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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Young Adult | "Anna e o beijo Francês", de Stephanie Perkins | Quinta Essência



Crítica por Isabel de Almeida | Jornalista, Crítica Literária e Blogger


   Anna e o Beijo Francês é, sem margem para dúvida, um divertido e refrescante romance destinado ao público mais jovem, que inserimos sem receio no género Young Adult, mas que promete também bons momento de entretenimento aos apreciadores de histórias românticas.

   Como protagonista desta narrativa temos Anna Oliphant, uma jovem Norte-Americana, filha de pais separados, é enviada para Paris, onde irá estudar num exclusivo colégio destinado a filhos das classes endinheiradas dos Estados Unidos, pelo seu pretensioso pai, um escritor de sucesso, admirado pelas massas e que é um produto da máquina de marketing editorial que o dominou, nas palavras de Anna:"Foi por altura do divórcio que todos os vestígios de decência despareceram e o seu sonho de ser o próximo grande escritor do Sul foi trocado pelo de ser o próximo escritor publicado. Então começou a escrever aqueles romances passados em pequenas povoações da Georgia sobre pessoas com Bons Valores Americanos que se Apaixonam e a seguir Contraem Doenças Fatais e Morrem."

   Triste por deixar para trás a mãe e o pequeno irmão Sean, a melhor amiga Bridgette, e Toph, o candidato a namorado, a jovem começa por enfrentar um duro choque cultural, ao viver em Paris, sem dominar a língua Francesa, nem os costumes e tradições daquele pais Europeu, tão distante do seu em todos os sentidos.

  Mas é em Paris, no novo e selectivo colégio, que rapidamente faz um novo grupo de amigos: Meredith, Josh e Rashmi [um casal de namorados a atravessar alguma turbulência na relação] e Étienne St. Clair, por quem Anna começa a sentir algo mais do que amizade, desenvolvendo ambos uma relação muito cúmplice, apesar de este estar comprometido com Ellie, aluna de artes, que já terminou os estudos no colégio, estando na Universidade, e que deixou de manter contacto com os restantes amigos do grupo, quando havia sido a melhor amiga de Rashmi, até ao momento em que ambas frequentavam o ensino secundário.

   Inicialmente, Anna vai recebendo emails e chamadas telefónicas dos amigos que deixou nos Estados Unidos, mas alguma distância também afectiva irá alterar os dados destas amizades.

   Anna vai descobrindo uma nova cultura, novas amizades, e dá largas à sua grande Paixão - o cinema - tornando-se frequentadora habitual dos intimistas e pequenos cinemas locais, tendo muitas vezes por companhia Étienne, um jovem extremamente culto [adepto de história e de leitura]. Um detalhe bastante interessante em relação à nossa protagonista, é o facto de esta pretender ser crítica de cinema conceituada, tendo já uma considerável cultura cinematográfica, atenta a sua idade.

   A narrativa vai decorrendo com várias peripécias e twists até ao final, com o delicioso complemento da descoberta da cidade por Anna, que acabará por se tornar, de algum modo, uma Parisiense por paixão,  e a autora é perita em descrever ao detalhe a evolução emocional das personagens, a rebeldia própria da sua faixa etária no cenário mágico de Paris, permitindo ao leitor apaixonar-se também por estes espaços tão especiais, carregados de história e imensamente românticos.

  Étienne St. Clair é também uma personagem bastante densa e bem construída, nele encontramos um jovem inserido numa família disfuncional, com um pai egocêntrico e dominador, que controla todos os detalhes da vida do filho e da própria ex-mulher, o que leva a que Étienne e a mãe nem sequer consigam ver-se o quanto desejariam, mesmo em situações de crise em que seria especialmente desejável tal contacto. Vive uma relação de puro comodismo com Ellie, mas receia quebrar esta estabilidade aparente!

   Num turbilhão de dúvidas, emoções à flor da pele, e num momento em que se desenham no horizonte as linhas do seu futuro, saberá Anna tomar as decisões mais adequadas em direcção à sua felicidade? E Étienne, estará disposto a arriscar e a enfrentar o pai e a eterna namorada Ellie, em busca de uma vivência mais desinibida?

   Rebeldia, sentido crítico, romance, mágoas, esperanças, sonhos e ternura, são as palavras que descrevem o quotidiano das várias personagens desta história bem contada e que se lê rapidamente. Uma boa aposta para o público mais jovem, e que bem pode ajudar a desenvolver hábitos de leitura, pela fluidez da escrita e pelo ritmo sempre equilibrado da mesma.

Adorei e recomendo!

Ficha Técnica:


Autora: Stephanie Perkins

Editora: Quinta Essência |  Grupo LeYa

Ano de Edição: 2015

Nº de Páginas: 288

Classificação atribuída no GoodReads: 4/5 estrelas

Género: Romance Contemporâneo | Young Adult





sexta-feira, 31 de março de 2017

Young Adult | "Por treze razões", de Jay Asher | Editorial Presença



Crítica por Liliana Marques | Guest Blogger Os Livros Nossos

Li este livro há uns meses, meio por acaso, e sem perceber a «dureza» do seu conteúdo! «Por Treze Razões» é uma história dura, sobre a vida de uma adolescente - como tantas outras - e embora pareça uma história verídica, felizmente, é apenas ficção!! 

E se de repente alguém nos deixasse à porta uma encomenda estranha, com o nosso nome, mas sem remetente? E se ao abrir essa mesma encomenda encontrássemos sete cassetes, onde, guiados pela voz de uma pessoa amiga, testemunhássemos em primeira mão o sofrimento e os motivos que a levaram a cometer o suicídio?

​Não é um tema fácil. É triste. ​É duro. Mas é um livro que deve ser lido, não de ânimo leve, mas com a consciência de que a história da Hannah é fictícia, mas, infelizmente, existem muitas histórias semelhantes e verdadeiras.

Este é um livro que nos toca por vários motivos. Porque nos fala de temas como o bullying, a amizade e a falta dela, a violação, a insegurança na adolescência e as consequências de gestos que, à primeira vista, nos parecem tão insignificantes, mas que magoam, coroem e muitas vezes acabam mesmo por destruir.  

A história está muito bem construída e estruturada, e a veracidade e franqueza das palavras da Hannah, e do próprio Clay, chega a ser dolorosa e perturbante, e embora tenha dado por mim a questionar algumas das atitudes da personagem principal, não tenho forma de discordar delas. Trata-se apenas de uma jovem de 16 anos! Uma jovem que foi exposta a variadíssimas situações, das quais, na sua maioria era alheia. Aos 16 anos tudo é vivido e sentido de uma forma intensa, e não há preparação emocional para saber qual a melhor forma de agir - ou reagir - para não chegarmos ao efeito «bola de neve». 

​Houve alturas em que pensei que a Hannah não se teria suicidado, e que estas cassetes fossem apenas uma forma de alerta, de dizer «basta!» a todos aqueles que contribuíram para que ela não visse mais nenhuma razão válida para querer continuar viva. No final percebi que o pior aconteceu mesmo, e que para haver outro final a Hannah teria que decidir que queria mesmo viver, e ela não o quis! 

Este tema tocou-me de uma forma muito particularmente, e, talvez por isso, esta leitura tenha sido um misto de sentimentos. O suicídio pode sempre ser visto de duas perspectivas. Por um lado é um acto de coragem! Por outro, é um acto de puro egoísmo!!! 

Para terminar, quer concordemos ou não com as escolhas da autora, esta história acrescenta-nos e leva-nos a questionar muitas das nossas atitudes e, talvez, a olhar de maneira diferente para o outros, e para a forma como os tratamos.

A série baseada no livro, estreia hoje, dia 31 de Março, na Netflix, e para quem prefere séries a livros. É ver, meus senhores! É ver!!!

Ficha Técnica:


Autor: Jay Asher

Editora: Editorial Presença

Nº de Páginas: 232

Género: Romance Contemporâneo | Young  Adult


Alerta TV - Este livro inspirou uma série televisiva que estreia a 31 de Março de 2017 na Netflix, veja aqui o Trailer:





sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

[Young Adult] "A Seleção", de Kiera Cass [Marcador]

Ficha Técnica:

Título: A Seleção


Autora: Kiera Cass


Editora : Marcador


Páginas: 292


P.V. P.: 15,95€


Classificação GR: 4/5 estrelas


Género: Young Adult/Fantasia


                                                          [Sinopse]:

Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida.

É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de viverem num palácio e competirem pelo coração do belo Príncipe Maxon.


No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesadelo. Terá de virar as costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo da sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes.



Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida com que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou.



Crítica por Irina Fino para o Blogue Os Livros Nossos:


Ler A Seleção veio romper com todas as opiniões que já tinha visto sobre este livro.
Então, esta história fala-nos sobre America Singer, que vive numa sociedade moderna, dividida por castas (uma divisão da sociedade que depende das profissões e posses de cada grupo social). Embora, America seja da casta Cinco, recebe, como todas as outras raparigas de idade apropriada, uma carta sobre a sua participação na selecção. 

A Selecção não é nada mais, nada menos do que a escolha de 35 raparigas para viverem no palácio por tempo indeterminado com o objectivo de uma delas vir a ser eleita pelo príncipe para ser sua esposa.

Inicialmente, America não  sente vontade nenhuma em participar, mas após ser coagida pela mãe e incentivada por Aspen (um rapaz determinado e que quer o bem de America), acaba por se inscrever e … surpresa das surpresas, é seleccionada!

A vida no palácio não se torna muito fácil com mais trinta e quatro raparigas a lutarem pelo príncipe, para além de que America nem queria estar naquela situação, mas após fazer um pacto com o príncipe Maxon (rapaz muito cordial, educado e super amável!), e ao criar uma amizade com a jovem Marlee, a selecção torna-se menos penosa. No final do livro, America percebe que tudo em que acreditou pode mudar, sendo escolhida para a Elite.

Após todas as pesquisas e comentários sobre esta obra, fiquei surpreendida por ter gostado e, principalmente,  por ter simpatizado com America, já que esta personagem não havia caído nas boas graças de toda a gente, devido à sua personalidade volátil. Essa mesma personalidade foi mais acentuada no início do livro e vi alguma evolução na sua pessoa a partir do momento em que entrou no palácio. No entanto, quanto às outras personagens que acabam por fazer um triângulo amoroso, não achei que fossem muito cativantes. Neste livro não conhecemos Aspen em termos mais profundos, o que gostaria que tivesse acontecido pois, embora no passado de America ele tenha sido muito importante, Aspen ainda não desapareceu e continua presente. Saliento ainda que gostei da determinação dele em lutar pela pessoa que ama. Já Maxon, o príncipe, por outro lado, interessou-me mas achei que faltava mais! Mais de tudo um pouco, para ser sincera. É elegante, um verdadeiro cavalheiro mas faltou-lhe uma pitada de atrevimento!

Apreciei o facto de a história, embora tenha uma dimensão monárquica, seja bem actual, com a emissão de um programa televisivo sobre a selecção e a vida das concorrentes no palácio, tal como um típico programa dos dias de hoje.

No geral, adorei a história, a escrita de Kiera Cass e todo o rol de acontecimentos! Estou a torcer pelo Maxon e pela America, mas acho que uma certa concorrente vai infernizar a vida à pobre rapariga! Estou ansiosa para ler a continuação - A Elite  - e ver se ainda é melhor que o primeiro livro!



domingo, 3 de janeiro de 2016

[Young Adult] "Fala-me de um dia perfeito", de Jennifer Niven [Nuvem de Letras]

Ficha Técnica:

Título: Fala-me de um dia Perfeito

Autora: Jennifer Niven

Editora: Nuvem de Tinta [Grupo Penguin Random House]

Edição: Outubro de 2015

Páginas: 360

Género: young adult/romance contemporâneo

Classificação atribuída no GR: 5/5 Estrelas


Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Sinopse: 

Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora.

Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

Fala-me de um dia perfeito, o primeiro romance young adult de Jennifer Niven, é uma obra muito especial por diversas razões, desde logo, pelo carisma e densidade psicológica dos protagonistas, pelos temas difíceis que aborda com sensibilidade mas de uma forma desassombrada e explícita, sendo exemplos destas temáticas: o processo de luto, os comportamentos suicidários na adolescência, a depressão, a violência doméstica e o estigma ou rótulo usualmente ainda hoje associado às perturbações mentais.

Os protagonistas  - Violet Markey e Theodore Finch - são dois adolescentes residentes no Estado do Indiana, nos Estados Unidos , cujos caminhos se cruzam no Liceu Bartlett, no momento em que ambos sobem ao campanário, considerando pôr fim às respectivas vidas, e acabando Theodore por recuar nos seus planos, e impedir que Violet cometa tal acto de loucura.

Theodore é um jovem afectado pelo percurso familiar problemático, filho de um pai egocêntrico, violento e ausente e abandónico [saiu de casa para construir uma nova família, escusando-se à responsabilidade de satisfazer as necessidades afectivas dos três filhos do primeiro casamento - Theo, Kate e Deca, aos quais, apesar de tudo, impõe uma convivência forçada num suposto jantar de família onde são evidentes as tensões entre pai e filhos].

 Também na escola Theo se assume como um aluno problemático, é excluído do ambiente social escolar, sendo mesmo vítima de bullying e é apelidado pelos colegas de "anormal", precisamente por se revelar uma pessoa não convencional, impulsiva e que não se soube ainda encontrar a si mesmo, revelando dificuldades de construção da sua identidade - curioso é o facto de ir mudando de look/estilo, como que acalentando a secreta esperança de, um dia acertar na escolha que corresponda ao seu verdadeiro "eu". 

Habituado a rótulos, Theo sofre de modo solitário [ e sem encontrar apoio na família, também ela desestruturada devido ao abandono da figura paterna] uma perturbação bipolar oscilando entre picos depressivos e de euforia.

Quando se cruza com Violet, encontra a possibilidade e viver a felicidade, ainda que de modo efémero, mas bastante marcante para ambos os jovens.

Violet é uma jovem popular no liceu, oriunda de uma família apoiante e estruturada, mas que atravessa uma fase complicada, ao vivenciar um processo de luto pela perda da sua irmã mais velha - Eleanor, de quem era bastante próxima, sentindo-se culpada quer pelo facto de ser sobrevivente, quer ainda pelo facto de se considerar responsável pelo percurso onde decorreu o acidente rodoviário que se ceifou a vida à irmã.

O livro retrata também, com bastante realismo, a convivência nem sempre fácil dos adolescentes num contexto escolar, com comportamentos que atingem níveis de crueldade, de intolerância e de rebeldia.

Constitui um sério alerta para o estigma das perturbações mentais que afectam os mais jovens, e que nem sempre são diagnosticadas e alvo de intervenções que fariam melhorar a sua qualidade de vida e baixar as taxas de suicídio.

Um livro realista, poético, sensível, comovente e que, assumidamente, nos faz chorar e fica connosco muito para além da Leitura.

Citação:

"As pessoas ou me vêem ou não. Pergunto-me como será andar na rua, seguro e a sentir-me bem na minha pele, e não ser diferente. Sem que as pessoas se desviem, fiquem a olhar, à espera para verem qual será a próxima coisa estúpida e louca que vou fazer." Theodore Finch, p. 128






segunda-feira, 20 de maio de 2013

[Young Adult] " Anna e o Beijo Francês", de Stephanie Perkins [Quinta Essência]



Autora: Stephanie Perkins


Edição: Maio de 2013

Género: Young Adult

Páginas: 288

Saiba mais detalhes sobre a obra AQUI


Crítica por Isabel Alexandra Almeida para o Blog Os Livros Nossos:

   Anna e o Beijo Francês é, sem margem para dúvida, um divertido e refrescante romance destinado ao público mais jovem, que inserimos sem receio no género Young Adult, mas que promete também bons momento de entretenimento aos apreciadores de histórias românticas.

   Como protagonista desta narrativa temos Anna Oliphant, uma jovem Norte-Americana, filha de pais separados, é enviada para Paris, onde irá estudar num exclusivo colégio destinado a filhos das classes endinheiradas dos Estados Unidos, pelo seu pretensioso pai, um escritor de sucesso, admirado pelas massas e que é um produto da máquina de marketing editorial que o dominou, nas palavras de Anna:"Foi por altura do divórcio que todos os vestígios de decência despareceram e o seu sonho de ser o próximo grande escritor do Sul foi trocado pelo de ser o próximo escritor publicado. Então começou a escrever aqueles romances passados em pequenas povoações da Georgia sobre pessoas com Bons Valores Americanos que se Apaixonam e a seguir Contraem Doenças Fatais e Morrem."

   Triste por deixar para trás a mãe e o pequeno irmão Sean, a melhor amiga Bridgette, e Toph, o candidato a namorado, a jovem começa por enfrentar um duro choque cultural, ao viver em Paris, sem dominar a língua Francesa, nem os costumes e tradições daquele pais Europeu, tão distante do seu em todos os sentidos.

  Mas é em Paris, no novo e selectivo colégio, que rapidamente faz um novo grupo de amigos: Meredith, Josh e Rashmi [um casal de namorados a atravessar alguma turbulência na relação] e Étienne St. Clair, por quem Anna começa a sentir algo mais do que amizade, desenvolvendo ambos uma relação muito cúmplice, apesar de este estar comprometido com Ellie, aluna de artes, que já terminou os estudos no colégio, estando na Universidade, e que deixou de manter contacto com os restantes amigos do grupo, quando havia sido a melhor amiga de Rashmi, até ao momento em que ambas frequentavam o ensino secundário.

   Inicialmente, Anna vai recebendo emails e chamadas telefónicas dos amigos que deixou nos Estados Unidos, mas alguma distância também afectiva irá alterar os dados destas amizades.

   Anna vai descobrindo uma nova cultura, novas amizades, e dá largas à sua grande Paixão - o cinema - tornando-se frequentadora habitual dos intimistas e pequenos cinemas locais, tendo muitas vezes por companhia Étienne, um jovem extremamente culto [adepto de história e de leitura]. Um detalhe bastante interessante em relação à nossa protagonista, é o facto de esta pretender ser crítica de cinema conceituada, tendo já uma considerável cultura cinematográfica, atenta a sua idade.

   A narrativa vai decorrendo com várias peripécias e twists até ao final, com o delicioso complemento da descoberta da cidade por Anna, que acabará por se tornar, de algum modo, uma Parisiense por paixão,  e a autora é perita em descrever ao detalhe a evolução emocional das personagens, a rebeldia própria da sua faixa etária no cenário mágico de Paris, permitindo ao leitor apaixonar-se também por estes espaços tão especiais, carregados de história e imensamente românticos.

  Étienne St. Clair é também uma personagem bastante densa e bem construída, nele encontramos um jovem inserido numa família disfuncional, com um pai egocêntrico e dominador, que controla todos os detalhes da vida do filho e da própria ex-mulher, o que leva a que Étienne e a mãe nem sequer consigam ver-se o quanto desejariam, mesmo em situações de crise em que seria especialmente desejável tal contacto. Vive uma relação de puro comodismo com Ellie, mas receia quebrar esta estabilidade aparente!

   Num turbilhão de dúvidas, emoções à flor da pele, e num momento em que se desenham no horizonte as linhas do seu futuro, saberá Anna tomar as decisões mais adequadas em direcção à sua felicidade? E Étienne, estará disposto a arriscar e a enfrentar o pai e a eterna namorada Ellie, em busca de uma vivência mais desinibida?

   Rebeldia, sentido crítico, romance, mágoas, esperanças, sonhos e ternura, são as palavras que descrevem o quotidiano das várias personagens desta história bem contada e que se lê rapidamente. Uma boa aposta para o público mais jovem, e que bem pode ajudar a desenvolver hábitos de leitura, pela fluidez da escrita e pelo ritmo sempre equilibrado da mesma.

Adorei e recomendo!



   


segunda-feira, 13 de maio de 2013

[Young Adult] "Um desastre Maravilhoso", de Jamie McGuire [Planeta]



Autora: Jamie McGuire

Editora: Planeta

Páginas: 344

Género: New Adult *

Edição: Março de 2013

Saiba mais detalhes sobre a obra no site da  Planeta AQUI

Crítica por: Isabel Alexandra Almeida no Blog Os Livros Nossos:


   Um Desastre Maravilhoso é um romance que consegue surpreender-nos pela positiva, e que apresenta um ritmo narrativo bastante fluído, com diversos twists e momentos de tensão psicológica até ao desenlace final.

   É uma obra que prende o público leitor, levando-o para um ambiente muito específico na cultura Norte Americana, com os seus ideais e estereótipos tão divulgados em obras literárias, no cinema e também em séries televisivas de sucesso.

   Abby Abernathy e Travis Maddox são os nossos protagonistas centrais da trama, ela a clássica estudante certinha e cumpridora, que ingressa na Eastern University com o intuito de fugir a um passado familiar disfuncional e até mesmo não isento de riscos; ele o Bad Boy por excelência, aluno na mesma universidade, sexy, tatuado, incapaz de investir numa relação afectiva séria e duradoura.

   Abby e Travis irão cruzar-se pelo facto de America [A melhor amiga de Abby] ser a namorada do primo de Travis - Shepley, e contra todas as previsões, os opostos acabam por se atrair, e ambos iniciam uma relação ambígua [até para os próprios protagonistas] mas obsessiva, que muito irá abalar o mundo interno e social destes jovens e daqueles que lhes estão mais próximos.

   Abby, filha de um inveterado jogador de Poker e de mãe alcoólica  faz tudo para evitar aproximar-se de Travis, mas sem sucesso nos seus intentos; por sua vez, Travis encontra em Abby a figura feminina de referência  que o fará questionar o seu modo de vida [combates ilegais que lhe garantem o sustento, relações rápidas de uma noite com sucessivas parceiras, noites de álcool e excessos, e uma vida no limite].

   Fugindo de uma família onde os valores e a proximidade anda arredada, e de alguns segredos perturbadores do passado que pretende esquecer para todo o sempre, será Abby capaz de assumir para si mesma e perante a comunidade que Travis é "o seu homem", por mais rebelde, contra a corrente e politicamente incorrecto que este se revele aos olhos de todos?

   E Travis, conseguirá ceder nos seus impulsos possessivos e obsessivos e entregar o seu coração a esta menina feita mulher pelas circunstâncias menos felizes do seu núcleo familiar? 

   É este o desafio que a autora nos coloca neste romance em altíssima rotação. Acaba por ser também uma história acerca da capacidade de resiliência dos seres humanos perante os meios sociais onde nasceram, que nem sempre se mostram os mais fáceis de suportar (Abby é filha de pais disfuncionais e destrutivos e Travis cresceu órfão de mãe, junto do pai e dos irmãos, sentindo a falta de uma família feminina de referência a orientar o seu percurso).

   Personagens fortes, orgulhosas, contam com o apoio dos amigos de todas as horas, o casal America e Shepley, que muitas vezes se vê envolvido em danos colaterais dada a instabilidade da relação conturbada dos protagonistas. America é quase a figura maternal com a qual Abby não pode contar, sente o dever de proteger a melhor amiga, e toma sempre o partido desta, mesmo quando para tal tem de enfrentar o namorado, e ainda que tal chegue a fazer perigar a própria relação. Encontramos bem patentes em America e Shepley os valores da amizade e da lealdade levados ao extremo, o que não deixa de ser um detalhe original numa história que é tudo menos convencional. 

   Surpreendente, divertido, combina doses elevadas de obsessão, perigo, ternura, amor, amizade, lealdade e forte tensão psicológica, sendo também uma história temperada com um doce toque de sensualidade à flor da pele.

   Uma boa leitura para os mais jovens, e uma excelente aposta editorial da Planeta.

Verdadeiramente delicioso e completamente irresistível, este romance!


Nota da redacção* Por questões de espaço, esta rubrica incluirá obras de diversos géneros e subgéneros destinadas ao publico leitor mais jovem. O romance acima analisado insere-se na categoria New Adult (jovens que sendo já adultos perante a lei, se encontram ainda em início de vida adulta, e.g. estudantes universitários), a categoria Young Adult diz respeito a narrativas cujas personagens centrais sejam adolescentes prestes a entrar na idade adulta (e.g. alunos do ensino secundário).