Mostrar mensagens com a etiqueta Asa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Asa. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Renda & Saltos Altos | "O Plano da Herdeira", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos

Visite também o blog pessoal da Maria João - Livros ? Gosto

O Plano da Herdeira é o segundo volume da série Entre irmãos de Courtney Milan. Começo por revelar que até mais ou menos a meio fui arrastando a leitura do livro. Enquanto o primeiro li sem esforço, achando a história bastante interessante, este custou-me entrar no ritmo da escrita e na evolução da narrativa. O interessante é que do meio até ao final, foi lido num ápice.

A história centra-se em Oliver Marshall, irmão bastardo de Robert, personagem principal do primeiro volume, e em Jane Fairfield, jovem excêntrica, não só nos vestidos que usa, como também na sua forma de estar. 

Estas duas personagens são o protótipo de alguém que tem o seu destino, e o seu futuro, de tal forma definido que nada as faria distanciar dos seus objetivos. Oliver quer ter um cargo político no Parlamento e, eventualmente, vir a ser primeiro ministro. Jane, apesar do generoso dote que possui, não quer casar com ninguém, pois apenas pretende afastar a irmã do domínio do seu tutor, Titus Fairfield. Assim sendo, veste-se de forma medonha, diz o que não deve, quando não deve e como não deve afastando os eventuais pretendentes.

O livro torna-se interessante a partir do momento em que os dois, como amigos, se unem para alcançar os seus objetivos, de forma imediata e, eventualmente, permanente. As personagens acabam por desenvolver uma relação muito bem construída, em que a superficialidade acaba por funcionar como uma máscara para a sociedade, mas, nós leitores, percebemos que a essência de cada um está para além dela.

Jane acaba por, de alguma forma, ser uma mulher além do seu tempo. Não sendo submissa aos homens, nem mesmo ao marido quando finalmente casa, acaba por utilizar os seus recursos financeiros, não no aumento da fortuna do cônjuge, mas sim na realização dos seus projetos. Por seu lado, Oliver ao aceitar esta mulher, e ao lutar para que os outros vejam nela mais do que os vestidos ridículos ou os comentários inoportunos ditos num tom demasiado alto, acaba por mostrar uma faceta não muito comum para a época, aceitando e orgulhando-se do brilhantismo da esposa.

Um dos momentos interessantes do livro tem a ver com os projetos políticos de Oliver: o alargamento do direito ao voto. Naquela altura nem os trabalhadores, nem as mulheres podiam votar. O voto estava confinado aos que, por nascimento, tinham esse direito. Enquanto Oliver se bate pelo alargamento do voto aos trabalhadores, a sua irmã Free luta pelo direito do voto das mulheres. Nesse aspeto o livro torna-se interessante pois embora sejam discussões breves, acabam por nos recordar da dificuldade que foi implementar direitos que hoje damos como adquiridos. Mais, se olharmos à volta, e repararmos nas taxas de abstenção existentes no nosso tempo, envergonha-nos pensar que, noutros tempos, pessoas estiveram dispostas a alterarem as suas vidas, ou mesmo a fugir de casa, como Free , para que este direito tenha sido conseguido. 

Embora não fosse um livro que me entusiasmasse, acaba por ser uma boa leitura, onde podemos ver uma sociedade preconceituosa, corrupta, e de aparências. Apesar de tudo fico à espera dos próximos volumes da serie, nomeadamente da história de Free.


Leia AQUI a crítica ao primeiro livro desta série


Ficha Técnica do Livro:


Autora: Courtney Milan

Série: Entre Irmãos #Livro 2

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 400

Género: Romance de Época | Período Vitoriano



domingo, 5 de março de 2017

Renda & Saltos Altos | " A Guerra da Duquesa", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger

A Guerra da Duquesa, de Courtney Milan, corresponde à estreia em Portugal de uma autora bastante aclamada nos Estados Unidos, finalista do prémio RITA atribuído anualmente pela RWA (Romance Writers of America), e que que ingressou nas listas de autores do New York Times.

Trata-se do primeiro título de uma série de ficção romântica de época - Série Entre Irmãos - cuja acção decorre inicialmente em 1863, em pleno Reinado da Rainha Victória, com cenário na cidade Industrial de Leicester.

Os protagonistas são Minnie [ Minerva Lane] uma jovem da classe média menos abastada que vive com duas tias, escondendo a sua personalidade marcada atrás de uma persona tímida, low profile e que pretende passar despercebida socialmente, embora ainda acalente a esperança de contrair um casamento compensador que lhe garanta um futuro mais sólido após a morte das tias, momento em que perderá a propriedade onde todas vivem para o herdeiro masculino deste ramo familiar.

Minnie esconde segredos complicados do seu passado que facilmente levariam ao seu ostracismo em termos sociais, num contexto de moralismo e extrema rigidez social onde a mulher tinha como missão social ser submissa ao homem (primeiro ao pai e , mais tarde, ao marido), cabendo-lhe educar os filhos e gerir a vida doméstica, sendo uma extrema ousadia manifestar espírito crítico, inteligência e expressar opinião sobre política, filosofia ou qualquer outro tema considerado essencialmente da esfera masculina.

Inteligente, com opinião e vontade próprias, Minnie tem de esconder a sua verdadeira identidade, mas irá travar conhecimento casual com um aristocrata muito peculiar, Robert Blaisdell, o actual Duque de Clermont, um jovem que, apesar de privilegiado, de ter voz política activa com assento na Câmara dos Lordes, não convive bem com a pesada herança de abusos e crueldade legada pelo falecido Duque seu pai, discordando de um sistema político e social pleno de desigualdades que não aceita de ânimo leve, acalentando algum idealismo e desejo de mudar algumas normas vigentes à época.

Para repor a justiça nem sempre respeitada pelo pai, Robert irá defrontar diversos obstáculos e opositores, e vendo-se enleado com Minnie numa intrincada teia de enganos. Também interessante é a história familiar e pessoal de Robert, filho de uma mãe abandónica (por contexto familiar) revela alguma dificuldade em expressar sentimentos e, internamente, continua a lutar para ser aceite, acarinhado e amado pela sua verdadeira essência, e não pelo estatuto social elevado que possui. Encontrou apoio no irmão bastardo Sebastian (um empenhado cientista que segue atentamente a teoria de Charles Darwin quanto à evolução das espécies).

Uma história romântica, com protagonistas fortes e interessantes dotados de uma forte química sexual e de um desejo que ambos irão aprender a controlar ou expressar, mas que não deixa de manifestar um interessante contexto histórico onde se exaltam as difíceis condições de vida da Inglaterra da Segunda Revolução Industrial, as injustiças motivadas pela Lei do Pariato e uma sociedade excessivamente moralista com alguma hipocrisia. Uma nova autora que certamente será do agrado das leitoras Portuguesas adeptas da ficção romântica de época.


Ficha Técnica:


Autora: Courtney Milan

Série/Colecção: Entre Irmãos #livro 1

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Fevereiro de  2017

Nº de Páginas: 336

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance de Época | Período Victoriano



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

[Renda & Saltos Altos] " O Terno Rebelde", de Johanna Lindsey [ASA]


Ficha Técnica do Livro:


Título: O Terno Rebelde


Autora: Johanna Lindsey


Série: Malory (Vol. II)


Edição: Junho de 2016


Editora: ASA [Grupo LeYa]


Nº de Páginas: 384


Género: romance histórico sensual/Regência


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


O Terno Rebelde, de Johanna Lindsey, corresponde ao segundo título da série Malory, publicada em Portugal com chancela ASA [Grupo LeYa], sendo a  mais popular das séries de romances desta prolífica autora Norte- Americana Besteseller do New York Times.

A acção decorre na Inglaterra da Regência, em 1818 e dá continuidade à saga dos Malory, uma invulgar e extensa família nobre que conta entre os seus ascendentes com uma avó de origem cigana. O carácter diferenciador dos Malory é serem uma família nada convencional. No primeiro livro assistimos à história romântica de Regina Ashton e do Visconde Nicholas Eden.

Neste segundo romance da saga assistimos ao desenrolar do inesperado romance entre Anthony Malory, um incorrigível e sedutor libertino, quarto filho da família Malory, e Roslynn Chadwick, uma explosiva e bela aristocrata das Terras Altas da Escócia.

Roslynn Chadwick procura refúgio em Londres, junto da sua amiga Lady Frances, receando que o seu vil, ambicioso e perigoso primo Geordie a force a casar, para deitar a mão à sua fortuna recentemente  herdada após o falecimento do avó Duncan Cameron.

Pela calada da noite Roslynn, acompanhada da sua fiel criada Nettie, parte para Inglaterra com o propósito de encontrar rapidamente um marido conveniente , que lhe permita conservar a fortuna e dar largas ao seu estilo de vida independente e determinado, livrando-a do perigo que constitui o seu perverso primo.

Embora o avô lhe haja transmitido que um libertino pode ser um excelente marido, caso se apaixone pela mulher que venha a ser sua esposa, a jovem, muito por influência da amiga Frances [que sofreu uma forte desilusão amorosa com um libertino, que  a conduziu ao seu casamento sem amor] impõe a si mesma não considerar nenhum libertino como candidato a marido.

Mas o destino prega partidas, e Anthony encanta-se com a intrépida Escocesa e descobre em si um instinto protector que desconhecia, além de um intenso desejo pela jovem que se torna difícil refrear, e que o farão questionar a continuidade da sua postura libertina e independente, pela qual é conhecido entre a sociedade Londrina.

O perigo de rapto e casamento forçado com o primo Geordie é , afinal, bem real e a ameaça paira sobre Roslynn e sobre todos aqueles que lhe são mais próximos, podendo mesmo colocar vidas em risco, quando a ambição é mais forte de que os valores de família.

Anthony recebe em sua casa, como hóspedes, o seu irmão James [um sensual pirata e também aristocrata] e o filho deste, o jovem Jeremy, que assistem espantados e deliciados às mudanças na atitude do famoso libertino.

Um relacionamento turbulento, apaixonado e que se converte numa luta de titãs, irá surgir entre Anthony e Roslynn, levando ambos ao limite da teimosia, travando uma dura batalha pela aceitação mútua e pela construção de uma relação de confiança, somando-se à intensidade das emoções e das sensações de que desfrutam quando se envolvem fisicamente.

Um dos aspectos mais interessantes deste romance, e inerente também à série, é o facto de ser evidente a união e o apoio que se verifica entre os Malory, uma família constituída por pessoas com personalidades e perspectivas de vida tão díspares, unida sob o signo do amor.

Roslynn é uma protagonista dona de uma personalidade marcante, é determinada, tem mau génio que se atribui ao sangue Escocês, e quando fica nervosa usa o sotaque das Terras Altas da Escócia que logo a denuncia junto de quem bem a conhece. É também algo ingénua e por vezes indecisa e algo insegura, o que lhe trará algumas contrariedades na relação com Anthony.

Paixão, intensidade de sentimentos, perigo, ambição e amor fraternal, à mistura com toques de sensualidade, dão o tom certo à paleta de emoções que é este romance que nos transporta à Regência Inglesa com todos os deliciosos detalhes de aceitação e crítica social. Uma excelente leitura de Verão que recomendamos!





sexta-feira, 29 de julho de 2016

[Crítica Contemporânea] "Pessoas Como Nós", de Stephanie Clifford [Asa]

Ficha Técnica:


Título: Pessoas como nós


Autora: Stephanie Clifford


Editora: Asa [Grupo LeYa]


Edição: Julho 2016


Páginas: 432


Género: Contemporâneo


Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas



Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:


Pessoas como Nós, de Stephanie Clifford é o romance de estreia da autora Norte-Americana, repórter do New York Times.

Este romance levanta o véu sobre o mundo agridoce da alta sociedade de Nova Iorque, caracterizando o seu modo de vida muito peculiar, os seus interesses e ocupações. Em paralelo, assistimos à luta verdadeiramente desesperada de uma jovem que  se rende à pretensão de fazer parte deste mundo glamouroso, restrito e muito peculiar.

A anti-heroína deste romance (os leitores entenderão esta qualificação quando lerem o livro) é Evelyn Beegan, 26 anos, estudou num colégio de elite - Sheffield - e ali fez alguns contactos com colegas que, de pleno direito, integram a Elite de Nova Iorque, que chega a ser uma réplica adaptada da aristocracia Britânica, como tão bem destaca a autora. 

Oriunda de uma família da classe média alta, sendo a mãe - Barbara - uma eterna candidata a arrivista social, obsessão esta que sempre sonhou partilhar com a filha. Dale o pai de Evie é um advogado Sulista relativamente bem-sucedido numa firma local, simpático, um pouco sovina, mas presente em termos afectivos.

Ao integrar a equipa de um site que corresponde a uma rede social de elite - Pessoas Como Nós - Evie aproveita a sua rede de contactos do tempo do colégio para aceder a colunáveis que possam tornar-se utilizadores do site. Assim, com a ajuda de Preston (um amigo dos tempos do colégio) começa a pouco e pouco a frequentar eventos sociais de elite, como convidada que,em muitos casos, não chega a ser totalmente aceite mas apenas tolerada.

Ao travar conhecimento com Camilla Rutherford, a menina bonita e it girl das colunas sociais de Nova Iorque, Evie vai cair no erro de se deixar deslumbrar por um mundo ao qual julga necessário ascender, mas que não é o seu. Evie será uma das amigas de Camilla, mas o preço a pagar por tal privilégio será elevado, pois perde a noção da realidade e começa a deixar-se envolver numa espiral de fabulações sobre as suas origens, a história da sua família e o seu percurso pessoal que podem deitar a perder a sua credibilidade.

Neste percurso alucinante, de festa em festa, poderá até descobrir o amor verdadeiro, mas será que vai conseguir gerir uma relação de forma honesta ?

A ilusão em que vive levará Evie a ser ingrata para com os verdadeiros amigos de longa data - Preston e Charlotte, e a descurar uma crise familiar que requer apoio urgente, pois o pai vê-se envolvido num escândalo que poderá arruinar a sua carreira.

É certo que, em alguns momentos, Evie sente estar a pisar terreno perigoso, a afundar-se num pântano de mentiras que considera inocentes, mas poderá ser tarde demais quando se der conta de que a verdade pode vir à tona de forma extremamente cruel e destrutiva.

Um romance que oscila entre humor e drama, e que nos faz pensar na busca pela nossa identidade nem sempre facilitada, desde logo, por alguns modelos parentais, e na vacuidade e crueldade que se escondem por trás de existências que parecem retiradas de contos de fadas. Até onde fixamos limites para ascender socialmente? Valerá a pena o investimento em toda a linha ?

O livro lê-se rapidamente, é muito menos superficial do que, à partida seríamos levados a pensar, será levado ao cinema, ficamos, pois, a aguardar com expectativa a versão cinematográfica. 

Uma leitura que proporciona entretenimento e também alguma reflexão, desengane-se quem pense estar perante uma obra vulgarmente apelidada de light ! Gostámos, recomendamos e ficamos atentos a esta autora dotada de um estilo de escrita muito lúcido e realista.








sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

[Secção Criminal] "Um estranho lugar para morrer", de Derek B. Miller [Asa]


Ficha Técnica:


Título: Um estranho lugar para morrer


Autor: Derek B. Miller


Edição: 2014


Editora: Asa [Grupo LeYa]


Nº de Páginas: 304


Género: Thriller/policial


Saiba mais sobre esta obra AQUI


                                                                           [Sinopse]:

Sheldon, um judeu americano, parece ter chegado ao fim da linha. É viúvo, tem 80 anos, e revela sinais de demência. A filha, preocupada, decide levá-lo para Oslo, onde vive com o marido. Um dia, quando o deixa sozinho no apartamento, Sheldon ouve ruídos na escada. Percebe que é uma vizinha a ser perseguida, a tentar proteger desesperadamente um filho pequeno. A mulher acaba por ser morta selvaticamente. Mas o octogenário consegue, in extremis, esconder a criança dos perseguidores. É o ponto de partida de um romance onde tudo nos surpreende. Aos poucos, juntamos as peças do puzzle. Sheldon é afinal um ex-veterano da Guerra da Coreia, que há décadas vive num secreto inferno, a tentar expiar um crime involuntário. Num último esforço para se redimir, assume como missão salvar o filho da vizinha. Numa terra desconhecida para ambos, começa uma fuga épica, que os levará aos confins da Noruega - e uma perseguição implacável, movida por um gangue kosovar. 
Um estranho lugar para morrer, considerado o melhor romance do ano por uma série de publicações, desafia qualquer definição. O ritmo e a tensão absolutamente sufocantes remetem para o thriller moderno, do mais fino recorte escandinavo. Mas o autor, um ativista do desarmamento e dos direitos humanos, usa a dramática epopeia de Sheldon para pôr a nu a violência latente na cultura ocidental.

A inteligência de um romance literário sob a forma de thriller. New York Times


Crítica por Cláudia de Andrade para o Blogue Os Livros Nossos:

No encalce dos mais recentes policiais escandinavos, “Um estranho lugar para morrer” assoma-nos como um thriller psicológico intenso, com um herói surpreendente e com um final inesperado.

Sheldon (Donny) é um octogenário americano, judeu, que após a morte da mulher se muda para casa da neta em Oslo, onde esta vive com o marido. Apesar das tentativas para o fazerem sentir integrado, Sheldon sente-se desenquadrado e como que aceita prematuramente o seu fim.

Ao salvar o filho da vizinha que acaba brutalmente assassinada em sua casa, Sheldon enceta numa fuga por uma terra desconhecida, para proteger a criança (que lhe traz à mente e ao coração o seu próprio filho, morto em combate), do assassino da mãe.

Esta fuga é recheada de personagens reais e já idas que se imiscuem na mente de Sheldon enquanto o mesmo batalha para fazer as pazes com o seu passado e lida com um propósito reencontrado.

Perseguido por um assassino, que se revela ser bem mais do que aparenta, tal como pela polícia, somos convidados a acompanhar as personagens numa viagem aos recônditos da Noruega e aos lugares mais escuros das suas próprias mentes.
  


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

[Secção Criminal] "Um Caso Tipicamente Inglês", de Elizabeth Edmondson [Asa]

Ficha Técnica:

Título: Um Caso Tipicamente Inglês


Autora: Elizabeth Edmondson


Edição: Janeiro de 2016


Editora: ASA


Páginas: 368


Género: Mistério/Policial/Histórico


Classificação GR: 5/5 Estrelas


Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI

[Sinopse]:

Numa encantadora vila rural inglesa, o Castelo de Selchester definha. A II Guerra Mundial terminou há pouco, e nos imponentes salões restam apenas os ecos de glórias passadas.  É um destino pouco apetecível para Hugo Hawksworth, oficial dos Serviços Secretos a quem é confiada a missão de organizar os arquivos do castelo. O jovem chega acompanhado pela irmã mais nova, Georgia, por quem é responsável desde a morte dos pais. Ambos antecipam uma estadia entediante e desconfortável.  Estão enganados.
A vida no campo é uma surpresa. Rodeados de aristocratas altivos e grandiosas mansões, empregados excêntricos e vizinhos indiscretos, os irmãos sentem que mergulharam  noutra era. Mas rapidamente se deparam com segredos, intrigas familiares, uma ou outra traição e... o esqueleto do Conde de Selchester, cujo desaparecimento numa noite de tempestade permanecia envolto em mistério. A polícia encerra o caso sem grandes demoras. Hugo, no entanto, não se deixa convencer. Com a ajuda de Freya Wryton, a tentadora sobrinha do conde, lança-se numa investigação cujas sombrias implicações irão agitar todos os que o rodeiam. 
Com a elegância de Downton Abbey e a astúcia de Agatha Christie, Um Caso Tipicamente Inglês é o primeiro volume da Série Selchester e marca o regresso à escrita de Elizabeth Edmondson, uma das escritoras mais queridas dos leitores portugueses.

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o blog Os Livros Nossos:

Um Caso Tipicamente Inglês, de Elizabeth Edmondson, corresponde ao primeiro romance da Série Selchester, sendo uma história que a própria autora [infelizmente falecida no passado mês de Janeiro] qualificaria como "Mistério Vintage".

A acção decorre numa povoação rural Inglesa, tendo como ponto de partida recortes de imprensa que narram o misterioso desaparecimento de Lorde Selchester, numa fria noite de tempestade em 1947 (em plena II Guerra Mundial), e centrando-se a acção principal em 1953, ainda no rescaldo da guerra, quando Hugo Hawksworth, um oficial dos serviços secretos britânicos, é enviado para Selchester para trabalhar num departamento secreto, denominado The Hall, onde diversos funcionários trabalham sob a máscara de realização de estudos estatísticos. Hugo, ferido numa perna, enquanto prestava serviço para a sua Pátria, vê-se agora condenado a trabalho de secretária, e vai residir com a jovem irmã de 13 anos - a perspicaz e intuitiva Georgia - no Castelo de Selchester, onde se cruzam com Freya Writon (sobrinha do desaparecido Conde de Selchester) que se habita uma torre do Castelo, a pretexto de escrever a história da sua aristocrática família, enquanto permanece o impasse legal de ser reconhecido o óbito do Conde, e confiada a sua herança à herdeira legal - Lady Sonia - uma vez que o herdeiro do sexo masculino, Tom, faleceu em combate pouco depois do desaparecimento do pai.

Habituado ao bulício e relativo anonimato de que gozava em Londres, Hugo ver-se-á inserido, inicialmente a contragosto, num ambiente rural ainda muito marcado por uma visão algo medieval da sociedade, onde os Aristocratas, como o Conde de Selchester, são temidos e mais ou menos respeitados. 

Também Freya recebe os seus hóspedes, por imposição do Superior de Hugo, Sir Bernard, um dos administradores da herança do Conde, receando ver invadida a sua privacidade e a paz de que ainda ali beneficia até que a prima - Sonia - consiga concretizar os seus planos de vender a herança e pôr fim a uma época que levará consigo os segredos de família.

Georgia, por sua vez, encontrará na escola local um ambiente mais aprazível do que aquele que esperava, fará novas amizades e adaptar-se-á à vida no Castelo de Selchester, encontrando uma inesperada amiga e protectora na governanta Mrs. P.

A descoberta de um cadáver sob o lajedo da Capela Velha no Castelo irá trazer à superfície o paradeiro do desaparecido conde, e colocará Hugo, Freya e Georgia numa inesperada equipa de investigação paralela, enquanto a polícia local se mostra pouco colaborante e nada predisposta a desvendar o mistério, antes estando mais interessada em encerrar o dossier do Conde Selchester sem causar danos colateriais que possam pôr em causa a segurança do pais, atento o facto de o Conde ter tido uma figura de destaque no governo da nação.

Hugo, um circunspecto funcionário Londrino, que se sente algo deprimido devido às suas limitações físicas, descobrirá em Selchester uma investigação que o entusiasma mais do que as suas monótonas funções em The Hall, e depara-se com uma irmã que está a crescer, e que tem a rebeldia própria da adolescência.

Denota-se entre Freya e Hugo alguma tensão romântica, cujo desenlace mantém também o interesse das leitoras mais românticas.

Interessante é, também, a forma como  Elizabeth Edmondson contextualizou historicamente a narrativa, dando conta de algumas inquietações próprias do pós-guerra, do fim de uma época mais tradicionalista e das novas correntes científicas, com hilariantes e bem conseguidas referências a Sigmund Freud, Anna Freud e ao movimento psicanalítico que então começa a afirmar-se no panorama  cultural britânico.

Num ambiente marcado pelos mexericos próprios de uma zona rural, sendo evidente a hipocrisia e os segredos da classe aristocrática, tolerada pelos habitantes locais, o receio de ver instalar no Castelo secular um hotel de luxo que irá desvirtuar a herança histórica de um património bastante rico, o leitor é envolvido na investigação da morte do Conde de Selchester, ao mesmo tempo que se confronta com segredos de família e um clima de permanente mistério com alguns twists finais que alimentam a vontade de saber toda a verdade.

Glamour, mistério, intriga, perigo, segredos de família e emoções fortes, numa trama bem conseguida e que nos deixa expectantes para novos desenvolvimentos no segundo livro da série! Os leitores de Agatha Christie vão, certamente, adorar este romance.







quarta-feira, 26 de agosto de 2015

[Histórico] "Aconteceu no Verão", de Beatriz Williams [Asa]

Ficha Técnica:


Título: Aconteceu no Verão


Autora: Beatriz Williams


Editora: Asa [Grupo LeYa]


Edição: 2015


Nº de Páginas: 384


Género: Romance Histórico


Classificação Atribuída no GR: 5/5 Estrelas



Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:


   Aconteceu no Verão é um romance histórico escrito de forma brilhante. A acção decorre nos Estados Unidos, num local ficcionado pela autora, mas baseado num local real e  com referência a uma terrível tempestade que, em plenos anos 30, causou muitas perdas humanas.

  Em Rhode Island, 1938, Lily Dane passa férias na residência estival da família, na companhia dos pais e da sua pequena irmã Kiki, reencontrando-se com fantasmas do seu passado recente, ao ser surpreendida pela chegada  de Budgie Greenwald [em tempos a sua melhor amiga da juventude] e de Nick Greenwald [o grande amor de Lily], um casal que não é bem aceite pela comunidade local, devido ao facto de a sua ligação ter ido contra todas as expectativas, sendo conhecida a paixão entre Lily e Nick.

   A alta sociedade de Nova Iorque reúne-se religiosamente naquela pequena localidade, sendo um local de encontro habitual o Clube de Seaview, onde decorrem jantares, jogos e outros eventos sociais, sob a supervisão apertada da rígida Senhora Hubert, que dita as regras do politicamente correcto e aceitável naquele contexto.

   Lily leva uma existência algo monótona, focada na sua pequena irmã kiki, à qual cuida como se de de uma filha se tratasse, deixando no ar uma ambiguidade quanto à ligação familiar de ambas. A grande confidente de Lily é a sua tia Julie Van der Wahl, uma socialite arrojada, que se notabilizou por alimentar as colunas de escândalos, tendo-se divorciado do Advogado Peter Van der Wahl, e vivendo cada dia intensamente, numa atitude carpe diem e sem dar oportunidade de qualquer interferência no seu modo de vida bastante independente, sendo uma personagem bastante forte e com a qual facilmente empatizamos, por ser bastante directa e frontal na sua abordagem à evidente hipocrisia do meio onde se move.

   Curiosamente, apesar de se ir denotando que algo não ficou totalmente resolvido na relação entre Nick e Lily, estes convivem socialmente e de forma próxima, perante o regresso de Nick e Budgie a Rhode Island, mas é nítido que Budgie é uma mulher bastante instável, fútil e manipuladora, que irá mesmo arrastar a ingénua Lily para uma relação amorosa com Graham Pendleton, um jogador de Basebol que fazia também parte do seu grupo de amigos dos tempos de estudantes.

  Nick é um homem íntegro, honesto, assume compromissos morais, ainda que com tal atitude deixe de ir atrás do que realmente deseja para si mesmo, e para a sua felicidade.

   A pouco e pouco, o leitor vai assistindo ao desenrolar da trama, com diversos segredos e peripécias que se encontram envoltos em suspense, tornando a leitura do livro verdadeiramente compulsiva, numa ânsia em crescendo de desvendar os mistérios que envolvem a vida dos nossos protagonistas.

   A narrativa vai alternando o passado recente [1931] e o presente [1938], dando-nos a perspectiva da evolução das personagens, até ao desenlace final, marcado por momentos de elevadíssima tensão psicológica.

   Incrivelmente romântico, intenso e com um ritmo bastante acelerado, esta obra literária traça-nos um retrato da alta sociedade norte-americana dos anos 30, ainda no rescaldo da crise de 1929, que deixou um amargo rasto de mudança numa prosperidade que tinha algo de muito ilusório, como a história mundial viria a demonstrar, pelo que encontramos a junção perfeita entre ficção e contexto histórico e social, que  se revela verdadeiramente fascinante para os leitores de romances históricos.


   

   

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

[Literatura Lusófona] "Um Homem Escandaloso", de Tiago Rebelo [ASA]




Autor: Tiago Rebelo

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Novembro de 2014

Páginas:328

Género: Romance/Literatura Lusófona

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Um Homem Escandaloso do Jornalista e escritor Português Tiago Rebelo é um romance contemporâneo temperado com rasgos de ironia, algum humor e bastante erotismo.
   
  O nosso protagonista é João Pedro, uma personagem com quem nos é fácil simpatizar, porque há nele uma série de características próprias de um verdadeiro anti-herói: pintor, tímido, inseguro, desajeitado,  com evidentes dificuldades em socializar, sem dever muito à beleza e com a situação financeira e o casamento em crise instalada. 

   No início da trama João Pedro encontra-se já divorciado de Clara, uma rapariga oriunda de uma família tradicional e de elevada classe social, cuja família acabará por enfrentar a falência financeira. Ambos se conheceram na faculdade, e Clara criou uma imagem totalmente idealizada de João Pedro, então o melhor aluno da faculdade, para o qual a namorada e mais tarde esposa anteviu um futuro brilhante em termos artísticos, acabando por se sentir desiludida com essa idealização, e projectando na pessoa do marido a sua frustração pelo facto de este não ter logrado corresponder às elevadíssimas e irreais expectativas que Clara traçara para ambos.

   Insatisfeita com o casamento, desiludida com o marido (ou  melhor dizendo, desiludida com a fantasia idealizada que do mesmo criara na juventude), acabará por se divorciar e contrair novo matrimónio com o seu Patrão, sendo empregada num Atelier de arquitectura.

   Quando se encontra a adaptar à sua condição de divorciado, disponível para estabelecer novos relacionamentos aos níveis físico e emocional, enquanto vê a sua carreira de artista permanecer num incómodo impasse de fracasso, é assaltado por um estranho e sensual sonho, onde se vê envolvido sensual e sexualmente com duas belas mulheres, acabando por percepcionar uma realidade fantasiada e também idealizada acerca do seu futuro.

   O destino levará João Pedro a cruzar-se com a sensual Cristiane, uma hospedeira de bordo com a qual viverá uma relação intensa, gerando consequências inesperadas na personalidade e na criatividade do pintor, até ai um artista incompreendido e pouco inspirado, apesar de possuir elevado nível técnico. Com Cristiane João Pedro descobre todo um novo percurso ao nível dos sentidos, da sensualidade e sexualidade vividas intensamente, numa nítida química erótica que o autor bem sabe descrever e transmitir aos leitores.

   Iremos também encontrar, no terço final da narrativa, Carol, uma fotógrafa de moda e "da moda", que esconde um passado familiar traumático, e que vive com base numa imagem totalmente construída de forma artificial.

   A linguagem é bastante acessível, mas ainda assim, elaborada (sem ser pretensiosa nem vulgar), sendo diversos os trechos textuais que têm bastante de filosófico, e que nos levam a pensar nos pressupostos nos quais baseamos a nossa vivência, o que nos dá sentido à vida, a forma como procuramos de forma mais ou menos adaptativa encontrar esse sentido.

  É nítida também a deliciosa sátira social, pois sem medos e sem falsos pudores, toda a trama e a caracterização física e psicológica das personagens apontam o dedo a uma sociedade nossa contemporânea, onde o parecer é mais importante do que o ser, e onde os valores materiais se sobrepõem aos morais, estando o foco  a incidir em sombras projectadas numa parede duma caverna, e não nos verdadeiros objectos e seres que originam essas sombras (numa interpretação platónica muito livre que nos suscita a reflexão crítica sobre esta obra e que ousamos partilhar).

Foi a minha estreia com uma obra deste autor e há que admitir que Tiago Rebelo ganhou mais uma leitora !

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

   



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

[Crítica Contemporânea] "Quando éramos mentirosos", de E. Lockhart [Asa]



Autora: E. Lockhart

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: Maio de 2014

Páginas: 312

Género: Romance contemporâneo

Saiba mais detalhes sobre esta obra e como adquirir online AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Quando éramos mentirosos, de E. Lockhart [Pseudónimo de Emily Jenkins, autora Norte-Americana a residir em Nova Iorque, detentora de um Doutoramento em Literatura Inglesa] constituiu uma excelente surpresa, tratando-se de um romance contemporâneo que pode ser inserido na categoria de Young Adult, mas que se destaca pela originalidade, pela especificidade, beleza e pelo carácter sui generis da escrita da autora, capaz de nos prender de forma verdadeiramente inebriante às páginas do livro.

   Como cenário central da narrativa vamos encontrar a bela ilha privada de Beechwood, no Massachusets, propriedade da poderosa, abastada e aparentemente perfeita família Sinclair, e o local de eleição para as férias de Verão deste clã.

  Os Sinclair ostentam e alimentam uma imagem pública de classe, beleza, bom gosto e fortuna, mas vamos ter oportunidade de ir desvendando obscuros segredos familiares, ao travarmos conhecimento com a narradora, e participante na trama, a jovem adolescente Cadence Sinclair Eastman, uma jovem inquieta, que evidencia uma nítida perturbação do foro psicológico ou mesmo psiquiátrico, mas que nos transmite o seu olhar sobre a intimidade familiar, convidando-nos a desvendar o que se esconde por detrás das belas mansões familiares e do universo à parte que constitui a Ilha privada da família.

  Logo no início do livro encontramos uma árvore genealógica dos Sinclair, e uma planta da Ilha, que nos facilitam a compreensão da história e o modo como se articula o dinamismo narrativo de todas as personagens. Iremos conhecer o rígido patriarca da família - Harris Sinclair e a esposa Tipper, bem como as suas filhas e sua descendência - Carrie Sinclair [mãe de Johnny e Will]; Bess Sinclair [mãe de Mirren, das gémeas Liberty e Bonnie, e do pequeno Taft], e Penny Sinclair [mãe da protagonista Clarence].

  À família juntar-se-á Gat, um jovem de ascendência Indiana, sobrinho de Ed [negociante de arte e companheiro de Carrie, por sua vez tia de Cadence] um jovem considerado pela família, intimamente, como um outsider de inferior classe social, mas que é acolhido para passar o verão, a partir dos oito anos, tendo perdido recentemente o pai. Gat revelar-se-á um jovem bastante atento, inteligente e culto, e a paixão que surge entre Cadence e Gat irá abalar, de algum modo, a estrutura familiar dos Sinclair, já bastante frágil, uma vez que vivem todos isolados em ridículas disputas pelo poder e pelo "ter", escondendo tudo o que é negativo e evidenciando uma perfeição que é completamente ilusória.

  Num mundo onde impera a dissimulação, a futilidade e a perturbação mental, Gat e Clarence, apesar de jovens, irão conseguir descortinar que muitos dos principios e pressupostos ali vigentes estão, à partida, errados e são bastante limitadores em relação aquilo que é o mundo real cá fora!

  Os mais jovens vão reflectir, inevitavelmente, a instabilidade latente resultante de um mundo de aparências, de casamentos desfeitos, de relações afectivas falhadas desde a origem, e a narrativa divide-se entre o tom intimista, perturbador e perturbante tantas vezes assumido por Clarance, e o clima de mistério que se vai adensando até ao desenlace verdadeiramente genial e inesperado.

   Um livro que se lê de um ápice, que nos fará pensar sobre um certo estilo de vida que, estando aqui centrado na classe alta norte-americana, tantas vezes pode ser transversal a vários outros meios sociais e culturais, onde o poder, a riqueza e o sucesso aparentes escondem, muitas vezes, ocultas fragilidades.

Sublime,sui generis e um verdadeiro must read de indiscutível qualidade literária!

Classificação atribuída do Goodreads 5/5 estrelas.



domingo, 19 de janeiro de 2014

[Histórico] "Sonhos de Papel", de Ruta Sepetys [Asa]



Título - Sonhos de Papel

Autora - Ruta Sepetys

Editora - Asa [Grupo LeYa]

Ediçao -  Janeiro de 2014

Páginas - 384

Género - Romance / Romance Histórico

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Sonhos de Papel, de Ruta Sepetys, é um romance de época, cuja acção decorre nos anos 50, na misteriosa e fascinante Nova Orleães, onde vamos encontrar um núcleo de personagens bastante fortes vivendo uma acção bastante intrincada e que agarra o leitor às páginas do livro, tornando o acto da leitura um prazer verdadeiramente compulsivo.

  Como personagem central temos a jovem Josie Moraine, filha de uma prostituta de luxo - Louise Moraine - que procurando afastar-se da influencia perniciosa da mãe, é acolhida por caridade no prédio de uma livraria do Bairro Francês de Nova Orleães, onde trabalha em troca de alojamento, desenvolvendo uma relação deveras próxima e especial com a leitura, tornando-se esta um espaço de evasão muito seguro e apetecível para esquecer os problemas, pressões e desafios constantes do dia-a-dia.

  Josie não só não encontra na mãe a figura de suporte e protecção que seria expectável e desejável, como a mesma acaba por constituir um perigoso factor de elevado risco para a vida da filha, na medida em que Louise é uma pessoal destituída de inteligência ou escrúpulos, sonhando com um enriquecimento fácil, com uma carreira em Hollywood, e envolvendo-se numa relação amorosa destrutiva com Cincinnati, um criminoso com ligações à Máfia, e que a arrasta para uma vida de maus tratos, sonhos desfeitos e crime.

   Estranhamente, é no mesmo meio onde tudo apontaria para um destino diferente, que Josie encontra bons amigos, que a rodeiam de carinho, apoio e ajuda, e até mesmo protecção num meio inóspito.

  Charles Marlowe, escritor e livreiro, é o dono da livraria Marlowe, que acolheu Josie e a envolveu no mundo dos livros, acabando por ser uma figura paterna.  Willie, a dona do bordel onde Louise trabalhou até partir, acaba por se revelar a grande figura de suporte de Josie, e revela-se uma mulher bondosa, que se esconde sob uma capa de frieza que não passa de uma máscara. Willie é uma personagem bastante forte e verdadeiramente fascinante.

   Cokie, motorista de Willie, é um dos melhores amigos de Josie, acreditando que a jovem conseguirá algo que parece impossível até à própria, e que corresponde à possibilidade de Ingresso no Smith College, uma exclusiva Universidade Feminina de onde já saíram grandes nomes da literatura Universal como Margaret Mitchell - autora de "E Tudo o Vento Levou" - numa época em que se fazia ainda sentir forte segregação social, e uma nítida divisão entre classes sociais, onde nem sempre o mérito seria garantia de sucesso na vida - Josie havia sido uma das melhores alunas do secundário, mas não seria garantida a sua entrada numa Universidade tão exlclusiva, com rígido processo de admissão.

   Na parte alta da cidade vivem os cidadãos abastados, num verdadeiro mundo à parte, e considerando-se superiores a todos os habitantes do turístico e, por vezes, mal afamado, Bairro Francês. A nata da sociedade de Nova Orleães habita em belas mansões na parte alta da cidade, vestem segundo a última tendência da moda, mas levam uma existência fútil e vazia, e os bons pais de família, em alguns casos, frequentam os bordeis do Bairro Francês, ou procuram amantes que os façam sentir-se eternamente jovens e desejáveis. A autora descreve de forma bastante envolvente estes contrastes e hipocrisias da sociedade da época.

   Personagens também importantes, no núcleo que circunda a protagonista, são Patrick Marlowe, filho de Charles, que gere a livraria com Josie, sendo ambos bastante cúmplices, e Jesse - um rapaz simples, que vive com os avós, vende flores e é mecânico, também ele de origens humildes e filho de pais bastante disfuncionais, é amigo de Josie, mas acalenta a esperança de ser algo mais que isso. É terno, honesto e divertido.

   Numa história plena de ternura, duras críticas sociais a uma certa época e uma certa mentalidade muito peculiar, Ruta Sepetys consegue também conferir à história um toque de mistério, com um crime a desvendar, e muitas peripécias e twists irão afectar as vidas das personagens.

   Uma leitura envolvente, que nos transporta facilmente para os ambientes e situações descritos, com personagens que facilmente amamos, protegemos ou detestamos, consoante assumam o papel de heróis ou de vilões. Não nos custa muito imaginar e até antever que possa, num futuro próximo, ser elaborado o argumento de um filme, tendo por base este romance fabuloso e fascinante.

   A devorar num sofá perto de si!


Cotação GR atribuída:5 estrelas





   


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

[Secção Criminal] "Crime de Luxo", de Ngaio Marsh [ASA]


Título: Crime de Luxo

Autora: Ngaio Marsh

Colecção: Crime à hora do Chá [Nº 3]

Editora: Asa [Grupo LeYa]

Páginas: 376

Preço: € 14,90

Género: Policial

Saiba mais detalhes sobre esta obra AQUI

Crítica para o blog Os Livros Nossos por Isabel Alexandra Almeida:

   Crime de Luxo, de Nagaio Marsh é um romance policial com todos os ingredientes e características próprios de um verdadeiro clássico deste género literário tão diversificado no estilo, cenários e tempo da narrativa.

     Corresponde ao terceiro volume da Colecção "Crime à hora do Chá", com chancela da ASA, e foi uma agradável surpresa pela forma como me fez mergulhar de volta neste género que há algum tempo não lia.

    Vamos encontrar um leque bastante alargado de personagens, no seio da Alta Sociedade Londrina nos anos 30, com uma deliciosa riqueza de pormenores e um toque de sábia e irónica crítica social, a um certo modo de vida das classes mais altas, que escondem, por vezes, segredos perigosos no interior das belas mansões e animados salões de baile, onde as jovens casadoiras competem entre si pelo encontro com o desejado marido que proporcione um casamento favorável à posição  social e às finanças, em cada nova época social.

   A personagem central é o charmoso, ousado e perspicaz Inspector da Scotland Yard Roderick Alleyn, também ele membro da alta sociedade Britânica, secundado pelo Colega Fox.

   Sendo descoberto um perverso plano de chantagem que começa a fazer vítimas entre damas de elevada condição social, Alleyn conta com a ajuda do seu velho e querido amigo Lord Robert Gospell, também conhecido por "Bunchy", que terá um papel muito importante no desenrolar da narrativa.

   Até que, na sequência de um  baile organizado por Lady Evelyn Carrados, o pior acontece, e vai implicar todos os esforços da policia para descobrir o responsável por actos hediondos. 

   No decurso das investigações, e enquanto as várias personagens vão prestando declarações, o leitor tem oportunidade de conhecer um grupo bastante característico de personagens bem diversas, mas que frequentam o mesmo mundo social, os alpinistas sociais e novos ricos, a aristocracia e todos os seus estreitos códigos de conduta que ocultam segredos, a tradição mantida pelos mais velhos, os jovens sonhadores, irresponsáveis e que vêem despontar paixões vigorosas... numa galeria de personagens elegante e brilhantemente  elaborada.

   Não faltam as referências às actividades de lazer da época, como concertos, bailes e convívios entre amigos e familiares, ou a frequência de clubes de diversão nocturna.

   E para as almas mais românticas, a autora nem sequer se esqueceu de trazer para a narrativa, os esforços do nosso galante Inspector Alleyn para conquistar a sua apaixonada, a Pintora Agatha Troy, uma jovem moderna e inteligente.

   Nota máxima para uma obra que certamente cativará adeptos do género policial, e em especial, será certamente do agrado dos vários fãs de Agatha Christie, sendo um verdadeiro clássico do policial.

  Gostei e espero ansiosamente pela continuidade desta colecção de excelência, que venha o próximo crime...à hora do Chá!


   


terça-feira, 20 de agosto de 2013

[Histórico]" Uma Casa de Família", de Natasha Solomons [ASA]



Título: Uma Casa de Família

Autora: Natasha Solomons

Editora: ASA [Grupo LeYa]

Edição: 2013

Páginas: 416

Género: Romance Histórico


Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:



   Uma Casa de Família, de Natasha Solomons, é um romance histórico por excelência e em todo o seu esplendor.

   A acção tem início em 1938, nas vésperas do terror da II Guerra Mundial, mas num momento em que Viena de Áustria começa a sentir a ameaça sobre a comunidade Judaica. 

  Elise Landau é a mais nova das duas filhas da culta família Landau, destacado elemento da Burguesia Vienense, sendo a mãe Anna, Mezzo Soprano, o pai, Julian um escritor de relevo e algo rebelde, e Margot, a filha mais velha, entretanto casada com Robert (académico).

   Temendo pela integridade física da família, os Landau tomam as necessárias diligências para que Elise encontre refúgio em Inglaterra, onde irá viver numa mansão histórica de uma ilustre família Inglesa, assumindo as duras funções de criada, deparando-se com as dificuldades inerentes a uma mudança radical na sua vida.

   Exilada no período antes da guerra, quando esta é já praticamente inevitável, Elise parte angustiada  para um país cuja língua e a tradição são totalmente diferentes, e indo enfrentar a humilhação de ser tratada numa condição social bastante diversa aquela de que usufruía na terra Natal, onde levava uma existência de algum prestígio e privilégios, com uma vida social bastante animada, e frequentando os mais elevados círculos culturais de Viena.

   Mal dominando o Inglês, Elise enfrenta a hostilidade dos empregados da Mansão Tyneford, nomeadamente do rígido e formal mordomo Senhor Wrexham, a cozinheira e governanta Senhora Ellsworth, encontrando inicialmente apenas algum apoio junto de poucas pessoas na propriedade.

   Com uma lista diária e interminável de tarefas, Elise encontra forças na esperança de conseguir reunir-se com a sua família nos Estados Unidos, para onde seguirão antecipadamente a irmã e o cunhado, bem como os pais Anna e Julian Landau.

   Inesperadamente, a vida quase insuportável de Élise adquire um novo fulgor com a chegada do divertido Kit, o herdeiro da família Rivers, de quem se torna bastante próxima, sendo olhada de lado pelas raparigas da alta sociedade local, que insistem em humilhá-la, bem sabendo que ela se encontra entre dois mundos, não sendo, na verdade, uma criada, nem um membro da nobreza tradicional.

   Numa narrativa de tensão permanente, vamos assistindo ao agudizar do clima político internacional, até que a Inglaterra se veja arrastada para o esforço de guerra, impondo pesados sacrifícios aos seus habitantes, e em simultâneo, vamos acompanhando o percurso de vida de Elise, que acaba por encontrar algum conforto na sua vida de exilada, ganhando o respeito do patrão - o senhor Rivers, fazendo novos amigos, como a alegre Poppy, ou o simpático Will.

   Aquando do seu exílio, Elise é também a fiel depositária do último manuscrito do seu pai, que temendo perder o livro, esconde uma cópia do mesmo no interior de um velho Violino que a jovem leva consigo para solo Britânico.

   Nos momentos de saudade e nostalgia, ou em ocasiões especiais, Elise possuiu como que um talismã que é também uma mensagem de esperança num possível futuro melhor, mas também a peça que simboliza o seu passado familiar e cultural - o belo colar de pérolas que a mãe - Anna - lhe fez chegar escondido na bainha de um vestido.

   Toda a obra se mostra escrita numa linguagem bastante cuidada, sendo mesmo simbólica e poética em alguns excertos. A ternura, o amor, o espírito de sacrifício, a luta pela sobrevivência, os ideais a defender, a lealdade, a solidariedade perante a adversidade, os valores da família e o peso positivo e menos positivo das tradições, são estes os detalhes que bastante enriquecem este romance e o tornam marcante, inesquecível e muito especial.

   Com diversas peripécias, e twists finais que prometem arrebatar e enternecer o leitor, estamos perante uma obra de excelência, plena de pormenores históricos e culturais, mas também, constituindo uma boa lição de vida quanto às dificuldades e desafios que inesperadamente podem fazer-nos mudar de mundo e reaprender a viver, fazendo-nos crescer enquanto seres humanos e testar os nossos limites.

  Dramático, doce e belo, um livro a não perder! Nota Máxima sem hesitação!