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sábado, 29 de setembro de 2012

[Entrevista Internacional] Kate Pearce [Quinta Essência]

 
 
   Kate Pearce nasceu em Inglaterra, numa grande família onde todas eram raparigas, e passou grande parte da sua infância feliz num mundo de sonhos. Sempre lhe disseram que tinha de «fazer o correto», portanto estudou História e formou-se com distinção pela University College of Wales. Depois do fim do curso entrou na vida real e trabalhou em finanças, carreira que não era a melhor opção para uma futura escritora.
Finalmente, mudou-se para os Estados Unidos, o que lhe permitiu realizar o seu sonho de escrever um romance. Para além de ser uma leitora voraz, Kate gosta de fazer caminhadas com a família pelos parques regionais da Califórnia.
Para mais informações, visite
www.katepearce.com [Fonte do texto introdutório: site da Quinta Essência]

  Kate Pearce, autora da Série [ Casa do Prazer], é já bem conhecida do público Português, sendo a sua obra editada pela Quinta Essência [Grupo LeYa]. Escreve romances eróticos históricos, e também se dedica à literatura paranormal e contemporânea [não sendo ainda conhecidas do público Português estas duas últimas facetas da obra desta escritora]. Em Português existem já publicados dois livros de Kate Pearce - "Escravos do Amor", e " Escravos da Paixão" - o segundo romance foi a novidade editorial de Setembro da Quinta Essência.
   Polémica, com uma escrita bastante ousada, para ser lida sem preconceitos, tivemos a oportunidade de dar a conhecer melhor a autora, extremamente simpática e descontraída, numa entrevista alargada que, acreditamos, irá melhor contextualizar a sua obra.
 
 
[ENTREVISTA INTERNACIONAL: KATE PEARCE]
 
Entrevista conduzida por: Isabel Alexandra Almeida /Os Livros Nossos:
 
1- Kate, sempre foi uma leitora ávida, que mais tarde se tornou escritora. Acha importante para um futuro escritor ler muito? O que de melhor aprende quando lê?
   [Kate Pearce]: Eu penso que aprendemos como um livro funciona, como usar a linguagem, o ritmo e a fluidez de uma história. Quanto mais lemos, melhor compreendemos como escrever. Quando comecei a escrever pela primeira vez, costumava copiar partes do texto que me faziam vibrar e analisava-as.
2- Diga-nos os seus autores preferidos.
[K.P.]: É uma pergunta difícil, porque eu leio muito! Terei de referir Dorothy Dunnett, Rosemary Sutcliff, Jane Austen, Georgette Heyer, Marian Keyes, Jody Picoult, Susan Howatch, Linda Howard e Mary Balogh.
3- Escreve romances eróticos e também fantasia histórica, como a Série dos Vampiros Tudor, ainda não disponível em Portugal. Quão difícil é para si fazer a pesquisa? Quanto tempo demora?
[K.P.]: O período da regência foi por mim estudado na escola, e estou com ele bastante familiarizada, por isso ocorre-me de forma bastante natural.(Tendo sido nascida e criada perto de Londres, e estar familiarizada com os locais acerca dos quais escrevo, também ajuda). Na Universidade também estudei a política da época Tudor, por isso tenho um bom entendimento de tal matéria também. Eu adoro fazer pesquisa, por isso, não considero um trabalho, apenas uma base para tornar mais credíveis as histórias que escrevo.
Também escrevo romances paranormais e contemporâneos. O mais difícil para mim de captar é a contemporaneidade Norte Americana. Mesmo após 15 anos aqui eu ainda entendo mal algumas coisas. J
4- Na sua opinião, a sua formação académica em História ajuda-a na pesquisa?
[K.P.]: Completamente. Eu sei como encontrar as coisas rapidamente e, para ser sincera, a internet tornou isso mil vezes mais fácil.
5- É Britânica, mas vive actualmente nos Estados Unidos, porque sentiu que seria mais difícil para si publicar no seu país natal?
[K.P.]: A Indústria dos romances nos Estados Unidos é enorme e é o género literário que mais vende. No Reino Unido, o romance é considerado como sendo essencialmente edição da Mills & Boon [Editora de romances populares no Reino Unido], e não é considerado como boa literatura, o que penso que é de lamentar. Quando me mudei para os Estados Unidos e vi os romances nas livrarias, descobri que tinha encontrado o que queria escrever.
6- Alguns dos leitores Portugueses da Série [Casa do Prazer] ficaram chocados com as descrições explícitas. O que a levou a escrever acerca de temas tão peculiares, como a violação e a homossexualidade?
[K.P.]: Não me parece que sejam apenas os meus leitores Portugueses a ficar chocados. J Acho que choquei todas as nações. [Risos] Não sei o que me fez escrever acerca destes temas. Valentim e Peter apareceram um dia na minha cabeça, e chegaram por inteiro, com toda a sua história e bagagem emocional. Apenas decidi que teria de ser corajosa [e em 2007, quando estes livros surgiram, foi coragem mesmo] e escrever a história deles, e tinha de ser escrita.
Eu sempre gostei de pisar as fronteiras daquilo que é considerado um “romance” e nunca gostei de rótulos, por isso, escrever acerca destes dois homens que poderiam amar-se, sem olhar ao género, pareceu-me natural.
Também acho que o sexo é um assunto tão fascinante, e não se trata apenas da parte física ou da orientação do sujeito, é também uma questão de poder.
7- Quando descreve um episódio de natureza sexual, apresente apenas um trabalho de imaginação, ou as descrições são baseadas na vida privada Britânica do Século XIX?
[K.P.]: Bem, acho que as pessoas têm sexo há milhares de anos, e se olharmos para culturas ancestrais como os Egípcios, os Maias ou os Celtas, podemos ver a arte e a literatura a representar todos os tipos de posições  e combinações sexuais interessantes [Risos].Conjugo um interesse em pesquisar acerca deste tipo de livros com a minha vívida imaginação. J
8- Gostaria de recomendar alguns livro´s que nos possam ajudar a compreender melhor o contexto histórico Britânico do Século XIX?
[K.P.] Em relação à componente erótica, podem consultar obras do Capitão Sir Richard Francis Burton, que foi um arrojado explorador Britânico, e também linguista, no início do Século XIX, que, nas suas viagens, trouxe os livros das Mil e Uma Noites e do Kama Sutra, para Inglaterra.
Para a Regência e o Principe Regente, não ficam mal com o livro de J. B. Priestly “ O Príncipe do Prazer” .
Também investiguei a Guerra Peninsular travada entre França e Inglaterra, por toda a Europa, incluindo Portugal. Os diários de Harry Smith, desse período, são muito interessantes. Ele casou com uma senhora Espanhola, enquanto esteve lá, e levou-a para Inglaterra com ele. J Se quiserem a versão romantizada desta história, experimentem o livro “A noiva Espanhola” de Georgette Heyer.
9- O que cria primeiro: enredo ou personagens? Costuma escrever esquemas ou deixa que a imaginação flua?
[K.P.]: São sempre as personagens que me surgem primeiro. Há uma longa fila de personagens na minha cabeça, pacientemente à espera de que escreva sobre elas. Não sou muito boa a elaborar enredos. Tendo a sentar-me e a escrever, parando por vezes para pesquisar, enquanto trabalho. Às vezes, quando concebo um livro, não tem nada a ver com a ideia original que propus ao meu editor.
10- Gosta de se manter em contacto com os seus leitores e fãs, o que é que eles mais gostam nos seus romances?
[K.P.]: Isso depende do leitor. J A maioria gosta de cenas de sexo, mas também se apaixonam pelas personagens, o que é muito especial para mim.
11- Entre a Série Casa do Prazer e as Crónicas dos Vampiros Tudor, quais são os seus preferidos?
[K.P.]: Isso é como pedir-me que escolha um filho preferido. J Penso que a Casa do Prazer vai sempre ser a minha série preferida, porque significou muito para mim ser capaz de escrever algo tão inovador e subversivo.
12- O que recomendaria a alguém que  queira tornar-se escritor?
[K.P.]: Ler muito do seu género literário preferido e escrever muito. Aprenderá muito se continuar a escrever. Quando nos sentimos suficientemente confiantes para partilhar o nosso trabalho, encontrar outros escritores que partilhem o nosso amor por aquilo que escrevemos e aprender com eles  através das críticas e da partilha do nosso trabalho.
13- Gostaria de deixar uma mensagem para os seus leitores e fãs Portugueses?
[K.P.]: Apenas dizer que fiquei encantada por saber que tenho leitores em Portugal, que gostam destes livros, e espero que continuem a gostar deles. Obrigado.
 
 
[INTERNATIONAL INTERVIEW WITH KATE PEARCE]
 
By: Isabel Alexandra Almeida /Our Books blog
 
English Version
1)    Kate, you have always been an avid reader, who became an author later. Do you find important for a future writer to read a lot? What are the best things you learn when reading?
[Kate Pearce]: I think you learn how a book ‘works’, how to use language and the flow and pace of a story. The more you read, the more you understand how to write. When I first started writing I used to copy out pieces of text that resonated with me and analyse them.
2)    Name your favourite authors.
[K.P.]:That’s a tough question because I read a lot! I’d have to say, Dorothy Dunnett, Rosemary Sutcliff, Jane Austen, Georgette Heyer, Marian Keyes, Jodi Picoult, Susan Howatch, Linda Howard and Mary Balogh.
 
3)    You write erotic novels and also historical fantasy such as the Tudor Vampires Series, not yet available in Portugal. How hard it is for you to make the research? How long does it take?
[K.P.]: The Regency period is a period I studied in school, and one that I am quite familiar with, so it comes quite naturally to me. (Being born and brought up near London and being familiar with the places I write about also helps). I also studied Tudor politics at university, so I have a good basic understanding of that, too. I love doing research so I don’t consider it as work, just as background to make the stories I write more believable.
I also write paranormal and contemporary novels. The hardest thing for me to get right is contemporary American. Even after fifteen years here I still get things wrong, J
4)    In your opinion, does your History Degree help you with the research?
[K.P.]: Absolutely. I know how to find things quickly and, to be honest, the internet has made that a thousand times easier!
 
5)    You are British, but you are currently living in the U.S.A.. Why do you feel that it would be harder for you to publish in your home country?
[K.P.]:The romance industry in the USA is huge and is the biggest selling genre of them all. In the UK, romance is considered to be mainly Mills & Boon and is not considered to be good literature, which I think is a shame. When I moved over to the U.S. and discovered the romances in the bookstores, I knew I had found what I wanted to write. J
6)    Some of your Portuguese readers of The House of Pleasure Series were shocked by the explicit descriptions. What drove you to write about such peculiar themes such as rape and homosexuality?
[K.P.]:I don’t think it’s just my Portuguese readers who were shocked. J I think I’ve shocked every nation. LOL I don’t know what made me write about these subjects. Valentin and Peter just turned up in my head one day, and they came complete with all their backstory and emotional baggage. I just decided I had to be brave (and back in 2007 when these books came out, it was brave) and write their story as it was meant to be written.
I’ve always liked pushing the boundaries of what is considered a ‘romance’ and I’ve never liked labels, so writing about these men who could love each other regardless of their gender, just seemed natural to me.
I also think that sex is such a fascinating subject and it isn’t just about the physical or the person’s orientation; it’s also about power.
7)    When you describe an episode of sexual nature, do you present just a work of imagination, or are the descriptions based on the 19th century British private Life?
 
[K.P.]:Well, I think people have been having sex for thousands of years, and if you look at ancient cultures such as the Egyptians, or the Mayans or the Celts, you can see art and literature representing all kinds of interesting sexual positions and combinations, LOL. I combine an interest in research into these kind of books and my very vivid imagination. J
8)    Would you like to recommend some books that could help us understand better the British historical context in the 19th century?
[K.P.]:For the erotic side of things look up Captain Sir Richard Francis Burton who was a dashing British explorer and linguist in the early nineteenth century who on his travels brought both the Tales of the Arabian Nights and the Karma Sutra back to England.
For the Regency and the Prince Regent, you can’t go wrong with the standard J.B. Priestly’s book ‘The Prince of Pleasure’.
I’ve also researched the Peninsula War fought between France and England all over Europe, including in Portugal. The journals of Harry Smith from that time period are very interesting. He married a Spanish lady while he was there and brought her back to England with him. J If you want the romance version of that, try Georgette Heyer’s ‘The Spanish Bride.’
9)    What do you create in the first place: plot or characters? Do you usually write outlines or do you allow the imagination just to flow?
[K.P.]:It’s always the characters that come first for me. There’s a long line of them queued up in my head, patiently waiting their turn to be written about. I’m not a great plotter either. I tend to just sit down and write, stopping to research something as I go. Sometimes, when I turn a book in it is nothing like the original idea I proposed to my editor.
 
10) You like to keep in touch with your readers and fans, what do they usually like most about your novels?
 
[K.P.]:It depends on the reader. J Most of them like the sex scenes, but they also fall in love with the characters, which is very special for me.
11) Between the House of Pleasures and The Tudor Vampire Chronicles which one is your favourite?
[K.P.]:That’s like asking me to choose a favourite child! J I think the House of Pleasure is always going to be my favourite series because it meant so much to me to be able to write something so ground-breaking and subversive.
12) What would you recommend to someone who wants to become a writer?
[K.P.]:Read a lot in your favourite genre and write a lot. You’ll learn so much if you just keep writing. When you feel confident enough to share your work, find other writers who share your love of what you write and learn from them by critiquing and sharing your work.
 
13) Would you like to leave a message to your Portuguese readers and fans?
 
[K.P.]:Just to say that I’ve been so delighted to hear that there are readers in Portugal enjoying these books, and that I hope you continue to enjoy them. Thank you.
______________________________
 
 
REVIEWS:
 
 
 
 
Agradecimentos:
 
Este trabalho contou com o apoio da editora Quinta Essência, que disponibilizou para leitura e review o mais recente livro da autora. Agradecemos ainda a disponibilidade e simpatia de kate Pearce, e aqui fica um público agradecimento a Ana Ferreira, autora do blog Illusionary Pleasure, que reviu e aperfeiçoou as questões por mim originalmente formuladas em Língua Inglesa.
 
 
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

[Entrevista Internacional] Michelle Jackson, autora de "Um Beijo em Havana" [ Quinta Essência]




Michelle Jackson - autora de "Um beijo em Havana"

 
  Entrevistamos  Michelle Jackson, autora britânica recentemente editada em Portugal com a chancela de Qualidade da Nossa Parceira editorial Quinta Essência , tendo sido recentemente publicado o seu romance "Um Beijo em Havana". Muito simpática e acessível, Michelle é, por natureza e vocação, criativa, sendo designer e Professora de Arte. Leitora aficcionada desde muito jovem, encontra na escrita o seu "tempo especial". Concilia todas as suas paixões criativas com a maternidade de duas crianças. Viajar é uma das suas grandes paixões, sendo esta bem ilustrada nas suas maravilhosas narrativas.
 
 
Vamos então conhecer melhor Michelle Jackson.
 
 
ENTREVISTA INTERNACIONAL COM: MICHELLE JACKSON
 
 
Por: Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos
 
 
 
1)    Michelle, quando descobriu que era o momento para se tornar escritora?
- [Michelle Jackson]: Eu sempre gostei de ler – quando criança, eu corria para uma biblioteca, como a Matilda de Roald Dahl, e devorava livros. Mas à medida que fui crescendo, e na minha adolescência, eu senti o meu amor pelas artes visuais e tomar conta de mim, e nunca sonhei que, um dia, seria capaz de escrever, eu própria, um livro. Transportei este pensamento noas profundezas da mente e fui para a faculdade de arte quando sai da escola secundária. Tornei-me designer e Professora de Arte. Foi apenas quando  dei à luz a minha filha, no final dos meus trinta anos, que senti uma necessidade de escrever. Foi uma experiência muito libertadora e a minha filha foi a minha musa inspiradora.
2)    Concorda com a distinção entre escritor (aquele que escreve) e autor (aquele que começa a ver publicado o que escreveu?
- [M.J]: Eu penso que qualquer pessoa que escreva é um escritor. Muitos autores maravilhosos têm enorme dificuldade em ser publicados e é por isto que muitos novos talentos estão agora a ser descobertos com o fenómeno dos ebook. Eu não vejo uma distinção entre aqueles que são responsáveis pela edição das suas próprias obras, e os que são publicados através de uma editora. Os autores publicados têm a vantagem de um editor!
3)    Os seus romances incluem sempre belas e interessantes paisagens (Havana, Las Vegas, Irlanda), na sua opinião, este pormenor é relevante para cativar os leitores?
- [M.J.]: Viajar é uma das paixões na minha vida. Adoro visitar novos lugares e ter novas experiências. O que me rodeia é importante para mim e encontro muita inspiração em diferentes arquitecturas, comidas, músicas e outras diferenças culturais, que variam de pais para país. Gosto de ser tão precisa quanto possível nas minhas descrições, e passo muito tempo  a assegurar que os detalhes nos meus livros são credíveis e reais. Se viajar para um dado local num dos meus, eu gosto que, enquanto leitor, sinta que esteve, de facto, no local acerca do qual eu escrevi.
4). Como é que encontra as ideias para um novo romance?
-[M.J.]: Habitualmente, começo pelo local, mas há sempre uma mensagem ou um tema forte que quero transmitir. O tema da rivalidade entre irmãs é explorado no meu livro “Um beijo em Havana”, a amizade e os seus laços são explorados em “Dois dias em Biarritz”. O meu novo romance publicado na Irlanda tem como cenário a Austrália e o tema é a emigração. Deverá estar pronto para ser lançado no final de Setembro.
5). Escreve de acordo um horário específico, ou quando se sente com disposição para escrever?
-[ M. J.]: Eu escrevo sempre que me é possível. É o meu prazer, o meu tempo especial. Sou mãe de duas crianças pequenas que exigem bastante atenção e tempo e também ainda dou aulas de arte, a tempo parcial, por isso penso que a mistura e o equilíbrio na minha vida resultam para mim.
6). Quais são alguns dos seus autores preferidos (Clássicos e contemporâneos)?
- [M. J.]: Adoro Ernest Hemingway e Jane Austen. Mas a minha escritora contemporânea preferida é Melissa Hill, que é também Irlandesa. Eu creio que temos uma forte herança literária na Irlanda, já que usámos a palavra falada enquanto meio de nos auto-expressarmos durante séculos, e na Idade Média eramos conhecidos pela terra dos Santos e Escolásticos. Outros autores de que gosto são: Micth Albom e Audrey niffnegger. O meu livro preferido de todos os tempos foi escrito na primeira metade do Século XX, e tem por título “Reviver o passado em Brideshead”, de Evelyn Waugh, e decorre entre as duas guerras mundiais. É a história de família aristocrata Britânica e eu adorei as personagens.
7). Como se sentiu quando viu o seu primeiro romance a ser publicado?
-[M.J.]: Não consigo explicar o quão excitada fiquei quando segurei o meu primeiro livro – foi um pouco como dar à luz- Embora eu seja muito afortunada e tenha tido cinco livros publicados, não há nada como a sensação de ver o nosso primeiro livro publicado.
8). Pode falar-nos um pouco sobre o seu próximo romance?
-[M.J.]: O meu novo romance tem por título “5, Peppermint Grove” e é a história de dois amigos que são separados pela emigração. Este é um grande tema na Irlanda, neste momento em que tantas pessoas estão a emigrar por razões económicas. É algo que temos conhecido durante várias vezes ao longo dos últimos dois séculos, e queria explorá-lo num contexto moderno. A mãe da minha personagem central também emigrou nos anos 70 e ela esconde um segredo desta época que a filha irá desvendar no decurso do livro.
9). Que mensagem gostaria de deixar a todos os seus leitores em Portugal?
- [M.J.]:Eu gostaria de dizer obrigado a cada pessoa que leu o meu livro. Estou muito satisfeita por ver o meu trabalho no vosso bonito idioma. Visitei o vosso país várias vezes e sempre passei ali bons momentos. Espero regressar tão brevemente quanto possível, e talvez um dia um dos meus romances tenha Portugal como cenário. Muito obrigado e felizes leituras!
 O nosso agradecimento à autora Michelle Jackson, pela disponibilidade e simpatia, e também à editora Quinta Essência, por ter disponibilizado para review, um exemplar do livro "Um beijo em Havana".
 

 

ENGLISH VERSION:

 
INTERNATIONAL INTERVIEW WITH:  MICHELLE JACKSON:
By: Isabel Alexandra Almeida/Blog Our Books/Os Livros Nossos
1)      Michelle, when did you find out that it was the moment for becoming a writer?
I always enjoyed reading – as a child I would run off to the library like Roald Dahl’s Matilda and devour books. But as I grew older in my teenage years I felt my love of the visual arts take over and I never dreamed that I would one day be able to write a book myself. I carried this thought in the back of my mind and went to art college when I left school. I then became a designer and an art teacher. It was only when I gave birth to my daughter in my late thirties that I felt an urge to write. It was a very freeing experience and I credit my daughter with being my muse.
2)      Do you agree with the distinction between writer (the one who writes) and author (the one who starts publishing what he wrote)?
 
I think that anybody who writes is a writer. Many wonderful authors have great difficulty getting published and that is why some new talent is now being found from the ebook phenomenon.  I don’t see a distinction between  those who self publish and those who are published by a publisher. The published authors have the advantage of an editor!
 
3)      Your novels always include beautiful and interesting landscapes (Havana, Las Vegas, Ireland), in your opinion, is this detail important to captivate the readers?
Travel is one of my passions in life. I love to visit new places and experience new things. My surroundings are important to me and I find great inspiration in different architecture, food, music and other cultural differences that vary from country to country. I like to be as accurate in my descriptions as possible and spend a lot of time ensuring that the details in my books are believable and real. If you travel to a place in one of my books I would like you as a reader to feel that you have really been where I have written about.
4)      How do you usually come up with the ideas for a new novel?
 
I usually start with the place but there is always a strong theme or message that I want to convey also.  The theme of sibling rivalry is explored in my book Um Beijo em Havana – friendship and it’s boundaries is explored in Two Days in Biarritz. My new novel published in Ireland is set in Australia and the theme is emigration. It is due for release at the end of September.
 
5)      Do you write according to a specific timetable, your when you feel in the mood for writing?
 
I write whenever I can. It is my pleasure and my special time. I am the mother of two young children who require a lot of attention and time and I also still teach art on a part time basis so I find the mix and balance in my life works for me.
 
6)      What are some of your favourite authors (classics and contemporary)?
 
I love Ernest Hemingway and Jane Austen. But my favourite contemporary author is Melissa Hill who is also Irish. I think that we have a strong literary heritage in Ireland as we used the spoken word as a means to express ourselves for centuries and in the middle ages were known as the land of saints and scholars.  Other authors that I enjoy are Mitch Albom and Audrey Niffinegger. My favourite book of all time was written in the first half of the twentieth century and entitled ‘Brideshead Revisited’ by Evelyn Waugh and set between the two world wars. It is the tale of an English aristocratic family and I loved the characters.
 
7)      How did you feel when you saw your first novel being published?
 
I cannot explain how excited I was when I held my first book – it was a bit like giving birth! Although I am very fortunate and have had five books published there is nothing like that feeling of seeing your first book in print.
 
8)      Can you tell us a little about your next novel?
 
My new novel is entitled 5 Peppermint Grove and it is the story of two friends who are separated by emigration. This is a big theme in Ireland at the moment as so many people are emigrating for economic reasons. It is something that we have been known for several times over the last two centuries and I wanted to explore it in a modern context. My main character’s mother also emigrated in the 1970’s and she hides a secret from this time which her daughter unravels in the course of the book.
 
9)      What message would you like to leave to all your readers here in Portugal?
 
I would like to say thank you to each and every person who has read my book. I am so pleased to see my work in your beautiful language. I have visited your country several times and always had a marvelous time. I look forward to returning as soon as I can and maybe some day I will set a novel there. Many thanks and happy reading.
 
 
 


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

[Entrevista Nacional] - Carla Ribeiro



Hoje, deixo-vos aqui a Entrevista nacional com Carla Ribeiro. Obrigada, Carla, pela disponibilidade e prontidão :P
Breve Biografia

Carla Ribeiro nasceu a 20 de Julho de 1986 e é natural de S. Martinho de Mouros, Portugal. É licenciada em Medicina Veterinária e leitora compulsiva, com uma predilecção de sempre pela literatura fantástica. Colabora ocasionalmente em algumas antologias e outras publicações literárias, e com alguns livros publicados em géneros tão diferentes como a poesia e o romance fantástico, sendo os mais recentes Pela Sombra Morrerão (Antagonista Editora) e Senhores da Noite (Fronteira do Caos).



Entrevista 
É um facto que venceste num género difícil de agradar. É, de igual forma, factual que não se consegue agradar a todos. Porquê o Fantástico como registo de eleição?

O fantástico é um dos géneros literários que mais me cativa. Apesar de gostar de escrever em géneros diferentes, muitas das histórias que me surgem no pensamento têm alguma relação com o fantástico. Gosto das possibilidades que me apresenta, responde ao tipo de situações que me interessa desenvolver… mas não é uma escolha feita inteiramente com o lado racional. Quando as ideias surgem, vêm, normalmente, como um momento e um lugar marcantes, de alguma forma. E, partindo desse ponto em que a história começa a crescer, é, muitas vezes, o fantástico que melhor se adapta a essa história que quer ser contada e me falou ao coração.

Em relação à construção das tuas histórias, referiste que, aos 14 anos, começaste a descobrir que “talvez pudesse levar essas ideias um pouco mais a sério”. Como é que isso aconteceu?

Houve uma fase na minha vida em que se tornou imperativo encontrar uma forma de expressão para o que tinha por dentro. Precisava de um refúgio e a verdade é que nunca fui de natureza extrovertida. Foi o início de um ponto de viragem, a altura em que escrever deixou de ser uma experiência muito ocasional e passou a ser em parte vício, em parte necessidade. A fase seguinte surgiu quando comecei a mostrar o resultado dessas longas alturas de escrita. Primeiro a amigos, depois a professores, a seguir a participação em alguns concursos literários… Foi a altura em que comecei a pensar que poderia haver por aí quem gostasse de me ler.

Colaboras no Correio do Fantástico, um espaço dedicado maioritariamente ao género que lhe deu o nome. Podes falar-nos um pouco sobre ele?

Enquanto espaço de divulgação de um género que está entre os meus absolutos favoritos, era inevitável que o Correio do Fantástico me chamasse a atenção. É um género tão vasto e com tantas possibilidades, que a ideia que, por vezes, se passa de que se resume a literatura infanto-juvenil ou essencialmente escapista me parece imensamente redutora. Daí que encontre muito valor neste tipo de espaços e iniciativas de divulgação. O meu contacto com o Correio do Fantástico foi inicialmente enquanto leitora, e aquilo de que mais gostei foi o entusiasmo e a vontade de avançar com ideias e projectos. Depois surgiu o convite para participar no espaço e tive todo o gosto em aceitar - ainda que, por razões de tempo ou de falta de ideias da minha parte, a minha participação tenha vindo a ser bastante mais… discreta… do que deveria. 

Podes dizer-nos como surgiu a possibilidade de contribuir para esse projecto e de que forma influenciou o teu caminho até ao presente?

Já acompanhava o projecto há algum tempo e já tinha enviado alguns textos meus para algumas das iniciativas do Correio do Fantástico. A partir daí, o convite acabou por surgir. Quanto à forma como me influenciou, acho que há duas situações que se destacam. A primeira, desde logo, foi a oportunidade de publicar alguns textos meus em projectos que surgiram ali. A outra foi o contacto com outros leitores e interessados no género que dificilmente teria conhecido de outra forma.
  
O que originou a escrita de “Senhores da Noite”? 

Tal como acontece com muitas das minhas histórias, esta começou com uma ideia e um momento. De onde surgiu exactamente é difícil dizer, mas tudo começou quando um dos acontecimentos iniciais do livro – um dos do passado – me veio a cabeça. E, quando a história quer, a história tem de ser escrita, ou então não me sai da cabeça. A partir desse episódio, comecei a considerar possibilidades e formas de dar continuidade ao enredo – e a história foi surgindo. 

Ainda sobre esta obra, como foi criar personagens com particularidades tão “negras” e mesmo assim fazer o leitor sentir empatia por elas?

Tanto no que escrevo como nos livros que leio, tenho uma tendência para as personagens de natureza nobre (e isto aplica-se mais aos valores que à linhagem). São as figuras com que mais me identifico e aquelas em que me é mais fácil compreender as motivações. Quando estava a escrever este livro, dei por mim a perguntar-me como seria inverter essa tendência e criar uma história em que não há heróis, mas em que os vilões são mais que simplesmente vilões. Em que a crueldade existe e em abundância, mas em que há razões – mesmo que válidas apenas para as personagens – capazes de atenuar o impacto dos actos.

Já recebeste Prémios Literários diversificados. Queres falar-nos um pouco sobre eles?

A participação em concursos literários foi um dos primeiros passos no meu percurso pela escrita – ou pela escrita para lá da gaveta. Mesmo prémios mais pequenos e de âmbito local foram – e continuam a ser – um motivador, porque me dizem que há alguém que reconhece alguma qualidade naquilo que escrevo. Já não participo em tantos concursos como em tempos, mas ainda os vejo como um impulso e um desafio. E isso dá-me algo com que trabalhar, mesmo quando as inseguranças falam mais alto.

Os teus textos são de géneros diversificados. Ao escrever, consegues “desligar-te” de um género para outro ou um influencia o outro? Como consegues abstrair-te ao focar-te num apenas? 

Normalmente, não escrevo a pensar no género a que pertence aquilo em que estou a trabalhar. Tenho a ideia e aquilo que quero fazer dela – e a história flui de acordo com isso. Quando estou concentrada numa história – e tenho sempre mais que uma em curso, mas consigo centrar-me naquela que quero escrever, na altura – são as minhas personagens e o que lhes está a acontecer o que pesa. Tenho géneros preferidos e, por isso, a tendência é para que muitas dessas histórias se enquadrem, de alguma forma, nalgum deles. Mas não é propriamente uma escolha definida de antemão. Quanto à poesia, é um processo tão diferente que dificilmente os outros projectos poderiam interferir.

O que é mais gratificante, para ti, na arte da escrita e ao publicares o que escreves?

Tenho uma relação muito pessoal com as minhas personagens e com as histórias que elas vivem. Quando estou a escrever, é como se a vida deles fosse a minha e eu pudesse viver e sentir com eles cada um dos momentos e emoções que lhes definem o caminho. É um elo quase mágico e algo que, parece-me, desperta o melhor de mim. É o que faz com que, apesar de todas as dificuldades no caminho, eu saiba que nunca poderia desistir… mesmo apesar dos momentos em que parece tentador fazê-lo.
Quanto à publicação, o objectivo nunca foi muito complexo. Queria que essas histórias que são tão especiais para mim fossem lidas e apreciadas. O mais gratificante, aí, é precisamente quando isso acontece. Quando alguém me diz que gostou da história, que simpatizou com uma personagem, que achou um certo momento realmente especial… são pequenas coisas, talvez, mas dizem-me que ainda vale a pena.

Onde encontras inspiração para escrever os teus textos?

Um pouco por toda a parte e nos momentos mais improváveis. Um momento, uma melodia, os mais estranhos dos sonhos e os pesadelos mais rebuscados… praticamente tudo me serve para fazer surgir uma ideia.

Disseste uma vez que a forma de escrever e a altura em que o fazes “variam bastante consoante o estado de espírito”. Já te deparaste com o chamado “bloqueio de escritor”? Como lidas com ele?

Oh, sim… Por todas as razões e mais algumas. Como lido com ele? Confesso que não muito bem. Seja porque a história atingiu um impasse ou por razões que me abalam a motivação, quando os dias se tornam semanas e, mesmo assim, a escrita não avança, a frustração instala-se.  Tenho algumas estratégias para ultrapassar o bloqueio: reler o trabalho que já está feito desperta, por vezes, a ideia que faltava para quebrar o impasse. Ou posso fazer uma pausa no projecto em mãos e trabalhar um pouco num dos outros. Às vezes, resulta, outras vezes não. Nessas alturas, resta-me esperar que os motivos para o bloqueio percam influência.

Para terminar, queres deixar uma mensagem para os nossos leitores e aspirantes a escritores?

Há, nos livros, uma magia especial, uma diversidade tão grande que permite a cada um de nós encontrar as palavras e as histórias que nos falam ao coração. Por isso, a minha mensagem é, simplesmente, esta: leiam, sempre. E, se têm a vontade de escrever e uma história para contar, então vale sempre a pena pôr mãos à obra. Não há caminhos fáceis – ou, se os há, este não é certamente um deles – mas o lado bom do percurso é amplamente compensador.

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A autora tem um blogue: As Leituras do Corvo, podem visitar aqui.  
Quanto ao blogue do Correio do Fantástico, para os amantes do género (e não só) que ainda não conhecem, fica aqui.

Ivonne