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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

[Entrevista Nacional] - Paula Santos, autora de Eu+tu=1


Biografia integrada no Livro

“Nasceu em Lisboa a uma 3ª feira às 21h15, mais precisamente no dia 4 de Outubro de 1977. Estudou e residiu no Barreiro e atualmente reside na freguesia vizinha da Baixa da Banheira.
Um dos seus sonhos, para além de um dia saltar de paraquedas, é ver esses dois sítios do seu coração, livres da “gasaria” (palavra inventada pelos Barreirenses) e dos buracos no passeio.
Já conheceu alguns países desta aldeia global a que chamamos Terra e um dia, quando for muito rica, espera poder conhecer a Lua e mais alguns Planetas que lhe dê na real gana.
Atualmente, trabalha como administrativa e tem um marido com uma paciência de santo, uma gata chamada soneca que faz jus ao nome e um blogue todo XPTO – Marshmallows & Lilypad – http://marshmallowandlilypad.blogspot.com.
E pronto. É isto.”

Um Muito Obrigada à Paula! Adorei a sua jovialidade e boa disposição!!
 Entrevista conduzida por Ivonne.

Entrevista

Paula, eu tentei encontrar mais informações sobre si, mas apenas encontrei as que se encontram dentro do livro. Pode falar-nos mais sobre si?

Olá. O meu nome é Paula Santos e sou uma docólica anónima. Bem, anónima é como quem diz, porque quem me conhece sabe que se me puserem um pastel de nata à frente (com canela, atenção) ganham uma amiga para a vida! Brincadeiras à parte, sou uma pessoa simples, que gosta de coisas simples e que leva um dia de cada vez. E que está a aprender a dar importância ao que realmente importa e a deixar as coisinhas mesquinhas do dia-a-dia passarem ao lado!

A ideia contida no romance, em que uma maquilhadora e um actor famoso se apaixonam assemelha-se a um conto de fadas moderno (e português), tendo como pano de fundo as ruas de Lisboa, Sintra e Algarve. Como surgiu a inspiração para Eu+tu=1?

Ui... Deixem-me pensar que isso já foi há uns anitos valentes... Desde miúda que adoro ler e escrever e imaginação, graças a Deus, é coisa que não me falta. Às vezes até é demais, mas enfim...cof, cof... Lembro-me de ser criança e já adolescente e devorar livros dos Cinco, das Gémeas, d'Uma Aventura, de Eça de Queirós, de quadradinhos, sei lá. Tudo o que me vinha parar às mãos era lido com prazer. E ainda o é! Há alguns anos, comecei a escrever um conto para um concurso literário, que se foi desenvolvendo e se transformou no Eu+tu=1. O facto de ser uma maquilhadora e um actor não foi propositado. Creio que surgiu naturalmente e quanto aos locais, já conhecia alguns e os outros conheci através de pesquisa e de fotografias e incorporei-os no livro.

Como surgiu a oportunidade de ver editado o seu romance?

Quando acabei de escrever o livro, pesquisei na internet várias editoras portuguesas e enviei email's a perguntar se poderia e como poderia fazer chegar-lhes o meu manuscrito. Diga-se de passagem, que nem todas responderam... Finalmente, enviei o livro em papel para algumas, em ficheiro para outras e fiquei à espera. E esperei e esperei e esperei (é preciso ter paciência). Ao fim de alguns meses começaram a chegar cartas e email's e infelizmente, todos com respostas negativas. Sei que quando já não contava com a publicação do livro, tentei num último esforço procurar mais editoras que porventura me tivessem escapado. Entre elas estava a Alfarroba. Tornei a contactar, tornei a enviar e num belo Sábado de manhã, o Nuno (o meu marido, não o Nuno Almeida) abriu o email e lá estava um convite da Alfarroba (beijinho, Andreia!) para me reunir com eles e discutir  a hipótese de publicação do livro. O que me valeu um grande sorriso na cara e um grito de alegria em cheio no ouvido do Nuno (novamente, o meu marido)...

O seu marido chama-se Nuno. Atribuir o seu nome à personagem masculina principal foi uma homenagem? Que papel teve o seu marido desde o início de Eu+tu=1 até à sua publicação?

Foi uma homenagem sim, porque foi a pessoa que sempre me apoiou e incentivou a continuar, mesmo quando outras pensavam que isto era um capricho e que nunca iria ser publicado. Além disso, não me posso esquecer de certas amigas que tiveram uma paciência de santas e leram e releram o manuscrito antes de eu o enviar para as editoras. E não me bateram no processo!

O seu blogue “Marshmallow, Lilypad, a cat and wait for it...”, cujo nome é baseado na sua série favorita “How I met your mother” já fez um ano no principio do mês. Fale-nos um bocadinho sobre este espaço e as vantagens que lhe tem proporcionado esta plataforma. 

Gosto muito do meu “Marshmallow, Lilypad, a cat and wait for it...” e creio que hoje em dia, seria impensável deixar de o ter. Através dele conheci pessoas que se calhar de outra forma nunca iria conhecer, descobri outros mundos e opiniões e alarguei os meus horizontes. Posso dizer por exemplo, que desde que tenho blogue (este não é o 1º), ansiei por respostas de portugueses, chorei com pessoas que estavam a passar por maus momentos nos EUA e ri com momentos felizes de alguém no Brasil. Creio que um blogue é uma chave para abrir uma porta da sala que se chama mundo (uau, agora fui poética, não fui?)!

Pode falar-nos sobre alguns dos seus outros hobbies e inspirações para além do blogue?

Gosto muito de ler, ir ao cinema, estar em casa com o marido e a gata (que também pertence à família), ver outros blogues e certos programas que tento não perder. Quanto a inspirações, acho que as tenho no dia-a-dia com situações que vejo ou pelas quais passo.

 

Este ano compareceu na Feira do Livro de Lisboa, “como escritora”, como refere no facebook. Pode falar-nos sobre esse acontecimento?

Estiveeeeeee!!! E que orgulho que foi estar do “lado de cá” dos livros! A 1ª pessoa que comprou o meu livro foi uma adolescente que gostou dele por causa da capa. Depois leu a sinopse e disse para o pai: - quero este! Assim, sem dúvidas. E quando mo deu para assinar, só não derramei uma lágrima ali na hora porque ainda iam achar que eu era uma lamechas, dar-me palmadinhas nas costas e dizer: - pronto, pronto. Vá, não custa nada. É só colocar a caneta no papel e deixar deslizar...

É administrativa. Podemos deduzir, então, que por motivos profissionais, utiliza muito o computador? Por essa razão, opta por escrever no papel e passar depois a computador? Teve ou tem alguma rotina para escrever?

Em criança costumava escrever tudo a lápis. Lembro-me que quando tinha uns 10, 12 anos, escrevi um livro de aventuras do género dos da Enid Blyton (uma das minhas escritoras preferidas até hoje) e já ia nas 80 e tal páginas quando me passou uma coisinha má pela cabeça e o destruí. Enfim... Mas actualmente escrevo tudo a computador. É muito mais prático! Quando escrevo prefiro estar sozinha e em silêncio. Desligo a televisão, rádio, tudo. Consigo escrever e concentrar-me melhor assim.

Em breve, poderemos contar com mais trabalhos seus publicados? 

Já comecei a escrever outro livro. O género é o mesmo; comédia romântica e espero que também arranque algumas gargalhadas a quem o leia. A mim já arrancou algumas!

Para terminar, quer deixar uma mensagem especial para os leitores e aspirantes a escritores?

Ai, os discursos... A mensagem que quero deixar é que não desistam. Se têm a certeza que o vosso trabalho é bom e o vosso sonho é serem escritores, cantores, actores, tocadores de pífaro ou o que quer que seja nunca deixem de o enviar a quem de direito e lutar por aquilo que desejam. Só tenho pena que em Portugal ainda não se aposte muito em autores novos e/ou desconhecidos. Mas tenho esperança que isso mude. Afinal, se ninguém tivesse apostado um dia na J. K. Rowling hoje não tínhamos o Harry Potter, não é?


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

[Opinião] "Eu+tu=1", de Paula Santos


Autora: Paula Santos
Título: Eu + Tu = 1
Editora: Alfarroba Edições
 
 
 
Sinopse:

O "eu+tu=1"é uma comédia romântica, que pelo meio aborda vários temas atuais da nossa sociedade, tais como a preocupação excessiva com a aparência, a “mania” de imitar os famosos, os problemas familiares e como muitas vezes se escolhe fugir deles, ao invés de enfrentá-los e a maneira, nem sempre correta, como frequentemente a comunicação social retrata a vida das pessoas.
Este livro conta-nos a história de Maria, maquilhadora num estúdio de televisão, que leva uma vida perfeitamente normal e está a recuperar de um desgosto amoroso, quando conhece um ator português internacionalmente famoso (e não, não é o Joaquim de Almeida!) e as suas aventuras e desventuras para lutarem pelo seu amor.
O que esse ator não sabe é que Maria tem um segredo na sua vida, que só a sua melhor amiga conhece e que a impede de ser feliz.
Pelo meio, vê-se envolvida em mentiras, desilusões, embaraços, alegrias e muitas mais situações, que vão levar o leitor a não querer pousar o livro antes de chegar à última página!

Opinião:

Aiai… li este livro em menos de cinco horas (eu sou muito lenta a ler, ok?? O livro não é maçador, tem 168 páginas!) e nem sei bem por onde começar…
Adorei o livro, caramba! De tal forma, que vim logo escrever a opinião (São 2h da madrugada de Domingo, 19). Ainda sinto o coração a bater desenfreadamente e o rosto manchado pelas lágrimas enquanto escrevo isto (O que querem? Sou uma romântica incurável, mas lamechas, não! Acreditem, estou a ser sincera e não a tentar escrever uma opinião toda bonitinha, cheia de pós prilimpimpim só por ser da nossa chancela Alfarroba! Eu sou sincera, independentemente da editora. Ou, pelo menos, tento sê-lo. Digo o que gosto e o que não gosto.).
Penso que a sinopse diz tudo, por isso não vou estender ainda mais a opinião a contar isso. Por um lado, dei por mim a rir de forma descontrolada (num tom extraordinariamente alto), com a minha mãe e o meu irmão a olharem para mim como quem diz “Foi desta. Entregou-se à loucura!”. Por outro, dei por mim a roer as unhas e a chorar desalmadamente, tal Madalena arrependida! Paula Santos, ora diverte-nos com diálogos (e monólogos, devo dizer) divertidos, ora põe-nos a chorar com as cenas mais comoventes e apaixonantes!
Há muito que não me divertia com um livro assim de uma portuguesa. Foi-me emprestado pela Isabel, mas assim que puder, vou comprá-lo, pois nos momentos tristes, este livro é uma verdadeira lufada de ar fresco! Devo dizer que desconfiei da sinopse, pareceu-me uma história banal (ah, mas esqueçam lá isso, eu ainda ligo aos preconceitos que crio sobre os livros? Parece inevitável, mas os preconceitos têm-me saído todos ao lado – e ainda bem!). É um conto de fadas à portuguesa…
A narrativa, toda ela, é impregnada com muito humor e ironia e a autora tem uma escrita muito fluída. Como escreveu a historia na primeira pessoa, parece estar a falar directamente com o leitor, com a personagem principal a dirigir-se-nos com perguntas como “Eu não vos avisei?”. Isso permitiu estabelecer uma ligação directa com o leitor e resultou muito bem. Gostei muito do estilo da autora.
 As personagens estão em constante movimento, o que torna a acção tudo menos aborrecida, e só nos incentiva a continuar. Talvez tenha perdido (um pouco) a força nas últimas páginas, em termos de acção e movimento, mas foi rematado por um final delicioso. A autora não esqueceu os diálogos, que ficaram bem construídos. Já os monólogos interiores, devo dizer, ficaram surpreendentes. Com muita carga emotiva, tanto positiva (felicidade e humor) como negativa (medos e inseguranças).
Adorei as referências às zonas de Lisboa, intercalando com as belas zonas de Sintra e do Algarve. O uso de expressões engraçadas tornou a narrativa mais fresca! Para ilustrar, vou deixar aqui um exemplo, por isso, quem não quiser saber, passe para o parágrafo seguinte, por favor: “- Hã? É que… li numa revista. – Olha a deusa da sabedoria! Olá! Já não a via há alguns dias!”. Faz-me lembrar de uma amiga e colega de faculdade que, curiosamente, tem o mesmo nome próprio!
É uma autêntica lição que nos ensina que devemos aproveitar as oportunidades e deixar as mágoas onde elas realmente pertencem: ao passado e seguir o que nos dita o coração.
E durante toda a leitura não é que “o sorriso palerma… não me saia da cara!”? Eu só pensava para comigo o excelente filme português que esta narrativa não daria… Alguém por aí a ler-me com contactos? Por favor, o povo precisa de se rir mais (para desgraças, já basta a vida real) e este livro é uma óptima aposta para o cinema português! Digo-o, na minha condição de amante de cinema (amante, não expert, atenção!). Adoraria ver este livro em filme!
Novamente, digo e com toda a sinceridade, foi uma excelente aposta da Alfarroba! É uma comédia portuguesa a não perder! Parabéns, Paula Santos, adorei! “É de gargalhar e chorar por mais!”.
Ivonne