Mostrar mensagens com a etiqueta Alfarroba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alfarroba. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de outubro de 2012

[Opinião] "Amor Carnal", de Pedro Pinto [Alfarroba Edições]

 
Autor: Pedro Pinto
 
Título: Amor Carnal
 
          Editora: Alfarroba Edições
 
          Edição: Fevereiro de 2012
 
Páginas: 64
 
 
Sinopse:
 
 
"Amor carnal" é uma viagem multidimensional pelos vários tipos de amor - menos admitidos -, tão necessários à verdadeira vivência pessoal e, pela natureza, passíveis de se tornarem um vício.
A vida é, muitas vezes, um vício – pode ser – que sem que saibamos, ou admitamos, nos arrebata e faz sentir que cada dia vale a pena; cada dia é vivido com a intensidade que merece - que cada um de nós merece.
Sem pudor nem medo e focada no prazer, umas vezes imediata, outras constantemente transgressora, esta é uma obra que o convida a permitir-se emaranhar numa droga natural: o amor carnal.

 
 
Crítica/Opinião por: Isabel Alexandra Almeida/Blog Os Livros Nossos:
 
 
   Ousadia, originalidade, luxúria, sensualidade, todos estes adjectivos se enquadram perfeitamente na descrição da obra "Amor Carnal", de Pedro Pinto, com a Chancela da Alfarroba Edições.
 
   Ao longo das páginas deste livro, o leitor é convidado a ler várias pequenas narrativas [contos] que descrevem um sem número de emoções e sensações, cujo factor em comum é o desejo intenso, o fortíssimo apelo dos desejo carnal, aqui revelado e descrito sem pudores, e com todas as múltiplas letras e cambiantes que o compõem.
 
   Numa escrita desassombrada, por vezes mesmo crua, Pedro Pinto envolve os leitores em várias histórias, por ali desfilam sedutores e seduzidos, entregas mais ou menos condicionais, traições, encontros e desencontros breves ou mais dilatados no tempo, mas que acabam por reflectir muitas das vivências da sociedade actual, em termos de relacionamentos amorosos [o sentido de compromisso nem sempre associado a relacionamentos que, por vezes, não contemplam aspectos emocionais, mas a mera satisfação, mais ou menos assumida, de necessidades físicas de natureza sexual].
 
   Embora o fulcro da obra seja o amor dito carnal ou físico, surgem também referências ao envolvimento de natureza emocional, a nosso ver, um dos mais belos contos da obra tem por título " Amar-te-ei para sempre" e retrata o amor na Terceira Idade, período da vida em que muitos casais se vêem separados fisicamente [pela morte do parceiro] mas em que, por vezes e se a relação era feliz e bem sucedida, perduram os mais fortes, pelos e puros sentimentos na mente do sobrevivente, não resistimos a deixar aqui um excerto ilustrativo : " Separou-nos fisicamente, embora jamais te arranque do meu coração; sei que estou no teu, onde estiveres tenho-te na alma (...)"
 
   As fantasias sexuais, a visão do parceiro enquanto mero objecto que se usa e descarta em seguida, mas também algo para além da componente física, todas estas temáticas são inseridas na obra.
 
   No que diz respeito às personagens, muitas delas sem nome, mas com toda a identidade, são-nos apresentadas através da descrição dos respectivos estados psicológicos, bem como de atitudes e condutas, e neste aspecto, bem como na estrutura geral da obra (repartida em vários contos e multinarrativa) reside o cunho de originalidade que se reconhece ao autor.
 
   Cabe ainda assinalar que a narrativa é bastante ágil, decorrendo sob o olhar do leitor num ritmo bastante dinâmico, que vai sempre aguçando a curiosidade para o que se segue. Uma obra diferente, para ler sem pudor!
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[Entrevista Nacional] Andreia Ferreira, autora da Trilogia Soberba


 

   Andreia Ferreira é a jovem autora da Trilogia  "Soberba ", da qual se encontram já publicados os dois primeiros livros - Soberba Escuridão - e  - Soberba Tentação.
  Natural de Braga, onde reside e onde foi criada,tendo a sua cidade servido de cenário à sua saga do género fantastico, a autora escreveu o seu primeiro conto com apenas 12 anos de idade. É licenciada em Línguas e Literaturas Europeias pela Universidade do Minho. Leitora compulsiva, blogger (sendo fundadora e administradora do blog Literário D311nh4), estreou-se na escrita  em Maio de 2011, com Soberba Escuridão, e este ano com a publicação de Soberba Tentação - obras com a chancela da Alfarroba Edições.
 
   Com a presente entrevista, vamos ficar a conhecer melhor esta talentosa escritora, obrigada Andreia, pela disponibilidade, simpatia e partilha.
 
 
Entrevista a Andreia Ferreira conduzida por: Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos:
 
 

 

- Andreia, escrever surge como puro prazer ou é também uma necessidade?

 

Penso que seja uma agradável junção de ambos. Escrevo pela necessidade de encontrar o prazer.

 

- Lançaste há pouco o segundo volume da tua trilogia “Soberba”, quando deste início ao processo de escrita do primeiro livro contemplaste desde logo uma trilogia, ou foi o fluxo de ideias e a necessidade do seu desenvolvimento que te trouxe à mente este formato?

           

Quando comecei a escrever o “Soberba Escuridão”, ele não passava de um capítulo a descrever um terror noturno. Transformou-se numa história quando enviei a Carla para a escola e a relacionei com outras personagens, acompanhei-a no dia a dia e, sobretudo, visualizei um desfecho para a criatura que a assombrava.

            Passou a ter sequela, a partir do momento em que me surgiram três demónios, o que aconteceu a meio do livro.

            Depois, foi o motivo que transcendia uma simples história de amor, uma disputa entre sobrenaturais, personagens que precisavam do seu devido destaque - são ingredientes que me levaram a embarcar nesta aventura de enveredar pela trilogia.

 

- O processo de escrita desperta sempre uma enorme curiosidade nos leitores, escreves de acordo com um horário que impões a ti própria, ou deixas que naturalmente surja a oportunidade e inspiração para tal?

 

            Não imponho nada, pois a correria da vida também não o permite. Deixo as ideias fluírem e, quando estiver a transbordar, passo-as para o papel.

            O meu processo de escrita é muito íntimo, porque escrevo aquilo que quero. Tenho por hábito conversar com os leitores sobre a história e as ideias deles acabam por iluminar as minhas pré-existentes, às vezes, precisamente ao contrário do que eles esperam.

            Escrevo capítulo a capítulo, tendo um final em vista, e deixo a ação decorrer naturalmente.

 

- Tens por hábito transportar contigo um daqueles pequenos cadernos de anotações, no qual vais tirando notas de ideias que te ocorram a partir de cenas do quotidiano a que assistes, ou recuperas esse tipo de informação apenas com recurso livre à tua memória?

 

            Eu bem tento! Eu tenho o tal caderno e penso nele várias vezes. “Vou escrever isto, porque parece-me interessante para colocar na boca do Ricardo.” Nunca o faço. Por isso, sim, recorro à memória.

 

- No teu percurso de vida, e em especial, como uma das revelações da literatura nacional, tens alguma figura de referência (por exemplo, um autor teu preferido, um familiar ou amigo próximo) que te tenha especialmente inspirado e/ou incentivado a seguir o teu sonho?

 

            Revelação da literatura nacional? I wish! Obrigada pela confiança e tal menção deixa-me realmente motivada, mas tenho perfeita noção do caminho calejado de desafios que me aguarda, se quiser prosseguir e ascender no mundo literário.

            Leio imenso, amo ler e não consigo passar um único dia sem passar os olhos pelas letras de um livro, logo, tenho imensos autores que me inspiram, seja pelas obras, seja pela escrita, seja pelo trilho que os antecede. Posso falar de J.K.Rowling, que é alguém que queria mesmo conhecer; de George R.R.Martin, a quem faço a vénia; de Charlaine Harris, que me suga para a sua escrita simples e fluida; mas é ao meu pai que devo toda a força. Ele é, sem dúvida, a minha figura de referência para lograr na vida.

 
- Um dos eventos mais importantes na vida de um autor é a presença nas Feiras do Livro, quais são as sensações que experiencias num evento de tal género? Qual foi a sensação de teres estado presente na Feira do Livro de Lisboa a apresentar a tua primeira obra “Soberba Escuridão”?

 

            Foi um momento especial. Nunca tinha estado na feira do livro da capital e, estar lá como autora, foi uma excelente estreia. Conhecer alguns dos meus leitores do Centro e Sul, perceber que houve quem escolhesse aquele dia para ir à feira porque eu ia lá estar é, sem dúvida, deveras gratificante.

Uma experiência que pretendo repetir, sempre que me for dada a oportunidade.

 
- Para que faixa etária recomendarias especificamente a leitura dos teus livros?

 

Os Soberbas foram escritos a pensar num público jovem-adulto, mas tenho leitores de todas as idades. Sim, porque a fantasia agrada tanto a miúdos como a graúdos.

Devido a alguma violência psicológica e física, patente em algumas cenas, não os recomendo a crianças. Talvez, a partir dos dezasseis.

 

- Andreia, quem como nós aqui no blogue, acompanha a obra, denota uma evolução e diríamos mesmo um processo de amadurecimento ao nível da tua escrita, e das evoluções das próprias personagens? Tiveste, desde logo, essa percepção aquando da escrita do teu segundo livro – “Soberba Tentação”?

 

            Não, não notei logo, mas, quando o terminei, apercebi-me de que este volume puxou muito mais de mim do que anterior. O “Soberba Tentação” explora muito mais as personagens e o enredo está muito mais denso. Com esta reviravolta, entrei totalmente na minha praia.

            Quanto à escrita em si, torno-me, a cada dia que passa, uma leitora mais exigente e penso que isso se vá refletir na minha escrita. 

 

- Que conselhos darias a um candidato a escritor no nosso país e no meio da actual conjuntura?

           

            É fundamental que acreditem em si, que construam uma parede de betão armado para não se deixar ferir pela negatividade, que possuam humildade para ouvir repreensões acertadas, que saibam separar, daquilo que ouvem, o que é pertinente do que é frívolo.

A paciência é a maior aliada. Digo para procurarem técnicas, conversarem com pessoas que também escrevem, que vejam se há pontos no que lêem que servem para adaptar à escrita deles. Não copiem estilos de escrita, não escrevam “assim” só porque fulano o faz.

Afirmo que devem embrenhar-se no mundo deles, deixar-se consumir por ele. Encontrar a magia.

Quanto às editoras, convém averiguar como funcionam antes de as contatar.

 
- Além do já projectado terceiro e último volume da Trilogia Soberba, que projectos idealizas para o futuro da tua carreira enquanto escritora? Consideras escrever mais obras dentro do mesmo género (Fantástico, ou fantasia urbana) ou já te imaginaste a escrever outros géneros?

 

            As minhas histórias rascunhadas são quase todas de teor fantástico. Neste momento, conto com três projetos pendentes (além do terceiro volume da trilogia) e dois são do género fantástico. Estou a arriscar-me num drama, mas não me parece que me vá atirar de corpo e alma a ele para já. Preferia concluir os outros dois, antes de enveredar pela ficção dramática.

            Li há pouco tempo num artigo que se queremos escrever sobre determinado tema, a base é ler pelo menos 5000 livros do mesmo. A minha estante começa a ficar variada, logo, acredito que a minha escrita também ficará.
 

- A que razões atribuis o velho dilema com que se confrontam os autores Portugueses, de se considerar que um autor estrangeiro terá de escrever necessariamente melhor do que um autor nacional? Pensas que seria importante para combater tal estigma a internacionalização dos jovens autores Portugueses, entre os quais te inseres, com a tradução e apresentação das vossas obras junto do público estrangeiro? No imediato, em que língua e Pais ou países gostarias de arriscar a internacionalização da tua obra, e porquê?

 

Um autor estrangeiro não escreve melhor do que um autor nacional. O povo português precisa de dar uma hipótese aos autores lusófonos para mostrarem o que valem.

Tal como acontece com a literatura estrangeira, nem tudo nos agrada e lá por um ou outro autor português vos ter desagradado, isso não significa que se deve rotular tudo o que é nacional de “mau”, assim como não o fazem com os estrangeiros.

Os portugueses ainda não possuem grandes meios para se verem devidamente divulgados. Fazemos o que podemos e, aqui, falo como autora – divulgo o meu trabalho – e como blogger – divulgo outros.

Quanto à internacionalização, sim, sem dúvida que era muito positivo para o nosso mercado literário ter mais autores no estrangeiro. Desconheço como é que tal se concretiza, mas é algo que aspiro. Qualquer autor sonha em ver o seu trabalho a viajar pelo mundo.

No meu caso, não tenho preferência. Qualquer país que se mostrasse interessado em publicar os meus livros era um mérito, uma alegria sem igual.
 
 
   Para quem ainda não conhece a obra de Andreia Ferreira, aqui ficam os artigos relacionados com os seus dois livros:
 
Review de Soberba Escuridão

Review de Soberba Tentação

  Os nosso leitores ficam também convidados a visitar o blog de Andreia Ferreira:

Blog D311nh4 - de Andreia Ferreira

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

[Entrevista Nacional] - Paula Santos, autora de Eu+tu=1


Biografia integrada no Livro

“Nasceu em Lisboa a uma 3ª feira às 21h15, mais precisamente no dia 4 de Outubro de 1977. Estudou e residiu no Barreiro e atualmente reside na freguesia vizinha da Baixa da Banheira.
Um dos seus sonhos, para além de um dia saltar de paraquedas, é ver esses dois sítios do seu coração, livres da “gasaria” (palavra inventada pelos Barreirenses) e dos buracos no passeio.
Já conheceu alguns países desta aldeia global a que chamamos Terra e um dia, quando for muito rica, espera poder conhecer a Lua e mais alguns Planetas que lhe dê na real gana.
Atualmente, trabalha como administrativa e tem um marido com uma paciência de santo, uma gata chamada soneca que faz jus ao nome e um blogue todo XPTO – Marshmallows & Lilypad – http://marshmallowandlilypad.blogspot.com.
E pronto. É isto.”

Um Muito Obrigada à Paula! Adorei a sua jovialidade e boa disposição!!
 Entrevista conduzida por Ivonne.

Entrevista

Paula, eu tentei encontrar mais informações sobre si, mas apenas encontrei as que se encontram dentro do livro. Pode falar-nos mais sobre si?

Olá. O meu nome é Paula Santos e sou uma docólica anónima. Bem, anónima é como quem diz, porque quem me conhece sabe que se me puserem um pastel de nata à frente (com canela, atenção) ganham uma amiga para a vida! Brincadeiras à parte, sou uma pessoa simples, que gosta de coisas simples e que leva um dia de cada vez. E que está a aprender a dar importância ao que realmente importa e a deixar as coisinhas mesquinhas do dia-a-dia passarem ao lado!

A ideia contida no romance, em que uma maquilhadora e um actor famoso se apaixonam assemelha-se a um conto de fadas moderno (e português), tendo como pano de fundo as ruas de Lisboa, Sintra e Algarve. Como surgiu a inspiração para Eu+tu=1?

Ui... Deixem-me pensar que isso já foi há uns anitos valentes... Desde miúda que adoro ler e escrever e imaginação, graças a Deus, é coisa que não me falta. Às vezes até é demais, mas enfim...cof, cof... Lembro-me de ser criança e já adolescente e devorar livros dos Cinco, das Gémeas, d'Uma Aventura, de Eça de Queirós, de quadradinhos, sei lá. Tudo o que me vinha parar às mãos era lido com prazer. E ainda o é! Há alguns anos, comecei a escrever um conto para um concurso literário, que se foi desenvolvendo e se transformou no Eu+tu=1. O facto de ser uma maquilhadora e um actor não foi propositado. Creio que surgiu naturalmente e quanto aos locais, já conhecia alguns e os outros conheci através de pesquisa e de fotografias e incorporei-os no livro.

Como surgiu a oportunidade de ver editado o seu romance?

Quando acabei de escrever o livro, pesquisei na internet várias editoras portuguesas e enviei email's a perguntar se poderia e como poderia fazer chegar-lhes o meu manuscrito. Diga-se de passagem, que nem todas responderam... Finalmente, enviei o livro em papel para algumas, em ficheiro para outras e fiquei à espera. E esperei e esperei e esperei (é preciso ter paciência). Ao fim de alguns meses começaram a chegar cartas e email's e infelizmente, todos com respostas negativas. Sei que quando já não contava com a publicação do livro, tentei num último esforço procurar mais editoras que porventura me tivessem escapado. Entre elas estava a Alfarroba. Tornei a contactar, tornei a enviar e num belo Sábado de manhã, o Nuno (o meu marido, não o Nuno Almeida) abriu o email e lá estava um convite da Alfarroba (beijinho, Andreia!) para me reunir com eles e discutir  a hipótese de publicação do livro. O que me valeu um grande sorriso na cara e um grito de alegria em cheio no ouvido do Nuno (novamente, o meu marido)...

O seu marido chama-se Nuno. Atribuir o seu nome à personagem masculina principal foi uma homenagem? Que papel teve o seu marido desde o início de Eu+tu=1 até à sua publicação?

Foi uma homenagem sim, porque foi a pessoa que sempre me apoiou e incentivou a continuar, mesmo quando outras pensavam que isto era um capricho e que nunca iria ser publicado. Além disso, não me posso esquecer de certas amigas que tiveram uma paciência de santas e leram e releram o manuscrito antes de eu o enviar para as editoras. E não me bateram no processo!

O seu blogue “Marshmallow, Lilypad, a cat and wait for it...”, cujo nome é baseado na sua série favorita “How I met your mother” já fez um ano no principio do mês. Fale-nos um bocadinho sobre este espaço e as vantagens que lhe tem proporcionado esta plataforma. 

Gosto muito do meu “Marshmallow, Lilypad, a cat and wait for it...” e creio que hoje em dia, seria impensável deixar de o ter. Através dele conheci pessoas que se calhar de outra forma nunca iria conhecer, descobri outros mundos e opiniões e alarguei os meus horizontes. Posso dizer por exemplo, que desde que tenho blogue (este não é o 1º), ansiei por respostas de portugueses, chorei com pessoas que estavam a passar por maus momentos nos EUA e ri com momentos felizes de alguém no Brasil. Creio que um blogue é uma chave para abrir uma porta da sala que se chama mundo (uau, agora fui poética, não fui?)!

Pode falar-nos sobre alguns dos seus outros hobbies e inspirações para além do blogue?

Gosto muito de ler, ir ao cinema, estar em casa com o marido e a gata (que também pertence à família), ver outros blogues e certos programas que tento não perder. Quanto a inspirações, acho que as tenho no dia-a-dia com situações que vejo ou pelas quais passo.

 

Este ano compareceu na Feira do Livro de Lisboa, “como escritora”, como refere no facebook. Pode falar-nos sobre esse acontecimento?

Estiveeeeeee!!! E que orgulho que foi estar do “lado de cá” dos livros! A 1ª pessoa que comprou o meu livro foi uma adolescente que gostou dele por causa da capa. Depois leu a sinopse e disse para o pai: - quero este! Assim, sem dúvidas. E quando mo deu para assinar, só não derramei uma lágrima ali na hora porque ainda iam achar que eu era uma lamechas, dar-me palmadinhas nas costas e dizer: - pronto, pronto. Vá, não custa nada. É só colocar a caneta no papel e deixar deslizar...

É administrativa. Podemos deduzir, então, que por motivos profissionais, utiliza muito o computador? Por essa razão, opta por escrever no papel e passar depois a computador? Teve ou tem alguma rotina para escrever?

Em criança costumava escrever tudo a lápis. Lembro-me que quando tinha uns 10, 12 anos, escrevi um livro de aventuras do género dos da Enid Blyton (uma das minhas escritoras preferidas até hoje) e já ia nas 80 e tal páginas quando me passou uma coisinha má pela cabeça e o destruí. Enfim... Mas actualmente escrevo tudo a computador. É muito mais prático! Quando escrevo prefiro estar sozinha e em silêncio. Desligo a televisão, rádio, tudo. Consigo escrever e concentrar-me melhor assim.

Em breve, poderemos contar com mais trabalhos seus publicados? 

Já comecei a escrever outro livro. O género é o mesmo; comédia romântica e espero que também arranque algumas gargalhadas a quem o leia. A mim já arrancou algumas!

Para terminar, quer deixar uma mensagem especial para os leitores e aspirantes a escritores?

Ai, os discursos... A mensagem que quero deixar é que não desistam. Se têm a certeza que o vosso trabalho é bom e o vosso sonho é serem escritores, cantores, actores, tocadores de pífaro ou o que quer que seja nunca deixem de o enviar a quem de direito e lutar por aquilo que desejam. Só tenho pena que em Portugal ainda não se aposte muito em autores novos e/ou desconhecidos. Mas tenho esperança que isso mude. Afinal, se ninguém tivesse apostado um dia na J. K. Rowling hoje não tínhamos o Harry Potter, não é?


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

[Opinião] "Eu+tu=1", de Paula Santos


Autora: Paula Santos
Título: Eu + Tu = 1
Editora: Alfarroba Edições
 
 
 
Sinopse:

O "eu+tu=1"é uma comédia romântica, que pelo meio aborda vários temas atuais da nossa sociedade, tais como a preocupação excessiva com a aparência, a “mania” de imitar os famosos, os problemas familiares e como muitas vezes se escolhe fugir deles, ao invés de enfrentá-los e a maneira, nem sempre correta, como frequentemente a comunicação social retrata a vida das pessoas.
Este livro conta-nos a história de Maria, maquilhadora num estúdio de televisão, que leva uma vida perfeitamente normal e está a recuperar de um desgosto amoroso, quando conhece um ator português internacionalmente famoso (e não, não é o Joaquim de Almeida!) e as suas aventuras e desventuras para lutarem pelo seu amor.
O que esse ator não sabe é que Maria tem um segredo na sua vida, que só a sua melhor amiga conhece e que a impede de ser feliz.
Pelo meio, vê-se envolvida em mentiras, desilusões, embaraços, alegrias e muitas mais situações, que vão levar o leitor a não querer pousar o livro antes de chegar à última página!

Opinião:

Aiai… li este livro em menos de cinco horas (eu sou muito lenta a ler, ok?? O livro não é maçador, tem 168 páginas!) e nem sei bem por onde começar…
Adorei o livro, caramba! De tal forma, que vim logo escrever a opinião (São 2h da madrugada de Domingo, 19). Ainda sinto o coração a bater desenfreadamente e o rosto manchado pelas lágrimas enquanto escrevo isto (O que querem? Sou uma romântica incurável, mas lamechas, não! Acreditem, estou a ser sincera e não a tentar escrever uma opinião toda bonitinha, cheia de pós prilimpimpim só por ser da nossa chancela Alfarroba! Eu sou sincera, independentemente da editora. Ou, pelo menos, tento sê-lo. Digo o que gosto e o que não gosto.).
Penso que a sinopse diz tudo, por isso não vou estender ainda mais a opinião a contar isso. Por um lado, dei por mim a rir de forma descontrolada (num tom extraordinariamente alto), com a minha mãe e o meu irmão a olharem para mim como quem diz “Foi desta. Entregou-se à loucura!”. Por outro, dei por mim a roer as unhas e a chorar desalmadamente, tal Madalena arrependida! Paula Santos, ora diverte-nos com diálogos (e monólogos, devo dizer) divertidos, ora põe-nos a chorar com as cenas mais comoventes e apaixonantes!
Há muito que não me divertia com um livro assim de uma portuguesa. Foi-me emprestado pela Isabel, mas assim que puder, vou comprá-lo, pois nos momentos tristes, este livro é uma verdadeira lufada de ar fresco! Devo dizer que desconfiei da sinopse, pareceu-me uma história banal (ah, mas esqueçam lá isso, eu ainda ligo aos preconceitos que crio sobre os livros? Parece inevitável, mas os preconceitos têm-me saído todos ao lado – e ainda bem!). É um conto de fadas à portuguesa…
A narrativa, toda ela, é impregnada com muito humor e ironia e a autora tem uma escrita muito fluída. Como escreveu a historia na primeira pessoa, parece estar a falar directamente com o leitor, com a personagem principal a dirigir-se-nos com perguntas como “Eu não vos avisei?”. Isso permitiu estabelecer uma ligação directa com o leitor e resultou muito bem. Gostei muito do estilo da autora.
 As personagens estão em constante movimento, o que torna a acção tudo menos aborrecida, e só nos incentiva a continuar. Talvez tenha perdido (um pouco) a força nas últimas páginas, em termos de acção e movimento, mas foi rematado por um final delicioso. A autora não esqueceu os diálogos, que ficaram bem construídos. Já os monólogos interiores, devo dizer, ficaram surpreendentes. Com muita carga emotiva, tanto positiva (felicidade e humor) como negativa (medos e inseguranças).
Adorei as referências às zonas de Lisboa, intercalando com as belas zonas de Sintra e do Algarve. O uso de expressões engraçadas tornou a narrativa mais fresca! Para ilustrar, vou deixar aqui um exemplo, por isso, quem não quiser saber, passe para o parágrafo seguinte, por favor: “- Hã? É que… li numa revista. – Olha a deusa da sabedoria! Olá! Já não a via há alguns dias!”. Faz-me lembrar de uma amiga e colega de faculdade que, curiosamente, tem o mesmo nome próprio!
É uma autêntica lição que nos ensina que devemos aproveitar as oportunidades e deixar as mágoas onde elas realmente pertencem: ao passado e seguir o que nos dita o coração.
E durante toda a leitura não é que “o sorriso palerma… não me saia da cara!”? Eu só pensava para comigo o excelente filme português que esta narrativa não daria… Alguém por aí a ler-me com contactos? Por favor, o povo precisa de se rir mais (para desgraças, já basta a vida real) e este livro é uma óptima aposta para o cinema português! Digo-o, na minha condição de amante de cinema (amante, não expert, atenção!). Adoraria ver este livro em filme!
Novamente, digo e com toda a sinceridade, foi uma excelente aposta da Alfarroba! É uma comédia portuguesa a não perder! Parabéns, Paula Santos, adorei! “É de gargalhar e chorar por mais!”.
Ivonne

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[Opinião] "Soberba Tentação" , de Andreia Ferreira.



Autora: Andreia Ferreira
1ª Edição: Julho 2012
Editor: Alfarroba
Colecção: Romance
PVP: 15€
ISBN: 978-989-8455-41-3
Formato: 21 x 14 cm
Páginas: 300


Sinopse


Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.

Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.

Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela. Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, a Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.


Crítica/Opinião:
 por:  Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos
   "Soberba tentação" é o segundo volume da Trilogia "Soberba", da jovem  autora Andreia Ferreira. Nesta obra acompanhamos a evolução, surpreendente diga-se, do percurso das personagens de Soberba Escuridão, com especial destaque para Carla (a principal Personagem feminina), o seu namorado Caael ( um misterioso e sensual anjo Caído), as melhores amigas de Carla - Ana (agora transformada em Vampira)e a sofredora e ingénua Raquel, assumindo um papel de destaque neste livro Ricardo ( um ser híbrido, Vampiro, humano e demónio), que fica incumbido de zelar pela vida de Carla durante um período de ausência de Caael.

   Todas as personagens evoluem, sendo os humanos envolvidos na luta entre o bem e o mal, e numa guerra inevitável entre seres sobrenaturais, para a qual acabam por ver-se arrastados. Carla vive momentos de paixão, desejo, angústia e culpa que a revelam ainda mais rica em termos psicológicos do que no primeiro livro da trilogia, sendo marcada pelo conflito permanente entre a sua existência antes de se ver envolvida no mundo sobrenatural (que julgara apenas existir nos livros do género fantástico de que era ávida leitora)e os perigos e novas emoções que agora experiencia com a sua ligação ao sobrenatural.

   Mais uma vez, o enredo mostra-se engenhoso, original (sem se colar a estereótipos de obras já existentes)e a narrativa surge perante os olhos do leitor num ritmo bastante rápido, criando um permanente suspense, e a vontade de acompanhar os ulteriores desenvolvimentos, criando-nos dúvidas sobre as reais intenções e sentimentos de algumas personagens, ao ponto de nos identificar-mos com Carla (surgindo uma ainda maior empatia com esta personagem, com a qual partilhamos as incertezas e desconfianças oscilantes com os seres sobrenaturais com que convive e que vê afectarem o seu núcleo de amigos mais próximo, começando já a recear pela segurança da sua família).

   A acção narrada surge pautada por várias reviravoltas, que conseguem surpreender o leitor, ou seja, é impossível prever o que se seguirá, e este tipo de narrativa é o que distingue os escritores comuns daqueles que se mostram já acima da mediania.
   Quanto ao estilo de linguagem utilizado, também se revela evidente uma evolução positiva da mesma, no sentido de um amadurecimento da escritora (enquanto tal) que acaba por ficar patente no modo como são construídas as frases (de modo mais elaborado). Os diálogos surgem ainda mais contextualizados com descrições que permitem complementar os estados de alma das personagens, construindo-se a desejada tensão permanente que se pretende evidenciar.

   Ainda a merecer destaque, o crescendo de sensualidade que se vai notando ao longo do livro, e a forma por vezes até poética como a autora a coloca, considerando-se por exemplo, alguns dos momentos de intimidade entre Carla e Caael, e o modo como são descritos - " (...) Perdi toda a consciência do tempo, do espaço, da física, da ordem como o mundo corria.(...)Totalmente na posse dele. Não havia como contestar o quanto eu me deixara entregar, o quanto ele me envolvia a alma e o corpo."

    Se é certo que há momentos de verdadeira prosa poética, também não são esquecidos os momentos de verdadeiro terror, tão do agrado de qualquer amante do género fantástico, aqui a autora arriscou, na crueza de algumas descrições, mas foi muitíssimo bem sucedida - " Os gritos dele ecoaram no cemitério, o vento levou-os para as aldeias."

   As expectativas não só não saem goradas, ao ler este livro, como são ultrapassadas, está de parabéns Andreia Ferreira por ter conseguido pegar na sua história inicial, desenvolve-la a bom ritmo (não há momentos parados no livro), manter constantes os níveis de interesse do leitor, e surpreendendo-o pela positiva.

   Pensamos que não seria descabida uma internacionalização desta obra! Parabéns Andreia Ferreira, e que venha o terceiro volume!