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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

[Entrevista - Nacional] Cláudio Ramos em entrevista na semana em que lança oficialmente o seu novo livro “Equilíbrio” [Guerra & Paz Editores]



Texto: Isabel de Almeida 

Fotos: Pedro Varela Photografia – Cortesia Guerra & Paz Editores

Email: isabelalexandraalmeida@diariododistrito.pt

   Amanhã, 23 de Fevereiro de 2016, Cláudio Ramos lança o seu novo livro “Equilíbrio”, com chancela da Gerra & Paz Editores, o Diário do Distrito, em colaboração com os parceiros Nova Gazeta e Blog Literário Os Livros Nossos teve oportunidade de entrevistar o famoso comunicador e autor, venha connosco conhecer melhor Cláudio Ramos.

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: O que motivou o Cláudio a escrever o seu mais recente livro “Equilíbrio” ?

Cláudio Ramos: Um convite muito interessante da editora Guerra & Paz numa altura da minha vida onde achei que ele fazia muito sentido. Reúne tudo aquilo que é preciso ter, se lhe juntarmos boa vontade, para facilitar o nosso dia.

Diário do Distrito: Quais são as expectativas em termos de aceitação deste trabalho pelo público?

Cláudio Ramos: Enormes,  porque o público recebe os meus livros muito bem. Eles são feitos com verdade e isso nota-se em tudo, incluindo na altura das vendas e do agrado de quem os lê.

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Em termos de trabalho de escrita, onde se sente mais confortável? Na escrita sobre lifestyle ou na ficção?

Cláudio Ramos: Sinto-me mais confortável nos livros práticos, mas os romances são uma paixão grande que tenho e onde gosto muito de mergulhar e não me tenho saído mal. Gosto muito do que escrevo, se bem que há um mundo pela frente para melhorar. Não se podem comparar as escritas. 

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Está previsto algum regresso para breve à escrita de ficção?

Cláudio Ramos: Na minha cabeça já está a trabalhar...

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Os seguidores e fãs do Cláudio constituem um incentivo ao trabalho que desenvolve no blogue e na página do Facebook – Eu, Cláudio?

Cláudio Ramos: É um tipo de escrita muito bem-disposta, sem nenhuma presunção! Mas é claro que o facto de ser lido por mais de dez mil pessoas todos os dias me incentiva a continuar.

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Quais são os seus autores preferidos nos géneros ficção e não-ficção?

Cláudio Ramos: Não tenho nenhum de não ficção. Não sou um consumidor habitual deles. De ficção sou fascinado por José Luis Peixoto. Acho-o tão maravilhoso na escrita. Internacionalmente estou a descobrir agora Haruki Murakami um Nobel Japonês... vamos ver se me fascina. 

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Que livro ou livros tem, neste momento, na mesa-de-cabeceira?

Cláudio Ramos: Tenho “Em teu ventre” do Zé Luís Peixoto e “Sono” do Haruki Murakami.

Os Livros Nossos/ Nova Gazeta/Diário do Distrito: Que medidas gostaria de ver tomadas para levar os Portugueses a cultivar mais os hábitos de leitura?

Cláudio Ramos: Os portugueses não lêem porque não têm o costume nem a educação de o fazer. Não tem a ver com mais nada. Nem sequer com o preço dos livros, porque os há de todos os preços. A educação é a base.

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Qual a opinião do Cláudio acerca do facto de os autores estrangeiros serem, por norma, aqueles que mais vendem em Portugal?

Cláudio Ramos: Não acho exactamente isso. Acho que já há muitos autores portugueses que vendem muito em Portugal. Acho é que Portugal olha para o que é seu com olhos de distância e preconceito.

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Como sente a sua evolução pessoal como escritor, o que mudou na sua obra entre os primeiros livros e este que agora publica?

Cláudio Ramos: Mudou muita coisa, porque à medida que vamos vivendo, lendo e absorvendo mais mundo, é obrigatório mudar a narrativa e a forma de a contar aos outros. Se não fosse assim seria um idiota estanque!

Os Livros Nossos/Nova Gazeta/Diário do Distrito: Quer deixar umas palavras de incentivo aos leitores para que estes escolham ler o seu livro “Equilíbrio”?

Cláudio Ramos: Que acreditem em cada página que estão a ler. 

Obrigado ;)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

[Entrevista - Nacional] Teresa Marta em entrevista a propósito do seu livro "Fazer do medo coragem" [Diário do Distrito/Nova Gazeta/Os Livros Nossos]

Numa iniciativa conjunta com os nossos media partners Diário do Distrito e Nova Gazeta, entrevistámos ontem, dia 02/03/2016, a autora Teresa Marta a propósito do próximo lançamento do livro “Fazer do Medo Coragem” [Com prefácio de Helena Sacadura Cabral] a decorrer no próximo dia 5 de Fevereiro na Livraria Bertrand Editora das Amoreiras , a partir das 18h30m.

A autora é Licenciada em Comunicação Social, Pós Graduada em Marketing e Serviços e Mestre em Psicoterapia Existencial. Após 21 anos como Gestora, em 2013 decidiu mudar a sua vida, desempregar-se e lançar o seu projecto “Academia da Coragem”, como Coacher certificada, desenvolvendo actividades de potenciação do desenvolvimento pessoal, através do uso de metodologias activas. Ficámos a conhecer melhor a mulher por detrás da obra, e partilhamos este conhecimento com os leitores.

Os Livros Nossos: Este livro surge como corolário lógico na sequência da sua formação académica e do projecto Academia da Coragem?

Teresa Marta: Não tem tanto a ver com a formação académica. Eu fui vossa colega, trabalhei na Rádio Pal, sou Licenciada em Comunicação Social, Pós Graduada em Marketing de Serviços e só fiz o Mestrado em Psicoterapia Existencial em 2007. O livro reflecte uma mudança da minha área de actividade, eu sempre fui gestora e trabalhei em marketing e sempre tive muita apetência por perceber o que nos mantém presos ao sofrimento, o facto de ter nascido numa família também rural. Havia uma grande taxa de suicídio,  a própria mãe da minha mãe tentou suicidar-se duas vezes. Violência doméstica, hoje fala-se muito em violência doméstica porque temos as coisas mais visíveis, mas antigamente havia muita violência doméstica  que nem sequer era falada, era vivida dentro de casa,  e aguentava-se a verdade era essa. E a Academia surgiu então quando eu tive necessidade de começar a colocar no terreno afinal o que era isso da coragem, como é que nós podemos libertar-nos do medo. O livro conta dez histórias, dez histórias de medo,  e o primeiro capítulo é a minha própria história, são os tais sessenta anos de medo,  que foram tantos quantos durou o casamento da minha avó Emília, a minha mãe morreu com 64 anos e  isso no fundo resumo a história quer da minha avó, quer da minha mãe. E a minha questão fundamental é, então porque é que nós, se temos medo, estamos oprimidas pelo medo e nunca saímos do medo, o que justifica isso? E, de facto, o meu Mestrado em Psicoterapia Existencial levou-me depois a fazer a certificação internacional em Coaching Motivacional e dos Comportamentos e em estudar em maior profundidade, onde é que o medo surge no ser humano, se o medo é inato ou se é cultural ou educacional, e fe facto, há um misto das duas coisas. Ora, se nós aprendemos a ter medo em crianças, como é que os nossos pais nos ensinam ? – Olha tem cuidado, vais para ali, olha que podem-te fazer isto; olha não subas aí que é muito alto para ti;  olha que cais e partes a cabeça. É para protegermos a cria mas somos educados a ter medo – não comes a sopa vem o homem do saco.

Os Livros Nossos: Há uma cultura do medo?

Teresa Marta: Há, no meu tempo eram os ciganos, não comia a sopa vinham os ciganos. Agora há uma nova frase que é – deixa vir o teu pai que já vais ver como é que é! – Nós no fundo proporcionamos isso, e fomos ensinados desde miúdos a ter medo, a questão é que, esse medo, que até certo ponto nos protege, em adultos, quando vamos ter nós próprios relacionamentos amorosos, a nossa família, e entramos nas empresas,  o medo condiciona-nos e nós começamos a agir não pelo que sentimos, mas por tudo aquilo que nos foram ensinando. Isso é maravilhoso, perceber como é que o ser humano adquire o medo, e como é que nós podemos livrar-nos do medo e ter uma vida mais equilibrada.

Os Livros Nossos: O medo é uma força de bloqueio?

Teresa Marta: Quando é tóxico o medo é uma força de bloqueio. Aliás, há estudos muito interessantes de um Psicólogo e Psiquiatra Americano, que é o Peter Levine, que vem referido no livro. Fez estudos fantásticos e criou uma coisa que é o Instituto do Trauma, e a maior parte da vida dele foi dedicada aos animais selvagens a tentar perceber. Há uma lebre a fugir de um coiote, nós os seres humanos copiámos isso da natureza, temos três maneiras de fugir ao medo: a primeira é não nos movermos; a segunda forma é lutar e a terceira é fugir, Então a lebre fugia do coiote mas ele andava mais depressa, então a lebre ficou quieta, reduziu o batimento cardíaco e o coiote deixou-a pensando estar morta. A lebre, ao contrário de nós, não tem memória do trauma. Nós somos os nossos maiores carrascos. O ser humano memoriza o trauma. Esse registo negativo vai lá ficando, e podemos mesmo adoecer com medo, ficamos com aquele pensamento recorrente, a seguir os pensamentos adoecidos eu não posso claramente sentir-me bem, eu acabo por adoecer o meu corpo, se estou sempre a sentir-me mal emocionalmente eu vou somatizar e há cancros nomeadamente na zona do estomago e do intestino que são somatizados são pessoas que não conseguem deixar ir. Nós interrompemos a linha da vida, em vez de vivermos o presente estamos preocupados com o  “E se”, a maioria das pessoas que encontro no Coaching tem sempre esta questão do E se, encontra-se uma solução caso a empresa vá à falência, e se eu adoeço e não posso mesmo trabalhar depois . Nós seres humanos vivemos em busca da felicidade, é a nossa busca fundamental, o que para cada um de nós significa a felicidade é outra coisa, mas se estivermos antes preocupados em ver o que isto tem de bom agora, porque mesmo a noite dá origem ao dia, a tempestade dá origem a algo bom e nós aprendemos a conviver com isso. As pessoas ficam ansiosas, ficam angustiadas começam a acreditar que não são capazes, e caem, e ai há várias formas de cair das mais leves às mais pesadas.

Os Livros Nossos: Começa já a sentir alguma sensibilização para estas temáticas ao nível organizacional?

Teresa Marta: É a minha próxima fase, como trabalhei em empresas 21 anos, estou a fazer um trabalho para perceber quais são os custos do medo nas empresas. O líder tem medo de perder o poder, de ser falado nos corredores, de não atingir os objectivos e os funcionários também têm medo, por vezes incutido pelos chefes – não estás contente com o teu salário então vai lá ver como será arranjares outro emprego – e este medo é trazido para vida privada, para a família. As empresas que vivem este clima não inovam, as pessoas tem ideias para inovar mas até têm medo de as dizer com medo de serem ridicularizados ou postos de lado, são empresas que perdem clientes porque depois quem trabalha na área comercial  quando vai visitar o cliente já não vai satisfeito, são empresas que perdem a auto-estima e perdem muito do que é o seu potencial.  Há estudos muito interessantes nos Estados Unidos e aqui ao lado em Espanha, por exemplo, Pilar Jericó tem feito estudos sobre quanto as empresas estão a perder devido ao medo nas empresas e utiliza a expressão  “gestão medo zero” o que podem os gestores fazer para diminuir o medo nas empresas e aumentar a produtividade mas não pode ser uma produtividade e um lucro cego.

Os Livros Nossos: Denotam-se sectores económicos onde esta lógica do medo esteja mais acentuada?

Teresa Marta: A banca é um deles, todos os sectores que terabalhem com objectivos económicos têm medo. No sector automóvel há menos. A banca tem medo de perder clientes e de os clientes não serem tão rentáveis, se eu deixar de pagar um empréstimo o banco não vai receber. Nos seguros a mesma coisa, quando foi a venda de uma seguradora Portuguesa, quando os funcionários viam uma pessoa engravatada acompanhada de um comité a dar a volta ao open space, pensavam logo os funcionários quem é que eles vão dispensar esta semana, quem de nós vai ser convidado a sair. Os seguros a banca, a área da restauração, no fundo são áreas que estão mais dependentes do bolso do consumidor final. Há profissões de maior risco e há profissões mais seguras, embora hoje não existam empregos para a vida. È uma questão ligada ao medo e à coragem. Nós aceitarmos a insegurança é natural. No meu caso pessoal, ao decidir despedir-me em 2013, o que me custou mais fazer foi desapegar-me. Porque é verdade que é confortável viver com um salário fixo, uma boa casa, um bom carro. Esse desapego de eu perceber que tinha de remodelar a minha vida toda, eu passei a viver com um quarto daquilo com que vivia. Eu sou mais feliz, deixei de fazer milhares de horas na empresa, milhares de quilómetros de carro, passei a ter mais tempo para o meu filho.

Os Livros Nossos: Quanto tempo levou a conseguir esse desapego?

Teresa Marta: Eu ainda estou em desapego. Eu nunca mais fiz férias, por exemplo, não tenho dinheiro neste momento para ir de férias, tinha duas casas só tenho uma, tinha um carro de oitenta mil euros agora tenho um utilitário. Estou a viver das minhas ainda poucas sessões de coaching e de uma poupança que fiz. A política não me paga nada, apenas as senhas da assembleia, eu nunca vivi nem quero viver da política. 

Os Livros Nossos: Qual foi a história mais marcante do seu livro?

Teresa Marta: A mais marcante de todas foi uma senhora que não conseguia engravidar, tinha perdido uma filha com um tumor cerebral com 17 anos, Apareceu-me na primeira sessão com um potinho e perguntou se o podia colocar em cima da mesa e eu disse que sim, e depois disse-me – é a Iris – eram as cinzas da filha de que não conseguiam separar-se, perdeu o casamento, é a história típica de quem tem tudo financeiramente mas não tem o resto, temos a tendência para associar felicidade a dinheiro, é certo que ajuda, mas não é tudo. Temos que prescindir de amigos, de relações, de tempo para nós. Nós acabamos por ter de prescindir daquilo que é a nossa missão de vida. Não preciso muito para ser feliz, mas depois temos aquela ideia de – e se eu tiver mais isto – e é a eterna insatisfação do ser humano. Uma vez tive um senhor que me disse: tenho três casas, uma mulher fantástica, três filhos maravilhosos, um Jeep e um carro topo de gama, e depois vamos para o Algarve de avião e temos lá outro carro e no entanto não sou feliz, explique-me lá o que se passa. Às vezes termos tanta coisa acabamos por não valorizar outras pequenas coisas – ter tempo para tomar um café com os amigos, para ficar sozinha.

Os Livros Nossos: E a crise trouxe medo?

Teresa Marta: Trouxe muito medo. Como poderia eu ajudar se não tivesse experiencias minhas, por exemplo, no caso da mãe que tinha perdido a filha com um tumor cerebral eu nunca a entenderia se não tivesse filhos. Eu pensei que a senhora não ia voltar mais, eu chorei o tempo todo, depois acabámos abraçadas. Na sétima sessão ela disse-me que tinha ido deitar as cinzas da filha ao Guincho, como a filha havia pedido.

Os Livros Nossos: A Teresa acabou por ser uma mais-valia para essa mãe?

Teresa Marta: No dia em que acharmos que somos os melhores, como aqueles terapeutas que dizem estar resolvidíssimos algo não está certo. Nenhum ser humano está resolvido. 

Os Livros Nossos: Ao longo deste tempo todo tem sentido que tem ajudado as pessoas?

Teresa Marta: Sim tenho sentido. A vantagem de juntarmos metodologias activas à psicoterapia. Eu não faço psicoterapia no sentido estrito da expressão e isto foi por opção, porque comecei a sentir que posso ajudar mais juntando duas coisas, a minha experiencia pessoal porque passei pelos processos, e em segundo lugar a questão do fazer,  porque nós não podemos dizer que não conseguimos até tentarmos. Claro que eu ajudo as pessoas, mas não sei até que ponto eu própria saio enriquecida. No dia em que eu achar que sou a maior mandem-me internar [risos].

Os Livros Nossos: A quem aconselharia, no imediato, o livro que escreveu?

Teresa Marta: A todas as pessoas que estejam a sofrer com perdas físicas, emocionais ou com sensação de injustiça que sintam.

Os Livros Nossos: Alguma vez esteve indecisa entre o Coaching e a Psicologia ou nem sequer foi por ai?

Teresa Marta: Eu nem fui por ai porque tenho vários amigos psicólogos, sobretudo amigas e como sou uma mulher que veio das empresas a psicologia não ia proporcionar tudo o que eu desejava. Por isso fiz formação em psicoterapia existencial. Como quero levar o coaching da coragem para as empresas falta a vertente de agir, como vamos proporcionar a mudança.

Os Livros Nossos: A nível de procura de Coaching ocorre mais a nível individual ou institucional?

Teresa Marta: Mais individual, também porque o meu marketing tem sido mais noutro sentido, eu tive de testar primeiro a metodologia ao nível individual antes de ir para as empresas, era incapaz de ir para as empresas sem saber se teria resultados, também porque fui gestora e não lido bem com o insucesso, confesso. 


Entrevista conduzida por: Isabel de Almeida e Miguel Garcia 

Foto: Miguel Garcia/Diário do Distrito/Nova Gazeta


terça-feira, 23 de outubro de 2012

[Entrevista Nacional] - Carla M. Soares

Bom dia (ou boa tarde), caros seguidores :DD

Hoje deixo-vos uma entrevista que adorei fazer e que também estava guardada no baú há algum tempo! A entrevistada é nada mais, nada menos do que Carla M. Soares, autora de Alma Rebelde, A Grande Mão (ainda não foi publicado e é anterior ao primeiro), A Chama ao Vento (ainda em análise pela PE). 

Convido-vos também a visitarem o blogue da autora, MonsterBlues, aqui

Obrigada Carla pela simpatia e prontidão com que te disponibilizaste a ceder-nos esta entrevista!!

Ora leiam :D
Ivonne Zuzarte (aka Ray*)
Entrevista


O teu primeiro romance publicado foi um romance de Época. É um género que requer muitas horas de pesquisa e revisão. Porquê este género tão pouco visto em Portugal?
Na verdade, não há um motivo. Não pensei “agora apetece-me escrever um romance de Época”. Tudo começou com uma carta, uma das que Ester escreve à prima. Tinha lido algures um artigo que falava da comunicação e lembrei-me de que, noutros tempos, era com cartas que se comunicava e que levava imenso tempo. Escrevi uma dessas missivas, pensando no tom e na forma de pensar e redigir de outrora, e as personagens e a narrativa foi surgindo e desenvolveu-se naturalmente. Mudou muito conforme a fui escrevendo! Mas atenção, costumo sempre defender que o Alma Rebelde é, de facto, um romance de Época, ou seja, inserido numa época que não é a a contemporânea, mas não é um romance histórico. Há vários autores desse tipo de romance bastante conceituados e com qualidade na nossa praça. O Alma está integrado historicamente, espero que bem, mas o facto de assumir uma perspectiva intimista, de uma personagem com preocupações específicas, não convida a, por exemplo, um enquadamento político ou económico detalhado. Não foi a intenção. Claro que a contextualização exige pesquisa, e tentei ser cuidadosa na verificação dos factos, para evitar o erro, mas houve um pouco mais de flexibilidade. 

Disseste uma vez que a escrita surgiu na tua vida depois dos 30 anos, em que lias muita fantasia. Consegues explicar-nos como surgiu ou simplesmente aconteceu?
Não comecei tão cedo como outros autores, não. Em (muito) jovem escrevi uns poemas, uma ou outro conto de péssima qualidade, mas deixei de fazê-lo na faculdade e durante muito tempo não senti nenhuma predisposição para a escrita. Sempre li muito, claro. Li os clássicos e outros, portugueses e estrangeiros, e estudei literatura. Mas não escrevia, nem me apetecia escrever. A certa altura descobri a fantasia e li bastante do género, Tolkien, Marillier, Zimmer-Bradley, Ursula LeGuin, Anne Bishop, muitos outros. Surgiu-me uma ideia e pus mãos ao trabalho, curiosa para descobrir se conseguia seguir com ela até ao fim.  E levei. Tem umas 300 páginas, chama-se A Senhora do Rio e gosto muito dele. Desde então não sei passar sem escrever!

Terminaste A Grande Mão há pouco tempo e tens outro original, de título provisório A Chama ao Vento, a ser analisado pela PE. Tens mais algum trunfo na manga, para além dos que tens guardados, do qual nos possas falar um bocadinho?
Ao contrário, A Grande Mão é o mais antigo dos três livros, já tem uns cinco ou seis anos. Foi o segundo que escrevi. A PE não se interessou pelo género, muito diferente do Alma Rebelde (é aventura/fantasia), e portanto é meu para publicar como quiser. Ainda não sei se farei alguma coisa com ele, vai depender das opiniões. Não vou insistir se não tiver qualidade! A Chama ao Vento é um nome provisório, e não há garantia nenhuma de que a PE venha a publicá-lo, ou com esse título. Tenho outras coisas de fantasia / fantástico que nunca verão a luz do dia (aqui estou a rir-me de mim própria) a não ser nas casas dos amigos, e outras que um dia talvez sigam o caminho d’A Grande Mão. E estou a meio de outra história de época, no pós-Ultimato agitado e com uma crise tão grave como a actual, com uma jovem viscondessa muito diferente da Joana, um irmão republicano, um duque e um cavalheiro inglês. Vamos ver o que lhes sucede.

O teu blogue monster blues surgiu há mais de dois anos e meio. Pelo menos, o primeiro post data de 26 de Março de 2010, o qual terminas a dizer “Há mesmo é um monstro na imaginação.”. Como tiveste a ideia de iniciar um blogue?
Olha, não me lembrava dessa frase, mas gostava dela, se a lesse noutro lado! No início não tinha ideia nenhuma do que era ter um blogue, e nem me lembro porque decidi ter um. Escrevia umas coisas, sem nenhuma orientação específica. Entre Janeiro e Agosto de 2011 até esteve parado. Só no verão de 2011 é que me apercebi de que muitos blogues falavam sobre literatura, tinham seguidores, faziam passatempos, etc. Achei que, para quem lê tanto e escreve, era o caminho lógico e o que me agradava. Mas não tenho parcerias, nem passatempos - o único que fiz foi com o meu próprio livro, quando saiu - nem rúbricas especiais. Escrevo o que me apetece, opiniões, uns textos, de vez em quando um desbafo. É meu (estou a sorrir).

Com que vantagens e desvantagens te tens deparado por ter um blogue?
Há autores que têm blogues relacionados com os seus livros, mas o meu não é. Falo neles de vez em quando, coligi as opiniões que foram saindo nos blogues sobre o Alma, mas nem estão actualizadas. Talvez um ou outro leitor se tenha apercebido de que o livro existe através do blogue, não sei. Claro que agora utilizei-o para permitir a beta-reading d’A Grande Mão, mas não é um livro “publicado”. Enfim. Um blogue dá trabalho, mesmo sem parcerias, mas muito prazer também. Organizo as minhas ideias quanto aos livros, sou obrigada a reflectir nas razões porque gosto ou não deles, e a usar com cuidado as palavras quando não gosto - embora não passem de opiniões - porque acho que todo o esforço de escrita merece respeito. Opinar tem um reverso: por vezes dou por mim a ler e a pensar no que direi, o que por vezes rouba um pouco da alegria de simplesmente ler. 

És professora e estás a fazer o doutoramento no Instituto de História da Arte. De que forma organizas o teu tempo para conseguires conciliar as aulas e tudo o que isso acarreta, a leitura, a escrita, ter tempo para a família e, de igual forma, para ti própria?
Sempre achei que as minhas horas se multiplicavam conforme precisava delas. Até aqui, cheguei a tudo, e nunca me senti excessivamente sobrecarregada. Uma verdadeira super-mulher, eheheh! Este ano, pela primeira vez, tenho dúvidas sérias de que consiga esticá-las o suficiente, vai ser preciso um milagre. O que vai ficar a perder? Provavelmente aquilo que me exige uma concentração maior durante horas seguidas, o doutoramento. Consegui concluir com sucesso os dois anos de curriculares, são dez seminários com os respectivos ensaios, mas como optei por sair da box - sou de Letras - o trabalho avança mais devagar. Com nove turmas e tudo o mais que faz parte da minha vida e é importante, não estou certa de me sobrar o necessário para escrever uma tese adequada sobre o fantástico na pintura portuguesa contemporânea. Acaba-se a super-mulher, começa a super-dor-de-cabeça.

Tens alguma rotina de escrita (e reescrita) da qual nos possas falar?
Com tanto trabalho, é difícil manter uma rotina. Tento escrever um pouco todos os dias, mas com frequência o tempo que tenho reduz-se a algumas horas aos fins de semana, de manhã. Escrevo muito melhor sozinha com o meu netbook numa mesa de café, produzo muito assim. Em geral tenho uma ideia da história, que não é rígida e muitas vezes acaba mesmo por alterar-se conforme as personagens “crescem” e ganham densidade. Por vezes dou por mim a pensar que a minha personagem jamais faria certa coisa que tinha planeada para ela, ou que faz muito mais sentido que a narrativa siga um caminho diferente. E sigo-o, vou atrás das personagens. Costumo escrever, escrever, e depois revejo. Por vezes paro e estou algum tempo só a rever e a reescrever, antes de continuar. Reescrevo muito. Corto partes, mudo diálogos, introduzo novos capítulos pelo meio, se fizerem falta à intriga ou às personagens... é um processo muito flexível.

Consegues descrever-nos o apoio que recebeste da editora, da família, dos teus alunos, dos amigos/colegas…?
Esta é fácil: tive muito apoio de todo o lado. Os alunos, em particular, foram muito expontâneos e, a partir do momento em que souberam que ia publicar um livro, de quando em quando faziam perguntas, queriam saber. Tive uma turma de 9º ano, minha há três anos, que desatou a aplaudir no corredor no dia em que o livro saiu... foi embaraçoso mas muito recompensador. E tive vários alunos no lançamento, o que me deixou muito contente. Claro que a família ficou orgulhosa, em especial... adivinhem, pois claro, a minha mãe! Tanto faz que tenhas 4 anos como 40, mãe é mãe. Mas o meu marido e filhos também me mimaram muito. A editora portou-se sempre bem, o processo foi longo mas a comunicação a melhor possível, as respostas aos emails quase imediatas, encontramo-nos algumas vezes, e tentaram, creio, colocar o livro o  melhor possível. Promover um livro de uma desconhecida não é fácil, mas obtiveram boa exposição nas livrarias e algumas pequenas entrevistas na rádio... O mais dificil tem sido esperar pelas opiniões sobre o livro, e os altos e baixos, e as dúvidas sobre o trabalho que se fez e se virá a ter outro.

Com a vida agitada que tens tido ultimamente, consegues falar-nos de um episódio engraçado ou especialmente gratificante que tenha ocorrido que envolva Alma Rebelde?
Sabem o que se costuma dizer acerca dos casamentos, que “boda molhada é boda abençoada”? Pois é. O lançamento foi planeado para o dia 25 de Abril, uma data adequadíssima para alguma rebelião, na Feira do Livro, AO AR LIVRE... e não é que depois de tanto tanto planeamento para que tudo corresse o melhor possível, chovia a cântaros? Não falo de uma chovinha molha-parvos, era um verdadeiro dilúvio bíblico! Mesmo assim, foi preciso reorganizar a tenda para abrigar quem compareceu, e não coube toda a gente debaixo dela! Tiveram que arrastar os chapéus de sol e havia gente de guarda chuva, todos molhados como pintos. Até havia um funcionário da PE a levantar uma parte da tenda de vez em quando, para escorrer a água e evitar que caísse tudo na cabeça dos convidados. Ao mesmo tempo foi gratificante, porque a maior parte das pessoas não deixou de aparecer!

Para terminar, Carla, queres deixar uma mensagem para os leitores e aspirantes a leitores?
Que leiam. Leiam de tudo, aquilo de que mais gostam e coisas fora da sua zona de conforto, clássicos, romances de cordel, leituras simples, complexas, BD, revistas, jornais. Ler exercita o cérebro, mantém-nos vivos e faz-nos mais inteligentes. Que formem e valorizem as suas opiniões pessoais sobre os livros, mas principalmente que tirem da leitura muito prazer! Muito obrigada pela tua entrevista, boa sorte para o blogue e boas leituras!

Obrigada nós, Carla! 
Boa sorte com os dois originais que já tens prontos para publicar. Boa sorte com o doutoramento. Boa sorte com o Blogue e com a vida de "super-mulher" :D


***

Nota: A capa de A Grande Mão não é a definitiva. Até ao momento, foram disponibilizadas 3 pela autora, aqui e aqui.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[Entrevista Nacional] Andreia Ferreira, autora da Trilogia Soberba


 

   Andreia Ferreira é a jovem autora da Trilogia  "Soberba ", da qual se encontram já publicados os dois primeiros livros - Soberba Escuridão - e  - Soberba Tentação.
  Natural de Braga, onde reside e onde foi criada,tendo a sua cidade servido de cenário à sua saga do género fantastico, a autora escreveu o seu primeiro conto com apenas 12 anos de idade. É licenciada em Línguas e Literaturas Europeias pela Universidade do Minho. Leitora compulsiva, blogger (sendo fundadora e administradora do blog Literário D311nh4), estreou-se na escrita  em Maio de 2011, com Soberba Escuridão, e este ano com a publicação de Soberba Tentação - obras com a chancela da Alfarroba Edições.
 
   Com a presente entrevista, vamos ficar a conhecer melhor esta talentosa escritora, obrigada Andreia, pela disponibilidade, simpatia e partilha.
 
 
Entrevista a Andreia Ferreira conduzida por: Isabel Alexandra Almeida/Os Livros Nossos:
 
 

 

- Andreia, escrever surge como puro prazer ou é também uma necessidade?

 

Penso que seja uma agradável junção de ambos. Escrevo pela necessidade de encontrar o prazer.

 

- Lançaste há pouco o segundo volume da tua trilogia “Soberba”, quando deste início ao processo de escrita do primeiro livro contemplaste desde logo uma trilogia, ou foi o fluxo de ideias e a necessidade do seu desenvolvimento que te trouxe à mente este formato?

           

Quando comecei a escrever o “Soberba Escuridão”, ele não passava de um capítulo a descrever um terror noturno. Transformou-se numa história quando enviei a Carla para a escola e a relacionei com outras personagens, acompanhei-a no dia a dia e, sobretudo, visualizei um desfecho para a criatura que a assombrava.

            Passou a ter sequela, a partir do momento em que me surgiram três demónios, o que aconteceu a meio do livro.

            Depois, foi o motivo que transcendia uma simples história de amor, uma disputa entre sobrenaturais, personagens que precisavam do seu devido destaque - são ingredientes que me levaram a embarcar nesta aventura de enveredar pela trilogia.

 

- O processo de escrita desperta sempre uma enorme curiosidade nos leitores, escreves de acordo com um horário que impões a ti própria, ou deixas que naturalmente surja a oportunidade e inspiração para tal?

 

            Não imponho nada, pois a correria da vida também não o permite. Deixo as ideias fluírem e, quando estiver a transbordar, passo-as para o papel.

            O meu processo de escrita é muito íntimo, porque escrevo aquilo que quero. Tenho por hábito conversar com os leitores sobre a história e as ideias deles acabam por iluminar as minhas pré-existentes, às vezes, precisamente ao contrário do que eles esperam.

            Escrevo capítulo a capítulo, tendo um final em vista, e deixo a ação decorrer naturalmente.

 

- Tens por hábito transportar contigo um daqueles pequenos cadernos de anotações, no qual vais tirando notas de ideias que te ocorram a partir de cenas do quotidiano a que assistes, ou recuperas esse tipo de informação apenas com recurso livre à tua memória?

 

            Eu bem tento! Eu tenho o tal caderno e penso nele várias vezes. “Vou escrever isto, porque parece-me interessante para colocar na boca do Ricardo.” Nunca o faço. Por isso, sim, recorro à memória.

 

- No teu percurso de vida, e em especial, como uma das revelações da literatura nacional, tens alguma figura de referência (por exemplo, um autor teu preferido, um familiar ou amigo próximo) que te tenha especialmente inspirado e/ou incentivado a seguir o teu sonho?

 

            Revelação da literatura nacional? I wish! Obrigada pela confiança e tal menção deixa-me realmente motivada, mas tenho perfeita noção do caminho calejado de desafios que me aguarda, se quiser prosseguir e ascender no mundo literário.

            Leio imenso, amo ler e não consigo passar um único dia sem passar os olhos pelas letras de um livro, logo, tenho imensos autores que me inspiram, seja pelas obras, seja pela escrita, seja pelo trilho que os antecede. Posso falar de J.K.Rowling, que é alguém que queria mesmo conhecer; de George R.R.Martin, a quem faço a vénia; de Charlaine Harris, que me suga para a sua escrita simples e fluida; mas é ao meu pai que devo toda a força. Ele é, sem dúvida, a minha figura de referência para lograr na vida.

 
- Um dos eventos mais importantes na vida de um autor é a presença nas Feiras do Livro, quais são as sensações que experiencias num evento de tal género? Qual foi a sensação de teres estado presente na Feira do Livro de Lisboa a apresentar a tua primeira obra “Soberba Escuridão”?

 

            Foi um momento especial. Nunca tinha estado na feira do livro da capital e, estar lá como autora, foi uma excelente estreia. Conhecer alguns dos meus leitores do Centro e Sul, perceber que houve quem escolhesse aquele dia para ir à feira porque eu ia lá estar é, sem dúvida, deveras gratificante.

Uma experiência que pretendo repetir, sempre que me for dada a oportunidade.

 
- Para que faixa etária recomendarias especificamente a leitura dos teus livros?

 

Os Soberbas foram escritos a pensar num público jovem-adulto, mas tenho leitores de todas as idades. Sim, porque a fantasia agrada tanto a miúdos como a graúdos.

Devido a alguma violência psicológica e física, patente em algumas cenas, não os recomendo a crianças. Talvez, a partir dos dezasseis.

 

- Andreia, quem como nós aqui no blogue, acompanha a obra, denota uma evolução e diríamos mesmo um processo de amadurecimento ao nível da tua escrita, e das evoluções das próprias personagens? Tiveste, desde logo, essa percepção aquando da escrita do teu segundo livro – “Soberba Tentação”?

 

            Não, não notei logo, mas, quando o terminei, apercebi-me de que este volume puxou muito mais de mim do que anterior. O “Soberba Tentação” explora muito mais as personagens e o enredo está muito mais denso. Com esta reviravolta, entrei totalmente na minha praia.

            Quanto à escrita em si, torno-me, a cada dia que passa, uma leitora mais exigente e penso que isso se vá refletir na minha escrita. 

 

- Que conselhos darias a um candidato a escritor no nosso país e no meio da actual conjuntura?

           

            É fundamental que acreditem em si, que construam uma parede de betão armado para não se deixar ferir pela negatividade, que possuam humildade para ouvir repreensões acertadas, que saibam separar, daquilo que ouvem, o que é pertinente do que é frívolo.

A paciência é a maior aliada. Digo para procurarem técnicas, conversarem com pessoas que também escrevem, que vejam se há pontos no que lêem que servem para adaptar à escrita deles. Não copiem estilos de escrita, não escrevam “assim” só porque fulano o faz.

Afirmo que devem embrenhar-se no mundo deles, deixar-se consumir por ele. Encontrar a magia.

Quanto às editoras, convém averiguar como funcionam antes de as contatar.

 
- Além do já projectado terceiro e último volume da Trilogia Soberba, que projectos idealizas para o futuro da tua carreira enquanto escritora? Consideras escrever mais obras dentro do mesmo género (Fantástico, ou fantasia urbana) ou já te imaginaste a escrever outros géneros?

 

            As minhas histórias rascunhadas são quase todas de teor fantástico. Neste momento, conto com três projetos pendentes (além do terceiro volume da trilogia) e dois são do género fantástico. Estou a arriscar-me num drama, mas não me parece que me vá atirar de corpo e alma a ele para já. Preferia concluir os outros dois, antes de enveredar pela ficção dramática.

            Li há pouco tempo num artigo que se queremos escrever sobre determinado tema, a base é ler pelo menos 5000 livros do mesmo. A minha estante começa a ficar variada, logo, acredito que a minha escrita também ficará.
 

- A que razões atribuis o velho dilema com que se confrontam os autores Portugueses, de se considerar que um autor estrangeiro terá de escrever necessariamente melhor do que um autor nacional? Pensas que seria importante para combater tal estigma a internacionalização dos jovens autores Portugueses, entre os quais te inseres, com a tradução e apresentação das vossas obras junto do público estrangeiro? No imediato, em que língua e Pais ou países gostarias de arriscar a internacionalização da tua obra, e porquê?

 

Um autor estrangeiro não escreve melhor do que um autor nacional. O povo português precisa de dar uma hipótese aos autores lusófonos para mostrarem o que valem.

Tal como acontece com a literatura estrangeira, nem tudo nos agrada e lá por um ou outro autor português vos ter desagradado, isso não significa que se deve rotular tudo o que é nacional de “mau”, assim como não o fazem com os estrangeiros.

Os portugueses ainda não possuem grandes meios para se verem devidamente divulgados. Fazemos o que podemos e, aqui, falo como autora – divulgo o meu trabalho – e como blogger – divulgo outros.

Quanto à internacionalização, sim, sem dúvida que era muito positivo para o nosso mercado literário ter mais autores no estrangeiro. Desconheço como é que tal se concretiza, mas é algo que aspiro. Qualquer autor sonha em ver o seu trabalho a viajar pelo mundo.

No meu caso, não tenho preferência. Qualquer país que se mostrasse interessado em publicar os meus livros era um mérito, uma alegria sem igual.
 
 
   Para quem ainda não conhece a obra de Andreia Ferreira, aqui ficam os artigos relacionados com os seus dois livros:
 
Review de Soberba Escuridão

Review de Soberba Tentação

  Os nosso leitores ficam também convidados a visitar o blog de Andreia Ferreira:

Blog D311nh4 - de Andreia Ferreira