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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

[Opinião] “O Anjo das Trevas – Os cânticos do Serafim” de Anne Rice (Publicações Europa-América)



Ficha Técnica:

Título original: Of Love and Devil - The Songs of the Seraphim
Tradução: Paula Antunes
Colecção: Obras de Anne Rice
Pp.: 144
Formato: 15,5 cm x 23 cm
ISBN: 978-972-1-06179-8
Data de edição: Setembro de 2012

Sinopse:

«Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.»
Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal…
E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre.
Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor.
Anne Rice é uma autora consagrada de diversos best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.
Na capa: Dark Paladin, ilustração de Grzegorz Rutkowski.

Análise realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.

Num artigo anterior trouxemos-vos o primeiro volume desta série de livros.
Este volume é mais pequeno que o anterior. Com as apresentações já feitas, Anne Rice avança mais rapidamente para a história. Ficamos a conhecer o lado mais humano de Toby O’Dare.  A sua mestria em narradores na primeira pessoa continua a ser demostrada neste livro. A autora continua com a índole religiosa como principal tema. Mas, este livro tem mais ritmo que o anterior o que o torna interessante.
Em “O Anjo das Trevas” vemos um Toby mais calmo, mais seguro das suas opções, de seguir Malquias. A sua dependência do anjo torna-se mais notória. Anne Rice revela-nos mais coisas acerca do passado desta personagem.
Quatro novas personagens são apresentadas, Shmarya e Ankanoc, o primeiro anjo, o segundo poderá ser aquilo que chama-nos de demónios, a autora não define bem esta personagem, aumentando assim a curiosidade do leitor. Conhecemos também, duas personagens relacionadas com o passado de Toby, o seu filho Toby e a sua ex-namorada Liona. Será que no futuro todos poderão ser uma família feliz? O anjo Malquias deixa essa pergunta sem resposta directa.
Toby é novamente levado ao passado e colocado numa situação ainda mais complicada que a anterior.
Uma sequela excelente, com um bom ritmo e um tema interessante. Viciante e vibrante deixa-nos com um sabor agridoce na boca uma vez que queremos saber mais, o final deixa o leitor ansioso pelo próximo volume. Nós ficaremos à espera.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Análise do livro “O Tempo do Anjo – Os Cânticos do Serafim” de Anne Rice (Publicações Europa-América)



Ficha técnica:

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 208
Editor: Europa-América
ISBN: 9789721060418
Coleção: Obras de Anne Rice

Sinopse:

Toby O’Dare é um assassino a soldo com fama no submundo do crime. Numa teia de pesadelo e de missões letais, é um homem sem alma e sem nome, às ordens de um misterioso mandante.
Quando um dia se cruza com um estranho ser, um serafim, Toby O’Dare terá de escolher entre salvar ou destruir vidas. E ele, que sonhara em tempos ser padre, viaja no tempo até ao século XIII, em Inglaterra, época de inquietação e trevas onde judeus são acusados de assassinatos rituais e crianças desaparecem em circunstâncias misteriosas.
O Tempo do Anjo, um thriller metafísico sobre anjos e assassinos, marca o regresso de Anne Rice como mestra na criação de histórias que cativaram leitores de várias gerações.

Anne Rice é uma autora consagrada de best-sellers, na área da literatura de fantasia e gótica. Alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, entre outros êxitos.
O Tempo do Anjo é o primeiro volume da trilogia Os Cânticos do Serafim e mais uma prova do seu talento multifacetado.

Análise realizada por Liliana Novais/Os Livros Nossos.

Anne Rice é exímia na arte de escrever na primeira pessoa, já o havia provado anteriormente nos seus livros da colecção "Crónicas Vampirescas". Quem já leu esses livros parte com expectativas elevadas para este livro, acaba por ficar um pouco desiludido com ele. É um livro de índole religiosa, em que tudo o que é divino é retratado de uma forma idílica. Tudo é perfeito, Deus perdoa e ama todos sem olhar a quem. Falta talvez um pouco do lado negro que tornaria a obra mais interessante, a tentação é um pouco deixada de lado. Já que um assassino como Toby O’Dare era deveria ser mais susceptivel à tentação.
O romance inicia com um ritmo lento, aumentando com a evolução da acção. O que faz com que o leitor que agarrado sem se aperceber. A história dá uma reviravolta imprevisível, o que o torna ainda mais aliciante.
As personagens que Anne Rice criou estão bem desenvolvidas e maduras. São fortes e enfrentam as situações em que a autora os coloca. Vemo-los a serem levados até ao limite. Como tema central é a redenção vemos a serem levados até ao limite.
A linguagem que a autora utiliza é simples e acessível.
Um livro interessante, e que esperamos pela continuação desta coleção.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

[Passatempo] Por entre Grãos de Areia, de Josephine Cox [Publicações Europa-América]

 
RESULTADO
 
Passatempo "Por Entre Grãos de Areia", de Josephine Cox
 
Com o Apoio da Nossa Parceira Editorial Publicações Europa-América
 
 
 
Tivemos um total de 70 Participações válidas
 
 
Foi a vencedora deste passatempo:
 
 
- Carla Sofia Inácio [Lagoa] - com a participação n.º 9
 
 
O Livro será enviado pela Administração do blog na próxima semana. Muitos parabéns e o nosso muito obrigado a todos os  nossos leitores, seguidores e amigos. E não desanimem, temos mais passatempos em curso, e ainda vamos ter mais passatempos até ao final do ano.
 
 
Post actualizado com o resultado do passatempo em 14.12.2012















sábado, 20 de outubro de 2012

[Secção Criminal] "Ossos", de Stephen Booth [Publicações Europa-América]



   




Autor: Stephen Booth

Género: Policial

Título: Ossos

Editora: Publicações Europa América

Páginas: 500

Sinopse: 

O cenário sombrio e nubloso da Cornualha serve de palco a esta trama onde estranhos crimes deixam apenas um rasto de ossos… No interior do Dark Peak, esconde-se a pequena aldeia de Withens, onde a tranquilidade é apenas aparente.
Aos poucos, aquele lugar será perturbado por roubos, vandalismo e estranhos desaparecimentos, onde o crime é apenas a face visível de segredos bem escondidos.
Um jovem é espancado até à morte, abandonado no alto das charnecas à mercê dos corvos. Será a primeira vítima…
É então que chegam à aldeia os detectives Ben Cooper e Diane Fry a quem cabe descobrir a semente do mal. Inicia-se, assim, a caça ao homem. Mas, Withens, encerra muitos mistérios e mais violência se adivinha, à medida que o seu passado estende uma sombra negra sobre o presente…
 


Opinião por: Ângela Costa/Os Livros Nossos:
 

"Ossos" foi uma leitura envolvente, mergulhei na sua história, visualizei as paisagens inglesas descritas ao longo do livro, fui apresentada a personagens e senti como se delas fizesse parte...ainda só me tinha acontecido isto com os livros de Val McDermid. 

Este livro está dividido em duas investigações diferentes, o desaparecimento há dois anos de Emma uma jovem estudante de artes a alguns km de casa, a outra, o assassinato de Neil Granger um jovem residente em Withens. O que têm em comum? são naturais da mesma aldeia - Withens - e suas vidas cruzaram-se em tempos antes do desaparecimento de Emma. Mas será isso o suficiente para para os dois casos estarem relacionados? É isso que os dois detectives, Diana Fry encarregue do desparecimento de Emma e Ben Cooper do assassinato de Neil, vão tentar descobrir.
Estes deparam-se com muita hostilidade, reservas e segredos por parte dos habitantes da aldeia o que vai dificultar imenso o trabalho policial. 
Ossos é um livro que aconselho sem quaisquer reservas aos fãs do policial, assim como a todos que têm uma veia para o policial. Booth foi uma surpresa muito agradável para mim com esta boa dose de mistério, vou continuar a ler os seus livros.
 

sábado, 8 de setembro de 2012

[Secção Criminal] “O Vizinho”, de Lisa Gardner


INFORMAÇÃO

Título: O Vizinho
Autora: Lisa Gardner
Colecção: Crime Perfeito
Editora: Publicações Europa-América
Páginas: 368
 
Sinopse:
 
De uma mestra do suspense, chega-nos esta história de arrepiar, que explora os perigos que estão sempre à espreita, bem mais perto do que imagina. Pois nunca sabemos o que se passa dentro de um lar, até de uma família perfeita, quando as portas se fecham…
Eis o que aconteceu…
Era um caso que iria sem dúvida gerar um frenesim mediático - uma jovem mãe, loura e bonita, desaparece da sua casa no sul de Boston, sem deixar rasto, deixando para trás a sua filha de 4 anos como única testemunha e um marido, tão atraente quanto reservado, como principal suspeito.
Nas últimas seis horas…
Mas, a partir do momento em que o sargento-detective D. D. Warren chega ao pequeno chalé dos Jones, ela tem a sensação de que algo está errado com a imagem de aparente normalidade que o casal tanto se esforçou por manter. À primeira vista, Jason e Sandra Jones eram como qualquer outro casal trabalhador com uma filha de 4 anos para criar. Mas, abaixo da superfície calma, espreitavam as trevas...
Do mundo como o conheci…
Com o relógio a avançar e a vida de uma jovem desaparecida em risco e a tempestade mediática a aumentar, Jason Jones parece mais interessado em destruir provas e isolar a filha do que em procurar a sua «amada» esposa. Estará o marido perfeito a tentar esconder a culpa? E será a única testemunha do crime a próxima vítima do assassino?
Lisa Gardner é a autora best-seller n.º 1 do New York Times, que tem várias obras publicadas, todas reconhecidas como obras de mestria no seu género.
Vive com a sua família em Nova Inglaterra, onde se dedica a escrever o seu próximo livro.

Análise Realizada por: Liliana Novais:

Lisa Gardner é uma mestra do romance policial. Neste livro ela surpreende-nos com reviravoltas inesperadas que nos levam a um final surpreendente, assim que se inicia o livro não se consegue parar de o ler.
O livro relata o desaparecimento de Sandra Jones, ou Sandy como o seu marido, Jason Jones, lhe prefere chamar. Esta desaparece de sua casa sem deixar rasto durante a noite, enquanto o marido trabalha, deixado para trás a sua filha de quatro anos dormindo no seu quarto. Três horas após ter regressado a casa, Jason comunica à polícia o ocorrido.
A investigação avança lentamente enquanto este se recusa a dar mais informações acerca do ocorrido, nem justifica o motivo de ter demorado tanto tempo a comunicar o sucedido.
As personagens são maduras e envoltas em mistério, o qual se adensa com o evoluir da história. Vemos inicialmente uma família feliz, com quem os vizinhos simpatizavam até nos apercebermos que tudo não passa de uma fachada e que a realidade é mais negra do que imaginamos. Cada personagem tem um passado oculto que o leitor tem de descobrir conforme avança na leitura. O que torna o livro ainda mais viciante.
Quanto à estruturação do livro, a escritora conseguiu adensar o mistério não revelando tudo nas primeiras páginas, sentimo-nos como a investigadora, sargento-detective D. D. Warren, que desvenda o ocorrido passo a passo.
Um bom policial, surpreendente do início ao fim. Ideal para os viciados em mistérios.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

[Secção Criminal] "O assassino 50/50", de Steve Mosby

 
Autor: Steve Mosby
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 320
Editor: Europa-América

Sinopse:
Quando começa os seus ataques, o assassino já conhece muito bem as suas vítimas. Após semanas de preparação, ele escolhe jovens casais que sujeitará a uma única noite de tortura e manipulação, testando e destruindo o amor que os unia. E ele obra-os a escolher: têm oito horas para decidir qual dos dois morrerá ao nascer do Sol... 
 
Opinião:
Mark Nelson, um detetive com 28 anos, acaba de ingressar na equipa de John Mercer e logo no primeiro dia de trabalho depara-se com um assassinato horrível com verdadeiros requintes de malvadez. Depressa percebe que há algo de errado pois aquele assassino já é bem conhecido daquela equipa tendo morto um dos seus dois anos antes. Durante este tempo Mercer esteve de baixa, a morte do colega e amigo provocou-lhe um esgotamento e tendo agora regressado ao trabalho vê-se confrontado com a falta de confiança e apoio da sua equipa.
 
O assassino 50/50 é um homem perverso, rapta casais, faz jogos horripilantes com as suas vítimas e mata pelo menos um deles ao nascer do sol, transformando a missão desta equipa policial uma verdadeira luta contra o tempo. As motivações deste assassino, que esconde-se por trás de uma máscara de diabo e sendo conhecido pelos sobreviventes como tal, são desconhecidas mas depressa percebemos que a manipulação emocional é o ponto fulcral de toda a história. Ele quer e precisa de esmagar as relações, colocar o casal virado um contra o outro matando por completo o amor que existia entre eles. Os detalhes das suas torturas são horripilantes com pormenores de deixar qualquer um sem fôlego.
 
Temos várias perspectivas neste livro, no inicio de cada capítulo sabemos sobre quem vamos ler e que parte da ação iremos conhecer sendo que apenas a do detetive Nelson é contada na primeira pessoa, o resto da narrativa é-nos dada na terceira pessoa.
 
Todo este livro é arrepiante, Steve Mosby revelou-se para mim um verdadeiro mestre dentro do género com uma inspiração fora do normal. Apesar de ter lido poucos policiais na minha vida, tendo optado por outros géneros literários, consigo perceber a astucia e inteligência por detrás desta trama verdadeiramente empolgante e envolvente.
 
A história absorve-nos desde o início e não há maneira de não nos sentirmos transportados para a ação, ainda assim estava a achar que apesar de bem escrito na verdade era demasiado óbvio, estava por demais evidente quem era o assassino e essa parte era um pouco dececionante pois esperava um pouco mais de suspense. Contudo tinha esperança que surgisse uma reviravolta e não me desiludi. Fiquei completamente estarrecida com a genialidade de Mosby que pega nos mais pequenos detalhes fazendo de um bom policial um livro extraordinário.

Esta e outras opiniões em Crónicas de uma Leitora

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

[Opinião] " A Vida que nunca te contei", de Josephine Cox


 
 
Autora: Josephine Cox
Título da Edição Portuguesa: “ A Vida que nunca te contei”
Título Original: “Songbird”
Editora: Publicações Europa-América
Colecção: Contemporânea
Data da 1ª Edição: Agosto de 2009
Páginas: 320


Sinopse:

Na cidade de Bedford, quatro estudantes ouvem a voz insistente de uma mulher a cantar. A bela melodia é entoada pela vizinha — uma pessoa solitária, que nunca abre a porta a ninguém, nem sai de casa em pleno dia.

Não podiam saber que a mulher na casa ao lado, Madeleine Delaney, é perseguida por uma recordação antiga que durante vinte anos controlou a sua pobre existência…

A voz angélica de Madeleine e a sua beleza impressionante atraem os corações de muitos. Mas ela só está interessada no proprietário do clube, Steve Drayton, um homem extremamente atraente mas assustador.

Então, uma noite, ela presencia um crime horrível e a sua vida muda irrevogavelmente para sempre. A gentileza e a amizade de uma rapariga — Ellen — salva Madeleine da destruição total. Mas para sobreviverem têm de fugir de Londres, deixando para trás aqueles que amam, e o perigo segue-as para onde quer que vão...


Crítica/Opinião

Por: Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos


   O romance “A vida que nunca te contei” da autora Britânica Josephine Cox, com a chancela de Publicações Europa-América, traz-nos de volta a um género por vezes esquecido da literatura, que poderemos livremente apelidar de romance dramático, que poderá ser também caracterizado como literatura feminina.

   Trata-se de uma obra escrita de forma exemplar, com uma linguagem fluída mas também algo elaborada (sem que tal prejudique a inteligibilidade da obra e antes afastando a mesma da categorização, tantas vezes perjorativa, de literatura light). A autora transporta-nos numa viagem que, temporalmente, decorre entre 1978 e 1996, tendo por cenário cidades Britânicas como Bedford, Londres, Blackpool, Bedfordshire e novamente Bedford. A obra apresenta-se estruturalmente dividida em cinco partes, num total de 25 capítulos não demasiado extensos ( o que também facilita a leitura), sendo a narrativa feita de uma forma circular, na medida em que a acção é narrada no presente (Bedford em 1996), seguindo-se três partes que correspondem a analepses, e terminando no mesmo local em que tivera início, de forma surpreendente.

   A personagem Central da obra é Madeleine Delaney, outrora cantora conhecida entre o público da Noite Londrina, tendo sido cantora residente no Clube Pink Lady, propriedade do sedutor, violento e inescrupuloso Steve Drayton, com o qual manteve uma relação destrutiva, e cujo medo persistirá ao longo de vinte anos como um terrível fantasma do passado que persiste em atormentar Maddy, e vedar-lhe o acesso a uma vida tranquila,  livre e plena, pois que o confronto final com Steve Drayton, em Londres ficará sempre gravado na mente de Maddy, que não esquece a ameaça a si dirigida pelo homem que tanto amou “ - A tua carta está marcada sua cabra. Não deixes de olhar por cima do ombro. Dia e Noite, onde quer que tentes esconder-te, eu encontrar-te-ei.”

  É também ainda em Londres, enquanto cantora no Pink Lady, que conhece a sua melhor amiga e protectora Alice Mulligan, o dedicado Jack e o prestável Raymond, amigos dos quais se verá tragicamente separada.

   Em Blackpool, onde se refugia na companhia de Ellen Drew, que conhece acidentalmente em Londres em circunstâncias gravosas para ambas, conhecerá momentos temperados com bastante ternura e quase encontra uma nova família e Ellen e no seu simpático avô Bob (a personagem mais simpática, carinhosa, divertida e positiva da história), mas o destino força-a a fugir novamente, e em Bedfordshire encontrará Brad Fielding, um sofredor e simpático Veterinário, viúvo e com um filho ainda menor, também ele uma vítima das circunstâncias da vida, mas um lutador incansável. Mais uma vez, não o destino, mas a traição de alguém que julgara ser-lhe leal,  separam Maddy de um local seguro e quase põem fim à sua vida.

   Em 1996, encontramos novamente a personagem, já com cinquenta anos, descuidada e perturbada mentalmente (depressiva, paranoide, apática e isolada socialmente), será ajudada por um casal de jovens estudantes universitários, seus vizinhos que a socorrem de um problema de saúde. E sabemos então o desenlace final da história desta personagem dramática, com elevada carga psicológica, e que nos faz pensar na gravidade da violência exercida contra tantas e tantas mulheres que não vislumbram inicialmente o perigo que correm em relacionamentos amorosos que estão condenados à partida, como se lhes escapasse toda a lógica e racionalidade para julgar o carácter dos agressores, que muitas vezes as manipulam.

   As personagens podem facilmente distinguir-se entre bons e vilões, a narrativa é rica em detalhes que permitem caracterizar diversos espaços sociais, desde a vida nocturna Londrina em finais dos anos sessenta (em moldes que, se abstrairmos da época e espaço, nos chegam a fazer lembrar algumas descrições próprias de policiais noir povoados por Gangsters ao estilo de Al Capone), passando pela vida modesta da classe média em Bedford, ou o ambiente agradável e sereno de uma pequena povoação balnear Britânica (Blackpool) que nos evoca por vezes, as férias estivais, deixando-nos curiosos para conhecer directamente as paisagens, onde acabamos por simpatizar até com as vizinhas coscuvilheiras da povoação, e tomamos também contacto com a vida numa típica quinta Britânica (em Bedfordshire).

    Podemos encontrar descrições abundantes e claras dos locais onde decorre a acção, as personagens vão-se dando a conhecer, nos seus vícios e virtudes, forças e fraquezas, quer pela caracterização do narrador quer pelos seus diálogos e interacções diversificadas.

  Denotou-se alguma diferença no ritmo narrativo nos quatro primeiros capítulos da obra, sendo que, daí em diante, o ritmo vai gradualmente acelerando, apenas nos pareceu menos necessária à construção da narrativa a descrição do ambiente entre os estudantes universitários vizinhos de Madeleine no início da obra, se bem que, na parte final, acabamos por entender melhor a pertinência de tal menção. O romance é pautado por um permanente clima de tensão e suspense que incentiva o leitor a avançar na sua leitura, e inevitavelmente, a questionar-se sobre se, em algum momento, Maddy encontrará a paz e a felicidade tão merecidas e desejadas, bem como o reencontro com algumas das pessoas mais importantes da sua vida, em termos positivos.

   De um modo geral, podemos considerar que a narrativa é fechada ( com conflito, climax e desenlace) , mas a nosso ver, existem alguns pormenores da história que bem poderiam dar lugar a um novo livro, e que, em nossa opinião, não foram totalmente explorados pela autora.

   Em suma, uma obra de elevada qualidade literária, que prende os leitores do início ao fim, apenas com a ressalva do ritmo dos quatro primeiros capítulos, com descrições de alguma violência, uma forte carga psicológica, e a levar a reflectir, por exemplo, sobre valores como a amizade, a lealdade (até onde vai a nossa lealdade e amizade?), e acaba por nos transmitir uma salutar mensagem de esperança perante muitas das adversidades da vida. Gostámos e recomendamos a leitura !