terça-feira, 17 de julho de 2012

[Opinião] "Percepção - Uma estranha realidade" de Sara Farinha


Percepção é um mundo novo, uma história que nos cativa.”

Blogue “O Nosso Mundo Sobrenatural”















Informações:

     Percepção – Uma Estranha Realidade é o primeiro romance de Sara Farinha. Foi editado em Novembro de 2011, pela Alfarroba, uma editora que se tem tornado numa verdadeira revelação.

Sinopse:
Joana cedo descobriu que os estados emocionais dos outros toldavam o seu raciocínio e moldavam o seu comportamento. Em busca duma vida anónima, Joana esconde-se em Londres, procurando ignorar a maldição que a impede de viver uma vida normal. É aí que a sua vida se cruza com a de Mark, um arqueólogo americano que viaja pelo mundo à procura de outros sensitivos como ele. Joana relutantemente aceita a amizade de Mark, acabando por encontrar nele o seu maior aliado na aprendizagem sobre a vivência dum sensitivo. As capacidades crescentes de Joana atraem as atenções não só de Mark como do Convénio, uma organização ilegal que pretende reunir sobre o seu domínio todos os Sensitivos. É apenas quando a sua melhor amiga é posta em perigo, que Joana descobre que a sua maldição pode ser um dom, e que a vida ultrapassa todos os seus receios e expectativas.

Opinião:
 
Vou confessar que a minha praia é a onda do Fantástico. Contudo, penso que não nos podemos limitar por um único género e gosto de variar introduzindo um livro diferente entre a leitura dos livros que tenho do Fantástico. A oportunidade surgiu quando a Isabel (administradora do blogue) me ofereceu esta obra. Escusado será dizer que saltou para o topo da minha lista. E ainda bem que assim foi. Assim e, não tendo muita experiência com este género de livros, deixo aqui a opinião. 

*
Numa escrita fluída, Sara Farinha estreia-se com um enredo absolutamente fantástico e personagens singulares. É de muito fácil leitura. Sei que parece cliché, mas lê-se mesmo de um sopro!
Criou uma personagem principal muito forte com uma grande inteligência emocional que tende a abafar essa particularidade com receio de se magoar a si e aos outros. Sendo eu uma aluna de Psicologia, ao ler o título, caí no erro de o julgar errada e precipitadamente. A autora desmistificou os preconceitos que rondam as sensações e as emoções. Não se deixou cair em clichés e aprofundou de uma forma brilhante o significado de empatia, levando-o além-fronteiras. Literalmente.
A única crítica que pode ser considerada menos positiva recai sobre o desenrolar da acção. No início, a acção está um pouco estagnada, focalizada num monólogo interior sobre a sua vida, o seu dom e a vida dos demais seres humanos. Especialmente a relação com Mark, em que a ausência de muitos diálogos se faz notar, assim como, o pouco desenvolvimento sobre o Convénio. Não irei revelar mais, porque estaria a dizer demasiado, mas são pontos que, na minha opinião, poderiam ter sido melhor explorados. Talvez, fosse essa a estratégia da escritora e a sua ideia não fosse desenvolver demasiado os pontos que referi.
Ou, talvez, a autora tivesse receio de que um maior desenvolvimento tornasse a história aborrecida. Só que não o é, de forma nenhuma no meu parecer e, talvez por isso, nunca o seria. Mas, mais uma vez, ressalvo a atenção para os julgamentos errados que fazemos, principalmente, sobre os escritores portugueses que têm tanto ou mais talento que os estrangeiros. Não se vê ainda é muita aposta neles. E a Alfarroba prima brilhantemente por isso.
Quanto ao enredo, posso dizer que é bastante interessante. Não há muitos livros assim e que sejam de autores portugueses. A obra ficcional de Sara Farinha é um romance que se caracteriza pelo mundo das emoções, pela busca do sentido da vida. Apesar de tudo, a estagnação inicial é largamente compensada com um final repleto pelas duas características já mencionadas (acção e suspense). Chegando a essa altura, não consegui desgrudar os olhos das letras enquanto não terminei.   
Gostei, voltaria a lê-lo e se tivesse uma continuação, lê-la-ia de bom grado, onde pudesse ver um maior desenvolvimento sobre o Convénio. Se não houver sequência, espero que a escritora não pare de escrever, pois tem tudo para se afirmar dentro do género (ficção). É esperar para ver.
Só me resta desejar à escritora um futuro brilhante na arte da Escrita e um Obrigada pela história com que nos presenteou. Venham mais!
Quanto à Alfarroba, uma excelente aposta e… de uma escritora portuguesa. Adoro especialmente esse pormenor: a aposta em escritores portugueses. Não me canso de o repetir!

Ivonne

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