domingo, 6 de janeiro de 2013

[Renda & Saltos Altos] "Escravos da Paixão", Kate Pearce [Quinta Essência]

 
Título: "Escravos da Paixão"
 
Autora: Kate Pearce
 
Editora: Quinta Essência [Grupo Leya]
 
1ª  Edição: Setembro de 2012
 
Páginas: 348
 
 
Sinopse:
 
 
Uma proposta ousada... Forçada a casar muito nova, Abigail Beecham está farta do seu casamento sem sexo.
 
Anseia por sucumbir aos prazeres deliciosos do puro desejo carnal sobre o qual apenas leu. Se o marido não é capaz de satisfazer as suas carências, ela está disposta a encontrar um homem que o seja... Um passado diferente... Peter Howard está habituado a pedidos sexuais fora do comum. Os seus dez anos como escravo num bordel turco tornaram-no um especialista nas delícias sensuais. Mas há pouco que realmente o excite... até conhecer Abigail. Agora vive para a provocar e atormentar até ela gritar de prazer. Talvez quando sentir finalmente aquela deliciosa sensação de felicidade por que tanto anseia...
 
 
Crítica por Isabel Alexandra Almeida /Blog Os Livros Nossos:
 
“Escravos da Paixão” é o segundo romance da série [Casa do Prazer], da autora Britânica Kate Pearce, editada em Portugal sob a chancela de qualidade da Quinta Essência.
  Com formação superior em História, Kate Pearce, actualmente  a residir nos Estados Unidos, traz-nos romances que revelam um estilo bem demarcado e reconhecido pelos  seus leitores habituais.
  Personagens envolventes, carismáticas, sem tabus, são verdadeiros anti-heróis que, irónica e paradoxalmente, acabam por conquistar a empatia do leitor.
   Nesta narrativa, assumem o papel de personagens centrais, que virão a dar forma a um atrevido e inusitado triângulo amoroso: Peter Howard (comerciante bem instalado e relacionado socialmente, com um passado obscuro, marcado pelo abandono familiar e pela escravidão sexual forçada num Bordel Turco, na sequência de rapto); Lorde James Beecham e a jovem esposa Lady Abigail Beecham.
   Intercalada com a acção principal, que narra a proposta de Lorde Beecham a Peter, no sentido de que este sirva de Mestre nas artes da Alcova, a James e à sua esposa Abigail (que anseia por dar um herdeiro ao marido), já que o nobre casal não revela qualquer tipo de sintonia entre lençóis; surge a narrativa do desentendimento entre Peter e o seu anterior melhor amigo (e amante) Valentin Sokorvsky, e a sua esposa Sara.
   Peter irá aceder ao pedido de Lorde Beecham, e encontrará no casal uns muito aplicados aprendizes das artes do sexo, nascendo entre as três personagens fortes laços de intimidade, confiança, e até mesmo amor, num ousadíssimo, nada convencional e verdadeiramente escaldante triângulo amoroso, que despertará Lady Abigail para os prazeres da carne, os quais, até aí, lhe eram desconhecidos.
   Este livro contém descrições explícitas e detalhadas de cariz sexual, assume-se como um romance para adultos.
   Contudo, a linguagem cuidada de Kate Pearce, está imbuída de uma natural elegância torna possível ao leitor atenuar o choque inicial que possa ser causado pelo teor da narração, e pela crueza das descrições sexuais.
   Além de uma escrita elaborada, mas acessível, desprovida de quaisquer pudores ou tabus, Kate Pearce tempera a sua narrativa com os maneirismos sociais da Sociedade Britânica do Século XIX, dando a conhecer aos leitores mais uma parcela das vivências daquele período histórico onde se denotam vícios privados escondidos sob a capa de apregoadas públicas virtudes.
   Também o mistério surge no romance, crescendo no leitor a curiosidade em descobrir as origens familiares de Peter, bem como os detalhes que rodearam a sua infância tão cruelmente marcada pelo destino.
   Peter é, a meu ver, a personagem mais marcante e profunda da obra, sendo paradoxalmente um “animal Social” mas também “sexual”, mas que vive momentos de angústia e hesitação ao sentir-se sem raízes, sem família e numa incessante busca pelos afectos que nunca teve a oportunidade de encontrar na altura certa do seu percurso de vida.
   Quanto aos cenários, estes são também variados, vão desde as propriedades campestres da Nobreza, passando para as mansões citadinas, as docas de Londres ou o Luxuoso Bordel de Madame Helene.
    A quem ainda não esteja familiarizado com a escrita da autora, ou eventualmente com a recente tendência do romance sensual de época, não posso deixar de alertar para o facto de este livro ter uma linguagem bastante crua, ao nível sexual, e descrições que podem facilmente chocar os leitores menos preparados para tal circunstância.
   Não é, de todo, uma obra que recomende a quem queira estrear-se neste tipo de leitura, e que não esteja bem certo de que o estilo seja do seu agrado.
 
   Pessoalmente, gostei bastante da escrita da autora e da ousadia do estilo, que considerei verdadeiramente corajoso, coragem e ousadia estas que pude comprovar quando no ano passado entrevistei Kate Pearce aqui para o blog. [Vale a pena ler ou reler a entrevista de Kate Pearce].
   Esta série de Kate Pearce suscita opiniões opostas, de oito ou oitenta, há quem adore e quem abomine, portanto  o lema é “love it, or leave it!” J
   Sensualidade ao rubro, luxúria, intriga, mistério, detalhes históricos e sociais bastante ricos, constituem razões bastantes para que nos atrevamos a conhecer o universo ousado de Kate Pearce.
 
   Um livro a ler despidos...de preconceitos ! :P
 
  
 


sábado, 5 de janeiro de 2013

[Opinião] "666, Park Avenue", de Gabriella Pierce [ASA - 1001 Mundos]

 
Título: "666, Park Avenue"
 
Autora: Gabriella Pierce
 
Editora: ASA /1001 Mundos [Grupo LeYa]
 
Edição: Julho de 2012
 
Páginas: 280
 
 
 
Trailer da Série Norte-Americana, com o mesmo nome do livro, e inspirada na obra.
 
 
 
Sinopse:
 
Jane Boyle é uma jovem e promissora arquiteta que está a viver um verdadeiro conto de fadas, desde que o charmoso, e muito rico, Malcolm Doran a arrebatou e lhe propôs casamento, acompanhando o pedido com um enorme anel de diamantes. Jane não consegue acreditar na sua sorte e resolve deixar o emprego em Paris para recomeçar a vida em Nova Iorque, na companhia de Malcolm. Mas quando Malcolm a apresenta à família, os muito temidos e reverenciados Doran, uma das mais importantes famílias da elite de Manhattan, o conto de fadas de Jane sofre uma abrupta e negra mudança de rumo. Em breve, tudo o que ela pensava saber sobre o mundo e ela própria é posto em causa. Agora Jane tem de tentar compreender as suas novas capacidades mágicas, ao mesmo tempo que luta contra a ameaça daqueles que tudo farão para lhas retirarem.
 
 
Crítica por Isabel Alexandra Almeida/Blog Os Livros Nossos:
 
 A minha primeira leitura do ano chegou até à minha estante como uma prenda de Natal inesperada e de última hora.
 
   "666, Park Avenue", de Gabriella Pierce, era um livro que já há algum tempo me vinha suscitando atenção e interesse, e boas expectativas, primeiro porque só o título me leva até à mítica Nova Iorque, uma das minhas viagens de sonho ainda não realizadas, depois porque a sinopse refere a outros ingredientes também bastante do meu agrado - Paris, França, Amor, Glamour e  tudo isto temperado com bruxas e magia negra no seio da alta sociedade Nova Iorquina.
 
   A protagonista, Jane Boyle é uma jovem e bela arquitecta em início de carreira, criada de forma deveras misteriosa e sufocante pela avó Celine Boyle. A viver e trabalhar em Paris, vive um verdadeiro conto de fadas dos tempos modernos, num meio social bastante elevado, ao conhecer e ficar noiva do sexy, encantador e enigmático Milionário Malcolm Doran, o rico herdeiro de uma das mais prestigiadas famílias da high society de Manhattan.
 
   Intuitiva, sensível, divertida e com uma enorme curiosidade por melhor entender alguns detalhes estranhos da sua pessoa [tende a causar avarias em aparelhos e problemas elétricos, quando fica nervosa], sem conseguir entender porque motivos a sua avó sempre a ocultou e a fez levar uma vida super protegida, apenas pelo facto de ser órfã, quase de um dia para o outro, Jane vê-se a residir em Nova Iorque, em casa do Noivo Malcolm Doran, onde também vivem os pais deste - a emproada, fútil e pérfida Lynne e o marido, as primas de Lynne [Cora McCarroll e Belinda Helding] e seus descendentes.
 
   Rodeada de alta costura, festas glamorosas, e os preparativos para o casamento levados muito peito pela intrometida e controladora sogra Lynne Doran, que descobre tratar-se de uma perigosa bruxa com origens ancestrais, Jane vê o seu conto de fadas transformar-se, gradualmente, numa história de terror moderno, onde não faltam vários perigos que a ameaçam a si e até aos seus novos e poucos amigos, que entretanto conheceu na sua nova vida em Nova Iorque - a colega de trabalho Maeve Montague, o atraente irmão desta - Harry Montague, e Dee [assistente de pasteleira, que Jane virá a conhecer a propósito dos preparativos para o seu casamento com Malcolm Doran].
 
   As personagens mostram-se bem construídas e caracterizadas, pertencem maioritariamente à alta sociedade, sendo evidentes as referências à vida luxuosa e algo fútil e de aparências, desta classe social para a qual Jane se vê arrastada.
 
   A linguagem é bastante acessível, fluída, e prende o leitor por completo, a autora soube criar uma aura de mistério que nos leva a querer saber sempre mais e mais sobre a história e os percursos dos personagens, e somos tentados a especular sobre os verdadeiros intuitos de cada um, afinal em quem Jane poderá confiar?
 
  Será Malcolm um noivo apaixonado e devotado? Que segredos tenebrosos se esconderão por detrás das sombrias janelas da Mansão da família Doran no Upper East Side?
 
   Divertido, misterioso, criativo, é um excelente entretenimento de rápida leitura, especialmente para quem procura desanuviar neste início de ano.
 
  Descobri que existe uma série baseada no livro [que terá também mais desenvolvimentos], por isso deixo-vos o trailler da série que também irei tentar localizar e ver.
 
  Espero que a 1001 Mundos não nos faça esperar muito mais para sabermos os próximos capítulos da vida de Jane Boyle.
 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

[Secção Criminal], "O cavalo amarelo", de Agatha Christie [ASA]


Autor: Agatha Christie

Género: Policial

Título: "O cavalo amarelo"

Editora: Edições Asa

Páginas: 256

Nº de coleção: 73


Sinopse:

Quando um padre idoso é assassinado, o homicida revista o corpo da vítima tão furiosamente que rasga o forro da batina. O que procurava o assassino? E o que teria, horas antes, uma mulher moribunda confessado ao padre? Mark Easterbrook e a sua aliada Ginger Corrigan estão determinados a solucionar estes mistérios. Mas respostas parecem estar na posse de três mulheres que são afamadas praticantes de magia negra...

O Cavalo Amarelo (The Pale Horse) foi originalmente publicado em 1961 na Grã-Bretanha, tendo sido editado nos Estados Unidos no ano seguinte. Foi adaptado para a televisão em 1996 e 2010.


Crítica/Opinião por: Cátia Correia/ Os Livros Nossos

Ler Agatha Christie é sempre um prazer inconfundível com qualquer outro, por isso, só posso dizer que foi com muito gosto que recebi este mimo da Asa, através deste maravilhoso blog.

Agatha para mim, foi o inicio da paixão ao crime, ao mistério, aos enigmas ainda na minha meninice e quase adolescência, e foram muitas as tardes de inverno nas férias escolares, passadas à lareira, entretida com Miss Marple e o maravilhoso Poirot, que saiam dos livros trazidos da biblioteca para darem vida e corda à minha imaginação. Sim, sem dúvida responsabilizo esta grande escritora, pela minha grande paixão  actual por livros policiais.

E ela é sem dúvida uma grande senhora, conhecida por a Rainha do Crime ou a Duquesa da Morte, as suas obras correram mundo e são reconhecidas desde a década de 50, tendo sido já muito depois da sua morte considerada a melhor Escritora de Livros Policiais do séc. XX.

Assim continuam a chegar até nós traduções recentes das suas obras, como é o caso deste livro, embora seja originalmente de 1961.

O que gosto essencialmente, e quero aqui destacar e relembrar, é que esta senhora escrevia estes policiais há 50 anos atrás, e embora fossem outros tempos, outros métodos de investigação e até outros tipos de crimes, é de louvar a perspicácia como as histórias se desenrolam e nos fazem sobretudo pensar, não sendo assim de qualquer forma, aborrecidas ou antiquadas.

Neste livro deparámo-nos com umas estranhas mortes, e demasiadas peças soltas. Primeiro alguém doente que se confessa e morre, depois o padre que ouviu a confissão e é assassinado, e junto a isto, nomes.. nomes numa lista, nomes esses disconexos e aparentemente sem ligação.

É através do divertido e dinâmico escritor Mark Easterbrook, que a história nos é contada, é a ele que as pistas vão parar coincidentemente, enquanto vai levando a sua vida normal. A história envolve bruxas, aldeias rurais, segredos de um inválido rico, um apostador vigarista e uma ruiva inteligente - Ginger, que vai ajudar Mark na sua investigação.

Um livro que se torna divertido, para leitura numa tarde fria, lê-se rapidamente e põe-nos a pensar e a fazer contas de quem será o assassino.

Agatha Christie? Recomendo sempre. Inclusive, até fiquei agora com o bichinho para coleccionar as mais recentes histórias editadas que ainda não li.




 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

[ Novos Livros] Lançamentos de Janeiro 2013 [Quinta Essência]

   Após as festas, aqui estamos de volta ao vosso convívio e com muitas novidades e surpresas, neste novo ano que agora tem início.
 
   Para irmos ao encontro das expectativas dos nossos leitores, iremos contar com uma nova rúbrica aqui no blogue, que fará o resumo das novidades dos nossos parceiros editoriais.
 
   E para brindar ao novo ano, já em Janeiro, poderemos contar com três excelentes novidades editoriais da nossa parceira Quinta Essência.  
 
 
[1]"O Desejo" - Nicole Jordan
 
Sinopse:
 
 
Uma noiva relutante. Uma maldição de família. Uma paixão escaldante que não pode ser domada…
Amante lendário e chefe de espionagem, o sombriamente sensual conde de Wycliff evita o matrimónio até que um encontro próximo com a morte o faz ansiar por um filho que perpetue o seu nome. No momento em que Lucian avista a atraente Brynn Caldwell numa praia da Cornualha, sabe que encontrou a mulher que quer para sua esposa.
Brynn acredita que o fascínio daquele conhecido libertino por ela resulta de uma maldição com séculos que condena as mulheres da sua família a tentarem os homens – apenas para conduzirem aqueles que amam à morte. Obrigada por circunstâncias difíceis a casar com Lucian, Brynn entrega o corpo às suas carícias mas não se atreve a entregar-lhe o coração.
Preso numa batalha de vontades com a sua encantadora mulher, Lucian começa a suspeitar que Brynn é uma traidora. Não tarda a ver-se atraído para uma teia de perigo e traição, na qual o preço de conquistar o coração esquivo da esposa pode ser a sua própria vida.
 
 

 
 
 
[2] "Cinzas da Meia-Noite" - Lara Adrian
 
Sinopse:
 
Uma mulher impelida pelo sangue. Um homem sedento de vingança. Um lugar onde convergem a escuridão e o desejo…
Quando cai a noite, Claire Roth foge de casa, impelida por uma feroz ameaça que parece ter saído do próprio inferno. Então, de entre as chamas e as cinzas, aparece um guerreiro vampiro. Ele é Andreas Reichen, o seu antigo amante, agora um estranho consumido pela vingança. Apanhada no fogo cruzado, Claire não pode escapar da sua fúria selvagem, nem da fome que a arrasta para o seu mundo de eterna escuridão e infinito prazer.
Nada impedirá Andreas de destruir o vampiro responsável pelo massacre dos seus irmãos de Raça… mesmo que isso signifique utilizar a ex-amante como isco na sua missão mortífera. Ligada pelo sangue ao seu perigoso adversário, Claire pode conduzir Andreas até ao inimigo que ele procura, mas é um caminho repleto de perigos… e de profundos e inesperados prazeres. Pois Claire é a única mulher que Andreas não deve desejar, e a única que amou. Inicia-se assim uma perigosa sedução que dilui a linha que separa presa e predador e aviva as chamas de uma ardente paixão que pode consumir tudo no seu caminho.
 
 
[3] "Filha da Magia" - Barbara Bretton
 
Sinopse:
 
Criar um bebé é difícil, mas criar um com poderes mágicos é-o ainda mais....
Em Sugar Maple, Vermont, Chloe Hobbs não podia estar mais feliz com a sua gravidez. No entanto, com a chegada da nova moradora da vila, as coisas vão tornar-se ainda mais mágicas!
Laria é um bebé perfeito e Chloe e Luke são uns pais babados mas, ao descobrirem que Laria sai à mãe nas artes mágicas, torna-se claro que a bebé pode ter mais poder do que aquele com que uma profissional como Chloe consegue lidar
Em Filha da Magia, Barbara Bretton continua a saga iniciada em Feitiços de Amor, A Magia do Amor e Sonhos Encantados.
 
_______________________________
 
Desta selecção, iremos, inicialmente, ler e elaborar artigo de review da obra "O Desejo", de Nicole Jordan.
 
Um início de ano cheio de boas leituras para animar mais ainda os nossos tempos livres e as nossas estantes.  Fiquem atentos e votos de um excelente 2013!
 
 
 
 


 

domingo, 23 de dezembro de 2012

[Renda & Saltos Altos] "Sedução", de Bella Andre [Planeta]


Autora: Bella Andre

Título: Sedução

Editora: Planeta Editora

Edição: 2012

Sinopse:

     Charles Gibson é um escritor de êxito, mas devido aos temas que escreve afasta as mulheres e sujeita-se a blind dates que os amigos lhe propõem. Candance Whitman, recém-chegada à literatura erótica, tem encontrado diversos obstáculos pelo caminho. Cansada de ser criticada, decide ir a uma conferência de escritores com o objectivo de aprender, onde acaba por conhecer o seu ídolo: Charles Gibson, o autor best-seller de romances eróticos. Charles propõe-lhe cinco lições para lhe ensinar as noções básicas do erotismo, criação de cenas, ou seja, conselhos muito válidos para obter bons resultados. Mas o que nenhum dos dois esperava era que as lições teóricas passassem à prática. Infelizmente, a desilusão de Candace em relação ao novo romance que está a escrever - no qual Charlie desempenha o papel principal - ameaça-lhes a possibilidade de desfrutar de um amor verdadeiro. Conseguirá ela separar a fantasia da realidade?

Crítica por Isabel Alexandra Almeida/Blog Os Livros Nossos:

   "Sedução", de Bella Andre, é um livro bastante pequeno, contém um núcleo de personagens bastante restrito, destacando-se em todo o enredo as duas personagens principais - Charles Gibson e Candace Whitman.
    As duas personagens centrais surgem caracterizadas em traços bastante genéricos: Charles Gibson, um célebre escritor de literatura erótica, com créditos já firmados ao nível editorial, mas, ironicamente, não consegue relacionar-se de forma estável com uma parceira, nem encontrar a desejada estabilidade ao nível emocional; Candace Whitman, uma escritora que procura afirmar-se no campo da literatura erótica, estando algo cansada de ser julgada erroneamente, apenas pelo género literário a que se dedica, sendo vítima de estereótipos e ideias pré-concebidas que bastante a afectam.
     A  trama é bastante linear, sem peripécias nem grandes reviravoltas, todavia, tem uma particularidade, ao nível narrativo, existem dois planos distintos, que correspondem à história vivenciada entre Charles e Candace, e também ao conto que Candace escreve, à medida que a relação com Charles se vai desenvolvendo.
   Charles acabará por se tornar no mentor/orientador de Candace, após se conhecerem numa conferência de escritores eróticos, e propõe-se transmitir à jovem algumas técnicas de escrita erótica, em cinco lições.
    Candace e Charlie envolvem-se em várias situações de natureza sexual, que vão correspondendo às "lições" propostas.
   O livro contém uma linguagem bastante crua e explícita, podendo mesmo chocar alguns leitores menos avisados para o que vão encontrar. 
    Os termos em calão são uma constante, se bem que contextualizados no âmbito de cenas íntimas entre as personagens, que acabam por ter como bónus, o facto de, a dado passo, e gradualmente, o envolvimento que começa por se traduzir numa forte atracção física, posta em prática a pretexto de lições de escrita, acaba por evoluir em termos emocionais, sendo tal envolvimento recíproco.
    Todavia, alguns acontecimentos implicam o risco de que a relação entre Charles e Candace não chegue a bom porto. 
    É um livro muito simples, bastante ousado, narra um clima relacional absolutamente escaldante, quer pelas descrições, quer ainda pela linguagem usada.
    Trata-se de uma obra de rápida leitura, que prende o leitor que se sinta confortável perante o estilo bastante cru da autora usado na construção da história.
     É envolvente, e deixa-nos a constante curiosidade em saber como a história irá terminar, e qual o destino que aguarda os dois protagonistas.
  Pessoalmente, gostei da história, e se bem que inicialmente tenha ficado algo surpresa perante a linguagem, a verdade é que superei tal facto, e nunca me passou pela cabeça desistir da leitura do livro.
   Fiquei, sim, bastante curiosa em ler o texto no original Inglês, na medida em que encontrei algumas incongruências de linguagem, com saltos abruptos no estilo da mesma, que naturalmente questionei se se deveriam a eventuais lapsos de tradução.
    Anotada fica também a pesquisa e leitura de outras obras da mesma autora, a fim de aferir se esta é uma obra típica da mesma, ou se apenas foi escolhida por ser uma história curta, de rápida leitura e tradução, e que se enquadra facilmente nos actuais hábitos de consumo literário do público, como sucede em Portugal actualmente, com uma verdadeira corrida ao romance erótico e/ou sensual.
  Não é um livro extraordinário, mas também não é de afastar a sua leitura, quanto mais não seja, para saciarmos a curiosidade e descobrirmos mais uma autora, e como não faz pensar, nem suscita reflexões de maior, constitui um bom entretenimento.
   Alguma das nossas leitoras já leu o original em Inglês?  As minhas reticências vão muito para esta questão. Quero depois saber as vossas impressões quanto a este livro a merecer classificação com bolinha vermelha, e impróprio para cardíacos :P







quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Luz do Fogo de Sophie Jordan




Autora: Sophie Jordan
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 296
Editor: Livros d'Hoje



Sinopse:

Marcada como especial numa idade precoce, Jacinda sabe que cada movimento seu é controlado, mas anseia pela liberdade de poder fazer as suas próprias escolhas. Quando quebra o princípio mais sagrado entre a sua espécie, quase chega a pagar por isso com a própria vida. Até ser salva por um belo desconhecido. Um desconhecido que foi enviado para caçar aqueles que são como ela. Jacinda é uma draki - descendente de dragões cuja maior defesa é a habilidade secreta de mudar para a forma humana.
Forçada a fugir para o mundo mortal com a sua família, Jacinda esforça-se por se adaptar ao seu novo ambiente. A sua única luz é Will. Um jovem lindo e evasivo que devolve a vida ao seu draki interior. Embora se sinta irresistivelmente atraída por ele, Jacinda sabe o segredo obscuro de Will: ele e a sua família são caçadores. Deve, por isso, evitá-lo a todo custo.
Mas o seu draki interior está a morrer lentamente - se ele morrer, ela será humana para sempre. Fará tudo para impedir que isso aconteça. Mesmo que isso signifique ficar mais perto do seu mais perigoso inimigo.
Poderes míticos e um romance de tirar o fôlego inflamam a história de uma rapariga que desafia todas as expectativas e cujo amor atravessa quaisquer obstáculos.


Opinião:

Mais um livro arrebatador! O tema não é inovador mas a maneira como é abordado é! E nunca mais veremos os dragões da mesma maneira. Somos transportados para uma realidade não muito diferente da nossa mas onde os descendentes de dragões vivem em pequenas comunidades encobertas por brumas e magia. As personagens principais, jovens adolescentes apaixonados são iguais a tantos outros vivendo um amor proibido. Ela, Jacinda, é uma draki e ele, Will, um caçador. Contudo há sempre elementos de surpresa que nos fazem adorar cada página. Cheia de emoção e aventura este romance feito no mesmo molde de tantas sagas já conhecidas do público consegue despertar a nossa curiosidade pela raça que nos apresenta, as suas caracteristicas e motivações. As personagens secundárias como a mãe e a irmã gémea de Jacinda são fundamentais e não meros adereços como vemos acontecer noutras obras. Os desenvolvimentos são rápidos mas não tanto que nos perturbe. A leitura é bastante acessível e o final tão fantástico que nos leva a querer saber mais.
 
Esta e outras opiniões no blogue Crónicas de uma Leitora. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

[Renda & Saltos Altos] "Um Toque de Perversão", de Jennifer Haymore [Planeta]

 
Autora: Jennifer Haymore
 
Título: "Um Toque de Perversão"
 
Título Original: " A Hint Of Wicked"
 
Edição: 2011
 
Editora: Planeta
 
Sinopse:
 
   Sophie, a duquesa de Calton, recomeçou por fim a viver. Após sete anos de luto pela perda do marido, Garrett, em Waterloo, casou com o melhor amigo e herdeiro, Tristan. Sophie entrega-se-lhe de corpo e alma até ao dia em que o marido regressa do continente e exige o seu título, as suas terras… e a sua mulher.
Agora, Sophie tem de escolher entre o primeiro e o novo amor, sabendo que, seja qual for a sua opção, esta destruirá um dos homens que adora. Será Garrett, o seu namorado de infância, cuja perda a ia aniquilando? Ou será Tristan, o amigo querido que se tornou amante, que a apoiou nos últimos anos de luto e que lhe deu a conhecer uma paixão que ignorava? Enquanto os dois maridos lutam pelo seu coração, Sophie vê-se envolvida num jogo perigoso – onde as apostas não são só o amor… mas a vida e a morte.
 
Crítica por Isabel Alexandra Almeida/Blog Os Livros Nossos:
 

  "Um toque de perversão", (com o título original - A Hint of Wicked) é um romance histórico, cuja acção decorre em Inglaterra no Século XIX, na sequência da Batalha de Waterloo.
 
   Foi a leitura de estreia de uma obra da simpática autora Jennifer Haymore, a qual tive o prazer de entrevistar [leia aqui a entrevista com a autora], e devo dizer que fiquei de imediato fã incondicional do estilo bem próprio de escrita com que a autora nos brinda, o que me levou a querer ler a continuação desta série [Os Jameson], sendo que, durante as férias de verão devorei literalmente em dois dias o segundo livro "Um toque de Escândalo".
 
   Quanto à linguagem, a mesma é bastante fluída, não deixando de conter o jargão formal tão próprio da época da narrativa, e do meio social onde se movem as personagens centrais [a aristocracia britânica, no século XIX], uma escrita muito muito envolvente, que leva a que mergulhemos nos livros na ansia de desvendar as peripécias que se seguem, e não faltam nesta história várias reviravoltas inesperadas, o que confere aos livros originalidade dentro do género em que se inserem [Romance de época, sensual], o qual é bastante explorado, principalmente entre autores anglo-saxónicos.
 
  As personagens principais: Sophie, Tristan e Garrett mostram-se amplamente caracterizadas aos níveis físico, psicológico e social, e somos muitas vezes transportados até ao seu mundo interno, que se percepciona pelas suas dúvidas, atitudes, decisões e indecisões.
 
   Há personagens - como Lady Rebecca, que não assumem neste primeiro livro, tão grande destaque, mas apenas porque virão a assumir o papel de personagens centrais noutos "episódios" da série  dedicada à família Jameson.
 
   Quanto à intriga, a mesma é bastante apelativa e desperta díspares emoções, levando os leitores a tomar partido a favor ou contra algumas das personagens. A minha personagem preferida foi Tristan, mas as opiniões divergem entre os leitores.

  Garrett - Duque de Calton -  é dado como desparecido na referida batalha, e durante sete anos, a Duquesa Sophie e o primo do Duque - Lorde Tristan Westcliff - envidam todos os recursos ao seu dispor para o procurarem, mas sem sucesso.

  Entretanto, o destino prega uma cruel partida a este trio aristocrático, e o Duque de Calton regressa passados sete longos anos, vivo, e disposto a retomar a sua vida de volta, assim como o amor de Sophie, a qual entretanto, reconstruira a sua vida junto de Tristan, o qual assumira a administração das propriedades do Duque.

   Sophie vê-se então dividida entre dois amores, e surge ao longo do livro a questão sempre latente: pode Sophie amar ambos os homens? Como irá ela tomar a mais importante e dolorosa decisão de toda a sua vida? Como se explica o misterioso desaparecimento do Duque de Calton, durante longos anos e tendo sido arduamente procurado pela família que tanto o estimava? Estes são alguns dos dilemas colocados durante a narrativa.

  A autora traça um retrato fiel da sociedade Inglesa do Século XIX, com o seu puritanismo por vezes exacerbado, as convenções sociais levadas ao extremo, e uma justiça que compactua com esta visão muito severa da moralidade vigente [uma moralidade bastante hipócrita, a meu ver], logo, temos um bom retrato do espaço social vigente.

   Em simultâneo, a autora soube habilmente inserir na obra um toque de sensualidade, em especial, descrevendo de forma explícita, porém elegante, os envolvimentos sexuais que as personagens vão tendo, mas onde o sexo surge envolvido num indiscutível turbilhão emocional, e por isso em nada choca o leitor este aspecto da obra.



   No último terço da obra, e à medida que vamos descobrindo as respostas, surge também um momento de acção, com a perseguição a um criminoso em que se envolvem algumas das personagens, o que traz também uma componente de aventura à narrariva, já de si, bastante bem construída e rica em detalhes.
  Atrevido, sem ser excessivo, com boas doses de dilemas e dúvidas que afectam as personagens, romance, paixão, amor, sexo e também aventura.
  Recomendo uma das minhas autoras preferidas!


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

[Opinião] "Branca de Neve", adaptado por Suzanne Kabok, Ilustrado por Benjamin Lacombe [Paleta de Letras]

 
Baseado no conto de Jacob & Wilhelm Grimm
 
Adaptação de Suzanne Kabok
 
Tradução de Elisabete Santos
 
Ilustrado por Benjamin Lacombe
 
Editora: Paleta de Letras
 
1ª  Edição: Novembro de 2012
 
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Sinopse:

“Branca de Neve” é o primeiro livro do talentoso ilustrador francês Benjamin Lacombe  a ser publicado em Portugal. Tem a chancela da editora Paleta de Letras e chega às livrarias como uma forte aposta de natal para o público infanto-juvenil.
Bem ao seu estilo, Lacombe apresenta-nos uma Branca de Nece envolta em mistério e nostalgia, com imagens a transportarem-nos para o reconto surrealista da obra. O ilustrador recria os personagens tradicionaois da versão do conto dos irmãos Grimm.
 
Sobre Benjamin Lacombe, Ilustrador da Obra:
 
   Lacombe andou na Escola Nacional de Artes Decorativas (ENSAD) em Paris e, aos 19 anos, publicou o seu primeiro livro. Desde então, trabalhou com dezenas de editoras de todo o mundo e os seus temas recorrentes são a juventude, a melancolia, a solidão e a diferença, temáticas tabu que fogem ao habitual universo infantil colorido e que, num misto de inspiração pré-rafaelista e contemporânea, resultam num estilo próprio.

Excerto da Obra:
«Era uma vez, em pleno coração do inverno, uma rainha que bordava junto à janela. Através da moldura de ébano contemplava os flocos de neve que pairavam no ar, como se fossem penas. Subitamente, picou-se no dedo e três gotas de sangue caíram na neve. Sobre a brancura fulgurante da neve, o vermelho sobressaía de forma tão bela, que pensou: «Ah! Oxalá tivesse um filho com a pele branca como a neve, os lábios vermelhos como o sangue e o cabelo negro como o ébano!».
 
Crítica por Isabel Alexandra Almeida/Blog Os Livros Nossos:
  Ao pegarmos nesta obra é, desde logo, impossível ficarmos indiferentes ao seu grafismo irrepreensivel, em capa dura, numa edição de luxo, as ilustrações parecem saltar do livro até junto de nós e mostram-se impressas num papel rugoso e brilhante, de elevadíssima qualidade.
A Editora Paleta de Letras apostou numa obra de excelência, direccionada para o público infanto-juvenil, dando uma nova cara ao clássico conto dos Irmãos Grimm, mas dando também a oportunidade aos coleccionadores de adquirir um livro que é, também, um objecto de culto e de elevado rigor estético.
  Aliás o livro é uma verdadeira obra de arte, e esta edição acaba por fazer transparecer o cunho pessoal que o Ilustrador Francês Benjamin Lecombe adora conferir aos seus trabalhos. Maravilhosamente ilustrado, o livro transmite aos leitores uma dupla mensagem, combinando sabiamente os códigos visuais e os linguísticos.
  A história surge narrada em termos bastante clássicos, assumindo a Madrasta o papel de Vilã, Branca de Neve como uma jovem beleza em perigo devido à inveja causada à pérfida Madrasta [que encomenda a morte da menina a um caçador, porém sem sucesso, uma vez que o mesmo poupa a vida da princesa]. Perdida na Floresta encontra abrigo em casa dos trabalhadores sete anões. Até encontrar o esperado final feliz nos braços de um belo príncipe, Branca de Neve terã ainda de superar algumas adversidades colocadas no seu caminho pela rainha má que casara com o seu pai.
 O texto surge-nos apresentando em tom bastante elaborado e de elevada qualidade literária, sem que tal impeça o claro entendimento da obra pelos jovens leitores, que aliás podem ir questionando os adultos que lhe deem o livro a conhecer [estimulando-se assim ainda mais a natural curiosidade das crianças por novas descobertas, e incentivando a leitura desde tenra idade].
  As ilustrações transmitem claramente as emoções das personagens [inveja, beleza, medo, ternura, tristeza e felicidade] e permitem levar os jovens leitores a visualizar a dinâmica da história narrada, associando as personagens a uma clara imagem mental das mesmas, levando-as até ao mundo mágico dos contos de fadas.
  E nós adultos, apreciadores de livros, não ficamos também indiferentes a este livro, aliás, somos levados de volta à infância, revivendo com nostalgia este clássico revisitado, numa edição que bem merece ir passando de geração em geração, pela sua extrema qualidade a todos os níveis.
  Uma boa sugestão para oferecer neste Natal, um claro convite para ler um livro ao deitar na noite de consoada.
  Em suma, Branca de Neve é pura magia em forma de livro!