Mostrar mensagens com a etiqueta by Maria João. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta by Maria João. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Renda & Saltos Altos | "O Plano da Herdeira", de Courtney Milan | Asa



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos

Visite também o blog pessoal da Maria João - Livros ? Gosto

O Plano da Herdeira é o segundo volume da série Entre irmãos de Courtney Milan. Começo por revelar que até mais ou menos a meio fui arrastando a leitura do livro. Enquanto o primeiro li sem esforço, achando a história bastante interessante, este custou-me entrar no ritmo da escrita e na evolução da narrativa. O interessante é que do meio até ao final, foi lido num ápice.

A história centra-se em Oliver Marshall, irmão bastardo de Robert, personagem principal do primeiro volume, e em Jane Fairfield, jovem excêntrica, não só nos vestidos que usa, como também na sua forma de estar. 

Estas duas personagens são o protótipo de alguém que tem o seu destino, e o seu futuro, de tal forma definido que nada as faria distanciar dos seus objetivos. Oliver quer ter um cargo político no Parlamento e, eventualmente, vir a ser primeiro ministro. Jane, apesar do generoso dote que possui, não quer casar com ninguém, pois apenas pretende afastar a irmã do domínio do seu tutor, Titus Fairfield. Assim sendo, veste-se de forma medonha, diz o que não deve, quando não deve e como não deve afastando os eventuais pretendentes.

O livro torna-se interessante a partir do momento em que os dois, como amigos, se unem para alcançar os seus objetivos, de forma imediata e, eventualmente, permanente. As personagens acabam por desenvolver uma relação muito bem construída, em que a superficialidade acaba por funcionar como uma máscara para a sociedade, mas, nós leitores, percebemos que a essência de cada um está para além dela.

Jane acaba por, de alguma forma, ser uma mulher além do seu tempo. Não sendo submissa aos homens, nem mesmo ao marido quando finalmente casa, acaba por utilizar os seus recursos financeiros, não no aumento da fortuna do cônjuge, mas sim na realização dos seus projetos. Por seu lado, Oliver ao aceitar esta mulher, e ao lutar para que os outros vejam nela mais do que os vestidos ridículos ou os comentários inoportunos ditos num tom demasiado alto, acaba por mostrar uma faceta não muito comum para a época, aceitando e orgulhando-se do brilhantismo da esposa.

Um dos momentos interessantes do livro tem a ver com os projetos políticos de Oliver: o alargamento do direito ao voto. Naquela altura nem os trabalhadores, nem as mulheres podiam votar. O voto estava confinado aos que, por nascimento, tinham esse direito. Enquanto Oliver se bate pelo alargamento do voto aos trabalhadores, a sua irmã Free luta pelo direito do voto das mulheres. Nesse aspeto o livro torna-se interessante pois embora sejam discussões breves, acabam por nos recordar da dificuldade que foi implementar direitos que hoje damos como adquiridos. Mais, se olharmos à volta, e repararmos nas taxas de abstenção existentes no nosso tempo, envergonha-nos pensar que, noutros tempos, pessoas estiveram dispostas a alterarem as suas vidas, ou mesmo a fugir de casa, como Free , para que este direito tenha sido conseguido. 

Embora não fosse um livro que me entusiasmasse, acaba por ser uma boa leitura, onde podemos ver uma sociedade preconceituosa, corrupta, e de aparências. Apesar de tudo fico à espera dos próximos volumes da serie, nomeadamente da história de Free.


Leia AQUI a crítica ao primeiro livro desta série


Ficha Técnica do Livro:


Autora: Courtney Milan

Série: Entre Irmãos #Livro 2

Editora: ASA | Grupo LeYa

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 400

Género: Romance de Época | Período Vitoriano



terça-feira, 4 de julho de 2017

Renda & Saltos Altos | " O Amor que nos une", de Megan Maxwell | Planeta



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos:

   Megan Maxwell é uma das minhas autoras preferidas. Comecei a lê-la com o seu primeiro, Pede-me o que quiseres e nunca mais parei. Sendo uma escritora do estilo erótico, temi que se tornasse repetitiva. Ingénua ilusão. Megan Maxwell consegue surpreender sempre e em cada livro, não sendo este excepção.

   O amor que nos une, segundo volume da série As guerreiras Maxwell passa-se nas Terras Altas Escocesas, na época Medieval. As personagens principais Gillian e Niall são já nossas conhecidas, pois este último é irmão de Duncan a personagem masculina principal do primeiro livro da série. 

E aqui começa a agradar-me. Apesar de o casal principal ser outro, sabemos o que aconteceu às personagens que nos foram apresentadas anteriormente, podendo assim saber o que lhes aconteceu, pois já passaram alguns anos.  Mais uma vez Megan Maxwell inova e de uma forma bastante assertiva, pois Duncan e Megan, por exemplo, foram personagens tão fortes que, tendo ficado bem presentes  na nossa memória, seria natural que nos interrogássemos sobre o seu destino. 

   Gillian é a jovem irmã de Axel McDougall que fica a saber estar prometida em casamento, por decisão de seu pai, ao filho do seu vizinho, Ruarke, caso não esteja casada até ao final do dia do seu vigésimo sexto aniversário. Acontece que este jovem é um homem do seu tempo, com pouca, ou nenhuma sensibilidade, achando que as mulheres têm apenas de tratar dos filhos, bordar e obedecer aos maridos. Sendo Gillian conhecida como a Desafiadora, logo se percebe que este é um casamento que dificilmente poderia dar certo. Ela é apaixonada pela vida, com personalidade forte, orgulhosa e casmurra, o que faz com que diga o que deve, o que quer, o que não deve e o que não quer.

   Para além disso, a jovem continua apaixonada por Nial, um amor antigo, que, por presunção e teimosia dos dois, não tinha dado em casamento. No entanto, nós leitores, sabemos, desde o primeiro volume, que o amor não morreu, apenas ficou latente debaixo do orgulho e da teimosia. Nial é também um jovem impulsivo cujas palavras e os actos, às vezes, não são bem ponderados.  

   A verdade é que, com a ajuda das amigas, Gillian e Nial acabam por se reaproximar e toda a história se desenvolve em volta da viagem até Duntulm, sendo muitas as peripécias que aguardam os leitores ao longo desta narrativa bastante fluída.

   Não querendo, de todo, contar a história posso acrescentar que o livro nos transmite um misto de sentimentos. Se estas personagens são muito mais infantis que as anteriores, esta ingenuidade permite-nos, por um lado, sorrir e vê-los crescer como pessoas e como casal, e por outro, querer bater-lhes como se de crianças se tratassem. Noutros momentos, é impossível evitar uma lágrima face à generosidade e autenticidade que ambos têm perante a vida e perante os outros, o que leva a alterações em Duntulm e nos seus habitantes. 

   Este é, pois, um livro que recomendo sem hesitações. Um segundo volume que, sendo diferente do primeiro, não lhe é inferior. Na verdade, apenas nos dá vontade de saber quem será a guerreira do terceiro achando, de antemão, que será uma mulher de garra, personalidade e coragem desmedida para defender os seus. Mas para tal teremos de esperar até Setembro.


Ficha Técnica do Livro:



Autora: Megan Maxwell

Série: As Guerreiras Maxwell - Livro 2

Editora: Planeta

Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 392

Género: Romance de Época | Romance Sensual




quinta-feira, 29 de junho de 2017

Crítica Contemporânea | " Contigo para a Eternidade", de Jude Deveraux | Quinta Essência



Crítica por Maria João Covas | Guest Blogger Os Livros Nossos:



Contigo para a eternidade é o terceiro livro da Série "Noivas de Nantucket" de Jude Deveraux. Depois de termos lido a história de Alix e de Toby, eis que nos surge Hallie, uma jovem fisioterapeuta, que no momento em que se sente enganada pela ‘irmã’ resolve abandonar tudo e ir tomar posse de uma casa que lhe tinha sido deixada por um familiar desconhecido. A casa, na ilha de Nantucket, vem com um ocupante. Nela se encontra o belo James Taggert, a necessitar dos serviços de Hallie, após ter tido um acidente de esqui. 

Esta é a premissa de onde parte o livro. Obviamente que a história se complica quando percebemos que a casa é assombrada. Dois fantasmas, mulheres, divertidíssimas, e muito casamenteiras, acabam por condicionar a vida de quem lá vive, e de quem lá passa, e a nós, leitores, fazem-nos rir, sorrir e aplaudir as suas atitudes. 

O enredo é de leitura fácil, sem ser simplista, pois os problemas de James vão muito além da perna magoada, são problemas do foro psicológico e por motivos muito mais sérios do que o esqui. O livro trata do problema que vivem as pessoas com stress pós-traumático provocado pela guerra. E embora seja um romance de ficção romântica num registo leve, Jude Deveraux mostra bem como este trauma condiciona a vida das pessoas e a sua relação com os outros e dos outros para com eles. James é, pois, uma personagem forte, por vezes agressiva, mas muito consciente da sua situação, tentado sempre lidar com ela da melhor maneira.

Por sua vez, Hallie, também ela uma mulher forte e determinada, não se deixa assustar pela agressividade de James e acaba mesmo por ter uma influência positiva na sua evolução, não só física, mas também psicológica. Hallie ajuda-o a perceber que a vida é para ser vivida e que ninguém é uma ilha. No entanto, também ela tem um passado a ultrapassar e um presente a esclarecer.

Quanto às outras personagens, ditas secundárias, são na verdade fundamentais para a compreensão do universo que rodeia aquela casa. A família de James, que surge por ocasião de um casamento, e a ‘irmã’ de Hallie, Shelly, bem como o seu amigo de infância Braden, criam um ambiente bastante colorido, plausível e completam o universo das personagens principais.

Outro aspeto interessante do livro é que nos mostra que tudo tem dois pontos de vista. Ou seja, depois de termos formado uma opinião, não muito boa, confesso, sobre uma personagem, vendo a história pelos olhos de outras personagens, percebemos no final que ela própria tem uma visão de si que em nada se enquadra com a que nos foi dada, mas que é legitima. Assim, de repente, tudo o que nos parecia ilógico, a nível do comportamento, passa a fazer sentido e a ser compreendido.

O fim do livro é previsível em relação às personagens principais, embora o mesmo não se possa dizer em relação às secundárias.  A autora desvia o rumo da história e elas acabam por ter um final surpreendente, mas bastante plausível.

Um romance encantador, com uma leitura muito agradável. Uma óptima leitura de verão.


Ficha Técnica do Livro:



Autora: Jude Deveraux

Série: Noivas de Nantucket #3


Edição: Junho de 2017

Nº de Páginas: 408

Género: Romance Contemporâneo Feminino | Ficção Romântica