terça-feira, 14 de junho de 2016

[Secção Criminal] "A Viúva", de Fiona Barton [Planeta]

Ficha Técnica:


Título: A Viúva


Autora: Fiona Barton


Editora: Planeta


Edição: Junho de 2016


Páginas: 360


Género: Thriller/Contemporâneo


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

A Viúva é o romance de estreia de Fiona Barton, uma experiente e conceituada Jornalista Britânica que foi já nomeada Jornalista do ano pela British Press Awards.

Este thriller que agora chega ao público Português tem tudo o que é necessário para ser bem acolhido pelos leitores mais exigentes deste género literário que parece agora estar novamente bastante em voga.

A autora assume ter-se inspirado na sua experiência enquanto "observadora de formação", como a si própria de descreve na nota introdutória do livro, confessando que, na sua vida profissional, sempre se interessou pelo ângulo menos usual das histórias, nomeadamente, ponderando qual a perspectiva de quem convive com quem é acusado da pratica de um crime. Ora, a premissa inicial da narrativa é, precisamente, o que saberia a viúva de Glen Taylor, acusado de ser um monstro responsável pelo desaparecimento de uma criança.

Numa narrativa emocionante que se desenrola ao longo de cinquenta e quatro curtos capítulos, as personagens vão desfilando perante o leitor, num ritmo frenético, fazendo-o oscilar em permanente clima de tensão e de dúvida. 

A acção decorre entre 2006, data do início da investigação criminal pelo desaparecimento de uma criança - Bella Elliot - e 2010, no momento em que o seu alegado raptor e assassino - Glen Taylor - morre deixando a sua viúva - Jean Taylor, a braços com o torvelinho da imprensa gerado por este desaparecimento precoce. Todavia, a narrativa vai oscilando temporalmente, tendo início em 2010, mas ocorrendo diversas analepses que nos vão mostrando a evolução das personagens ao longo de quatro anos.

Os capítulos apresentam como título a personagem que, respectivamente, os protagoniza, nomeadamente, não referida pelo nome, mas com alguma ironia, pelo papel social desempenhado na história - " A viúva "(Jean Taylor); "A Jornalista" (Kate Waters); " O Detective" (Bob Sparkles) - que se assumem enquanto protagonistas, e no último terço da obra merecem cada um deles um capítulo "O marido" (Glen Taylor) e "A Mãe" (Dawn Elliot), correspondendo a narração, em cada capítulo, ao ângulo muito particular que cada personagem assume na economia da narrativa.

Dando especial destaque à Viúva, todos os capítulos em que Jean Taylor assume maior protagonismo são narrados na primeira pessoa, o que corresponde a uma inteligente forma de a autora conferir maior relevância a esta personagem que, aliás, dá o nome ao romance, mesmo no título da edição original que é precisamente The Widow e pode ser traduzido à letra, nada aqui se perdendo com a tradução.

Jean Taylor é uma mulher simples, da classe média, bonita, sem pretensões intelectuais, dona de casa e cabeleireira num pequeno salão de bairro, procurou realizar-se no casamento, tendo encontrado em Glen, o sedutor bancário bem vestido e bem falante, o que de mais próximo poderia sonhar em termos de príncipe encantado. Mas seria Glen um marido assim tão perfeito? E Jean será uma vítima ou uma cúmplice? Estamos perante uma mulher sofrida que se vê a braços com a pressão mediática e que esteve ao lado do marido enquanto este foi injustamente acusado de raptar a pequena Bella? Ou será Jean uma mulher perversa que premedita casa passo que dá neste drama?

Glen Taylor, inocente e injustiçado, ou um monstro sem coração?

Kate Waters, a jornalista encarregue de firmar um contrato com Jean, para conseguir vencer a concorrência obtendo as primeiras declarações da viúva que podem revelar-se bombásticas, representa toda a imprensa britânica e a sua competitividade na busca pelo furo jornalístico que pode marcar a diferença na acesa disputa entre concorrentes. Faz-nos pensar também no quão pouco inocente pode ser o papel da imprensa na cobertura de casos sensacionalistas e muito mediáticos, e faz-nos pensar sobre a ética dos media.

Bob Sparkles, o detective responsável pela investigação, mantém-se fiel ao seu objectivo, apenas poderá sentir-se bem consigo mesmo se descobrir toda a verdade sobre Bella, mas este propósito é por mero espírito de missão, ou por alguma vaidade pessoal?

Dawn Elliot, uma jovem mãe vulnerável e vítima das circunstâncias ou negligente?

Estas dúvidas, e muitas outras assaltam o leitor. Uma estrutura narrativa hábil, fascinante, com um perfeito retrato psicológico, social e sociológico tendo por base um caso mediático que, no fundo, é a soma de tantos e tantos casos reais com os quais a autora se deparou na sua vida de jornalista.

Realista, engenhoso, inteligente, escrito numa prosa madura e de leitura absolutamente compulsiva, um thriller que será, sem dúvida, um dos livros do ano! Só vai conseguir respirar fundo e descontrair quando virar a última página.





segunda-feira, 13 de junho de 2016

[Crítica contemporânea] "Envolvidos", de Emma Chase [Topseller]

Ficha Técnica:


Título: Envolvidos


Autora: Emma Chase


Editora: Topseller [Grupo 20/20]


Edição: Julho de 2014


Páginas: 256


Género: Romance contemporâneo/erótico





Crítica por Vanessa Martins para o Blog Os Livros Nossos:

Meninas corram já para a livraria mais próxima da vossa casa, porque este livro [Envolvidos] editado em Portugal pela Topseller foi um dos melhores que já li até hoje, sendo merecido o prémio RITA 2014 para Melhor Romance Erótico, atribuído à obra pela Associação Americana de Escritores de Romance.

Quando o comecei a ler nunca mais consegui parar, é um livro bastante divertido em que um homem descreve cada “pensamento e opinião” que tem sobre as mulheres que conquista nas suas noites de sábado (aquelas noites em que eles dizem que vão sair para descomprimir depois de horas e horas de trabalho durante os 5 dias da semana) e nada melhor que ler o que o Sr. Andrew Evans pensa.

É verdade com tanta conversa esqueci-me de vos apresentar o Sr. Drew Evans (ele não gosta que o tratem por Andrew, prefere que lhe chamem Drew, que é o diminutivo do seu  primeiro nome) é um homem que venceu no ramo dos investimentos financeiros, sempre vestido com o seu melhor fato e com o seu cabelo preto puxado para trás, o que lhe dá aquele ar profissional e ao mesmo tempo perigoso. Está habituado a ter todas as mulheres aos seus pés.

Num sábado à noite na melhor discoteca de Nova Iorque - “REM” - ele conhece uma mulher morena com cabelo cumprido, que veste um vestido preto de alças que lhe dá um ar bastante sexy e com classe. A mulher “misteriosa”, como ele lhe chama, desperta-lhe o interesse de imediato, mas mal sabe que esta lhe vai dar a volta à cabeça.

A mulher misteriosa é Katherine Brooks que foi contrata para trabalhar com Drew Evans na empresa de investimentos financeiros do seu pai, é um osso duro de roer, terminou o seu MBA recentemente e está disposta a dar o seu melhor no novo emprego, é determinada e ambiciosa.

A disputa entre estes dois por um cliente torna a parceria ainda mais picante. Será que Drew vai resistir ao charme e à inteligência desta mulher ou vai ser mais uma das suas conquistas de sábado à noite???

 Sabemos só que tudo começa quando Drew está em casa com “gripe” há sete dias. Será mesmo gripe ou é mais “mal de amores” ???

Hilariante e original, o livro leva-nos ao interior de uma mente masculina, permite-nos ver a evolução de uma interacção e possível relacionamento amoroso pelos olhos de um homem nada habituado a compromissos ou a quaisquer ligações que não sejam por si controladas.

Pois é meninas, este primeiro livro da série de Emma Chase conquistou-me, e vou querer seguir atentamente esta série. 





quinta-feira, 9 de junho de 2016

[Blog Blast & Giveaway] "Impredictable Love, by Jean Joachin [Book Obsessed Chicks - Media Partnership]

Would unpredictable love break Jory Walker’s heart?

[Book Blurb]:

Uh oh. Amber signed her sister’s name on a pen pal letter to a Marine. As usual, Jory Walker was stuck fixing her sister’s little white lie.   

When letters poured in from SSGT Trent Stevens in Afghanistan, Jory had no choice but to correspond. Sure he’d be drooling over Amber’s bikini photo, thinking it was Jory. Since they’d never meet, what harm could it do if she sent him a few letters?

Would her charade boomerang replacing happiness with pain? What started off as an innocent ruse, morphed into a monstrous web of deceit. Maybe unpredictable love was destined to break her heart.  

[Where to buy]:

AMAZON / BARNES & NOBLE / GOOGLEPLAY / ITUNES/APPLE /  KOBO

SMASHWORDS / AMAZON PAPERBACK / AMAZON CANADA / AMAZON U. K.

AMAZON AUSTRALIA

[Excerpt]:

With patience, she’d fitted them together to form the image of a man she could almost touch.
Sometimes, she’d reread three or four before turning out the light. She’d tacked his picture on the wall next to her bed. He was the last thing she saw before falling asleep and the first thing in the morning. Jory had planned to wind down the correspondence, but every day she eagerly awaited mail delivery, and a new peek into the mystery man who had inched his way into her heart.
Admitting she had feelings for SSGT Trent Stevens wouldn’t happen. Jory wasn’t some foolish schoolgirl with a crush on a handsome Marine. She was a grown woman, who had been shouldering the responsibilities of an adult since she was seventeen. Her head wouldn’t be turned by a few letters and some fancy words. She was above that. Or so she thought.

[The Author - Jean Joachin]:













a Rafflecopter giveaway

segunda-feira, 16 de maio de 2016

[Secção Criminal] " Segredos Obscuros", de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt [Suma de Letras]

Ficha Técnica:

Título:Segredos Obscuros


Autores: Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt


Editora: Suma de Letras [Grupo Penguin Random House]


Edição: Julho de 2015


Páginas: 544


Género: Policial/Thriller/Nórdico


Classificação GoodReads: 5/5 Estrelas


Crítica por Cláudia de Andrade para o Blog Os Livros Nossos:


FA-BU-LO-SO !

Há muito que não lia um livro que devorasse assim… até ao fim (li-o em 2 dias!!). 
Das mentes brilhantes de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt (lembram-se da série sueca prodigiosa “the bridge”? Pois é ele o seu criador…), “Segredos Obscuros” leva-nos a acompanhar a investigação policial ao homicídio (recheado de requintes de malvadez) de um jovem de 17 anos – Roger Eriksson numa cidadezita tranquila, onde aparentemente nada se passa.

Cedo se percebe a incapacidade de Haraldsson, o detective encarregue da investigação (e para quem esta é meramente uma forma de atingir o estrelato que tanto almeja e vingar-se da chefe – Hanser, que ficou com a promoção que ele julgava ser sua por direito) para um caso de tão alto perfil, pelo que Hanser opta por chamar uma equipa especializada – Riksmord, para a resolução breve de um caso que chama inevitavelmente, e cada vez mais, as atenções dos media.

Sebastian Bergman, psicólogo forense, aparece como um homem sem propósito, sem rumo e sem filtro, que, desde que perdeu a filha e a mulher afogadas no tsunami de 2004, atravessa a vida ao sabor da maré, alimentando a sua líbido com “one night stands” sequenciais, nas quais se proíbe qualquer ligação às mulheres com quem dorme, e a fazer qualquer tipo de frete pelo que quer que seja. Regressa a casa após o funeral da mãe (ao qual não compareceu), com o intuito de se  livrar da casa e dos pertences dos pais, o mais rapidamente possível e regressar á sua vida boémia. No entanto, uma carta antiga na casa dos pais revela um segredo antigo, que muda o desígnio de Sebastian, levando-o a forçar a sua reintegração na Riksmord.

O livro segue então todos os envolvidos na vida de Roger, dando a sensação que se agitou o lodo num lago calmo…revelando a podridão e os segredos que todos que o rodeavam traziam escondidos. 
Da mesma forma, a equipa de investigação luta com a imposição de Sebastian, a quem a fama (positiva mas mais a negativa) precede, enquanto perseguem pistas que cada vez mais parecem não levar a lado nenhum…

Onde ninguém é o que parece (nem a própria vítima)… parece que o agitar das águas vai trazer à superfície muitos esqueletos escondidos…

Imperdível!!




terça-feira, 3 de maio de 2016

[Renda & Saltos Altos] "Obstinada", de Sylvia Day [Quinta Essência]

Ficha Técnica:

Título: Obstinada


Autora: Sylvia Day


Série: Georgian #1


Editora: Quinta Essência [Grupo LeYa]


Edição: Abril de 2016


Páginas: 328


Classificação GoodReads: 4/5 Estrelas


Género: Romance histórico sensual/erótico



[Sinopse]:

Até onde vai o desejo de um homem...

Como agente da Coroa, Marcus Ashford, conde de Westfield, travou inúmeras lutas de espada, foi baleado duas vezes e esquivou-se a muitos tiros de canhão. E, no entanto, nada o excita mais do que a fome primitiva que a sua ex-noiva, Elizabeth, desperta nele. Anos antes, ela trocou-o pelo jovem e inexperiente Lorde Hawthorne. Agora, cabe a Marcus defender a elegante viúva, e ele irá fazê-lo enquanto trata das outras necessidades dela, mais carnais, mostrando-lhe a profundidade do desejo de um verdadeiro homem...
Segredos perigosos conduziram ao homicídio do marido de Lady Hawthorne, segredos anotados num diário que muitos matariam para possuir. Mas confiar a sua proteção ao homem mais sedutor que ela já conheceu? Ultrajante. Impensável. Irresistível. Pois foram as paixões fortes e o desejo ardente de Marcus que a assustaram e a levaram ia a abandoná-lo anos atrás... No entanto, o seu desejo por ele nunca diminuiu. Agora, ele quer estar ao seu serviço, em todos os sentidos. E talvez a atitude mais sensata seja não resistir à tentação, mas entregar-se a ela completamente...

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Obstinada, de Sylvia Day corresponde ao primeiro título da série Georgian encontrando-se o tempo histórico da trama localizado na Época Georgiana da História Inglesa, um período ainda anterior ao da Regência. A acção deste romance profundamente sensual decorre ao longo de um ano em Londres, tendo início a narrativa em Abril de 1770 e sendo concluída em 1771.

Como é habitual neste tipo de romances com fundo histórico, encontramos o casal protagonista enredado numa história pessoal que é marcada pelos limitadores condicionalismos sociais então impostos à nobreza da época, da qual ambos fazem parte, e toda esta descrição do ambiente social e suas repercussões na vida das personagens é, precisamente, um dos detalhes que mais delicia o leitor que aprecia este género de literatura tão específica.

Aqui encontramos um ingrediente adicional ao romance , à paixão e à intimidade crescente que vai envolvendo os protagonistas, e que conferirá à trama um ritmo bastante acelerado e emotivo, alimentando o suspense até ao final da história, trata-se também de uma intriga de espionagem ao serviço da Coroa Britânica.

Elizabeth, Lady Hawthorne, regressa à sociedade após um período de luto pela perda do marido em circunstâncias misteriosas que cedo fazem antever que também a nobre dama poderá vir a estar em sério risco de vida, devido a ser possuidora de um diário do marido que é bastante procurado por conter muitos segredos da vida deste enquanto espião.

Perante o perigo iminente para a vida de Lady Hawthorne, é destacado voluntariamente para assegurar a sua  vigilância e protecção Lorde Marcus Ashford, Conde de Westfield, sendo a disponibilidade para tal missão aceite pelo Chefe dos Espiões - Lorde  Eldridge.

Sucede que, em tempos, Lorde Westfield havia sido noivo de Elizabeth, que acabaria por o trocar pelo agora falecido marido devido a um desentendimento que não ficara totalmente esclarecido, daqui resultará uma inevitável aproximação entre ambos, pautada por um fortíssimo e explosivo desejo físico e pela reconstrução de uma intimidade e de uma ligação que apenas havia sido interrompida pelo destino de ambos.

Com tórridas descrições de natureza sexual, a obra não poderá ver a sua análise ser reduzida a este circunstancialismo, pois a química entre Elizabeth e Marcus é visível quando ambos interagem em variados contextos. Ademais, encontramos duas pessoas com personalidades bem vincadas, que vivem um conflito consigo mesmas e com a sociedade envolvente, mas que são determinadas e sabem bem o que querem para si mesmas, ainda que possam viver alguns momentos de negação enquanto defesa psicológica.

Crítica social, drama, perigo, espionagem ao serviço de Sua Majestade,  tensão, sexo e romance numa história bem construída, viciante, que nos transporta a outros tempos  e que se lê de uma assentada.

Gostámos e queremos mais!







segunda-feira, 18 de abril de 2016

[Crítica Contemporânea] "Vamos Comprar um Poeta", de Afonso Cruz [Caminho]

Ficha Técnica:


Título: Vamos Comprar um Poeta


Autor: Afonso Cruz


Editora: Caminho [Grupo Leya]


Edição: Março de 2016


Páginas: 104


Género: Juvenil/ficção contemporânea


Classificação atribuída no GoodReads: 5/5 Estrelas


[Sinopse]:

Numa sociedade imaginada, o materialismo controla todos os aspectos das vidas dos seus habitantes. Todas as pessoas têm números em vez de nomes, todos os alimentos são medidos com total exactidão e até os afectos são contabilizados ao grama. E, nesta sociedade, as famílias têm artistas em vez de animais de estimação. 
A protagonista desta história escolheu ter um poeta e um poeta não sai caro nem suja muito – como acontece com os pintores ou os escultores – mas pode transformar muita coisa. A vida desta menina nunca mais será igual...
Uma história sobre a importância da Poesia, da Criatividade e da Cultura nas nossas vidas, celebrando a beleza das ideias e das acções desinteressadas.


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Vamos Comprar um Poeta é um surpreendente grande pequeno livro da autoria de Afonso Cruz. Porque os livros, tal como as pessoas, não se medem pela extensão, mas pela qualidade, pela essência, pela personalidade própria, pela originalidade e pela capacidade de nos tirar da zona de conforto e de nos abanar a alma, e é precisamente isto que este pequeno grande livro faz connosco.

A premissa inicial é, desde logo, interessante, numa sociedade em tempo indeterminado, algures no futuro, a narradora participante descreve-nos uma sociedade materialista onde tudo é visto de modo quantificado ou quantificável, até mesmo as emoções, e os nomes sujeitos são meras combinações de números onde o peso das dízimas diz algo sobre a preponderância social de cada indivíduo.

Numa elegante prosa plena de ironias e toques de humor, entramos na intimidade de uma família [ a da nossa narradora] constituída pela própria, pelos pais e pelo irmão, e iremos conhecê-los quando se predispõem  a comprar um Poeta, visto que não suja e é relativamente fácil de manter em casa para entretenimento da família, sem consequências de maior na rotina de cada um [assim pensam os membros desta família].

E o Poeta chega a instala-se, ou melhor dizendo, é instalado num espaço exíguo num vão de escada e irá revolucionar a vivência economicista, quantificada e limitada deste núcleo familiar.

A sociedade imaginária narrada neste livro tem algo de assustadoramente familiar...embora esteja caricaturada e levada ao extremo, perdeu valores culturais, menospreza o conhecimento, a criatividade o peso e a relevância da imaginação, sendo impensável e mal visto socialmente desenvolver uma actividade intelectual que se afaste do campo dos números, da economia, da lógica fria do lucro e dos ilusórios prosperidade e crescimento.

Com inúmeras referências culturais, que são depois esmiuçadas em notas no final da obra, este livro tem o condão de nos fazer rir de nós próprios e do mundo que estamos a construir, sendo um belíssimo exercício contemporâneo do lema ridendo castigat mores de Gil Vicente.

A ler, a reler, a coleccionar, a recomendar e a reflectir de quando em vez! Parabéns Afonso Cruz.







quinta-feira, 14 de abril de 2016

[Blog Tour] Caught Up In Raine, By LG O`Connor [Book Obsessed Chicks - Media Partnership]

BOOK #1 in the Caught Up In Love series (Romantic Women’s Fiction / New Adult)

AVAILABLE ON 18th APRIL 2016

Where to buy the book:




An unforgettable debut in romantic women’s fiction, Caught Up in RAINE captures the struggle of a woman who must reconcile guilt from her past with the promise of a future as her life intersects with a much younger man who offers her a second chance to get “caught up” in love on her road to redemption.
Two Hearts. One soul-shattering decision. 40s romance writer plagued by loss comes to rescue of troubled 20s male cover model.

“DON’T JUDGE A BOOK BY ITS COVER MODEL”

Forty-two and widowed, romance writer Jillian Grant believes hospitals equal death. Plagued by loss and convinced more is imminent when her aunt ends up in critical condition after heart surgery; she has come to equate the absence of pain with happiness. When she spots a hot, young landscaper working on the hospital grounds with an eerie resemblance to the male lead in her next novel, she convinces him to pose as her cover model.

Working multiple jobs to put himself through college, twenty-four-year-old Raine MacDonald is no stranger to loss. Behind his handsome face and rockin’ body lies family tragedy and agonizing secrets. When circumstances put him back in the path of his abusive father, fate delivers Jillian as his unwitting savior. Thing is, when he thinks of her, his thoughts are far from platonic.

Despite their age difference, Jillian and Raine discover they’re more alike than they could ever imagine. But torn between facing her own fears and grasping a chance at happiness, Jillian makes a soul-shattering decision that threatens to blow their world apart.

BOOK EXCERPT:

"My heart lifts and my shoulders relax the moment I step outside and the sun hits the crown of my head. The click-clack of my high-heeled sandals across the parking lot marks the distance between me and this godforsaken place. After a silent prayer for Vera, I switch mental gears and find my escape.
Drew, the male lead in my novel who’s loosely based on my real-life Drew, slips into my head the moment I sit behind the wheel. He’s particularly loud today, begging me to write some hot scenes with Becca.
Ah, to be young and brimming with hormones.
I smile and flip on the air-conditioning. “Down, boy. You’ll need to wait until I get home.” I picture him scowling at me with his muscled arms crossed.
One glance in the rearview mirror tells me I need some major construction on my face. Thank God for waterproof mascara. Kitty missed my mini-breakdown before she arrived. No wonder she kept checking to see if I was okay. I look like total crap.
I pull out my compact and smooth my face with mineral powder, dab on some lipstick, and feather on a subtle layer of blush. Makeup always cures what ails me to some degree. “Look good, feel good,” Aunt Vera always says.
Rather than heading out the front entrance, I turn onto the long, winding drive toward the east-side exit. A chunky dump truck emblazoned with Petrillo’s Landscape Design blocks my way. Saplings with puffy treetops are visible over the side.
Seriously? Swearing under my breath, I calculate my chances of squeezing my SUV past the truck and arrive at an unwanted answer. So I shove the car in neutral, set the brake, and get out. I stalk around the oversized Tonka toy to where four guys are digging various parts of a new landscape bed.
My eye gravitates to one in particular. Oh. My. God. Above a pair of dirt-encrusted jeans, his broad, sun-kissed shoulders glimmer in the sunlight. A landscape of ripples contract along his back and arms as he works. His tawny-blond hair is drawn back in a ponytail at the nape of his neck.
I force my slack jaw back into place. “Excuse me.”
Four heads turn at once, and when the blond turns, my breath sucks in fast.
Drew. He looks like Drew—at least in my head and from what I remember. Narrow waist, hard, and lean. Unlike the rest of guys with shovels, he hasn’t used his body as a living canvas for self-expression. He has no ink. But I only wonder why for about half a second. My brain is too busy superimposing Drew as I fight not to gape.
“Um, can someone pull up the truck? I’m trying to get out,” I say, doing my best to be polite. I look away to hide my blush.
An older, dark-haired guy tosses a set of keys to the blond. “Yo. Catch.” By process of elimination, he has to be the “Petrillo” named on the side of the truck. The other two men are smaller Hispanic guys, and the blond doesn’t particularly strike me as a “Petrillo.”
My heart races as the blond trots over with the keys. He scoops up a white T-shirt lying in a mound on the grass on his way over, and wipes his face. Giving me a crooked smile, he heads to the driver’s side.
“Hey, sorry about that. You’re the first person to head down this way all day.”
“This exit points me closer to where I need to go. Sorry to be a pain.”
“No problem,” he says, and climbs up into the cab. The timbre of his voice sends chills down my spine. It’s Drew’s voice . . . or maybe just my overactive imagination.
He stares down at me quizzically. “You good?”
I realize he’s waiting for me. “Uh, yeah,” I say, waking up from my daydream haze and forcing myself back into the SUV to back up.
Acrid black smoke rises skyward from the truck’s vertical exhaust accompanied by the dull roar of the engine as he drives past me, his profile catching my peripheral vision.
My brain short-circuits as my sandal hits the gas pedal. How can I just leave?
The idea hits me like a sledgehammer, and I jam on the brakes. The blond guy is on his way back to where the other guys are planting trees when my mouth develops a mind of its own.
“Excuse me,” I yell impulsively through the open window.
He alters his direction and comes over. Stooping down, he leans his hands on my open window. “What’s up?”
His sudden proximity heightens my heart rate. For a split second, I almost lose my nerve until I look into his stunning blue eyes—Drew’s eyes. For a second, I’m back in the summer of 1990, sitting behind the wheel of my dad’s Chrysler.
Drew drops his backpack of schoolbooks onto his driveway, and leans into the open car window. His eyes, blue like the summer sky, connect with mine. Tawny blond hair falls down around his face. “I’ll pick you up at six-thirty for the concert,” he says and presses his lips to mine. Then he steps back, juts out his hips, and breaks into an air guitar riff and the first line of “Wanted Dead or Alive.”
Giggling, I shift into reverse. “Later, Bon Jovi. Love ya.”
“Love ya, too,” he shouts back, scooping his books off the blacktop.
If I’d only known how little time we had left, I would’ve done so many things differently, kissed him a little longer . . . held onto him a little tighter.
I take a second to compose myself and clear my throat. “Um, this may sound strange, but how would you like to be on a book cover?”
His head jerks back slightly, and his eyebrows fly up. “What?”
Undeterred, I give him a sweet smile and repeat slowly, “Would you. Like to be. On a book cover?”
He chuckles. “I’m not mentally deficient. I heard the question. I’m just not sure what you mean.”
I can’t help but stare at his delicious full lips, wishing I were half my age. I take a deep breath and prepare for his refusal. “You happen to resemble the male lead in a novel I’m writing, and I haven’t had a book cover designed yet. I’m wondering if you’d like to be on it.”                                         
The corner of his mouth tips up. “I think I’m flattered.”
I can’t suppress my smile, secretly glad I fixed my face earlier.
“What would this entail, exactly?” he asks.
“A two- to three-hour photo shoot.” As if I haven’t been impulsive enough, I add, “Sometime this week.”
He gives me a pointed look. “Clothed, right?”
I tilt my head, a spark of hope flaring inside me. “Pretty much the way you’re dressed right now, except with cleaner clothes.”
He looks down at his pants and grins. Then his mouth turns into a frown. “Hmm. This week might be tight.”
“Is that a yes?” My heart picks up tempo.
Petrillo yells over, “Yo! Stop flirting with the nice lady and get back to work, man.”
“Hey, I gotta go.”
“Wait.” I fumble in my purse and pull out a business card. Without thinking, I thrust the card at him and blurt, “I’ll pay you $300 in cash.”
His eyes light up. “Really?” Then he glances at my card. “You’re on, Jillian Grant. By the way, I would’ve done it for free.” Wearing a lopsided smile, he shoves the card in his pocket and taps the side of the SUV with his hand. “I’ll text you.”
A thrill shoots through me as he heads off, and then I remember. “Wait! What’s your name?”
He turns and calls, “Raine. With an e.”
I smile. Raine with an e. It suits him, almost better than Drew. For the first time all day, I feel alive."


                                                     MEET THE AUTHOR:


L.G. O’Connor is a member of the Romance Writers of America. A corporate strategy and marketing executive for a Fortune 250 company, she writes adult paranormal and contemporary romance. She is the author of the four-book, one-novella urban fantasy / paranormal romance series The Angelorum Twelve Chronicles. The third full length novel launches in 2016. In addition, she is the author of the upcoming Romantic Women’s Fiction / New Adult Caught Up in Love series. L.G. lives a life of adventure, navigating her way through dog toys and soccer balls. When she’s feeling particularly brave, she enters the kitchen . . .
Represented by April Eberhardt Literary

Now, a word from L.G. to her readers:

Hey there! Welcome to my website and my blog, Creating the WRITE Reality!
I had never planned to be a writer. As a matter of fact, if anyone told my younger self that I would someday put pen to paper, I would show them my high school SAT scores in English. I would explain that I purposely took calculus to avoid a class requiring written essays. Surely, they had me confused with someone else. Yet here I am…
I’ve been a voracious reader my entire life. Since 2008, I’ve consumed over 375 Young Adult and Adult books in Urban Fantasy, Paranormal Romance, and other miscellaneous genres. Nothing gets me going more than a good book. Then it struck me. I woke up one day in the winter of 2009 and decided to write a book that I wanted to read—scratch that, a series I wanted to read. And the Angelorum Twelve Chronicles were born.
Since then, I have ventured into Contemporary Romance and New Adult, and the Caught Up In Love series came to be. For more info, check out the tab just marked “BOOKS” for release schedules. The first book in the series, Caught Up In RAINE, hits the market on April 18, 2016!
Since 2010, I’ve learned a ton about writing and the industry. But the more I learn, the more I realize there’s so much more to learn. My three objectives remain: strengthening my bond to readers and other authors; continuing to learn about the publishing industry; and improving my craft as a published author.
If you feel you’ve found even one nugget of useful information on this Website, then I’ve succeeded. Please feel free to drop me a comment on the blog, link me on Facebook, follow me on Twitter, or  email me.
Thanks for stopping by and I hope to see you again soon!




[Secção Criminal] "Numa Floresta Muito Escura", de Ruth Ware [Clube do Autor]

Ficha Técnica:


Título:Numa Floresta Muito Escura


Autora: Ruth Ware


Edição: Abril de 2016


Editora: Clube do Autor


Páginas: 328


Género: Thriller psicológico


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5




[Sinopse]:

«Não vai largar o livro até chegar à última página. A atmosfera densa e as revelações surpreendentes vão deixá-lo sem fôlego.»

Entertainment Weekly

Uma mulher solitária recebe um convite inesperado para a despedida de solteira de uma amiga que não via há muito tempo. Relutantemente, ela aceita participar na reunião de amigas, algures numa casa isolada na floresta.
Quarenta e oito horas depois, Nora acorda numa cama do hospital. Está ferida mas não se recorda exatamente do que se passou. Sabe, no entanto, que alguém morreu. O que fiz eu?, pergunta-se ela, consciente de que algo muito grave aconteceu naquela casa na floresta escura, muito escura…


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blogue Os Livros Nossos:


Numa Floresta Muito Escura, de Ruth Ware, traz-nos como protagonista e narradora participante  Nora, uma escritora de policiais que vive uma existência solitária em Londres, onde procura esconder-se do passado que deixou enterrado na terra natal.

Cerca de dez anos volvidos, Nora é surpreendida pela inusitada convocatória para a despedida de solteira daquela que já foi a sua melhor amiga – Clare – que decorrerá numa casa no meio da floresta, num evento organizado por Flo (actual melhor amiga de Clare, que parece nutrir pela mesma uma relação de amizade algo obsessiva e pouco saudável).

 Nora irá acordar internada num hospital, com perda de memória, e receia haver cometido um acto tresloucado que redundou na morte de alguém.

Ciente da persona que construiu para si mesma, na sua nova vida, confronta-se com o seu passado, e com a pessoa que, afinal sempre foi e tem procurado esconder, questionando-se de forma atormentada sobre o que se terá passado numa despedida de solteira que foi tudo menos normal, nos seus mais variados cambiantes e que poderá alterar para sempre a vida de todos os seus intervenientes. Quem serão os culpados e os inocentes nesta trama? Que segredos esconde este grupo de pessoas? O leitor não irá resistir ao apelo de descobrir a resposta para estas perguntas, e irá tentando realizar a sua própria investigação sobre o sucedido.

Estamos perante um thriller psicológico por excelência, com mistério e tensão em crescendo, ao virar de cada página. Um reduzido leque de personagens com forte densidade psicológica, dotadas de conflitos internos, muito bem construídas e que interagem num cenário isolado no meio da floresta cujo toque de mistério faz-nos lembrar algumas das obras emblemáticas do mestre Alfred Hitchcock.

Não nos surpreende, de todo, que a obra esteja já destinada a ser adaptada ao grande ecrã pela actriz Reese Witherspoon, e aguardamos com expectativa tal adaptação cinematográfica.