugar! 

Em 2014, numa dessas voltas, a vida trouxe-lhe os livros, e a paixão pela leitura. Durante cerca de três anos teve o privilégio de fazer parte do departamento de Comunicação e Marketing da Marcador Editora, colaborando, directamente, na promoção de alguns dos grandes bestsellers nacionais e internacionais. Em 2017, aceita o grande desafio de integrar a equipa de bloggers convidados do «Os Livros Nossos».  







terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Crítica Contemporânea | " O Carrinho de linha azul", de Anne Tyler | Editorial Presença


Crítica por Isabel de Almeida publicada originalmente em  Jornal Nova Gazeta:


O Carrinho de Linha Azul, de Anne Tyler, é um romance contemporâneo de cariz assumidamente literário, com uma prosa rica em detalhes descritivos em estilo intimista e levando os leitores a espreitar a narrativa familiar de uma família Norte Americana da Classe Média - os Whitshank.

Abby e Red Whitshank assumem o protagonismo da trama, enquanto Patriarcas do núcleo familiar composto por quatro filhos: Denny, Amanda, Jeannie e Stem, iniciando-se a narração nos anos 90.

Assumindo as rédeas da gestão das dinâmicas familiares e desejando ter uma família perfeita, Abby cria uma imagem mental idealizada da sua prole, tentando, por exemplo, desculpabilizar a ligação distante e ocasional do filho Denny à família. 

Denny  é, sem dúvida, a personagem mais marcante da história já que mantém com os pais e irmãos uma relação ostensivamente disfuncional, revelando-nos falhas na construção da sua identidade em termos psicológicos (nomeadamente, assumindo perante os pais a sua homossexualidade, mas tentando depois ignorar este aspecto, empenhando-se em relações afectivas de curta duração com diversas mulheres) e também deixando aos leitores pistas importantes quanto aos frágeis vínculos afectivos perante os familiares, com os quais nunca chega a identificar-se.

Vamos também acedendo a diversos episódios de anteriores gerações familiares, com recurso a analepses narrativas, técnica  esta que nos demonstra a enorme capacidade criativa de Anne Tyler e a sua mestria. Achámos bastante interessante a perspectiva do narrador não participante que, por vezes, se dirige directamente ao leitor, peculiaridade que mais prende e envolve o leitor no fio que vai sendo desenrolado deste "Carrinho de linha azul" [O título permitiu uma deliciosa tradução literal, nem sempre possível em Português].

O Carrinho de linha azul revela ser uma metáfora perfeita do curso de vida de toda uma família, ou de cada um dos seus membros individualmente considerados, sendo que o fio poderá apresentar mais ou menos nós, consoante os desafios e problemas que possam aparecer na vivência do dia a dia.

Emotivo, engenhoso, envolvente e muitíssimo bem escrito. Uma lufada de ar fresco neste início de ano.

Ficha Técnica:

Título: O Carrinho de linha azul


Autor: Anne Tyler


Edição: Janeiro de 2017


Editora: Editorial Presença


Páginas: 376

Classificação atribuída no GoodReads/Blogue Os Livros Nossos: 4/5


Género: Romance Contemporâneo




domingo, 13 de novembro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Viciado no Pecado", de Monica James [Planeta]

Ficha Técnica:

Título: Viciado no Pecado


Autora: Monica James


Editora: Planeta


1ª Edição: Novembro de 2016


Nº de Páginas: 344


Género: Romance contemporâneo/erótico


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 Estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Viciado no Pecado, corresponde ao primeiro volume de uma duologia erótica da autora Monica James que promete agitar os fãs deste género literário bastante bem sucedido em Portugal.

O [anti] herói desta trama é o Psiquiatra Dixon Mathews, um self made man, filho de emigrantes Italianos, afirmou-se por mérito próprio ao nível profissional no competitivo mundo Nova Iorquino, mas por trás da figura de profissional bem sucedido escondem-se muitos segredos, alguns deles perigosos e um homem que precisa de se reconstruir em termos emocionais, dando azo a uma líbido excessiva como forma de exorcizar traumas emocionais e perdas que marcam o seu percurso de vida.

Dixon, que facilmente nos seduz, pese embora o seu dark side, irá ver-se envolvido num curioso triângulo amoroso, Juliet representa o pecado, a perversão elevada ao expoente máximo, o poder concedido pelo sexo, a ausência total de tabus ou limites, algo que tanto assusta quanto atrai Dixon.

Madison é o reverso da medalha, uma jovem doce, inocente, em busca de protecção tanto de perigos actuais quanto passados que vestem a pele de demónios que ainda deixam marcas psicológicas bastante pesadas.

Verdadeiramente deliciosos são os encontros semanais entre Dixon e os amigos de longa data, o certinho Finch (casado, feliz e papá) e o sarcástico, desbocado e libertino Hunter.

Também Madison conta com o apoio da sua melhor amiga, a determinada Mary, sempre com língua afiada e mordaz, mas pronta a ajudar sempre que necessário.

Por quebrar estereótipos tão habituais neste género de romance contemporâneo, e por apresentar personagens com elevada densidade, este é já, um dos nossos preferidos deste ano, nesta categoria literária.

Imbuído da dosagem certa de erotismo, humor, tensão dramática e com reviravoltas que prometem causar sensação, é uma obra que tendo também um toque de romantismo, não deixa de nos brindar com acertadas reflexões sobre o mundo das relações amorosas e, até familiares. Fascinante também é a análise psicológica sobre o tema do vício, nas suas possíveis modalidades, que a autora conseguiu inserir na narrativa com algum humor e ironia, mas também de forma realista e espontânea.

Muitíssimo expectantes relativamente à continuação da história,  só podemos terminar esta crítica com um conselho: deixe-se viciar neste pecado, e não se irá arrepender.




Foto do livro: Isabel Almeida/Blog Os Livros Nossos - Todos os Direitos reservados

Nota: O livro foi gentilmente cedido pela editora para recensão crítica

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

[Secção Criminal] "Morre, Alex Cross", de James Patterson [Topseller]

Ficha Técnica:

Título: Morre, Alex Cross


Autor: James Patterson


Edição: Outubro de 2016


Editora: Topseller


Nº de Páginas: 352


Género: Policial


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas



Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Morre, Alex Cross, de James Patterson, traz-nos mais um ritmado romance policial do prestigiado autor Norte-Americano da série do já conhecido detective da Polícia Metropolitana de Washington, com todos os ingredientes que encontramos num bom filme de acção.

Alex Cross vê-se envolvido na investigação do desaparecimento dos filhos do Presidente dos Estados Unidos - Zoe e Ethan Coyle enquanto a capital se vê sob a ameaça de uma misteriosa organização terrorista do Médio Oriente, enquanto as diversas forças de investigação unem esforços e ultrapassam rivalidades para tentar vencer os fortes desafios que se lhes colocam.

O protagonista, Alex Cross, mostra-se envolvido na sua paixão pela investigação policial, enquanto acompanha a elevada tensão das agências de investigação, sendo comum a todos os agentes policiais o medo de chegar demasiado tarde perto dos filhos do Presidente dos Estados Unidos.

Simultaneamente, assistimos à entrada em solo Americano do Casal Saudita Al Dossari, operacionais de uma perigosa organização extremista do Médio Oriente cujo objetivo é tirar vidas e lançar sobre Washington um manto de terror e medo extensível a toda a população local, ainda que, para atingir tais metas, tenham de perder as próprias vidas.

Somos novamente transportados para os corredores do poder, ao mais alto nível político, confrontados com a ameaça terrorista que paira sobre os Estados Unidos e tudo o que este pais representa no panorama político e económico global.

Heróis e Vilões desfilam perante os olhos dos leitores com personalidades bem vincadas, revelando inteligência, determinação e empenho nas respectivas causas.

Depois, como que para atenuar a elevada tensão da trama narrativa, voltamos a encontrar o núcleo familiar de Alex Cross, sendo impossível evitar um sorriso carinhoso com as tiradas e ensinamentos sábios da avó Regina (Nana). É fácil empatizar com a união do clã Cross.

Acção, perigo, uma verdadeira corrida contra o tempo, a conciliação possível entre as exigências da vida profissional e pessoal, no ritmo rápido e envolvente a que o autor já, há muito, vem habituando os seus leitores. Entretenimento ao mais alto nível, ideal para quem já é fã, ou para leitores que queiram descobrir Patterson no seu registo muito pessoal e costumeiro, que não desaponta.





quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Puro Prazer", de Jess Michaels [Quinta Essência]


Ficha Técnica do Livro:

Título: Puro Prazer


Autora: Jess Michaels


Edição: Outubro de 2016


Editora: Quinta Essência


Nº de Páginas: 248


Género: Romance histórico sensual/erótico


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


Puro Prazer, de Jess Michaels, corresponde ao segundo título da série Mistress Matchmaker. A acção decorre em Londres no Século XIX, no período da regência. 

A protagonista é Mariah Desmond, uma jovem cortesã que, tendo dedicado três anos da sua vida ao seu protector, vê-se desamparada e na miséria, após a morte deste.

Surge novamente como adjuvante [como no primeiro título da série, já editado pela Quinta Essência] a Cortesã Vivien Manning, como mentora da sua melhor amiga, incentivando-a a encontrar rapidamente um novo protector que lhe permita garantir o seu sustento.

O herói começa por ser um anti-herói, é o libertino John Rycroft, neto de um duque, apesar de não possuir título nobiliárquico, é um homem rico que conseguiu ser bem sucedido enquanto empresário na área dos transportes. Conhecido por ser um verdadeiro coleccionador de mulheres, com as quais apenas mantém relacionamentos no campo puramente físico, assumindo um bloqueio emocional que o impede de amar e assumir o papel de protector de qualquer mulher.

Mariah irá fazer recair sobre si as atenções de John Rycroft, ironicamente, um velho conhecido seu, que havia sido o melhor amigo do seu falecido protector. Entre ambos começa a ser assumido um evidente e inegável desejo físico, que poderá comprometer seriamente o futuro de Mariah, a quem só resta a solução de encontrar um novo protector, papel este que John sente ser incapaz de assumir.

Pleno de intensas descrições de teor sexual no já bem conhecido estilo de Jess Michaels, mostrando uma excelente química entre os protagonistas e uma boa contextualização do desenvolvimento da relação entre Mariah e John, a autora consegue conferir às personagens profundidade psicológica e ainda condimentar a narrativa com segredos perigosos, levando-nos também a reflectir acerca da condição feminina na Inglaterra do Século XIX, onde as cortesãs (mulheres que viviam como amantes fixas de nobres ou burgueses, que eram designados por protectores) eram julgadas socialmente como seres inferiores, à margem da sociedade e verdadeiras mulheres-objecto, sendo sujeitas a duras humilhações quando caiam em desgraça.

Mariah, embora seja uma pessoa experiente ao nível amoroso e sexual, acaba por nos revelar uma ambiguidade interessante, é extremamente emotiva e até algo ingénua em termos afectivos. É impulsiva, apaixonada e determinada.

Por sua vez, no passado de John, o qual teremos oportunidade de desvendar, encontramos a resposta para a sua rigidez e bloqueio emocionais.

Intenso, ousado, com a dose certa de sensualidade, paixão, romance, intriga, análise social, perigo e acção, temos em mãos um romance que promete aquecer o início da época mais fria do ano. Instale-se no seu cantinho de leitura e prepare-se para vibrar.


Leia AQUI a crítica do blog Os Livros Nossos ao primeiro título desta série "Ensina-me a amar"