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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

[Opinião] “Amizade” de Sílvia Alberto Neves (Edições Vieira da Silva)



Autor:  Sílvia Alberto Neves
Coleção:  Infanto-juvenil
Editora: Edições Vieira da Silva
 

Sinopse:
 
Esta é uma história sobre a família e a amizade.
De coelhos que se encontram e ficam amigos, desde que me lembro que sempre tive a sorte de ter amigos e amigas, alguns duram anos desde a minha adolescência, é importante alimentarmos a amizade, não basta conhecer alguém, temos que cultivar a amizade, alimenta-la tal como precisamos de oxigénio para viver.
São as aventuras de três coelhos, dois irmãos e um amigo que depressa se torna importante numa aldeia de cogumelos, onde o céu e azul profundo e existe um arco-íris o dia inteiro.
Um mundo encantado, num sonho meu…

Análise Realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.
 
   Sílvia Alberto Neves traz-nos um livro infantil bastante interessante. Logo nas primeiras páginas vê-se o trabalho que a autora teve na construção deste mundo de coelhos.
   A autora criou um livro de linguagem simples que as crianças que já sabem ler podem desfrutar plenamente, e ler aos pais. Acompanhada por vários desenhos interessantes e com um grafismo bom, fazem este livro ser interessante de folhear.
   Valoriza-se a amizade. Incentiva os miúdos a conhecer e a manter as que já têm. Afinal os amigos fazem parte da nossa evolução enquanto seres humanos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Opinião] “A Amante de Lenine” de Luís Ferreira [Edições Vieira da Silva]


 

Autor: Luís Ferreira
Coleção:  História
ISBN:  978-989-8545-82-4
Depósito Legal:  345295/12
Número de páginas: 307
Edição: Julho 2012

Sinopse:

   Inês, abandonada pelo pai e com uma mãe sem possibilidades de a criar, vai viver para Moscovo com uma tia que a recebe e a ampara. Cedo entra na alta-roda da sociedade moscovita e também cedo enfrenta os dissabores da vida. Talvez por isso mesmo, passa a identificar-se com as ideias de uma esquerda radical e a vivenciar algumas experiências políticas que a levam à reclusão e à fuga para a sua cidade natal – Paris.
Aí encontra Lenine, por quem já nutria uma simpatia enorme e com quem se identifica facilmente. Dele conhecia então o suficiente como líder de um partido em que ela militava e pelo qual estava disposta a lutar. A partir daí ambos enfrentam uma vida de sobressaltos, encontros e desencontros, no meio de uma Europa envolvida numa guerra sem sentido.
Acabam por rumar novamente a uma Rússia em transformação e onde, sob a liderança de Lenine, as convulsões políticas determinam, para ambos, o rumo dos acontecimentos.

Análise realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.

    “A Amante de Lenine” é um romance histórico de autoria de Luís Ferreira. O autor dá-nos a conhecer uma faceta de Lenine que desconhecíamos, o seu lado humano. A história centra-se principalmente na vida de Inês, a amante, mas temos um vislumbre do ditador.
Inês, revolucionária, vive apaixonadamente. É uma personagem forte e dedicada às suas convicções, sejam políticas sejam românticas. Começa como uma criança inocente com sonhos e deslumbrada pelo mundo de glamour da aristocracia Russa, acompanhamos os seus passos até se tornar companheira de luta de Lenine, e a sua grande paixão.
Lenine é aqui encarado como um homem e não uma figura ideológica, tal como todos os homens tem as suas fraquezas. A paixão que sente por Inês dá ânimo à sua vida e aumenta a sua vontade de lutar.
   O romance tem um início lento, e o capítulo onde o autor apresenta o Lenine pode ser considerado de infodump, ou seja, o autor debita a biografia desta personalidade até ao momento da acção. Após passarmos esta fase, o livro ganha uma tal dinâmica que nos prende a leitura, e rapidamente chegamos ao final da história. Desejando ler um pouco mais.
   A acção decorre nos tempos conturbados pré-Revolução e pós-Revolução Russa.
Um livro que no geral se encontra interessante. Recomendado para quem gosta de romances históricos e para que aprecie ler acerca da Revolução Russa. Uma história de amor real, ainda que romanceada.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Opinião] “A Chave” de Cláudia Valle Santos (Edições Vieira da Silva)



Ficha técnica:

Autor:  Cláudia Santos
Coleção: Ficção
ISBN: 978-989-8545-23-7
Depósito Legal: 336893/11
Número de páginas: 255

Sinopse:

Maria do Carmo Ferreira depara-se, acidentalmente, com um trabalho de investigação histórica que a leva a viver um delicado enredo familiar e a acordar a sua consciência para uma realidade oposta à sua vida rotineira e confortável.
Quando Letícia lhe diz “as coisas estão prestes a mudar. A Maria do Carmo está a viver um momento de esclarecimento. Não se esqueça que o mundo que pensamos que existe pode não ser bem aquilo que de facto é” e depois lhe pergunta “tem a certeza de que está acordada? Tem a certeza de que o seu sonho é mesmo um sonho?” Maria do Carmo sente a sua existência tremer e as suas certezas transformarem-se em dúvidas.
A evolução da investigação histórica e a procura de uma resposta para os pesadelos que a atormentam todas as noites, transportam Maria do Carmo para uma viagem de descoberta e de esclarecimento sobre a sua própria existência, que lhe irá revelar uma realidade, para si, impensável.

Análise realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.

“A Chave” é um livro que nos prende desde o início, imediatamente nas primeiras palavras. Cláudia Valle Santos conseguiu criar um livro surpreendente.
Começamos logo a pensar: Quem aquele rapaz que corre à chuva? Como é que ele está ligado à Investigadora Maria do Carmo? O que tanto procura o Gonçalo?
Até às últimas páginas a autora mantém o suspense e revela aos poucos as respostas às perguntas. A linguagem da autora é acessível e refrescante. Lê-se facilmente.
Quanto às personagens, estas estão bem desenvolvidas e maduras, até as secundárias têm profundidade. Temos um vislumbre de uma outra realidade para além da que a autora conta como principal.
Maria do Carmo é uma mulher forte que enfrenta um problema de saúde, insónias, mas apesar disso consegue manter-se no activo e desenvolver a sua pesquisa.
Gonçalo é caracterizado como um homem fraco, como a própria Tia o define. No decorrer da acção vemos que as suas atitudes são influenciadas por terceiros.
Um ponto negativo é o tempo que se arrasta a doença e como esta não é explicada a Gonçalo devidamente.
Outro ponto negativo é que existe tensão entre os dois mas nunca passa disso. Nem um nem outro avança em relação ao que sentem.
O suspense e o twist final dão um alento ao leitor e é surpreendido pela revelação final. Um livro a ler.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

[Opinião]Análise do livro “Contos de A a ZZZZZZZ” de vários autores. (Edições Vieira da Silva)




Ficha Técnica:


Autor: Contos de A a ZZZZZZZZ...
Coleção: Infanto-juvenil
ISBN: 978-989-736-003-9
Depósito Legal: 374986/12
P.V.P: € 10.00

Análise Realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.

“Contos de A a ZZZZZZZ” é um livro infantil recomendado a leitores dos 8 aos 12 anos. Os contos foram selecionados por Nuno Pais e as ilustrações elaboradas por Ricardina Silva.
Este livro é constituído por dezassete contos de vários autores. Cada um possui uma ilustração alusiva ao tema do mesmo. Quatro destes são em forma de poesia, mais precisamente na forma de quadras, o que torna a sua leitura fácil e divertida. Todos estes abordam temas diversificados. Como é o caso da coragem, da amizade, das diferenças entre indivíduos, autoestima.
Como as nossas antigas histórias de encantar, todas elas contêm uma lição para ensinar aos nossos filhos acerca da vida e de como encarar certas situações, tentando mostrar quais são comportamentos e quais são os corretos em cada situação, usando exemplos simples e de fácil compreensão.
Na idade para a qual este livro é recomendado as crianças começam a ter uma nova liberdade, já não tem de ser o pai e a mãe a contarem-lhe as histórias dos livros, podem ser eles a lê-las aos pais, o que lhes ajuda na sua evolução e desenvolvimento de hábitos de leituras. Sem as chamadas palavras difíceis vai aumentar o grau de confiança da criança.
É um livro que recomendamos para lerem antes de deitar ou mesmo apenas por prazer, já que os contos são curtos, mesmo que peçam só mais uma. Aproveitem para se sentarem, no final de um dia exaustivo no trabalho e relaxem ao lado do vosso filho ou filha e contem-te um conto. Vão ver que vale a pena.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

[Opinião] “O Testamento” de Rafael M. Coelho [Edições Vieira da Silva]




Ficha Técnica:

Coleção:  Ficção
Páginas: 138
ISBN:  978-989-8545-63-3
Depósito Legal:  343411/12
P.V.P:  € 14.00
Editora: Edições Vieira da Silva

Sinopse:

A Revolução de Abril de 1974 em Portugal além da democracia, originou também outras histórias de vida insólitas. Neste livro, conhece-se a história de duas famílias, uma industrial e outra agrícola, unidas pelo amor de um casal cujo clímax acontece entre as décadas de 70 e 90 do século XX. No seio desse casal, surge inesperadamente uma criança que irá proporcionar a ambas as famílias radicais mudanças... Onde se encontra a fronteira que separa a Luz das Trevas?

Análise Realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos

“O Testamento” passa-se na época quente pós-25 de Abril de 1974. A história gira em torno de um segredo que o pai de Lúcia manteve durante décadas, as tentativas de o descurtinarem após a morte trágica dele revelam um passado que não conheciam e uma faceta oculta de seu pai.  Acompanhamos a vida de um casal que, apesar das suas diferentes origens enfrenta os problemas da vida e de uma sociedade em mudança. Os momentos corturbados acabam por alterar a vida dos dois, Lucia e Henrique, de formas inesperadas.
A história começa simples e com um ritmo lento, ao longo do romance este mantêm-se, acabando rapidamente. Apesar deste facto o livro é interessante, podendo, porém, ter sido mais desenvolvido em certos pontos.
Algumas são personagens  estereotipadas. Sendo que conseguimos prever como irão reagir a cada situação. Enquanto personagens foram bem trabalhadas, com promenores elaborados.
O final esse, é surpreendente, e torna por si só o livro melhor. O twist final poderá deixar o leitor de boca aberta. Podendo até desiludir alguns leitores.
O autor demonstra um vasto vocabulário e faz bom uso dele.
È um livro que se pode ler numa viagem ou num dia para relaxar.

sábado, 29 de setembro de 2012

[secção Infantil] “A Gatinha, a Princesa e a Bebé” , de Paula Gonçalves [ Edições Vieira da Silva]


Autor: Paula Gonçalves
Coleção: Infanto-juvenil
ISBN: 978-989-8545-83-1
Depósito Legal: 344611/12
P.V.P: € 5.00
Editora: Edições Vieira da Silva
Número de páginas: 16

Sinopse:
No mundo da fantasia, uma gatinha, simpática e sensível vive uma aventura incrível que a leva a realizar o seu mais profundo desejo.
Ao ajudar uma bebé, a Branquinha vai viver num castelo com uma princesa de coração de oiro.
Análise Realizada por Liliana Novais.

   Paula Gonçalves conta-nos uma fábula à moda antiga. Neste livro conhecemos a Branquinha uma gatinha que tem um sonho, viver no palácio com a princesa. Mas isso nunca havia passado de um sonho que ela achava inalcançável, tudo mudará quanto ela encontra uma bebé abandonada, a Ana.
   É um livro curto ideal para ler aos nossos filhos antes de deitar, e viajar com eles num mundo de fantasia. As ilustrações deste livro são simples, sem grandes artifícios nem aplicações de computador. O que aproxima mais as crianças desse mundo, como se este houvesse sido criado por eles.
   Um livro que se recomenda para ler encostadinho na almofada e os lençóis entalados.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

[Opinião] Análise literária do livro “Protegida” de Catarina Broco.



Ficha técnica:
Editora: Edições Vieira da Silva
Autor:  Catarina Broco
Coleção:  Ficção
ISBN:  978-989-8545-75-6
Depósito Legal:  344010/12
P.V.P:  € 8.50
Número de páginas: 68

Sinopse:

Estranhos e coincidentes acontecimentos ocorrem na vida de Aleera Luce, uma adolescente italiana, cujo nascimento ficou marcado na cidade de L’Aquila.
Ziel, um rapaz atraente e misterioso, entra inesperadamente na sua vida e altera-a por completo.
Uma história de um amor proibido por vários segredos.
Uma história apaixonante e cativante.
Uma história sobre um mundo que não está longe de ser o nosso.
Uma história que não vai querer deixar de ler.

Análise realizada por Liliana Novais.

“Protegida” de Catarina Broco é o seu romance de estreia Pode classificar-se também conto devido à sua curta extensão, podendo ser tomado como um ponto negativo. A sua brevidade não é sinónimo de falta de qualidade, muito pelo contrário. Este consegue agarrar o leitor, o qual fica com vontade de saber mais acerca das personagens.
O livro começa com um evento catastrófico que leva ao nascimento da personagem principal. Toda a ação ocorre em Itália, podendo estar melhor descrita ao longo do livro. Quando lemos, sabemos que são italianos devido às expressões que usam, como por exemplo “Scusa”, falhando um pouco na descrição.
Aleera é uma jovem que fica fascinada por um estranho que a auxilia nos momentos de maior aflição do livro, o seu nome é Ziel. Órfã, ela vive na sombra de uma mãe que não conheceu e idolatra. Com o avançar da história ela acaba por conhecer melhor o seu passado. E acaba por descobrir o grande segredo de Ziel.
Uma história de amor que cresce nos encontros e desencontros destas duas personagens principais. Ciúmes e desilusões são algo que previsto no desenvolver da história, como muitos outros livros do mesmo estilo. Apesar disso, a autora conseguiu que o leitor se sinta interessado em acabar de ler a história. O enredo evolui a uma velocidade vertiginosa, podendo ter sido em algumas partes mais explorado e desenvolvido. O final deixa a vontade de querer saber mais.
No geral o livro é interessante e de leitura rápida. Apesar do tema já ter sido bastante explorado não é um cliché. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

[Opinião] Análise do livro “Rebeca a Rebelde – Uma perspectiva de Reencarnação” de Jorge Lourenço-Martins



Ficha técnica:
Coleção:  Ficção
ISBN:  978-989-97286-5-3
Depósito Legal:  332486/11
Número de páginas: 147
P.V.P:  € 14.00

Sinopse:
 
Rebeca a Rebelde, Rebeca a desequilibrada. A infiel às suas relações…
Rebeca, uma mulher de 30 anos, vai experimentando o carácter das pessoas com quem se relaciona através de jogos de sedução e de caprichos passageiros, na busca de colmatar as suas carências afetivas.

 
Análise realizada por Liliana Novais:
 

    Este é o romance de estreia de Jorge Lourenço-Martins.
   Rebeca é uma mulher sensual, e que tem consciência do efeito que tem sobre os homens. Seguimos os devaneios sexuais da personagem, os quais não esconde do seu marido, Manuel. O qual assiste desanimado à evolução dos acontecimentos. O foco central deste romance é a evolução da relação entre Rebeca e João, um homem já de idade.
   Rebeca, viciada na sedução e na conquista, inicia um jogo com João, acabando por deixar o homem confuso e hesitante. Será que a relação de ambos evoluirá para algo mais do que amizade?
   Com uma linguagem sugestiva e várias referências sexuais explícitas, o autor guia-nos por um episódio da vida da rebelde Rebeca e nas inúmeras situações embaraçosas em que ela se encontra.
   Observamos um emaranhamento de relações sem fim com o centro na Rebeca, a qual não pode ter apenas um ou dois homens na sua vida. Ela tem de ser o centro das atenções de todos os que a rodeiam.
Por seu lado, João não sabe como lidar com a atenção da jovem mulher, procurando as respostas nos livros que lera durante a sua vida. Intelectual torna toda a situação numa questão racional. Um homem do outro tempo, vê na infidelidade uma coisa a evitar, apesar da tentação ser enorme.
   As personagens são maduras e com personalidades bem demarcadas que se conseguem vislumbrar nas páginas, ganhando vidas próprias.
   O autor mostra o seu grande domínio da língua portuguesa com o enorme número de vocábulos utilizado.
   Um livro interessante e original deste autor português.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

[Opinião] “Cruzes no Horizonte”, de João Garrido


 

ISBN: 978-989-8545-71-7
Depósito Legal: 344726/12
P.V.P: € 14.00
Número de páginas: 154
Editora: Edições Vieira da Silva
 
 
Sinopse:
 
   Gabriel Alvarez nasceu numa pacata aldeia do litoral estremenho. Aí recebeu uma educação ministrada a preceito pelo avô materno, que fez daquele neto o repositório dos valores que o conduziram ao longo da vida conturbada.
Mas a evolução da existência de Gabriel revela-lhe tremendas surpresas. Um mundo diferente espera por si a partir do momento que abandona Venteira, a aldeia natal.
A adaptação à vida de Lisboa, a primeira paixão, a confrontação com um universo novo onde se vê deslocado, transformam-se numa sequência de episódios que irão desembocar na horrível experiência da guerra colonial. No meio de um jogo de vida e morte, Gabriel depara com o seu ego verdadeiro, e com os demónios que lhe assaltam a alma – cruzes sempre presentes no seu horizonte. Entretanto, consolida uma estranha amizade com o amigo David, um jovem artista excêntrico que se irá tornar no mentor ideológico daquilo que Gabriel gostaria de ser mas não pôde.
O regresso da guerra, após o 25 de Abril de 1974, faz Gabriel deparar com uma sociedade militante com que não contava. Segue-se a adaptação, os primeiros empregos e a descoberta do amor, de que resultará o nascimento da sua filha adorada.
Depois, o horror de assistir ao desmoronar daquela que julgava a obra da sua vida – o casamento com a mulher que ama, que vai enlouquecer. Resta-lhe Teresa, a filha que representa a sua única razão de viver.
Desempregado e cansado de uma existência deprimida, decide voltar a Venteira, a sua querida aldeia, para uma derradeira visita ao passado onde fora feliz. Aí irá descobrir uma caixa misteriosa, e com ela a motivação para insistir em estar vivo. E, depois, redescobrirá o amor que julgava já não estar ao seu alcance.

Análise realizada por: Liliana Novais/Os Livros Nossos.

   Neste livro João Garrido leva-nos numa viagem no tempo, acompanhando a vida de Gabriel Alvarez. O qual regressa à sua casa de infância na hipotética aldeia de Venteira. Desempregado, atormentado pelo seu passado e depressivo, a casa em ruinas é o perfeito espelho do seu estado de espirito.
   As personagens são maduras, com vivências marcantes e elaboradas com mestria. Cada uma sofreu e aprende algo com isso.
   O autor conseguiu transcrever como a vida seria durante a ditadura numa cidade pequena e os leitores que não a viveram, entram num mundo estranho em que se viva com medo. Também a guerra colonial foi tratada com perícia e com cuidado, não sendo demasiado forte. Mas podendo também ter sido mais aprofundados. As perdas do personagem principal moldam a sua personalidade e o seu percurso.
   A linguagem utilizada pelo autor é rica em vocábulos, com descrições simples que nos permitem seguir a ação de perto.
   A narrativa assume um ritmo fluente e equilibrado, sem atropelos nem momentos mortos, permitindo ao leitor seguir a história sem se aborrecer nem se perder no seu decurso.      Acompanhamos a evolução do protagonista, os seus amores e desamores, as desilusões que a vida trás.
    A misteriosa caixa acaba por se revelar como uma personagem por si só, com a sua teimosia de não sair do seu esconderijo e acaba por ser muito reveladora para o protagonista.
   É um bom romance, com revelações e momentos mais tensos. Envolve o leitor até ao final.